Na hora combinada eu estava lá, na estação, esperando por ela. Trocamos mensagens, e ela disse que já estava chegando. Quando o trem foi se aproximando, levantei o rosto para vê se ela estava dentro dele. Quando as portas abriram, ela saiu, olhando para os dois lados para me encontrar, ela estava com os cabelos alvoroçados, caídos sobre os ombros. Usava uma saia escura, que eu não consegui decifrar muito bem a cor, uma blusa branca de cetim, que brilhava a pouca luz, e um casaco jeans, que fazia tudo ficar mais especial. Eu levantei do banco e fui de encontro a ela, nossos olhos se encontraram, e ela sorriu. O batom vermelho que ela havia passado, realçava seu sorriso. Quando chegamos perto um do outro, demoramos alguns segundos sem saber qual seria o cumprimento que usaríamos, afinal, não eramos amigos, mas talvez fossemos colegas, conhecidos, não sei ao certo. Eu estendi os dois braços em um ato desesperado de acabar com aquele momento, ela acabou indo na onda, e me abraçou, envolvendo seus braços em volta do meu pescoço, ficando na ponta dos pés. Nos olhamos novamente e rimos. Ela voltou um pouco para trás, e pegou na mão da menina loira, uns dez centímetros mais alta que ela, dizendo:

– Falei que traria uma amiga. — ela sorriu. — Essa é Emily Smith, mas chamamos ela de Emy.

A garota sorriu, e veio me abraçar também. Fiquei um pouco sem graça, tava desacostumado com garotas desconhecidas me abraçando. Ela tinha o cabelo bem cheiroso, o corpo dela era absurdamente lindo, ela era alta, e usava um vestido vermelho que marcava suas curvas. A moça loira se afastou e disse:

– Bom, passamos da fase das apresentações, e agora, vamos nos divertir ou não ? — ela falou rindo, e se encaminhando para as escadas da estação.

Ela era sexy, e extrovertida. Muito diferente da Amora, que era tímida.

Em quanto Emily andava na nossa frente, Amora caminhava um pouco atrás de mim. Virei para verificar o porque de ela estar distante. Ela estava de cabeça baixa, parecia estar olhando para as botas pretas que calçava. Parei de andar, para que ela me alcançasse, quando ela chegou mais perto, segurei na mão dela, e ela olhou pra mim. Ignorei o olhar dela, e saí puxando ela pelo braço.

– O que é isso ? — ela falou rindo.

– Temos que alcançar sua amiga abusada. — eu ri com ela.

Durante toda a noite, Emily bebeu, sorriu e brincou com os caras desconhecidos dos Pubs em que passamos. Já Amora, riu das coisas que Emily fez, e me pressionou a falar com algumas mulheres que vimos. Ela sempre ficava sentada em um cantinho, ou em pé perto da Emily, ouvindo os caras mexendo com ela, e ignorando todos eles. No meio da noite, decidimos sair de um dos pubs que estávamos, um que tinha paredes vermelhas, e portas pesadas de madeira, com vidros grossos e maçanetas douradas. Eu não tinha bebido muito, não o quanto eu bebia, decidi diminuir a quantidade porque levaria as meninas de volta ao metrô, e não poderia fazer isso bêbado. Saímos de lá, e seguimos a multidão que andava nas ruas, alguns casais se beijavam encostados nas paredes, e algumas pessoas sentavam no meio fio, segurando a cabeça. Andamos até chegar em um lugar, que parecia uma boate, tinha uma porta pequena, um segurança interditava a passagem, atrás dele um corredor estreito, com luzes azuis piscando. Não dava pra ver o ambiente lá dentro, mais dava pra ouvir a música, tocava rock dos anos 80, e parecia ser muito bom lá dentro. Ouvimos algumas pessoas que formavam uma fila na porta comentarem que o lugar era bom. Decidi ir perguntar ao segurança, e deixei as meninas na fila.

– Ele disse que tem que pagar pra entrar. — falei quando voltei.

– Eles só pensam em dinheiro. — Emily falou, com voz de bêbada. — nós vamos entrar, né Amora ?

– Vamos sim Emy, não vamos Wood ? — ela falou, olhando pra mim.

– Parece bom lá dentro, eu quero entrar. — falei sorrindo.

– Então nós vamos ! — Emily falou gritando, e eu percebi o quão ela estava bêbada.

Eu e Amora rimos da situação.

Lá dentro era aconchegante, o ambiente era pouco iluminado, tinha algumas mesas, mas todas estavam ocupadas. Uma banda tocava em um palco no fundo do lugar, e tinha um bar, com alguns poucos lugares. Amora se encaminhou pra um dos bancos e sentou apoiando-se no balcão do bar. O barman começou a falar com ela, e eu dei uma olhada ao redor. As pessoas dançavam e se divertiam, e por um momento,me senti vivo de novo. Amora tocou meu ombro, o banco alto do bar fazia ela ficar da minha altura, mesmo sentada. Ela me puxou para perto dela, e falou no meu ouvido:

– Aquela menina, a do cabelo preto, está te olhando desde que chegamos. Vai falar com ela. — senti o halito quente dela no meu pescoço.

