Four Seasons
3 II - Rosa Vermelha
Notas iniciais
"Ele disse-me que amar era sofrer, e eu olhei para ele e disse que sofreria por ele."
Circundava a borda do copo que continha uma substancia vermelha, Ivan e Rose acompanhavam-me na bebida. Estávamos sentados no sofá marrom do bar em que frequentávamos juntos, fazia um ano que não ia ali. Estávamos na parte que nos pertence, isto é, à classe dos Vampiros, não gostamos de nos confundir com humanos ou outras espécies. “Ivan, vou ver os meus submissos” a voz de Rose tentou perfurar o som da música. “Agora que estamos sozinhos” Ivan disse tirando o copo da minha mão. “Tens de o esquecer, ou eu serei obrigo a…” interrompi-o, ele não seria capaz de o fazer. “Não!” “Eu… só preciso de tempo” sussurrei.
Seu riso perturbou-me, “Tempo, o tempo sempre estraga tudo Olívia” ele respirou pesado, seu olhar analisou o meu, “Recupere minha pequena, tem mais uns quantos séculos na frente, não quer ficar apenas com o pensamento nele.” Beijou meus lábios como sempre fazia, “Sim amo.” Concordei, Ivan tinha toda a razão do mundo, mesmo eu não querendo. Eu poderia ter os meus submissos e ter o meu predileto um dia, poderia levar centenas de anos, mas a minha realidade é que eu teria a eternidade para isso.
A pista de dança estava lotada, eu podia sentir os vários cheiros se confundir. “Sempre tiveste um ótimo olfato, não é Liv?” Rose perguntou olhando-me, assenti em resposta, aquilo embargava-me. Levantei, meu vestido bordo colou no meu corpo, as costas estavam nuas, e meu peito realçado com o vestido tão apertado. “Irei descer até à pista” disse. Desci as escadas até à pista, via a multidão acumular-se numa dança remexida e calorosa.
Fui até ao centro, a pista sempre estava por conta dos humanos, era o único lugar do bar em que todas as espécies juntavam-se sem saber quem estava a seu lado. Sem receio e sem medos.
Ainda me lembro da conversa que tive nesta mesma pista com Ivan enquanto dançávamos, antes de ele transformar-me. “Sabes Olívia, existem três espécies neste mundo” seu sussurro fez-me arrepiar “Os humanos, os vampiros e as bestas” Eu não sabia se aquilo era apenas um jogo de sedução, ou se era a realidade, senti seu beijo na pele branca do meu pescoço. “Cheira a…hum a orvalho, com mistura do calor do sol e a pólen” ri-me, “a mim cheira-me a álcool Ivan” seu riso foi abafado “também Liv, mas eu estava a falar do cheiro do seu sangue, da sua pele” sorri, sua imaginação era incrível “venha comigo, confie em mim” eu seguia-o, eu não sabia no que estava-me a meter, que depois de ter chegado ao meu clímax pelo menos três vezes, ele me perguntaria se eu quereria a eternidade para viver. “Sim eu quero, quero ter a eternidade, não quero ter a preocupação de dormir, ou de estar sempre a comer, eu quero a eternidade Ivan” seus lábios tocaram na pele nua do meu pescoço, chupando-o e lambendo-o “eu devo realmente transforma-la? Olívia…”seu suspiro, arrepiou-me “confia realmente em mim, quer ser realmente minha criação, minha submissa Olívia?" eu murmurei um sim querendo logo aquela sensação de puro prazer. Ainda me lembro da sensação dos seus dentes perfurarem-me e o sugar dos seus lábios para ter meu sangue. Aquela maravilhosa sensação me levou ao puro êxtase! “Sabe a quatro estações do ano” sua última fala, antes de me ver transformar naquilo que ele era, a dor era agonizante, ainda a sinto queimar a minha pele, “beba” ele disse depois de dar um golpe no seu próprio pulso.
Cheguei à mesa com um homem loiro de olhos caramelo, Ivan sorriu-me, Rose olhou, e lambeu seus lábios, sim aquele cheiro a caramelo com o toque doce de rosas “Henry estes são Ivan e Rosalie” eles cumprimentaram-se, Henry, eu já conhecia aquele homem, era um dos nossos fornecedores, e bem podemos dizer que era bem bonitinho, não desperdiçaria nada. “Cuide dela, é como se fosse um diamante bruto nas suas mãos” Rose disse, Ivan concordou.
