Four and Four - Steps of Tomorrow
24 Capítulo 24 - Cuidado com o que vem depois parte 2 de 3
Notas iniciais

(Trilha sonora: http://www.youtube.com/watch?v=ZGRQKKaox5Q)
Pov Rapunzel
– Anna! Anna, por favor responde! – suplicou Bia.
– Calma. – consolou Lili. – Ela tá bem. Você sabe que eles não seriam capazes de fazer mal a quem é importante para eles.
Epa! Importante? Como assim?
– Ei! Ouviram isso? – chamou Taylor.
– Anna? – chamou Alice. – É ela!
– O que? – questionou Anna, a assistente, franzindo o cenho, confusa.
– Coloca isso pra gente ouvir! – exigi.
– Calma. – Leo apertou um botão e a voz de Anna ecoou num grito:
– EU FALEI QUE TÔ BEM CARAMBA!!!
Me desnorteei e caí para trás. Tenho certeza que fiquei surda! Estou vendo a boca dos outros se mexerem, mas não estou entendendo nada!
– Não grite! – li nos lábios da Manu. Do jeito que as veias do pescoço dela ficaram, tenho certeza que ela tava esgoelando. Ainda bem que não consigo escutar nada.
– O que?! – li um grito na boca do Jack. – Aquilo foi a Anna? Porquê eu não escuto nada? Que palavras eu tô dizendo?! – Geeeeente! Eu sou boa mesmo em leitura labial!
Elsa se jogou no meio de todo mundo e ficou de frente com os nossos assistentes. Mas bem nesse momento meus ouvidos começaram a zumbir e arder. Era como se tivesse uma colmeia de abelhas atacando dentro do meu ouvido. Aquilo era horrível!
Tenho certeza que comecei a gritar feito uma louca, mesmo com pouca consciência e senso de orientação me restando, pude notar que me joguei no chão e comecei a rolar no tapete.
Não sentia e nem ouvia mais nada ao meu redor, só a dor.
Até que uma calmaria começou a tomar conta de mim, a dor continuava, as abelhas zumbiam e atacavam meu ouvido num local inalcançável, mas eu me acalmava. Era como se eu estivesse na areia da praia, depois de me perder no mar e nadar incansavelmente até a areia. Meus membros iriam doer, e minha força iria embora, mas por alguma ironia eu cairia com o rosto virado para cima. A dor dilacerante dos meus músculos e membros me fariam desejar a morte, mas ao mesmo tempo eu estava lá, largada na areia, as ondas batendo em mim, mas eu estando incapaz de me afogar. Finalmente o cansaço bateria. E por mais que a dor seja insuportável, o cansaço a vence. E eu ficaria lá. Sofrendo com a dor, mas com uma calma vinda de dentro para fora.
Pouco a pouco as abelhas do meu ouvido se acalmaram, e algumas vozes distantes chegavam a minha consciência. Só consegui processar algumas frases:
– Desculpa aí gente. – reconheci a voz da Anna. – Mas não pensei que ficariam surdos.
– Todos ficaram. – falou Bia. – Mais pelo choque, nem exatamente pelo barulho. Meio que uma proteção do cérebro à audição. Mas de qualquer forma, depois do calmante eles vão voltar ao normal.
E depois um monte de palavras avulsas. Minha mente vagou um pouco (eu odeio isso! Eu sou uma daquelas pessoas que quando tá sem fazer nada e deitada, ou até mesmo sentada, começa a ter aqueles devaneios estranhos. E do nada os devaneios viram sonhos. E fogem do meu alcance. Óbvio que minha mente cria retardadices longe do meu alcance quando eu estou assim!) E sério! Nesse devaneio eu tenho certeza que vi um cachorro com orelhas de coelho e olhos de mangá, segurando uma beterraba com um uma flor brotando da cabeça. Essa beterraba estava chorando e era estilo: Farm Heroes Saga. Mas nada disso é estranho. O estranho era que o cachorro olhou para mim e disse: Miau... Miau! MIAU!!!!! ISSO NÃO TEM O MENOR SENTIDO!!!!
– RAPUNZEL! – ouvi Merida gritar me tirando do devaneio.
– AI!! Ficar surda duas vezes seguidas é sacanagem! – gritei indignada.
– Quanto tempo se passou? – perguntou Karine levantando do chão.
– Três minutos. – respondeu Anna.
– Maninha!!!!! – gritou Elsa desesperada.
– Olha... Não que eu queira interromper o momento Reencontro de Irmãs, mas... – comecei me levantando. – Onde você está Anna?
– Eu sinceramente, não sei. – ela respondeu em tom de lamento.
– Mas está claro? Escuro? É um lugar aberto? Fechado? – começou a indagar Alice.
– Na verdade é um comôdo vazio e com uma única janela que está no alto, meio que no encontro da parede com o teto. Não é totalmente escuro, mas também não é claro.
