Forseti
2 Capítulo 2 - Jornada
— Awwwnn — Me espreguiçava na cama do meu quarto, me levanto, pronto para mais um dia de vagabun... Digo, aventuras. Visto minha gloriosa capa vermelha, e saio do quarto, descendo as escadas até a taverna, que parece estar completamente vazia com a exceção do taverneiro que estava limpando algumas canecas, e duas pessoas conversando e comendo, sentados perto de uma mesa. Me sento em uma cadeira perto do balcão e peço uma refeição.
Após algum tempo, termino de comer e pergunto ao taverneiro se a mulher que havia ordenado um quarto aqui ontem a noite já havia acordado e ido embora, ele parece meio confuso, então mudo minha pergunta para um homem revestido em aço, ele responde com um não, e que "ele" provavelmente ainda está dormindo.
Me sento em uma cadeira mais afastada do balcão e começo a esperar o tempo passar, após aproximadamente uma hora, começo a ficar um pouco impaciente, me levanto e subo as escadas, parando na frente do quarto da Nadja, não sabia o que exatamente estava fazendo, por qualquer tipo de senso comum, ela era só uma estranha que nos conhecemos por um dia, mas não queria prosseguir com minha jornada sem ao menos me despedir dela.
— Nadja? — Pergunto um pouco baixo, não ouvindo resposta, falo de novo mais alto, continuando sem resposta, começo a bater na porta, sem resposta, aumentava a ferocidade dos "Toc toc" na porta enquanto chamava seu nome, continuava sem resposta. Por Xajorkith, o quão dorminhoca pode ser uma mulher? — NADJA!! — Gritava o nome dela, e então ouvia o barulho de algo caindo e o som de alguém grunhindo "Ai".
— Já vai! — Ela respondia de volta, após alguns segundos, a porta se abria.
— Pensei que também dormia com sua armadura. — Digo olhando para ela que estava vestindo vestimentas simples, no canto do quarto, estava sua alabarda, adaga e besta, colocadas contra a parede, junto com a armadura.
— É bem desconfortável dormir com uma armadura, acredite, eu já tentei. — Ela fala esfregando os olhos. — Mas então, o que devo a honra de sua visita? — Ela dizia enquanto bocejava, ainda sonolenta.
— Eu vou prosseguir com minha jornada agora, pensei que seria uma boa ideia ao menos me despedir de você antes de ir.
— Estou lisonjeada por isso, mas infelizmente para você, não vai se livrar tão facilmente de mim.
— Perdão?
— Significa que vou com você, idiota. — Ela diz bocejando outra vez. — Como eu mesmo testemunhei, você não é apto a se defender, vai precisar de toda proteção necessária, e como eu falei, sou uma pessoa simples, só quero trazer bondade e justiça para esse mundo, não posso deixar uma pessoa como você, perdido por aí nesse mundo perigoso, sozinho, e correr o risco de morrer. Ah e claro, vamos dividir toda a glória e recompensas. — Ela diz a última parte com um leve sorriso no rosto.
Quase não consegui conter um sorriso também. — Ahem, não é como se eu fosse realmente passar perigo, tem certeza que quer me seguir? Eu estarei bem. — Digo tentando parecer indiferente.
— Deixa de drama, me espera lá em baixo enquanto arrumo minhas coisas. — Ela diz fechando a porta na minha cara.
Descia as escadas um pouco mais feliz do que o normal, sabendo que agora teria uma companheira para prosseguir viagem junto. Após alguns minutos esperando sentado, ela descia, revestida em sua armadura de placas, a adaga embainhada em sua cintura e a besta nas costas, e uma pequena aljava com virotes estava amarrada em sua perna e a alabarda ela levava na mão mesmo.
— Qual é o plano? — Ela pergunta enquanto se senta perto de mim.
— Então, como você ouviu lá na conversa com o meu avô, eu falei que Mikhail, o meu pai estava desaparecido. Já faz cinco anos que ele está desaparecido, eu venho indo atrás dele todo esse tempo, única coisa que sei é que ele estava atrás de um poderoso artefato, a espada Forseti, uma espada tão poderosa que é capaz de matar até demônios.
— Então para acharmos o seu pai, temos que achar essa tal espada, você sabe a sua localização?
— Infelizmente não, mas algumas semanas atrás ouvi falar de uma entidade que supostamente sabe sobre tudo. Eu espero saber da localização do meu pai, ou pelo menos da espada, ao encontrar essa entidade.
— Parece promissor, e onde está essa entidade?
— Bem longe daqui, para o oeste, em uma espécie de catedral em uma cidade em ruínas a muito tempo esquecida, a cidade de Siegrad. Ouvi rumores sobre essa cidade, e a maioria não são coisas boas, parece ser um lugar muito perigoso, tem absoluta certeza que quer ir comigo?
— Já falei, vou com você e nada que dizer vai me impedir, e agora que você falou que essa cidade fica para o oeste, tenho bem mais razões para ir com você. — O oeste era conhecido como um lugar não civilizado, perigoso e que ainda não foi explorado completamente. — Que tipos de rumores você ouviu?
— A maioria sobre hordas de mortos-vivos e incêndios devastadores, também ouvi sobre fantasmas que assombram a catedral, como falei, um lugar perigoso.
— E você acredita em fantasmas e mortos-vivos? Para mim isso soa apenas como meros rumores.
— Existem várias coisas nesse mundo que não podem ser explicadas facilmente. E se pra acreditar que existe uma entidade omnisciente tenho que acreditar em mortos-vivos e fantasmas, que assim seja.
— Se você diz, mas vou me manter cética até ver essas aberrações com os meus próprios olhos. Mas então, quando partiremos? Já estou mais do que pronta.
— Coma uma refeição antes, vou comprar algumas coisas para a viagem, não vou demorar. — Digo me levantando da cadeira, me despeço de Nadja e saio da taverna.
Vou em uma loja de suprimentos, compro algumas tochas, rações de viagem o suficiente para durar uma semana para duas pessoas, e basicamente só isso, já tinha uma bússola e uma mapa em que comprei em cidades anteriores. Volto para a taverna e Nadja estava me esperando na porta.
— Tem mesmo certeza que quer ir? — Pergunto uma última vez.
— Se você me perguntar isso mais uma vez eu vou te dar um soco.
E assim a dupla de aventureiros partem em sua jornada, o que eles não sabiam é o que os aguardavam, viajariam durante dias em direção ao oeste, que era conhecido por não ser um lugar civilizado, e por ser perigoso. A cada passo que davam para o oeste, mais longe de civilizações eles ficariam, e mais difícil a viagem seria.
A gloriosa cidade de Siegrad, que foi construída a milhares de anos atrás por uma poderosa e prospera civilização que conseguiam usar magia, a qual não existe mais nesse mundo, ou nunca existiu e sempre foi um mito, e essa entidade era considerada um oraculo para o povo de Siegrad. As razões do declínio da cidade e das pessoas que nela morava são meras especulações, e alguns até duvidam da existência de Siegrad. Várias expedições foram enviadas para o oeste, poucas retornaram, e desses que tiveram a sorte de retornar, os expedicionários falam de aberrações terríveis e inimagináveis, mas a localização de Siegrad em si, permanece um mistério.
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