Four Feet of Love
2 Harmonizando a atmosfera
Notas iniciais

Setembro / 2013
Minha mãe adorava arrumar o cabelo dela, e é algo que ela gosta até hoje. Acredito que seja por sua aptidão fantástica ao mexer com fios de diversos tipos de cabelo, desde quando era bem nova. Sim, ela ajudava a minha avó com tudo isso, ou melhor, com o salão dela, que pra ressaltar, era muito famoso há uns tempos.
Tem exatamente 3 meses que eu vinha transparecendo um psicológico muito ruim, por conta do bullying escolar que eu sofria desde a 6ª série. E em 2013 eu estava no primeiro ano do ensino médio. Como era final de ano, eu já estava “acabando com tudo”.
Acabando...pufff
A realidade é que eu meio que tranquei as aulas do colégio.
Ao invés de eu ter que ir pra escola (eu não conseguia por causa do bullying), os professores recomendaram o meu afastamento das aulas e então eu passei a fazer as provas como se fossem trabalhos (e isso tudo em casa). Eu não tinha força alguma nem mesmo para escrever uma palavra no word, como estou fazendo agora.
Passei por vários psicólogos, mas nenhum entendera ao certo o problema que eu tinha, até eu ter que apelar para um psiquiatra. A primeira que eu fui, era mulher. Me atendeu perfeitamente. Falara que o que eu tinha era transtorno obsessivo compulsivo (TOC). Legal, eu sabia que tinha uma mania por limpeza, mas não achava que era tão grave assim. Desconfiei, no entanto, fui logo pra casa jogar The sims 3, com a expansão maravilhosa do “Sobrenatural”.
Meu deus, mas na segunda consulta, sabendo mais sobre mim...ela advertira que eu poderia ter um pé na bipolaridade. Ela me dissera que iria me emprestar uns livros relacionando o transtorno bipolar com a nossa vitalidade, como ele funciona no nosso psicológico e tudo mais. E eu fiquei apavorada. Literalmente: a minha vida se tornou um inferno depois daquele dia.
Eu? Transtorno bipolar?
Mas eu não sou agressiva e nem pretendo ser, eu sou bem calminha até. Na época, torci para que ela estivesse errada. Eu realmente não estava sabendo lidar com esse fato.
Enfim, saindo de meus devaneios...
Era uma tarde, que eu me lembre. Minha mãe, toda entusiasmada debruçou sobre a mesa na hora do almoço e me disse:
— Filha, por que a gente não vai no cabelereiro hoje? Vou te levar para fazer uma escova progressiva. Você está tão mal, quero te ver feliz. – disse ela me abraçando
— Ah, eu tô meio cansada, e esse tipo de escova demora muito... mas tudo bem mãe, não tô conseguindo fazer nada, e ficar deitada na cama só vai me entristecer mais ainda.
Chegando no cabelereiro, que era amigo da minha mãe, ele disse que faria o cabelo da minha mãe primeiro. Legal. Então fiquei tomando o meu tempo lendo uma revista. Péssima escolha. “Depressão bipolar não tem cura”, foi mais ou menos isso que eu li em uma dessas matérias toscas. Mas que não deixava de ser verdadeira. Entretanto, eu com meu pensamento de que para tudo existe cura, pois Deus é misericordioso e não nos quer ver tristes, passei a ser levada por sentimentos fortes de angustia, mas isso até eu ver uma cachorrinha saindo de dentro de uma das portas da casa do cabelereiro. Uma andava e a outra vinha atrás. Duas cachorrinhas, eram duas fêmeas.
Não sei o porquê, mas logo a minha tristeza foi transformada pela alegria que essas cachorrinhas transmitiam. Brinquei com as duas, muito fofinhas e obedientes.
Depois que terminei meu cabelo, fiquei tão admirada com as duas peludinhas. Até mesmo dissera quando chegamos em casa:
— Mãe, pai. Eu sei que a gente tem dois cachorros (que estão velhinhos) já, mas será que seria um problema ter mais um? Queria tanto adotar um cachorrinho...
Eles ficaram quietos, pensando.
— Se você prometer cuidar muito bem desse cachorrinho novo e dos outros, nós deixamos sim, filha.
Eu ficara ansiosamente feliz com isso.
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