Minha taça estava servida juntamente com o Whisky que Henry bebia, não pretendia ter nada agora, mas se ele um dia concorda-se iria ser meu primeiro submisso. Ele tinha o perfil perfeito para isso. “E como está Albert” sua voz sussurrou no meu ouvido, “Oh! Está ótimo, agora quer fazer acordo com o Japão, daqui a pouco nossa empresa está em todo o mundo, e com mais trabalho eu fico” ele riu-se, “verdade, mas isso é bom certo?” sorri, concordei “Quer ir dar uma volta Senhorita Bieber?” Levantei-me concordando com sua proposta.
A rua estava menos agita, deveria ser pelo menos três da manhã, uma pessoa normal estaria a dormir para ir trabalhar amanha. “Amanhã não trabalha?” Perguntei, esperei por sua resposta, seu suspiro foi alto “Eu deveria” “Mas acho que vou dar-me ao luxo de faltar na parte da manhã” ri-me, ele realmente faria aquilo, estava disposto a isso. “E a senhorita?” Sorri, encolhi os ombros “Eu não preciso de dormir muito” Respondi sendo sincera “Trate-me por Liv” Sorri olhando-o.
Entrei em casa, Dom estava à minha espera, ele sempre fazia isso, como se fosse meu pai e se preocupa-se a que horas a sua filha chegava a casa. “Tudo bem Dom, eu não preciso que esperes por mim” Ri-me afagando sua cabeça, subi as escadas devagar, indo para o meu quarto. Tirei o vestido e vesti uma camisa, que Jack esqueceu-se. Deitei-me na cama, querendo dormir umas horas, mesmo que não precisa-se.
A cozinha estava vazia sem o seu cheiro, suspirei, fui até ao congelador e de um pequeno compartimento secreto tirei uma bolsa de sangue tipo A+, devo dizer que é o mais saboroso, e o único que eu bebo sem ser o de Ivan.
Nunca quis transformar ou provar Jack, eu amava-o, e eu não seria capaz de o trazer para este mundo. Jack sempre teve algo contra outras espécies, sempre que falava-lhe de um livro que lia sobre o assunto, ou via-mos um filme deste tipo ele odiava, era por isso que deixei de ver “Sobrenatural” quando ele estava em casa, ele apagava a TV e não falava comigo durante um período de tempo.
Aqueci a substancia vital e bebi como se fosse um copo de leite. Servi Dom com sua ração preferida, e fui vestir-me, dali a meia hora tinha de estar na empresa. Minhas calças sociais pretas com minha blusa social creme, meus sapatos altos cremes, e o blêizer preto, coloquei tudo o que precisava na minha mala e desci, Dominick já esperava por mim, ele sempre ia comigo para a empresa, tinha seu próprio canto ao lado da secretaria.
Abri a porta do carro, e Dominick saltou lá para dentro, guiei para o enorme prédio espelhado na avenida principal. A música suava, distraidamente olhei para o lado, dando pequenas festa em Dom, o BMW preto ao meu lado, o seu BMW preto, nossos olhares cruzaram, como eu poderia conviver com aquilo? Acelerei querendo sair dali, suspirei vendo seu carro ao longe, “tudo bem Olívia, ele não está a seguir-te” disse para mim própria.
Cheguei perto da secretaria de Lara, esta sorriu-me, “Bom dia S.ª Bieber”, “Bom dia Lara, algum correio para mim?” “ Na sua mesa” murmurei um obrigada e segui para o meu escritório, suspirei abrindo a porta. Pousei a mala e o blêizer num sofá e dirigi-me para a secretaria.
Um molho de cartas formadas à frente do computador estava formado, em cima delas um rosa, seu tom variava entre o cor-de-rosa e o vermelho. Seu cheiro intenso perfumava todo o local, eu tentava descobrir de quem era, mas ela apenas estava só, nem o cheiro da pessoa lá estava. Olhei a rua tentando ver alguma coisa sem ser a possibilidade que teria sido Jack a deixa-la ali. “Uma rosa para outra rosa” sua voz suou no meu subconsciente, aquela voz rouca e tão melódica, sussurrava na minha mente, ele já tinha-me dado varias rosas antes, mas sempre eram brancas sarapintadas de vermelho, porque aquele seria cor-de-rosa confundida com o vermelho?
