Notas iniciais
Hello, people *-----------*
Como vão? Espero que bem. Pois é, nessa madrugadona de sexta para sabado, to vindo aqui postar um capítulo novo. ^^
Espero que gostem... To pingando de sono. *boceja*
E, galera, sobre a música, eu indico que baixem e coloquem para repetir no Media Player ^^ Assim não atrapalha e nem precisa parar para voltar.
Eu sei, ficou enorme, mas não podia diminuir.

[Música — Rolling In The Deep — Adele]


Atena não acreditou quando contou que havia dormido durante dezoito horas consecutivas, sem acordar nem para tomar água ou comer, e estava completamente grogue, presa contra a porta da geladeira, procurando o que podia colocar em sua barriga e calar o leão que nela havia.

Hermes foi o primeiro a chegar, do que ela calculou que fosse a sua caminhada, já que era ainda meio que madrugada, e ele trajava as roupas de tactel, mas isso pouco importou para ela ao ver que o ligeirinho trazia alguma comida da padaria, que sem duvida, era muito mais gostosa do que comida gelada e amanhecida. Ela pegou o saco de papel na primeira oportunidade que teve e o abriu, o cheiro de pão fresquinho e croissant saindo em uma baforada quente que entregava ter sido feito por agora. Quando notou, comia ruidosamente um deles, sob o sorriso divertido de Hermes que apanhou outro.

— Vou comer antes que você acabe com tudo — Zombou ele, dando uma mordida no croissaint — Depois de entrar numa luta selvagem com o chão e dormir como uma leoa, acho que entendo a sua fome, só cuidado para não ficar gorda, hein?

Atena fez uma careta para ele, pegando um dos três cafés do suporte para quatro cafés da Starbucks que Hermes havia trazido. Há uma franquia que fica ao lado do campus e na sua rota de caminhada. Atena sabia disso porque já tentara acompanhá-lo, mas desistira, era rápido demais, preferia ficar com seus livros. E por isso, de fato, aquela sua barriguinha está crescendo e está sendo rejeitada pelos homens sexys e lindos. Ao menos, tinha Apolo. Falando nisso...

— Hey, você viu Apolo? — Perguntou ela, sentando-se no sofá vermelho, o seu sofá, a espera de uma resposta de Hermes deitado no sofá bege a sua frente, o mais velho dentre os três, porque o amarelo, entre os dois, era o mais novo e o de Artemis. Apolo pegava o de todo mundo. Hermes apontou para cima.

— Sétimo andar, Alicia, na cama dela — Trocou o canal para um de esportes — Saíram ontem à noite, se pegaram nas escadas do jeito que você está pensando e até agora ele não voltou.

— Ah, sim — Riu. — Apolo não tem jeito.

— E você não vai me perguntar sobre Artemis?

Franzindo o cenho, ela retirou os olhos do jogo de beisebol e olhou para Hermes sem compreender, enquanto comia mais um pedaço de seu croissant.

— Onde está Artemis?

— Junto com Apolo e Alicia.

Atena segurou-se para não cuspir tudo no tapete que havia lavado semana passada, pasma com a informação.

— Você está falando sério?

Hermes sorriu, com cara de quem tinha ouro em mãos.

— Um Menegé á Trois* caiu bem para a nossa garota pura.

— Oh meu deus — Atena engoliu um longo gole de café para ver se a surpresa descia e se assentava em seu estômago como o líquido quente e amargo. — Apolo está dormindo com a irmã.

Hermes deu de ombros, outra vez trocando o canal.

— Eles não são irmãos, irmãos, são... Quase irmãos.

— Hermes, eles são gêmeos. E incesto é crime.

— Na verdade, Atena, eles são...

Antes que ele pudesse terminar o que dizia, os ditos cujos entraram, rindo de algo e abrindo a porta com um supetão que assustou Atena e levou a cabeça da mesma doer. Os cabelos de Artemis, estavam bagunçados, a boca meio avermelhada e os olhos brilhavam como alguém que fez muito mais do que apenas conversar sobre seu hobby, e Apolo não estava para trás, os fios loiros rebeldes e uma ou duas marcas de chupão no pescoço bronzeado. Mas podem ser tanto meus quanto delas, ainda que o tom estivesse arroxeado demais.

