Four Seasons
14 Novos e velhos conhecidos
Todo mundo olhou para nós, Seiko ficou roxa e verde – ao mesmo tempo – e eu não mexi um músculo sequer, parecia uma daqueles artistas de rua que se fingem de pedra.
- Idiota ! Eu o empurrei para trás extremamente corada. — Ficou maluco ? - Nossa Yukari, não seja tão agressiva, muitas dessas garotas estariam muito mais agradecidas no seu lugar sabia ? - Infelizmente eu não sou uma dessas garotas...- Respondi, mais irritada ainda, indo em direção da porta de entrada. – Vou embora.- Espera ai menina, você está realmente pensando em voltar para o apartamento sozinha ? Por mim tudo bem, mas for atacada por algum tarado na rua e não estiver em casa quando chegarmos de madrugada, não chamaremos a policia. – Haruka, pra variar, disse debochando. Respirei fundo e tirei forças sabe-se lá da onde para agüentar as horas seguintes.Segunda-feira. Sinceramente, não sei como conseguir acordar e sair para a faculdade aquela manhã. Os acontecimentos de Sábados ainda martelavam a minha cabeça, principalmente a lembrança do beijo do Yoshi . O pior era pensar que estive diante do cara que acabou com a vida da minha melhor amiga e fui incapaz de fazer alguma coisa.Eram duas da manhã. Estava morrendo de sono e quase dormindo sentada quando Haruka e Seiko resolveram sair daquele inferno. - Este é o numero do meu celular... Estarei esperando sua ligação. – Yoshi disse, sempre sorrindo me entregando um pedaço de papel. . Como se tivesse plena certeza de que eu ligaria. E ali estava eu, com o mesmo papelzinho nas mãos, pensativa, enquanto caminhava até minha sala de aula. De repente , vi um rapaz muito semelhante a ele conversando com outros jovens. Não pode ser...será que até aqui aquele ser do mal me persegue ? Nem tive tempo de conferir se era mesmo,q uando Akane me viu, veio correndo alegre em minha direção. Havíamos nos tornado muito amigas, e se não fosse ela, certamente teria que adotar outra vez um grilo para bater um papo de vez em quando. - Hei Akane, por acaso sabe se estuda algum Yoshi Motoharu aqui ?- O que ? O Motoharu-san...você o conhece Yukari ? – Ela respondeu vermelha.- Er...não exatamente, bom, é que estávamos no mesmo colégio muito tempo atrás, e tive a impressão de ter visto alguém parecido.- Oh não, deve ter sido um engano, já que ele estuda no turno da noite. Quando ia lhe fazer mais perguntas, uma colega do meu curso passou por mim dizendo que precisava me apressar e ir para a classe, e eu continuei mais confusa do que antes de encontrar Akane. ...Mais tarde.-Eu sabia que você ia me ligar. - Precisamos conversar, escute, o que acha da lanchonete da universidade , antes da sua aula começar ?- Por mim, está ótimo. Desliguei o telefone e suspirei .- Com quem estava falando ? – Seiko me perguntou desconfiada. - Ninguém. – Respondi áspera. Realmente, eu não era assim, costumava ser compreensiva e amável até com a mais insuportável das criaturas. Deve ser a convivência......Era cerca de oito da noite. O campus estava movimentado e alunos iam apressados para lá e pra cá. Mas isso não o impediu de me encontrar em meio a multidão.- Só por curiosidade Yukari, como descobriu que eu estudava aqui ? - Akane me contou. - Ah, a pseudo-nerd que joga basquete ? Não acredito que aquela bobinha continua apaixonada por mim...- Yoshi tinha sempre um sorriso no rosto, não importava quão cruéis ou despresiveis fossem suas palavras. – È mesmo uma idiota.- Já percebi que gosta mesmo de brincar com os sentimentos das pessoas não é ? Sempre foi assim. Ainda descubro o que as garotas vêem em você .- Delicada como sempre...- Ele respondeu irônico.- Pare de me enrolar Yoshi. Você muito bem o que me trouxe aqui. - Eu ? Ora, pensei que estivesse apenas com saudades de mim... - Maldito...não se finja de idiota, QUERO SABER O QUE ACONTECEU COM A TOMOKO ! – Gritei a ultima parte, não me importando com as pessoas em volta.- Ora veja...- Ele olhou para o relógio no pulso. – Infelizmente tenho que encerrar nossa conversa por aqui, sabe, manter a imagem de bom aluno não é fácil, e atrasos estão fora de questão. Mas se lhe interessa, a sua querida amiguinha está aqui mesmo, em Kioto. Por hora, só posso lhe dizer isso, porém, se quiser saber mais,sabe onde me encontrar.Ele se retirou sem que eu fosse capaz de dizer uma só palavra. No final, tudo o que aquele encontro renderá fora a informação de que estava residindo na mesma cidade que Tomoko. Aquilo renovou minhas esperanças, já que tudo se tornaria mais fácil. Por outro lado, minha repulsa em relação aquele cara só aumentaram. ...Dias mais tarde.Depois de uma manhã cansativa, lá estava eu, na rua outra vez, agora, atrás de um emprego. Já fazia dois meses desde que fui morar naquela cidade, e, estava decidida a não fazer meu pai ter que pagar meu aluguel mais uma vez. Não podia viver só para meus problemas com o Yoshi, ou iria acabar indo parar na rua.Já havia comprado três classificados, mas é difícil arranjar um trabalho de meio período, principalmente se você não sabe fazer absolutamente nada. Foi ai que eu vi um anuncio com os dizeres: “Serviço de babá, 200,00 $ a diária, telefone pra contato : 7788-7783” . Bingo! Imediatamente tratei de colocar uma nota minha no jornal também. Oras , talvez eu não fosse tão inútil assim, pelo menos cuidar de uma criança chorona durante algumas horas eu sabia.