– Faz ideia de para qual direção eles te carregaram? – perguntei.
– Não. – ela respondeu pesarosa. – Eles me sedaram e quando acordei já estava aqui.
– Esperem um minuto... – falou Leo. Ele pegou um celular e começou a mexer nele.
– Você é idiota?! – gritou Bia apontando pra ele. – Você sabe muito bem que celulares são proibidos aqui!
– São? – perguntou Soluço confuso. – Mas trouxemos os nossos e...
– Você procurou ele depois que chegou? – indagou Anna, a assistente.
– Não.
– Revistaram todas as malas quando estavam sendo separados em grupos. Pegaram todas as coisas que poderiam servir para falar com os outros.
– Mas porque? – questionou Bryan.
– Não querem que possamos pedir ajuda. – raciocinou Taylor.
– Mas por que precisaríamos de ajuda? – perguntou Mônica.
– Essa é uma boa pergunta. – falou Leo chamando nossa atenção. – E a resposta está no lugar onde a Anna está.
Ele virou o celular para nós e um ponto vermelho estava no meio da floresta.
– Não é muito longe. Podemos chegar em duas horas.
– E ainda não é longe? – falou Lili irritada.
– Vamos correr! Temos que descobrir tudo antes que...
A porta foi ao chão. Ela foi arrombada por um brutamontes que deu espaço e a ruiva dos desafios entrou no quarto.
– Vocês são mesmo um problema. – ela lamentou. – Que pena ter que acabar com preciosidades como vocês.
– O que você está fazendo aqui? – gritou Magali.
– Pergunto o mesmo pra você mocinha!
– Chega! – gritou Alice indo para uma cômoda e pegando um chicote. – Você não é bem vinda aqui!
Com um movimento rápido o chicote estalou e em segundos um fio de sangue desceu pela bochecha dela, mas ela não esboçou reação.
– Isso é um aviso. Se não sair daqui eu te deixo cega!
Ela abriu um sorriso psicopata.
– Hahahaha! Você acha mesmo que eu tenho medo de você garota?! – ela gritou com voz esganiçada. – Você é que devia ter medo de mim!
– De uma perua como você? – Alice riu com desdém. – Até parece.
A ruiva a encarou por alguns segundos. Num segundo uma lâmina atravessou o ar e penetrou no ombro de Taylor que gritou.
O encaramos assustados.
– Vocês não sabem com quem mexeram...
Vários vultos negros cruzaram o quarto, porém rápido demais. Em um segundo alguém já puxava meu braço, mas eu não ia me entregar, lutava contra a força embaçada numa tentativa de me livrar daquelas mãos.
Alguns de nós se soltaram e pularam pela janela. Em pouco tempo eu também me soltei e segui correndo pelo caminho de volta à parede rochosa da depressão. Dessa vez nenhum de nós se importava em ser ou não vistos. Nossos problemas já haviam nos encontrado.
– Temos que chegar onde minha irmã está! – gritou Elsa já na frente.
– Temos problemas maiores no momento! – gritou Manu desesperada.
Outro feixe de luz que dessa vez atingiu de raspão minha cintura. Uma dor se espalhou de repente e sangue manchou minha blusa.
– Temos que despistar eles! – anunciou Karine.
– Vamos nos separar. – falou Jack convicto. Eu lidero um grupo. Leo, você sabe onde a Anna está, um grupo de 15 pessoas vai com você.
– Ok. – ele respondeu e seguiu floresta à dentro.
Todos os assistentes, Elsa, Merida, Cascão, Willbur e Mônica seguiram para encontrar Anna. O resto de nós continuou pelo lado oposto para despistar o povo da ruiva sinistra.
Mas no final da floresta tinha vários monitores que do nada nos atacaram e nos deixaram imóveis no chão.
– Me larga! – gritou Violetta desesperada e rangendo os dentes.
– Vocês estão no meu território. – a ruiva apareceu novamente. – Não podem me vencer. Agora que tal me dizerem o que sabem do nosso plano? Aí eu não mato vocês.
– E se nos recusarmos? – perguntou Jack.
Ela o encarou por alguns segundos.
– Existem coisas piores que a morte.
A voz dela fez meus pelos se eriçarem. Minha respiração travou.
– Vocês vão me dizer tudo. Por bem ou por mal. E só para ser pior... Não vão lembrar de nada. A culpa e os pesadelos vão matar vocês de dentro pra fora. Viver vai ser a pior coisa da vida de vocês.
O homem me levantou a força fazendo o lugar que a lança me cortou doer ainda mais, uma lágrima escapou.
Estava tudo perdido.
Aquela mulher exalava um perigo além da nossa imaginação.
E sei que com o que ela vai fazer...
– Sim Rapunzel. – a ruiva me encarou. – Com o que eu vou fazer... A morte será um doce desejo inalcançável...
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