Artemis não olhou pra ninguém ao passar pela sala, indo em direção ao quarto, pois suas bochechas coraram, mas assim que teve a chance, Atena levantou-se e foi correndo atrás dela, saber o que sua amiga tinha, quando uma mão que ela conhecia muito bem segurou o seu braço e colou sua boca em seu ouvido.

— Posso falar com você depois?

Atena afastou-se para fitar os olhos de Apolo. Estes estavam meio tristes, meio alegres e muito confusos sobre algo que acontecera, e que sem duvida, Atena sabia se tratar de Artemis. Preocupada com tal visão no rosto dele, ela assentiu e, assim que ele soltou seu braço, ela correu para sua amiga, trancando a porta logo após adentrar o quarto que era tanto seu quanto dela.

Artemis não se encontrava no quarto propriamente dito, e o som do chuveiro a denunciou. Atena entrou no banheiro, trancando a segunda porta atrás de si.

— Artemis.

— Atena! — Gritou Artemis, assustando, o corpo pequeno dela por detrás do Box de vidro abaixando-se com uma mão sobre o peito. — Não faça isso, tá louca?

— Desculpa. Hey, você tá bem?

— E por que não estaria?

Por que você acabou de ficar na defensiva?

– Só... Perguntei. Você nem se quer disse "bom dia" ou "oi" quando chegou.

Hesitação. Silêncio.

— Eu dormi com Apolo.

Eu acho que já sabia disso. Mas mesmo assim Atena se surpreendeu com as palavras ditas pela boca de sua amiga, e com o fato dela falar com total inflexão.

Sabendo que sua amiga sempre tomava banho de calcinha e sutiã, porque todo mundo tinha o costume de entrar e sair dos cômodos sem sequer bater nas portas e ela nunca trancava, pois uma vez ficara um dia inteiro presa dentro de um banheiro público sem luz, Atena abriu o Box, sem ligar para o fgato de que estava se molhando, e olhou para sua amiga. Artemis não chegou a encará-la, mas suas bochechas coradas indicavam o quanto se encontrava sem graça.

— Hey — Atena sussurrou, erguendo o rosto da amiga pelo queixo, vendo algumas gotas não provenientes do chuveiro escorrendo pelas maçãs do rosto dela. — Hey, Art, o que foi que aconteceu?

— Eu dormi com meu irmão, Atena — Então a olhou, os olhos quase prateados ficando ainda mais claros com as lágrimas que se acumulavam e caiam. — Eu dormi com meu próprio irmão.

Atena engoliu a seco e a abraçou, também se molhando, tanto das lágrimas dela quanto da água quente do chuveiro que escorria sobre as duas. Ocorreu a Atena o pensamento de que momentos mais cedo havia dividido a cama com o mesmo cara por quem Artemis chorava. Fechou os olhos, a escutar os soluços de sua amiga.

— Shh, está tudo bem, Art, ninguém vai ficar sabendo se esse for o problema.

— Mas esse não é o problema.

Atena afastou-se para ver o rosto de sua amiga, com o cenho franzido.

— Então, qual o problema, Art?

A garota de cabelos negros engoliu a seco antes de encarar Atena, com um tipo estranho de sentimento ali dentro.

— Eu gostei, Atena — Os cílios piscaram, escorrendo mais gotas salgadas. — Eu. Gostei. Atena. Isso não pode isso não deveria acontecer, ele é meu irmão. Quem, pelo amor de tudo, pode gostar de dormir com o irmão?

Então, Atena compreendeu a emoção tecida ao prateado.

— Você está assustada.

Art soluçou.

— Eu estou com medo, Atena, eu não sei o que é isso.

E nem eu. Sem saber o que dizer, Atena apenas abraçou a amiga, que soluçava e a apertava em busca de alguma base fixa para se apoiar, e quase já podia saber o assunto da conversa com Apolo.



Somente quando todos tinham saído e só restavam Apolo e Atena dentro da casa, três dias depois, deitados na cama dela, quase dormindo, que a garota de cabelos loiros soube que talvez seu melhor amigo tocasse no assunto.

Não tinham feito nada, Apolo parecia intocável aqueles dias, tão distante e estranho, que até mesmo ela, que o conhecia da mente ao corpo, não sabia do que se tratava aquele silêncio bizarro e nada melhorou com Artemis saindo cedo e voltando na hora de dormir, quando só Atena a via chegar de madrugada.

