Formatura de cinema - Ampulheta
5 Capítulo 3
Notas iniciais
POV. (Natália)
Ele foi muito fofo durante o filme fazendo um carinho quase imperceptível na minha mão, não mexia para que ele não parasse, e quando foi me deixar na minha tia me deu um beijo na bochecha. É, também achei muito lindinho, mas não me encanta -_- tem alguma coisa por trás desse jeito sensual e meigo estilo protagonista da Disney. Não sei se vou na onde dele me fazendo de donzela frágil em perigo ou faço logo um "corte rápido Tramontina", acho que posso me dar o luxo de me apaixonar só mais uma vez, por mais que tenha certeza que vai dar merda de novo, mas a sensação de gostar/amar alguém, de saber que ela vai te esperar onde quer que for e que vai te abraçar sem esperar absolutamente nada em troca além do seu sorriso é a melhor!
No dia seguinte, antes da aula, percebi a Wanessa meio depressiva, pra baixo, nem parecia ela. E aquilo são olheiras?! O.O... A hora do recreio chegou, e eu fui ao banheiro, para a minha surpresa Wan estava lá, chorando aos montes e a Armandss estava tentando acalma-la:
–Wan, você te que admitir para si mesma, se não a dor não vai passar.
–Não dá! Toda vida que eu me lembro disso só me vem a cabeça o quanto fui estúpida e o quanto sou fraca! — ela não parava de chorar um segundo sequer.
–Fraqueza? Você é forte por não ter dilacerado aquela vagabunda! Olha se fosse eu no seu lugar, ela já...
–Ei Wan... O que aconteceu?... — quando interrompi a Amanda, sua expressão era de ódio profundo, e suas mãos estavam firmes sinalizando um espancamento. Eu sei, não é legal, mas a cara que ele fez daria um ótimo queima filme.
–Oi Nat... Ahh! Nada! Só fui traída — a voz de choro voltou — só isso... — ela tampou o rosto para esconder as lágrimas a pequena poça de lágrima e rímel azul no chão branco.
Só o que consegui fazer foi abraça-la até a coordenadora vir chamar a nossa atenção para a aula que já havia começado. A Wanessa não quis assistir aula, ficou na mesa perto da coordenação mesmo.
Voltando para a sala:
–O que realmente aconteceu com ela?
–Pegou o namorado aos beijos com a prima — sua expressão era de fúria.
–Mentira....
–Pra piorar... Na cama.
–Nosssssssssssa, nããããããão. Você não pode estar falando sério! Não! Você não PODE estar falando sério! — minha reação era incontestável, descobriria quem era aquele cafajeste, e ele descobrirá o significado de "dor" — eles estavam ao menos vestidos?!
–Nem queira saber...
POV. (Juan)
As meninas entraram no meio da aula com expressão que matavam se você escarasse muito. Ui.
Pedi ao professor permissão para ir ao banheiro, mas passando pela coordenação o xixi voltou para a bexiga. Vi a garota mais alegre da turma com olheiras roxas e profundas, parecia uma criança dando nomes para cada fio de cabelo. Não pera... Não eram nomes eram palavrões! Sua expressão era vazia como aqueles pasteis de vento que tem na cantina por 1 real.
–Wanessa?... Está tudo bem?... — fui me aproximando aos poucos.
–Ah claro! Fora não ter estudado nem um pouco para a prova de amanha, meu namorado ter me traído com a minha prima e minhas mechas estarem desbotando, ta tudo perfeito!
Tentei esconder toda a surpresa que senti ali e disse:
–Hmm... Alguém precisa de um sorvete.
–O que? — ela soltou uma risada tímida. Já era um começo.
–Quer matar aula pra ir na sorveteria da esquina? Depois te deixo em casa, sem problemas.
–*rindo debochadamente* Sério isso?! Você ta louco...
–Já fiz isso varias vezes, o Danilo leva as nossas coisas lá pra casa depois da aula.
–Acho que não...
–Ahh por favor! Dê um tempo a si mesma! Ficar se remoendo por uma coisa que não tem culpa não vai dar em nada. E outra, não tem como o sorvete do seu Valdemir não ajudar nem um pouquinho...
–Hm... Tá certo. Mas se formos pegos, boto a culpa toda em você. Digo que fui sequestrada!
–Fechado.
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