Fragmentos
1 Um novo começo.
“Eu sabia que ao entrar por está porta eu perderia tudo, já não me restava muito, com o tempo, as coisas que você mais se importa, perde a importância, seus conceitos, valores, mudam, e tudo que um dia fez sentido, já não faz mais. Essa forte brisa, fez todos os pelos do meu corpo se arrepiarem, eu já bati na porta, e agora não tem mais volta, eu não estou com medo, eu preparei tudo para está noite. Hoje eu perco até mesmo esse muito que me resta, mas salvo a pessoa que amo”.
Deixar a minha mãe para ir estudar em uma escola interna, foi à escolha mais difícil que já tomei na vida, eu nunca estudei em uma escola, minha mãe sofre de Síndrome do Pânico, ela tem medo de sair na rua, além de cuidar dela, ela também não me deixava sair, mais para compensar, ela me pagava os melhores professores para me dar aulas em casa. O fato de eu estar aqui, sendo carregado pelo braço por esse diretor até a minha nova sala de aula, é que minha mãe piorou, e minha tia está cuidando dela agora, eu já estou com 17 anos, e para ela, sou só um vagabundo que não quer nada com a vida, e que tem problemas com a sexualidade, então aqui estou eu, preste a entrar nesta sala.
“Puta merda” Era tudo que se passava na minha cabeça no momento, depois do diretor ter me deixado dentro da sala, e ter saído, dizendo que eu já estava entregue. Estava ali parado em frente da turma toda sem saber o que fazer, e o professor não parecia muito feliz por ter interrompido sua aula.
– Sem apresentações, vá se sentar.
– Sim senhor.
Comecei a andar, na penúltima fileira, tinha uma carteira, aquele era meu destino, caminhei tentando não olhar para ninguém, eu estava com as bochechas queimando, sentado, respirei fundo, agora dava para observar melhor o professor. Bonito, aposto que se não fosse um colégio só para garotos, teriam varias meninas sonhando em ter essas famosas quedas por este professor. Virei-me, e coloquei minha mochila na cadeira, e retirei meu material, não era hora pra examinar todos os meninos dessa sala, principalmente por causa do que o professor estava dizendo.
– Espero que todos tenham entendido, essa avaliação vai valer dez, quero ver se relaxaram nas férias, ou se ao menos estudaram um pouco, já sabem o que irá acontecer se pegar alunos colando. (Por que ele está me olhando, por que ele está vindo à minha direção?). Espero que esteja tudo bem para você, não vai ser um problema ou vai? — Disse a ultima frase me encarando.
– De jeito nenhum. – Respondi
– Um 10, creio que não será impossível.
– Na verdade não vejo outra nota a minha prova.
– Veremos.
– Veremos.
Sim, novamente, atenção toda da sala estava sobre mim, e apesar de todos estarem basicamente pensando. “Caralho, to fudido, prova de matemática no primeiro dia de aula”. Isso não era problema para mim, exatas, era minha matéria favorita, e tirando toda a vergonha, eu não deixaria ele me intimidar na frente de toda turma.
Nem se quer me olhou quando estava entregando às provas, ao vê-la, a única coisa que fiz foi abrir um sorriso. Vitoria, eu iria tirar um 10 sem duvidas. Eu terminei em 20 minutos, faltando mais 10 para ele recolher as provas e corrigi-las em aula mesmo, comecei a observar a turma, um garoto sentado um pouco mais a frente, passava cola ao seu colega atrás, ao meu lado estava sentado um menino ruivo, ele era um pouco mais alto que eu pelo jeito, que tenho 1,72 de altura, eu via também o suor em sua testa, sua perna tremendo, sua nota seria provavelmente 5,5 nesta prova. Também tinha um cara bem... Espera, eu escutei isso mesmo?
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