Foi então que, enquanto deslizava as suas unhas ruídas pelo cabelo loiro do garoto ainda acordado a sua frente, que fitava nada, chamou seu nome no instante em que quase dormia. Atena olhou para baixo, para onde a cabeça dele estava escorada contra seu busto e fitou os olhos azuis com feixes dourados de Apolo. Como até estava acostumando a ver, os olhos estavam confusos.

— Hey, o que foi que houve com você, Apolo? — Perguntou ela, em um tom sussurrante, abaixando-se para ficar cara a cara com ele, olho no olho. Ele fechou os dele por um segundo antes de abri-los outra vez. Ela não podia acreditar que Apolo choraria, e ele não o fez, mas Atena calculou que se falasse as palavras erradas, talvez isso acontecesse por tamanha tristeza que viu e que não sabia como lidar.

— Não foi comigo. — Começou a brincar com uma das molinhas loiras do cabelo dela enquanto dizia, seu tom baixo e meio tristonho. — Foi com Artemis.

Atena mordeu o lábio inferior. É, eu já sabia, será que você também sabe que ela está amendrotada por sua causa? Nunca diria aquilo que pensara.

— O que houve entre você e ela?

Ele ergueu o olhar. E você está com tanto medo quanto ela.

— Eu... Er... — Corou — Dormi com ela.

— Ah. E... O que tem demais?

— O que tem demais? — Os olhos dele se expandiram em estupefação. — O que tem demais, Atena? Ela é minha irmã! Minha gêmea! Você tem noção disso? Eu... Eu...

Carinhosamente, Atena segurou o rosto dele e sorriu, amável, procurando passar um pouco de estabilidade para aquela mente conturbada.

— Você gostou, na verdade, você adorou. — O fez olhá-la. — E eu pergunto, o que tem de errado nisso?

— Tudo, Atena, devia ser escrito...

— Mas não é.

—... Que irmãos algum dia pudessem se gostar! — Afagou a mão dela em sua bochecha, os olhos azulados meio marejados. — E eu não sei o que fazer, Atena. Ela está se afastando de mim e... Tá...

— Doendo?

Apolo assentiu, preferindo fitar os seus cabelos aos seus olhos.

— Eu nunca senti isso antes, Atena, nunca, eu juro. E isso tá me deixando doido. — Olhou-a — É normal alguém querer dormir com a irmã? Mas não só isso sabe... Eu me pego pensando em como seria acordar com ela, se seria diferente das outras garotas e que sinto saudades do sorriso dela. — Suspirou — Eu estou ficando louco, definitivamente, eu deveria estar escolhendo o cara perfeito para casar com Artemis, mas estou querendo ser esse cara. — Afagou a bochecha de Atena, com um sorrisinho fraco de lado. — O que faço, sabidinha? Você é a única que sempre tem resposta para algo.

Atena deu um sorriso pequenino antes de deslizar o polegar para secar algo molhado que escorria pelo rosto dele.

— Faça-a querê-lo, conquiste-a, vamos tentar uma vez e eu vou te ajudar. E Afrodite também. — Deu um beijo na testa dele. — Se você diz que é único, eu acredito, mesmo que seja por sua irmã.

— Será que ela não vai estranhar?

Ela sorriu, assentindo. E também vai ficar com muito medo.

— Mas, conseguiremos, você vai ver. Promessa de dedo mindinho.

— Isso ainda me incomoda, contudo, vamos ver no que vai dar. Eu gostaria de saber... — Suspirou — ... O que é isso, Atena?

Seu eu não estiver errada, Apolo, amor. Um amor proibido pela sua irmã. Entretanto, nada disse, ficando apenas a continuar acarinhando os cabelos dele, até que ambos dormissem, com Apolo suspirando uma vez ou outra, em um sono meio inquieto.



Duas da manhã, notou Atena no momento em que a porta do seu quarto se abriu, inundando-o momentaneamente de luz amarelada do corredor, e a forma de Artemis, parada e surpresa, parou no vão dela. Com uma mão sobre os olhos, para protegê-los da súbita claridade, Atena pediu, baixinho que Artemis entrasse, afim de não acordar Apolo. Assim ela o fez, meio sem saber como agir, a garota esperta de olhos acinzentados pode notar, pelo modo como andava na ponta dos pés, a todo minuto fitando-os para ter certeza de que dormia, mas no momento em que pôs a bolsa sobre a mesa, ambas se assustaram com a voz de Apolo.

