Fotografias
2 Capítulo 2
Notas iniciais
— Oh ! Essa é ótima, você se lembra desse dia, Vitya ? – Katia Nikiforov segurava uma foto antiga, com os olhos levemente lacrimejados.
— Hum ? – Victor pega a foto e divide a visão com Yuri – Nossa... meu primeiro dia de aula – Ele aparecia na entrada de uma casa com flores na varanda, vestindo um uniforme do ensino fundamental composto por um terninho preto, bermuda caqui, e boina azul. No canto da foto estava escrito : 1º Dia de Aula, 6 anos.
— Você não parece muito feliz – Yuri comenta observando a cara de Victor na foto, parecia muito incomodado, como qualquer criança ficaria se fosse obrigada a usar terno e a passar o dia assim.
— Claro que não estava feliz, eu detestava essa uniforme – Victor joga a foto de volta na caixa – Ah, esse terninho pinicava, eu ficava todo vermelho.
— Não seja dramático – Yuri responde rindo, conhecia muito bem o jeito de Victor e tinha quase certeza de o uniforme não era tão ruim assim.
— Esse é o Makkachin? – Hiroko ergue uma foto De Victor com uns 12 anos de idade segurando um filhote de poodle no colo com um enorme sorriso no rosto.
— Ahh que bonitinho – O jovem japonês suspira com a imagem, aquilo era mais precioso do que todos os posters ( que obviamente estavam muito bem escondidos ) do seu quarto.
— Esse sim foi um ótimo dia! – O russo sorri satisfeito e meio choroso. Até desviar a atenção para outra foto – Uh... minha primeira medalha de ouro numa competição oficial.
— Victor ainda tinha o cabelo comprido – A mãe de Yuri observa admirada – Por que cortou? Era muito bonito.
— Esse garoto nunca teve muito sossego – Dizia Kátia alisando as madeixas de Victor – Na verdade eu nem sei como ele ainda tem cabelo.
— Isso é tão cruel, mamãe... – E ele abraça Yuri se encolhendo em seu colo – Me proteja, Yuri!
Yuri começa a rir meio desajeitado, já que Victor o desequilibrava, mas não pode deixar de concordar com sua nova sogra. Victor era impulsivo, e as vezes simplesmente fazia as coisas, assim, do nada. E considerando a timidez e falta de auto confiança que Yuri via em si mesmo, ter uma traço como aquele era impressionante.
— Ah, olha isso Yuri – A mãe de Yuri ergue uma foto de Victor com 16 anos vencendo seu primeiro mundial senior – Não é a foto daquele poster...
— Ahhh do que você está falando mãe!? – Yuri simplesmente toma a foto e a esconde no fundo da caixa procurando qualquer outra imagem para ser mostrada – Vamos continuar olhando as fotos e... hum?
— O que você encontrou ai, Katsudon ? – Victor se aproxima para ver a foto – Oh...
— É a coisa mais adorável que eu ja vi na minha vida... – Yuri fala com os olhos brilhando.
— Oh, isso foi no aniverário de 1 ano do Vitya – Kátia sente os olhos lacrimejares – Parece que foi ontem...
Na foto Victor aparecia num fundo de lençois, braços e pernas gordinhas, cabelos prateados e aquele sorriso no rosto...parecia encantado com algo que estava atrás da câmera, e Yuri amou aquela foto, tanto, que tirou uma foto com o celular escondido.
— Não fique assim, mamãe... – Ele a abraça forte e acaba encontrando outra pérola no meio da caixa de fotos – Ah, eu me lembro desse dia...
Victor estava de pé, ao lado de uma árvore grande, o lugar parecia um sítio. Preso num galho da árvore estava um balaço velho com uma das cordas arrebentadas, e ao seu lado, Victor ostentava um belo braço engessado ao lado de 3 primos também machucados.
— Nossa... – A mãe Yuri diz realmente preocupada – O que aconteceu nesse dia?
— Ele e os primos foram brincar de escalar a árvore por uma corda que prendia aquele balanço a uns 15 anos. – Respondeu Kátia voltando a sorrir.
— Você nunca foi muito aventureiro, Victor... – Yuri encarava a foto.
— Eu fiquei um mês inteiro com o braço engessado – O russo dá uma risada e puxa outra foto. Formatura do ensino médio. Um época interessante, já que Victor tinha que conciliar os estudos com os treinos de patinação, o que obviamente, interferia em suas notas, por que bem... o gelo era mais interessante do que as aulas de matemática.
— Ahh sim, Vitya nunca teve notas muito boas – A mãe de Victor fala rindo – Ele se formou na média, Há há .
— A senhora está realmente cruel hoje, mamãe – Victor diz meio rindo meio choramingando.
— Você sabe que foi assim que aconteceu, Vitya.
A pequena discussão serviu para Yuri e sua mãe soltarem risinhos tímidos, e também para abrir um pouco os olhos de Yuri. Conforme iam escolhendo as fotos, o moreno via que seu ídolo era também humano, que possuía falhas, que errava, e que quase teve que repetir o último ano do colegial. Aquilo fez com que Yuri abaixasse um pouco o pedestal onde colocava seu ídolo, mas de modo algum reduziu a admiração e o amor que sentia por ele. Na verdade, chegou a se sentir mais como parte da vida de Victor ao se apresentado as pequenas falhas daquele que fora pentacampeão mundial.
E assim, foram escolhendo as fotos passando por histórias o suficiente para que escrevessem um livro sobre Victor. Passando por histórias como a primeira namorada do russo ( que gerou uma ponta de ciúme em Yuri ) o dia em que Victor se desequilibrou e perdeu alguns campeonatos, a vez que ele confundiu os vidros e acabou bebendo óleo de rícino ao invés do suco que deveria levar em sua lancheira e assim ia. No final, as fotos já estavam separadas mas... faltavam agora as de Yuri.
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