Sentei-me na secretaria deixando a rosa sobre o teclado do computador, peguei nas cartas vendo os remetentes, todos à espera de uma resposta que eu ainda estava a analisar, não podem esperar nem vinte e quatro horas para eu ter o meu fim-de-semana descansada? Eles não trabalham ao fim-de-semana porque eu teria de trabalhar? Enfim, raça humana é mesmo assim, egoísta, egocêntrica e por vezes maldosa, não que todas as noites eu não visse o noticiário a dizer mais alguma guerra no Iraque, ou mais um atentado no Paquistão, isso era impossível! Humanos não prestam!
O telefone tocava, que som irritante! Tenho de baixar o volume daquilo, até na china eu ouviria! Peguei nele e coloquei no ouvido enquanto pegava novamente nos documentos. “S.ª Bieber?” “A própria” confirmei, “Espero não estar a incomodar, mas o S.º Mendel pediu que lhe liga-se”, “Ah, sim, diga” “O senhor pede que a senhorita esteja pronta daqui a uma hora, ele irá busca-la para jantar, claro se a S.ª não se importar” ri, Henry sempre era assim, imprevisível, tanto numa reunião tinha uma ideia, na outra já tinha outra completamente oposta. “Diga-lhe que aceitarei, e pode dar-lhe um recado por mim?” “Claro S.ª Bieber” “Diga-lhe para não mudar de ideias com a proposta da fundação “Make a Whish” porque eu estou acabar de analisa-la, e dar-me-ia muito trabalho voltar a reler um plano.” O pobre mordomo conteve uma gargalhada, ele sabia muito bem como era seu patrão. “Claro S.ª não se preocupe”.
A chamada terminou, Dom olhava-me com suas pérolas, como se fosse-me incriminar, “tudo bem Dom, é apenas um amigo, eu não o vou sugar na primeira oportunidade” ri-me “apesar de ser tentador, acabei de sair de uma relação, não vou-me meter noutra” suspirei “nem quero”. Subi até ao quarto, pensei no que vestir, decidi algo simples, um vestido rendado preto ficava-me bem, os saltos pretos e meu blêizer e já estava, agora um banho para relaxar um pouco.
“Dom porta-te bem, não destruas o sofá! E, meu gordo, não faças barulho, não esperes por mim” Disse tentando despedir-me de Dominick, seu olhar de cachorrinho abandonado sempre dificultava minhas saídas de casa. Sorri para Henry que dava uma festa na cabeça de Dom, peguei na mala e saímos. Bati na porta de Ivan, queria ter certeza que se acontece-se alguma coisa Ivan iria ver se Dominick estava bem.
A lamborghini cinza estava estacionada perto do passeio, o cavalheirismo de Mendel sempre me surpreendia, abriu a porta deixando-me sentar. A pequena viagem até a um restaurante perto da ponte fora curta e num silêncio agradável. “Felipe deu-me o seu recado”, senti minha face ganhar cor, ri-me nervosa “Eu vou tentar não mudar de opinião quanto à fundação” seu riso abafado foi contido em apenas um sorriso irónico. Sentou-se na minha frente, e depois de sermos atendidos, continuamos a nossa conversa.
– Liv, eu prometo, porque insiste? – seu sorriso foi disfarçado por um semblante serio
– Sabia que não sabe mentir? – perguntei irónica, seu rosto desmanchou-se em um sorriso – Eu acredito em si, eu espero que não mude de opinião nas ultimas quarenta e duas horas, até porque amanha eu irei assinar, e já sabe – sorri para ele
– Quando a senhorita assina não há volta a dar – disse sorrindo
– Isso mesmo – ri – O jantar estava ótimo – comentei depois de uns segundos de silêncio
– Tem razão, estava uma delícia – sorriu – gostou da rosa? Quando a vi, lembrei-me de si, com aqueles tons de vermelho – sussurrou, lambeu seu lábio, ele ficava sensual ao faze-lo, aqueles lábios rosa e carnudos foram mordidos, desviou seu olhar caramelo para longe
– Eu gostei, o cheiro, gostei principalmente do cheiro – remodelei minha resposta, seu sorriso aumentou
– Aqui, tome – ele me deu uma outra rosa, onde ele a tinha!? Sua fragrância alternava o ambiente, o cheiro a rosas vindo do seu corpo justificava o por que de ele gostar tanto de rosas. Aquele intenso cheiro, vindo não só da rosa, mas do seu sangue, a sua mão quente tocando na minha, aquela corrente de eletricidade que me chocou de tão acelerado seu coração estava.
Fale com o autor