– Acho que não vai rolar. — tentei não rir.

– Qual é ? Cadê o Nat Wood garanhão que você me contou que existia . — ela riu de mim.

– Ficou na faculdade. Esse Barman também está muito preocupado com o que você quer beber. Por que não fala com ele ?

– Não joga o problema pra mim. É você que queria se divertir.

Ela me empurrou na direção da garota. Acabei falando com ela. Ela era bem bonita, tinha cabelos bem lisos, pretos, e estavam repartidos ao meio, caídos em cima dos seios. Os olhos dela eram verdes, e as bochechas eram rosa. Conversei bastante com ela, ela não fazia muito meu tipo, não pela beleza, não ligava pra esse tipo de coisa, para mim, todas as mulheres são bonitas, cada uma do seu jeito. Mas foi a personalidade dela, não achei ela um garota tão legal. Mas isso não me impediu de beija-la. Acabei esquecendo Amora e Emily. Quando dei por mim, me virei a procura das duas, e vi Amora conversando com um cara, ele era forte, e uns dois palmos mais alto que eu. Tinha o cabelo bem cortado, e o rosto quadrado. Senti meu estômago inquieto, meu rosto ficou quente, e eu não sabia o que tava acontecendo comigo. Fui andando na direção deles, sem saber o que fazer, mas com uma raiva que tomava conta de mim.

– Oi. — falei sério.

– Oi Wood, esse é o Brad. — ela falou, sorrindo pra mim.

– Hmm. — Ignorei ele. — Você não acha que está na hora de ir ?

– É, tá meio tarde. Quer dizer, cedo. — Ela riu.

Eu peguei na mão dela, e a ajudei a descer do banco, que era um tanto alto pra ela.

– Se despeça do seu playboy, e vamos. — usei um tom de autoridade, como se ela fosse minha propriedade.

Saí de perto dos dois, e fui procurar Emily, que estava aos beijos com um cara muito estranho, que parecia estar bêbado também. Chamei ela, e ela me ignorou, foi então que eu a puxei pelo braço. Ela ficou reclamando, mas foi minha vez de ignora-la. Busquei Amora, e saímos da boate. Emily se apoiou em Amora, ameaçando vomitar, e eu fui andando na frente, ainda com raiva, não sabia ao certo de que, mas não queria olhar pra Amora naquele momento.

– Wood ? Não tá vendo ? A Emily tá passando mal ! — ela falou alto.

Eu voltei na direção delas, pisando forte, e olhando aquela cena, da boa menina, ajudando a menina malvada a vomitar.

– Qual é o seu problema Wood ? — ela falou me encarando.

– Problema nenhum, só quero ir embora logo.

Peguei a Emily, passei o braço dela sobre meus ombros, e ajudei ela a andar, até a estação. Andamos calados, e ela pareceu ignorar minha presença, até a estação. Quando chegamos, descemos as escadas, e coloquei Emily sentada no banco, Amora desceu o vestido dela, que estava desajeitado, fazendo a calcinha, também, vermelha, de Emily, aparecer. Me afastei delas, e fui andando em direção aos trilhos, fiquei olhando para eles, sem saber o que estava acontecendo comigo . Ciúmes ? Por favor Nat Wood, um cara dessa idade não deveria ter ciúmes de garotas que não são suas, isso é coisa de adolescente. Em quanto pensava, Amora se aproximou de mim, parou do meu lado, e se pôs a olhar os trilhos também.

– O que ouve com você Nat ? Ficou chateado de uma hora pra outra. Achei que tinha gostado da moça de olhos verdes. — ela falou com a voz suave.

– Eu gostei dela Amora, mas depois fiquei chateado. Não sei por que. Me desculpa se chateei você. — falei me virando para ela.

– Você é um cara legal Nat, provou isso essa noite, me ajudando com a Emy.

– Valeu.

– Sabe, se você quiser, podemos sair de novo.

– Eu iria adorar, você é uma ótima companhia. — falei pegando a mão dela.

Ela tava usando um anel de prata, bem trabalhado, parecia formar uma flor, e no meio tinha uma pedra negra. Alisei a mão dela com o polegar, e então, ouvimos o barulho do trem nos trilhos, ela olhou pra mim e sorriu, soltei a mão dela, e ela se encaminhou ao banco, para buscar Emily. Eu fui atrás para ajuda-la. O trem chegou e ela entrou com a amiga, e me deu tchau lá de dentro, acenou e sorriu. Acenei de volta, e fiquei parado, olhando o trem partir, com Amora dentro dele.

Notas finais
Adoro escrever os capítulos com POV do Nat
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.