Notas iniciais
Esse capítulo é narrado em primeira opção por Mia

Eu abro meus olhos, lampejos de luz entram na minha retina, eu me esforço para me levantar e me olhar no espelho. Eu tomo meu café; cereal com leite, mastigo lentamente. Eu saio de casa, fecho a porta, pego minha bicleta, ando pelas ruas. Espero nos sinais como se estivesse esperando por algo grandioso. Eu chego na escola e sento na minha mesa ao lado da janela.

Eu sento isoladamente, vejo os outros a distância. Não os compreendo e não tenho a intenção de conhecê-los, são estranhos, vultos, formas. Eu olho pela janela, penso no que se passa na mente de cada pessoa ao meu redor; será que pensam na chegada eminente da morte? Ou só ignoram isso diaramente? Ou preferem simplesmente não pensa nisso?

É, estão ocorrendo minhas aulas. Eu estou tão longe, à milhas de distância. Eu não ligo, eu viajo. E pronto, eu tenho meu precioso intervalo para o almoço.

Eu ando pelo corredor ouvindo meus passos pesados, são como estacas no chão. Eu ponho as mãos nas paredes para sentir a textura de cada uma delas.
Pego meu almoço, sento a mesa sozinha. Eu aprecio os diferentes sabores da minha comida e percebo que algumas pessoas me encaram as vezes. Devem pensar: "quem é essa louca que está sempre sentada sozinha?"

E eu volto para aula, não há mais nada de mais importante após isso. As aulas acabam, eu pego minha bicleta, meus cabelos contra o vento. Eu finalmente chego ao meu local favorito: "Café des Artistes", uma pequena cafeteria numa parte mais tranquila da cidade. Eu sento em uma mesa, gosto de como as cadeiras são confortáveis, aprecio o aroma do café. Percebo que há mulheres falando alto.

Eu gosto de ficar na minha, tomando meu café com creme caladamente, dando uma olhada nas pessoas ao meu redor. Eu não gosto de pessoas que falam alto e são rudes. Porém, algo me chama a atencão, ou melhor alguém.

Uma mulher mais nova entre as mulheres mais velhas que falavam alto na mesa ao lado. Ela tem cabelos louros radiantes e uma expressão triste em sua face. Pelo anel dourado no dedo, confirmo que ela é casada. Eu geralmente não atraio por mulheres casadas, mas algo sobre essa em particular me encanta.

Isso me acarreta lembranças de quando eu era criança. Eu me achava estranha por gostar só de meninas, até o dia em que assisti um programa na televisão sobre um casal de lésbicas que falavam que estavam felizes nos seus dez anos juntas. E isso revelou minha verdadeira natureza, eu sabia o que eu era e havia um nome para isso.

— Você ainda não tem filhos, como assim? — uma das mulheres barulhentas interrompe minhas lembranças.

Eu passo a pretar a atenção na conversa, as mulheres mais velhas estão pressionando a mais nova a ter filhos de modo insistente. Os olhos dela estão começando a lacrimejar, e eu não penso duas vezes e me levanto com um copo d'água na minha mão.

— Por que vocês não se calam? — eu digo jogando água na cara das mulheres irritantes.

— O qué? Quem é essa louca? O que ela pensa que está fazendo? — uma delas diz indignada.

Tarde demais, eu já estoh na porta de saída do restaurante. Eu não gosto quando mulheres pressionam as outras a fazerem coisas que são "esperadas" de uma uma mulher. Esse tipo de pensamento é antiquado e chato!

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No dia seguinte, retorno ao café e peço desculpas a Isla, a dona do café pelo meu comportamento, ela diz que estava tudo bem e que eu havia feito o certo e que havia alguém me esperando. Quando olho quem era a pessoa que estava me esperando, levo um choque. É a mulher de ontem, a loura casada. Ela tem um sorriso na sua face e me pede para sentar com ela e eu atendo a seu pedido.

— Obrigada pelo o que fez ontem — ela me diz sorrindo.

Eu não a respondi, eu sabia que ela havia me esperado só para me contar algo e eu aguardo ela me contar. Ela me conta como seu casamento estava díficil, ela não estava feliz, ela e o marido só se encontravam uma vez por mês. Eu sem pensar duas vezes perguntei a ela:

— Então, basicamente vocês não transam?

— Meu Deus! — a expressão dela é de choque — como as garotas jovens são para frente atualmente!

