Four Seasons

18 Capítulo XVIII


- Natsumi, por favor, se algum dia eu não puder mais ficar ao lado do Keisuke...se eu tiver que deixa-lo...eu só queria te pedir uma coisa...Faça-o feliz. Por favor, Natsumi. – Eu comecei a chorar em silencio, ela me olhou sem compreender o que eu dizia. – Apenas me prometa isto.

- Yukari eu...prometo. – Ela respondeu, com um sorriso tímido. Eu retribui o gesto. Saber que ele não estava sozinho de certa forma me confortava.

(Koda Kumi – Moon Crying )

-Eu vou repetir só mais uma vez. Quem é você? O que está fazendo aqui ? – Uma voz distante e visivelmente alterada pode ser ouvida.

- Ouviu alguma coisa ? – Perguntou. Ao que eu respondi balançando a cabeça negativamente, mesmo sendo mentira. Fiquei visivelmente perturbada. Alguma coisa estava errada, e eu tinha quase certeza do que era.

- Já disse. Vim buscar minha namorada, Yukari-chan. VAMOS YUKARI, TEMOS QUE VOLTAR AINDA HOJE PARA KYOTO.

Fez questão de gritar a ultima parte. Era ele. Yoshi Motoharu. O que diabos estava fazendo ali ? Depois, ouvi também ameaças de Keisuke, e pedidos desesperados do Atsushi para que ele não partisse pra cima do estranho.


- Não pode ser... – Me levantei e Natsumi foi atrás de mim. — Não dava para fingir que aquilo tudo não era real, minhas pernas tremiam e eu mal podia andar, minha face ardia.

- Yukari...você sabe o que está acontecendo ? – Questionou-me, confusa. Eu não respondi. Atravessamos o quintal e chegamos ao local da confusão.

Kimi to yoku aruita
Itsumo no michi to watashi
Tsuki to aruki nagara
Kanashii merodii

Eu estou na estrada
em que costumava a caminhar contigo
Caminhando juntos com a lua
enquanto cantava uma triste melodia

- ... – Eu estava ofegante e com a face vermelha. A ruiva correu ao encontro de Keisuke. Eu continuei afastada. Yoshi me olhava com um sorriso malicioso, divertido com a situação.

- IDIOTA ! O que está fazendo aqui !? – Exclamei, olhando diretamente para aqueles malditos olhos verdes. Eu queria apenas sumir.

Anna kao wo saseru tsumori ja nakatta no
Tada "suki" nadakena noni
Kimi wo kanashi masete shimatta
Ano hi no namida

Eu não queira causar tal expressão no seu rotso
embora gostasse de você
eu fiz você se entristecer
foi um dia cheio de lágrimas

- Então...é verdade, vocês já se conhecem... – Virei em direção ao dono daquela voz pesarosa, quase rouca. Imagino como fora difícil dizer aquilo. Ele ficou me olhando confuso, como se esperasse de mim uma resposta, um conforto para o coração atordoado. Eu abaixei a cabeça, desviando o olhar.

- Vamos meu amor, por que não conta para ele o que você veio fazer aqui, hein ? – Ele me provocou, eu quis avançar, mas sabia que só pioraria as coisas.

- Kei...eu...- Tornei a fita-lo, mas desta vez, foi ele quem não me olhou diretamente. Caminhei em sua direção. Depois de tudo que passamos juntos, ele não merecia aquilo, mas eu estava certa que de aquilo era a melhor coisa a fazer.

- Por que fez isto ? Por que me enganou ? DROGA YUKARI ! ME DIZ QUE ISTO É TUDO MENTIRA...por favor...

Aitai kimochi wa
Donna ni tsutaete mou tsutae kirenai
Afure dashita kotoba ga todoku nara
Kimi wo omoi uta itai yo

Eu não posso te dizer
o quanto sinto sua falta, não importa o quanto eu tente
se minhas palavras vão te alcançar
quero cantar enquanto penso em você


- ...

"Fechei os olhos e deixei o vento bater em meu rosto, numa sensação mágica, era como se o mundo tivesse feito só pra nós dois. Um momento de silencio se fez entre nos dois, olhei para cima e me lembrei de uma das milhares de superstições que meu pai faz questão de manter em minha familia a anos.

Estendi a mão para pegar uma folha que caida solitaria da imença árvore Deus.



- Sabe , quando eu era criança, me disseram que se você pegar uma folha de outono antes dela tocar o chão e fizer um desejo, ele se realiza. — Falei.

- E funciona ? — Ele perguntou.

- Isso eu não sei...por que não esperimenta ? Talvez funcione.

Ele estendeu a mão. Eu o olhei sem compreender o que aquilo significava. Um vento forte soprou, é...estavamos quase no outono novamente. Naquele dia, quando nos beijamos pela primeira vez, nenhum de nós dois pensou que um ano depois estaríamos naquela situação.

Durante aquele ano maravilhoso, nós dois compartilhamos sorrisos e lágrimas, momentos alegres e tristes. Juntos, nós dividimos nossa vida. Quando se ama alguém de verdade, é assim que as coisas funcionam.

- Yukari...eu realmente amo você; — Ele sorriu, me trazendo para mais perto, e me deixando corada.

Ano hi ni motoreru no naraba
Kore ijou nanimo iranai
Mata konya mo omo wo ta koto hitotsu
Ima mo kimi wo aishiteru to...

Se eu pudesse voltar à esses dias
Eu não precisaria de mais nada
hoje a noite eu estou mais uma vez pensando
sobre como eu ainda te amo...


- Por favor...apenas diga que tudo isto não é verdade. – Sua voz tremia, eu nunca havia o visto daquele jeito.

Acontece...que era verdade.

Eu desviei o olhar, escondendo as lágrimas que caiam descontroladamente, mas vi quando ele recolheu a mão, ao perceber que eu não retribuiria o gesto. Tudo que eu fui capaz de fazer foi sussurrar um “desculpa”, com a voz rouca, e me virar para ir embora.

- Yoshi, vamos logo, se perdermos este, o próximo trem pra Kyoto só sai amanhã. – Falei, olhando para o chão. E foi assim, de cabeça baixa, que caminhei em direção a ele.

Tsuida te wo hanasanaide...

Por favor não deixe nossas mãos se soltarem...


Keisuke caiu no chão, claro, ele ainda não estava totalmente recuperado dos ferimentos. Natsumi, desesperada, correu para ajuda-lo, Atsushi também, atônico e confuso, ele não sabia o que fazer. Eu fingi não ver.

Depois de tudo, meu pai apareceu, e eu apenas lhe pedi que pegasse minhas malas que estavam na sala. Ele me olhou desapontado, sem entender o que eu tinha feito, mas não falou nada. Sem olhar para traz, eu fui embora daquela casa outra vez, acompanhada daquele homem que eu tanto odiava. E tentando esquecer toda a dor que eu estava causando á pessoa que eu mais amava no mundo.

...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.