Ok, assumo que não foi a melhor idéia que já tive na vida. Lembrava-me com pesar da visita da minha “queridinha” prima Mayu-Chan. E desta vez, não tinha mais o Keisuke pra me ajudar. Já comecei mal no primeiro dia, fui parar em uma casa com trigêmeos de 11 anos, cada um mais peste que o outro . Três garotos doidos, realmente , fiquei com medo deles. ...Tókyo. Família Higurashi.Keisuke parecia entediado, era sempre assim, todos os dias, desde que sua Yukari se fora. Passava as tardes trabalhando e a noite,geralmente, ficava sentado no sofá da sala, tentando decifrar os grandes mistérios da estranha televisão.Suas únicas companhias eram, além do Sr.Higurashi , o novo ajudante da loja, chamado Atsushi. Esta por sinal, estava cada vez mais lucrativa, agora contando também com uma pequena lanchonete. Era segunda de manhã, e, seu sogro – e chefe – havia chamado ele e Atsushi para uma “reunião de negócios”, como o próprio costumava chamar. - Rapazes, quero que conheçam nossa nova garçonete. – Ele dizia animado. – Natsumi, venha aqui.A moça tinha longos e cacheados cabelos ruivos presos em marias-chiquinhas no alto da cabeça. A aparença infantil se completava com o vestido de pregas colorido. Ela sorriu e ficou levemente ruborizada ao ver os dois jovens a sua frente.- Ei Atsushi, quero que venha comigo no deposito pegar algumas coisas. Keisuke, por favor, mostre a loja para a Natsumi-san. – Disse, se retirando, e levando o primeiro com ele. - Então...você é estudante ? – Perguntou o rapaz, tentando puxar assunto, enquanto conduzia a outra até a lanchonete. - O que? Não, não. Apenas gosto de me vestir assim, mas já tenho quase 19. – Respondeu sorrindo. - Nossa...íncrivel.Durante todo o dia, a novata parecia se apegar cada vez mais a ele. Não era muito confortável para ele ter uma garota no seu pé o tempo inteiro. Ainda mais quando esta parecia querer se comportar como uma criança de cinco anos. Os dias foram passando, e com a convivência, o relaciomento dos dois melhorou. Mas enquanto o rapaz a via apenas como uma amiga, a garota claramente demonstrava nutrir um sentimento não correspondido por ele. - Hei Keisuke...por que está morando aqui com os Higurashi ? E a sua familia? – Indagou a moça certa vez, após o fim do expediente.- Ah, faz mais de um ano, eu não tenho família, então quando vim para Tókyo, eles me ofereceram hospedagem, desde então estou aqui. - Atsushi me disse que o chefe tem uma filha de 17 anos que vive em Kyoto. Você chegou a conhece-la ?- Hã ? O que foi Natsumi...isso por acaso é uma entrevista ? – Brincou ele. - Não..não ! È que...agente se conheceu faz pouco tempo, queria saber mais sobre você.- Escute...pra falar a verdade, eu amo muito a Yukari-chan. Ela foi a primeira pessoa com quem fiz amizade quando cheguei aqui e... - Então são namorados...entendo. – Ela respondeu desapontada._ Er...bem...e sua família ? Você tem pais, irmãos...?- Eu moro sozinha com a minha mãe a três anos, desde que a minha irmãzinha Kaoru morreu. - Sinto muito...- Ele respondeu sem jeito. - Não precisa.- Natsumi sorriu balançando a cabeça. – Hei, será que você poderia me levar em casa hoje ? Estou morta de cansaço pra ir andando...- Ela apontou pra bicicleta.- Olha, eu não acho que seja uma boa idéia sabe...ainda não aprendi muito bem a andar naquela coisa...- Huh, você é estranho Keisuke, nunca vi um cara que não soubesse andar numa biclicleta...- Riu a jovem. – Ora vamos, será divertido. - Ok..tudo bem vamos. Natsumi quis mudar de idéia assim que chegaram na avenida. O rapaz era horrível ! Por diversas vezes viu sua vida passar diante de seus olhos quando quase topavam com um carro em alta velocidade ou atropelavam um animal. - È aqui. – Apontou a menina. – Chegamos, ainda bem que vivos. - Não foi tão ruim assim foi ?- Foi pior. – A porta da frente foi aberta, revelando uma mulher de certa idade.- Kaoku-Chan ,que bom que chegou ! — Kaoru,mas essa não...- Keisuke, conversamos depois.- Sussurrou ela. ...
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