— Mas é verdade, certo? — eu insisti

Há um silêncio após isso e ela acena com a cabeça. E ela começa a falar hesistante:

— Mas esse não é o problema, sabe?

— E qual é o problema? — minha expressão a mais neutra possível.

— Eu acho que...- ela hesista um pouco mais — Eu acho que homens não são para mim sabe?

Meus olhos se arregalaram, não esperava que ela fosse se abrir tão facilmente para uma completa estranha de dezessete anos como eu.

— E você está dizendo isso para uma completa estranha? — eu pergunto.

— Sim, é bom falar isso para alguém de fora, sabe? Que mal me conhece, uma "outsider".

"Outsider? Hum?" Eu penso. "Bom, é o que eu sou mesmo." E me faz instigar mais a fundo do porquê e ela estar achando que homens não eram para ela. Ela me conta uma história sobre uma amiga que confessou seus sentimentos para ela quando ela era adolescente.

— Quando ela disse que gostava de mim, nem passou pela minha cabeça que era mais do que como amiga. Só quando fui analisar o modo como ela falou mais é que compreendi o que ela estava implicando. — a voz dela cheio de remorso.

— E ela te falou algo após isso? — eu pergunto.

— Não...mas, eu a vi esses dias recentemente, não sei se ela está em um relacionamento, ou se é com uma mulher. E sei lá me fez pensar, sabe? — ela me encara como se houvesse algo a mais por trás daquilo.

— E deixa eu adivinhar, ela se parece comigo? — eu pergunto de curiosidade.

— Sim — ela afirma emcabulada.

Eu realmente não esperava estar tão certa do que eu suspeitava. Várias mulheres se descobrem bis ou homossexuais após estarem casadas, mas eu não eu acho que esse é o caso. Eu não hesito, sabia o o que deveria fazer:

— Então, que tal nós irmos a um hotel? Quem sabe eu possa ser sua primeira experiência com uma mulher?

Ela me encara e começa a rir, e a risada dela se estende até perceber que eu estava falando sério.

— Mas o que eu faria com uma garota da sua idade? — ela pergunta ainda não acreditando.

— Olha, eu tenho dezessete anos, sei bem o que estou fazendo e tenho idade legal para isso. E eu que estou te oferencendo e não ao contrário. — eu explico a ela.

— Mas ainda assim, eu não sei. Você é tão nova! — ela soa insegura.

— Não é nada que não tenha feito antes, você não será minha primeira. — eu afirmo a ela.

— Eu não quero...eu não quero me aproveitar de uma menor. — ela ainda está insegura.

— Eu já disse que tenho plena noção do que estou fazendo e posso acarcar com as possíveis consequências. Mas sinceramente, ninguém aqui está fazendo algo de errado se houver meu consentimento. Sem falar que nunca se sabe quem mais irá te oferecer essa proposta, a sua vida inteira talvez ninguém ousará fazer isso, e você nunca saberá enquanto não tentar, certo? — eu a instiguei.

Os olhos dela congelaram e ela soube que eu estava falando a verdade, é uma oportunidade única na vida dela. E ela acaba concordando, apesar de no caminho inteiro para o hotel, ela ficar falando que não devia estar fazendo isso, que era errado. Estava pensando no que o marido iria achar disso e entre outras coisas.

Assim, chegamos ao hotel, dormimos juntas. Eu não tenho nada a dizer sobre o evento, foi apenas uma transa de qualquer jeito, nada demais. Ela está chorando e diz que se desculpa pelo o que estava sentindo e pelo o ocorrido. Eu apenas observo e digo que está tudo bem.

Dizemos adeus na recepção, eu não havia perguntado o nome dela e sinceramente eu nem quero saber. Foi um adeus frio de como se nada tivesse acontecido. Ela queria se machucada, ela esperava por isso e eu só a deixei me usar para isso. Algumas pessoas não percebem isso enquanto não agem de fato. E eu fiz com que ela tomasse uma atitude, porque eu sou uma mulher e ela também. É simples assim. Nunca mais nos falaremos de novo, ela provavelmente se resentirá pelo o que fez, porém agora ela sabe que o problema não são os homens que não são para ela, ela sabe o que teria ocorrido se ela tivesse dito sim para a amiga que se confessou para ela no passado, eu sou nada. E eu sou nada.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.