Força misteriosa

2 Capítulo 1 - A fuga


Notas iniciais
Apenas boa leitura e boa sorte.

Respirei fundo. Malas prontas, quarto vazio. Eu não voltaria a viver mais ali, não pertenço mais a este quarto, onde tantas lembranças se repetem.

Passei a mão no meu rosto, limpando as lágrimas. Eu não podia mais chorar, queria ser forte. Então coloquei uma mala nos ombros e comecei a arrastar a outra pelo chão. Era hora de seguir em frente.

Cheguei à rodoviária usando o metrô mesmo, minha mãe andava me evitando e provavelmente não queria me levar para lá. Quem a poderia culpar por me odiar quando eu mesma me odeio tanto? Andei até a fila de compra de passagens, aonde eu iria? Eu podia ir para qualquer lugar com o que eu tinha na minha poupança. Com os meus cálculos, ao viajar uma vez ao mês gastando de passagem um máximo de R$150,00 e de estadia, alimentação e recreação um máximo de R$1000,00 por viagem, eu poderia viajar por pelo menos 6 anos antes de começar a me preocupar com dinheiro. No momento em que isso acontecer, eu penso no que fazer. Por enquanto eu não quero saber de nada.

O painel acima do guichê de vendas indicava as próximas viagens disponíveis. A próxima era para Búzios – RJ, e foi a passagem para essa viagem que eu comprei. Num destino caro como este, me mantendo dentro do meu orçamento previsto, eu teria que ser cautelosa e viver de forma muito simples, mas acho que as paisagens compensam.

Meia-hora se passou enquanto eu lia “A culpa é das estrelas”, um livro que comprei na livraria da rodoviária e que estranhamente estava me entretendo bastante. E então o ônibus já estava pronto para embarque. Sentei, coloquei uma música calma para tocar no meu celular e dormi. Dormi por um longo tempo.

Quando abri meus olhos ainda estava no ônibus, meu vizinho de poltrona roncava de forma desesperadora e eu já começava a me irritar. Arrumei meus fones no ouvido e aumentei um pouco a música. Ainda ia demorar para chegar ao destino e eu esperava que a bateria do meu celular aguentasse até lá.

Eu estava sentindo uma sensação estranha e um nó na garganta que estava a ponto de me fazer chorar. Fez-se silêncio e de repente eu estava olhando para o retrovisor do meu antigo carro, onde eu encarava aqueles olhos azuis hipnotizantes que estavam claramente irritados comigo. A estrada estava escura e eu deveria estar prestando atenção na estrada. Eu sei que eu devia. Eu sei porque aquilo havia acontecido uma semana mais cedo. Mas eu não podia evitar de olhá-la. Mariana simplesmente tinha o dom de me prender. Seus olhos me prendiam mesmo quando me amaldiçoavam. E então veio o susto: a luz forte na minha cara e um baque ensurdecedor.

Acordei chorando, desesperada, gritando o nome dela. Junto comigo, acordei o resto do ônibus inteiro, inclusive meu vizinho de poltrona, que agora me olhava preocupado.

“Está tudo bem?”

Eu queria responder que estava, mas era evidente que era uma mentira. Meu estômago começou a embrulhar e eu fiquei grata pelo motorista ter parado o ônibus no meio da confusão. Saí correndo em direção à saída e então todo o meu almoço estava na estrada.

Notas finais
A partir do 3º capítulo, será liberado um capítulo por semana. Por favor me deixem saber se estão gostando.