— Pode andar normalmente, Artemis, nenhum lobo mau vai te pegar.

— Eu... Eu... Pensei que estivesse dormindo — Sussurrou a provável chapeuzinho vermelho, visivelmente com as bochechas na mesma tonalidade da capa que deveria usar no conto. Rubor notável mesmo sob a lua cheia que adentrava pela extensa janela da metade da parede pra cima, um pouco aberta do lado da garota sem graça, já que ela adorava dormir com o luar prateado como seu abajur, quando o tinha claro. — Eu... Posso dormir na sala, se vocês quiserem.

— Não estamos fazendo nada, Art — Atena tratou de esclarecer, com um sorriso calmo — Então, pode dormir na sua cama.

— Tem certeza?

— Absoluta, Art — Apolo suspirou, sentando-se, meio tonto. — Acho que vou dormir no meu quarto, pode ser, Atena?

— Não — Para surpresa dos dois, fora a garota de olhos, agora, muito prateados e meio fantasmagórica sob a luz do luar que disse. Atena notou um machucado no canto da boca da mesma, mas nada disse, deixando que os irmãos se entendessem, sem se intrometer — Quer dizer... Não, não precisa, Apolo, sério... Eu... Não me importo. Você se importa, Atena, porque, quer dizer, ele está dormindo com você e tudo mais e...

— Sim — E um plano nasceu em sua mente. Apolo franziu o cenho e Artemis pareceu espantada. — Sim, eu me importo. Apolo, por favor, poderia dormir...

— Ok, ok, já estou indo.

—... Na cama da Art?

Seu melhor amigo travou ao escutar isso, as costas ficando tensas para então, muito vagarosamente, virar a cabeça para olhar uma Artemis também parada como uma araucária, tão surpresa quanto o irmão.

— O que... Você está dizendo, Atena? — Balbuciou Artemis, sem tirar os olhos dos azuis de Apolo. — Para Apolo...

Tomara que isso dê certo, por favor.

— Sim, Art, que foi? — Deu de ombros — Vai ser normal, certo? Quer dizer, vocês dois não dormiam juntos quando pequenos? Não dividiram a cama milhares de vezes? O que tem de anormal no meu pedido?

— É que as coisas mudaram, Atena — Disse Apolo, que Atena sabia que tentava compreender sua linha de raciocínio, ainda sem deixar os prateados da garota. — E alguém virou o bicho papão.

Literalmente. E a mulher de olhos cinza quis rir da brincadeira. Artemis então mudou, erguendo o queixo em desafio e pousando a mão no quadril, em puro sinal de teimosia.

— Estamos dizendo de você ou de Orion?

Isso não está saindo do jeito que planejei. Atena fitou o amigo, com as mãos fechadas em punho. Todos sabiam do fato de Orion um dia ter estuprado Artemis, o que levou Apolo a se unir ainda mais e ser mais protetor com a irmã, mas Atena nunca havia visto a sua amiga jogar isso na cara dele. Muito menos depois de tudo.

— Você não chamou o nome dele enquanto ele estava sobre você.

Artemis corou ainda mais e Atena fingiu estar procurando se George, o gato de Hermes que adorava dormir com elas, estava por ali, no chão.

— Cala a boca, Apolo.

— George, George, vem cá gatinho, vem.

— O que foi, eu sou tão ruim de cama assim que precisa fugir de mim?

Isso nunca, sexfriend, mas continuou estralando os dedos atrás do felino.

— George, vem dormir com Ateninha, vem.

— Argh, Apolo, eu nunca dormiria com alguém ruim de cama.

— E nem eu dormiria sabendo que você fugiria de mim depois.

— Eu não estou fugindo de você, eu nunca fujo de nada, e você sabe muito bem disso.

— Então estamos brincando de esconde. Vale por toda a cidade e acaba de madrugada sem que eu saiba disso, é?

— Que foi, está com medo?

— E eu deveria?

— Eu não durmo só com você, Apolo, não existe só você nesse mundo.

