Fragmentos
7 Capítulo 7
Olhos vazios, pele suave, cabelos morenos.
Lábios rosados, imóveis e intocados.
A bela jovem inerte poderia passar por uma boneca de cera, não fosse o movimento sutil de sua respiração.
Bonecas de cera existiam aos montes, mas bonecas vivas eram raras.
Tão belas quanto raras.
A garota se entretia ao enfeitar sua boneca mais preciosa.
Penteava-lhe os cabelos longos e negros, pintava as unhas, escolhia as roupas e deleitava-se ao confirmar suas expectativas — as vestes sempre lhe caíam como luva.
Um dia, durante a "brincadeira", aproximou-se da bela inanimada e roubou-lhe um beijo.
Os lábios da boneca eram quentes, mas não demonstravam qualquer reação.
A garota entristeceu-se um pouco, embora desde o início soubesse que não teria seu beijo retribuído.
Não importa o quanto ela tentasse, o coração da boneca não se encheria de vida novamente.
Ele agora era tão vazio quanto os olhos dela.
Mesmo assim, a menina logo sorriu, pois lembrou-se de que teria todo o tempo do mundo para ao menos tentar.
Afinal, aquela seria sua boneca, só sua.
Por toda a eternidade.
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