Four Seasons
1 Prefacio
Notas iniciais
“Eu amar-te-ia por toda a eternidade se me fosse dado esse tempo”
O telemóvel tocava com aquele som irritante que eu tinha escolhido para me fazer levantar e ir busca-lo à mala. Procurei-o dentro da mesma, porque as mulheres precisam de tanta coisa? Finalmente encontrando meu Iphone 5 preto, atendi e coloquei em altifalante. “Fala Olívia Bieber” disse sentando-me de novo à frente da enorme secretaria com papéis que nunca mais acabavam. “Oi Liv” ouvi sua voz rouca penetrar na minha mente. “Oh! Desculpa, sabes que estou a trabalhar, então eu atendi pensando ser outra pessoa qualquer” “Tudo bem Liv, podemos falar?” “Porque me estás a tratar por Liv? Sim, podemos, almoçamos hoje?” Perguntei “Sim tudo bem, café ao lado da biblioteca?” “Tudo bem, encontra-mo-nos lá as treze.” Disse por fim e desliguei a chamada. O quão estranho tinha sido aquilo?
Ele sabia que eu não gostava muito de almoçar fora, e, sabia também que eu não gostava quando ele me tratava pelo meu nome. Respirei fundo tentando esquecer aquele telefonema, minha ansiedade crescia conforme as horas iam passando.
Sai do meu escritório, Lara sorriu-me, entreguei a pasta com os ficheiros já analisados e sai do edifício espelhado, dirigi-me para a biblioteca, logo ali ao lado ficava o meu café preferido, todos os dias ia lá, depois do trabalho, ou fazer um intervalo entre os papeis e o computador. Sorri para a dona do café, e rapidamente peguei na sua neta de dois aninhos. Maria sorria e gargalhava enquanto eu lhe fazia cocegas.
Sentei-me na mesa, ele ainda não tinha chegado, e estaria quase, ambos gostamos de pontualidade. Faltavam cinco minutos e vi-o cumprimentar a Dª. Beatriz, entrou na parte do restaurante, sentou-se na minha frente. Não me beijou, ele nunca negava os meus lábios, ou então dava-me sempre um caloroso abraço. Almoçamos em silêncio, eu não sabia se queria apenas sair dali sem ouvir o que ele tinha para me dizer.
– Liv – sussurrou quando a sobremesa chegou, apenas murmurei um “hum”, ele entendeu que poderia falar – Olha para mim, por favor – olhei em seus olhos cinzas carvão – Eu estive a pensar… – respirou fundo, quando ele o fazia, e logo em seguida desviava seus olhos, eu sabia que ele estava nervoso. Contia minha respiração – Acho que isto já não está a resultar, trabalhas mais de metade do dia, eu faço horas extras, e – sua voz falhou, elevei a mão, dando sinal que não precisava de saber mais nada
– E gosta de outra – disse por ele, pousei o guardanapo na mesa – Tudo bem, eu sabia que isto um dia iria acontecer, podes ir buscar no domingo as tuas coisas se quiseres – sussurrei, deixei cinco euros na mesa pagando a minha conta de quatro euros e meio como sempre – Adeus Jack – sussurrei levantando-me e virando costas
– Querida já vais? – Dª Beatriz sorriu-me, dei um pequeno beijo na Maria, e sorri para Dª Beatriz
– Tenho trabalho a fazer – tentei dizer – Deixei cinco euros na mesa, por favor fique com o troco – respondi indo em direção à porta, olhei mais uma vez para a mesa onde Jack permanecia sentado – O almoço estava ótimo, obrigada
Sai de lá quase a correr, meus saltos altos enganavam-me, querendo que eu cai-se, a frustração, tristeza e a paixão escorriam molhando-me as bochechas, minhas mãos estavam pálidas, eu toda estava pálida com aquilo.
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