— Eu não cheguei a dizer isso.

— George, vem cá, gatinho.

— Ah, mas quis dizer, Apolo.

— Não coloque palavras na minha boca.

— Não tente ser meu pai.

— Eu me preocupo com você, Art.

— Eu dormi com Orion.

Atena quase soltou o gato que estava em suas mãos no momento em que Artemis afirmou isso, sentando-se em seguida na cama, chorando e tremendo, a pressão daquela discussão finalmente caindo sobre os ombros dela a ponto de admitir algo. George reclamou em seus braços e Atena não soube quanto tempo ela e Apolo ficaram calados ao trazer o grande felino para cima da cama, ainda encarando, boquiaberta, sua amiga.

— Você o que? — Todos podiam ouvir a fúria contida na voz de Apolo no momento em que ele falou. — Fala que eu não escutei, Artemis. Ou melhor, talvez eu não queira escutar.

Vendo que sua amiga não poderia com mais uma briga, Atena pousou uma mão no braço de Apolo, pedindo que ele se acalmasse pelo olhar, antes que ele se levantasse com força e começasse a andar de um lado para o outro, com as mãos presas detrás da cabeça, os dedos entres os cabelos em um verdadeiro sinal de desespero. Aquilo não devia ter acontecido.

Deixando para lá tanto o gato quanto o seu melhor amigo em fúria, Atena sentou-se ao lado de Artemis e a abraçou, vendo, em menos de uma semana, sua amiga chorar pela segunda vez.

— Desculpa, Atena — Murmurou essa, chorando. — Eu não devia ter feito isso.

— Shh, está tudo bem, relaxe.

— Bem? — Ambas olharam para Apolo. Este socou a parede com tanta força e fúria que escutaram a porta tremer, surpreendendo-se por não ter quebrado. — Porra, Artemis, isso não está nada bem.

— Apolo, me desculpe — Sua voz saiu um pouco mais alta para que ele escutasse já que estava de costas a elas e não poderia ver seus lábios ao falar. — Eu não queria...

— Você não queria. — Então ele caminhou até a frente da irmã, a mão segurando o pulso dela com tanta força que fez a garota se encolher como se tivesse oito anos de idade ao invés de vinte. Artemis não encarou Apolo. —Depois de tudo o que ele lhe fez, Artemis? Depois de ele ter te... Estuprado, você vem me dizer que não quis? Eu... Eu... Argh!

— Apolo, se acalme, agora — Atena pôs a mão sobre o pulso da mão que o homem segurava a irmã. — Você está a machucando. Deixe que ela conte, espere, não aja como um animal louco.

— Atena, eu poderia matar aquele cara, agora — E ela sabia que era verdade ao fitar os olhos azuis como um mar revoltoso. — Com minhas próprias mãos.

— Assim como eu também gostaria de fazer isso, mas você está descontando nela, olhe para sua mão.

— Pode... Soltar? — A voz baixa de Artemis, tentando puxar de leve enquanto erguia o olhar para fitá-lo. — Está, doendo... Um pouco.

Como que finalmente emergindo para a lucidez, não mais encoberto pelo manto da fúria, Atena viu Apolo folgar o aperto, mas não a soltando, acarinhando o local onde deixara uma marca vermelha após pedir desculpa e sentar-se ao outro lado vago perto de Artemis. Ela não olhava nenhum dos dois enquanto explicava.

— Eu não ia ficar com ele, eu juro que não ia — Afirmou enquanto encarava o irmão. — Mas eu estava com tanta... Raiva de mim e tanto ódio que... Eu... Fui a uma boate.

— Qual delas? — Atena quem questionou. Por favor, não seja a que eu pensei.

— A Victorius.

— Art, você sabia que ele vivia por lá.

— Eu sabia e eu fui exatamente para isso, para provar que eu poderia enfrentar esse medo. Eu fui quatro vezes.

— Você dormiu com ele quatro vezes, é isso que quis dizer, Art?

— Eu... Eu... Er... — Engoliu a seco — Sim, Apolo, dormi com ele quatro vezes.

— E você ainda quer que eu não fique com raiva, Atena. — Ele suspirou, deitando-se com um baque alto contra o colchão. — Como não ficar puto com isso?

— Quieto, Apolo. Continue, Art.

