Four Seasons
15 XII - Antología
Notas iniciais
“E conheci mais de mil formas de beijar
E foi por você que descobri o que é amar
O que é amar” – Shakira
O sol punha-se sobre as cálidas montanhas Cold, o laranja amarelado disfarçava as cores entre o rosa e o azul. A pequena vela iluminava o que um pôr-do-sol não conseguia alcançar, a melodia suave de um piano embelezava o ar oco do silêncio.
The Misty Mounstains Cold abraçavam as trevas com ternura, onde o sol se punha antes do entardecer e madrugava depois do meio-dia. Uma bela mulher olhava-as com adoração dentro de um tecido sedoso transparente, enquanto um homem coberto de seda balançava sobre o teclado preto e branco.
Olívia encarava o infinito, o dia preenchido com reuniões e teses por elaborar ou ler havia tirado a sua paz. Suspirou quando sentiu as grandes e leves mãos de Alexandre, logo sorriu ao sentir o leve beijo no seu pescoço.
– Vamos para casa? – perguntou a voz rouca – daqui a pouco temos de ir jantar a casa da mãe
– Tudo bem, vamos lá, ainda quero vestir-me – murmurou a mulher com preguiça.
Horas depois o vestido envolvia Liv com mangas transparentes, os sapatos bordo embelezavam os seus pés, e seu batom preferido embelezava os seus lábios, já Alex continuava com suas calças pretas preferidas e sua camisa de seca branca com dois botões abertos. Estacionavam ao lado da casa da sua mãe, Dominick já resfolgava de entusiasmo vendo Luyan, uma golden retriver branca, à sua espera no portão.
– Tem calma Dom, Luyan não vai embora – revirou os olhos
– Querida eu ficaria igual se não pudesse vê-la durante uma semana inteira
Copos de vinho estavam a meio, a mesa quase vazia, conversas decorriam ao longos dos minutos, risos misturados com batuques de dedos. O jogo de bola acabara, irmãos discutiam sobre o resultado enquanto filha e mãe falam da vizinha.
– Querida a mulher é impossível e odeia a nossa pequena – murmurava a mulher indignada enquanto dava festas na pequena Luyan
– Ah mãe é uma velha jarreta isso sim – risos soltaram-se por segundos
– Estão a falar da Senhora Alice? – perguntou Michelangelo bebendo um pouco de vinho
– Essa velha deu-nos cabo da infância – sussurrou o outro – Unf! Nem subir a árvores podíamos.
– Nós íamos roubar fruta da árvore dela, querias o quê? – gargalhou Liv recordando-se do tempo em que os três atazanavam a vizinhança toda.
– Que nos deixa-se subir às árvores, ela nem comia as maças ou as nêsperas que roubava-mos – encolheu os ombros dando uma risada.
– Agora nem árvore tem, já não dava fruto – gargalhou Michelangelo lembrando-se do dia em que o jardineiro cortara aquela árvore.
–O senhor Augusto convidou-nos para um churrasco no próximo fim-de-semana — resmungou Isabela.
– Está decidido, vamos jantar lá a casa, nem morta ponho lá os pés – respondeu Liv apressada – não quero morrer intoxicada como da outra vez.
– Tens certeza? Bem, é que…
– Não, não, jantar lá em casa sem discussão possível.
Recordações envolviam a família, álbum de fotografias estavam abertas e gargalhadas espalhadas pelo ar. “Tão fofos!” murmuravam entre fotografias “A culpa foi tua!” diziam por vezes.
– Olhem só, até nesta altura tinha um guarda costas! – riu-se Olívia
– Um? Se não eram três! – riu-se a Isabela – O teu pai é que ensinou-os a serem tão possessivos quanto a ti, até na creche não podia chegar um menino perto de ti, cai o Carmo e a Trindade – riu-se mais uma vez – Uma vez tu chegas-te a casa a chorar, e não querias dizer a ninguém o porque, no outro dia de manha Alex pôs todos os meninos da vossa sala a chorarem porque um deles tinha te feito chorar
– Eu não fiz isso! – defendeu-se Drew – Estava a proteger e a treina-los para a tropa! – gargalhadas soltaram-se até à dor a barriga
– Olhem o que encontrei! – gritou Michelangelo – Até em crianças vocês já se amavam, olhem só! Não se desgrudavam – fez uma careta
– Até éramos fofinhos, posso levar? Quero por no nosso quarto
– Claro filha, leva, tenho umas molduras vazias se quiseres – Liv assentiu guardando a fotografia.
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