A garota deu uma olhadela pelo ombro antes de continuar, encarando Atena dessa vez.

— A primeira, foi porque eu realmente quis e eu consegui provar a mim mesma que podia machucá-lo também.

— O que você fez?

— Eu bati nele. — Deu de ombros. — Foi legal, só que, como eu estava cega de raiva, não percebi no que tinha me metido. Ele ameaçou matar qualquer um de vocês se eu não ficasse com ele até o final dessa semana.

— O que seria hoje. — Supôs Apolo, a voz calma pior do que a com fúria.

— Sim, foi hoje. — Suspirou, as lágrimas escorrendo pelo rosto. — Eu só queria provar a mim mesma que conseguia. Mas, no final, acabei me dando mal. Eu procurei encrenca, mas eu não queria que isso tivesse acontecido. Eu juro, Atena. — Então ela puxou as pernas para cima da cama e se abraçou, protegendo-se de algo. — Foi... Horrível.

Atena deslizou um dedo pelo lábio dela, pegando uma gota de sangue a vendo se retrair. Ódio preencheu seu coração e a raiva a acompanhou.

— O que ele fez com você, Art?

Mas Artemis não precisou dizer, só precisou olhar para Atena compreender do que se tratava.

— Atena, você se importa de me deixar conversar com Art?

— Nem um pouco — Deu um beijo na testa de Artemis e sorriu — Eu acredito em você, só lembre-se que você tem amigos para te ajudar e um irmão, Art, ok? E Apolo, não exagere.

E assim saiu.



Assim que a porta fechou-se atrás de Atena, levando George junto, Apolo quis muito correr, pegar seu carro e bater tanto em Orion até que aquele filho da puta morresse em suas mãos, implorando por misericórdia.

Talvez até tivesse feito isso, mesmo sendo preso, uma prisão que aceitaria com maior prazer, se não tivesse uma garota pequena e delicada que cresceu com ele e que costumava confiar tanto em sua pessoa tremendo e chorando baixinho, como uma bolinha, sua armadura para proteger-se.

Ele ainda recordava que quando, após bater em Orion naquele dia, há três anos atrás, encontrou-a daquele mesmo modo, só que nua e ensanguentada, o medo predominante nos olhos prateados da garota que tanto amava. E ama.

Apolo sentou-se, ainda fazendo carinho no pulso que malditamente machucara, e procurou os olhos de Artemis, esses que demoraram, mas ao ter seu rosto contra sua mão, a bochecha fria pelas lágrimas, ele conseguiu. E viu aquele mesmo medo daquela noite. Suspirou, seu coração doendo por vê-la voltar outra vez para esse trauma, e a pegou no colo que nem se quer reclamou, deixando-o segurá-la e até prendendo-se a ele enquanto o mesmo caminhava pelo quarto em direção ao banheiro.

— Você precisa de um banho. — E trancou a porta assim que estiveram dentro. As costas dela tencionaram-se ao pô-la no chão e ao mesmo tempo em que tirava a blusa dela, mostrando o que havia por baixo, o corpo da sua irmã tremia, sem estar frio, de puro terror. Apolo amaldiçoou baixinho ao ver cinco manchas roxas espalhadas perto da coluna dela e ao virá-la, mais três apareceram, duas em sua cintura e uma perto da barriga, muito maior do que as demais. Artemis, em nenhum momento, chegou a olhá-lo.

Controlando-se de raiva por aquele idiota ter ferido sua garota, Apolo, com a ajuda de Artemis, retirou a calça jeans e as meias, mais hematomas aparecendo e o pior para ele foi no momento em que ela retirou o sutiã e viu o canto do seio dela machucado. Foi então que ela começou a chorar e ele a abraçou, acalmando sua raiva para dar algum conforto e algum carinho para aquela precisava tanto dele neste momento, ainda mais depois de tudo que havia sofrido.

Assim que o choro amainou, ele a puxou vagarosamente para dentro do Box e ligou o chuveiro, escutando um xingamento devido às dores da água quente sobre os hematomas. Como uma forma de diminuir o impacto, Apolo retirou a sua roupa, ficando só de cueca, e a abraçou, de forma que a água tinha de escorregar pelo seu corpo, muito maior e mais alto antes de delinear as formas dela.

E pela primeira vez, Apolo não sentiu nenhum desejo ao ter uma mulher linda e nua abraçada ao seu corpo, apenas tristeza por alguém ser tão cruel com uma garota doce e divertida como aquela menina em seus braços. Logo que a dor do primeiro impacto passou, ele apanhou uma esponja de banho, vagarosamente a passando pelo corpo menos trêmulo, e limpou um machucado de cada vez, tomando o máximo cuidado para não piorar o estado em que se encontrava de tão roxos que estavam, marcas que deviam ter aparecido na hora do golpe, e beijava cada um deles, com a velha tática dos... De que todo beijo sara algo, uma ideia que aprenderam juntos e que só eles compreendiam.

Se o desejo nasceu? Em nenhum momento, mas algo muito maior apareceu no lugar, muito mais importante também. Algo que Apolo nunca tinha sentido por ninguém, mas que teve seu coração domado por aquela menina frágil a sua frente. Ele terminou o ultimo machucado perto do busto dela antes de abaixar os olhos para fitá-la, ao menos, o medo havia atenuado ainda que o pânico não deixasse, mas ele daria um jeito com aquilo, sempre dava um jeito. Shampoo avermelhado, shampoo rosado e condicionador esbranquiçado, todos passados e lavados cuidadosamente por ele e por ela, uma vez ou outra reclamando de uma dor, o que o levou a crer que Orion a puxou pelo cabelo, e ao final limpo.

E nesse instante que Apolo deixou suas mãos ali, com os fios negros molhados entre seus dedos, o rosto dela embaixo daquela água quente ainda segurando-se nele para não cair e os olhos um no do outro que ele sorriu um pouquinho.

— Nunca mais — Sussurrou ele, sério, procurando uma certeza nos olhos prateados dela. — Nunca mais faça isso, está me ouvindo? Você me preocupa desse jeito, Art. Seu corpo esta todo pintado de manchas roxas, você pensa que a gente não se preocupa com você? Eu estou louco aqui dentro. Você é tudo pra mim, Art, nossos pais estão mortos e você não pode seguir a vida sem me consultar, eu entro em pânico.

As lágrimas voltaram a banhar o mar cor da lua cheia.

— Desculpa. Eu não queria te preocupar eu só queria... — olhou para baixo. — Ser forte, enfrentar meu medo.

— Art, me olhe, isso. Eu tenho medo.

— Mas você sempre o enfrenta.

Ele deu um sorrisinho.

— Queria que fosse assim. Meu maior medo eu jamais poderei enfrentar ou morrerei com ele.

— Eu acho que não sei qual é.

Ele acarinhou o rosto, a única parte não machucada da garota, e triscou o seu nariz ao dela.

— Você, Art. Meu maior medo é perder você. É a minha única família de sangue, ninguém me compreende como você, somos gêmeos, somos interligados, entende? Se você morrer, eu morro, eu sou seu irmão, estou aqui para te proteger, foi por isso que fui forte quando nossos pais morreram. —Sorriu. — Eu sabia que se eu fraquejasse ali, você não teria nenhuma base e eu não podia deixar isso acontecer. Você é minha família e família...

—... Nós protegemos — Terminou ela, a velha frase que a mãe de ambos costumava dizer. — Eu nunca te protegi, pensando nisso.

Ele revirou os olhos, sorrindo para Artemis que repuxou fracamente um dos cantos da boca cortada.

— Você não precisa, Art, você existe e isso tá ótimo. Promete que nunca mais vai fazer algo impensado?

— Prometo, Apolo. E me desculpe.

— Shh, está tudo bem — Acarinhou o cabelo dela ao abraçá-la. — Vamos passar por essa, só mais uma. — Ou enlouquecemos com ela, suspirou ele, agradecendo por nada ter acontecido com sua irmã, sua ultima família.



Apolo deitou-se ao lado de Artemis logo após chamar Atena e avisar que poderia voltar o quarto, além de ter escovado os cabelos negros como costumava fazer quando menores e a cuidar de cada hematoma, outra vez beijando cada um, o que dessa vez, foi mais quente, mas que nenhum dos dois disse nada.

Ela não estava bem e Apolo jamais se aproveitaria porque ela encontrava-se triste e precisando de consolo. Com outras mulheres até faria, contudo, com aquela que o deixou limpar com álcool os ferimentos enquanto encontrava-se sentada na cama só de toalha só pousada em seus ombros pequenos e sorriu meio vacilante quando ele deslizou vagarosamente a calcinha, trocando-a e vestindo-a, jamais poderia fazer qualquer coisa que traumatizasse aquele coração já tão cheio de dores que a vida lhe deu.

Artemis acomodou-se perto dele, o rosto escondido em seu peito, respirando uniformemente e sem tremer agora, e com a pequena mãozinha presa em suas costas, ainda temendo por algum de ruim. Só por encontrá-la naquele estado, nem mesmo ele sabia o que poderia fazer com o cometedor desse crime hediondo. Apolo não chegou a apertá-la, por medo de doer, mas afundou o seu rosto contra o ombro dela e acarinhou as costas até Artemis ficar relaxada.

— Boa noite, lua — Sussurrou ele ao recordar dos antigos apelidos que seus pais deram a eles por serem tão opostos e os olhos serem tão diferentes. — Durma bem.

— Promete que não vai sair daqui? — Voz transbordando de sono.

— Prometo, pode dormir.

Artemis suspirou.

— Você não sabe como é bom ter você por perto, o meu irmão destemido e protetor. — Bocejou enquanto ele sorria — Boa noite, sol. Durma, se eu acordar e você tiver acordado, te dou um nocaute.

— Vou dormir.

Então, com mais um bocejo, eles ficaram em silêncio. Apolo soube no exato momento em que Artemis caiu em um sono profundo, quando se esqueceu de qualquer dor, e o apertou contra si, sorrindo. E por aquela calma, Apolo daria o mundo. Atena adentrou pouco depois disso e sorriu ao vê-los abraçados.

— Como ela está? — Perguntou ela, preocupada, enquanto deitava-se na cama ao lado, com George entre os braços.

Quebrada como da ultima vez, quase como que sobre uma plataforma de vidro que se uma pluma trisca, se desfaz.

— Um pouco melhor. — Sorriu — Conversamos, acho que ajudou ela.

— Sem dúvida, bem, já que você resolveu o caso — Brincou desligando a luz do abajur. — Boa noite, Apolo e sonhe com Artemis.

Ele riu baixinho, tentando não acordá-la.

— Boa noite, Atena, e sonhe com Poseidon.

— Eu te desejo algo bom e você me vem com um pesadelo!

— Ele não parecia achar você nenhum pouco ruim.

— Ele tem noiva.

— Eu já tive noivas, com s no final.

— Cala boca, Apolo, vai dormir, vai. E que sua boca vire para lá, eu que não quero aquele idiota e prepotente no meu pé...

— Eu escutei lindo e inteligente, foi isso que disse?

— Tchau, Apolo. Sonhe com Kendra, Alicia, Penélope e todas as outras que nem me lembro de mais os nomes.

— Boa noite, Atena e acorde suando ao sonhar com Poseidon.

Rindo, pois sabia que ao citar isso, Atena devia ter imaginado a cena, ele finalmente deixou-a dormir e acomodou-se melhor na cama, sabendo que não dormiria tão cedo, comum as suas noites insones, não enquanto seu corpo estivesse alerta por perigo de bandidos que tomaram a casa onde moravam antes dos pais serem assassinados, algo que nunca dizia a ninguém alem de Artemis, e a puxou para mais perto, tendo a certeza de que a mesma garotinha que há doze anos dormiu do mesmo modo, com o mesmo medo, quando teve de esconder o rosto dela e não deixá-la ver os dois assassinos baterem, brincarem e depois assassinarem sua mãe e seu pai na frente de seus olhos azuis, quando ainda tinha apenas oito anos, e marcando sua vida para sempre. Se fechasse os olhos, ainda via o sangue no tapete que brincou, o anel de casamento de sua mãe ensanguentado, os olhos abertos e vidrados um azul como o seu e o outro quase prateado como o de Artemis. Seu corpo tremia em calafrios, e pegou-se aspirando o cheiro de menta do shampoo dela, procurando sair daquelas memórias, procurando ajuda na sua irmã. Sua única família. A única em sua vida.

Notas finais
[orgulhosamente e demoradamente betado]
*Menegé á Trois: Sexo a três.
Ai, ai, preciso de um Apolo, urgente *---*