Forgotten

7 Capítulo VII


Notas iniciais
Boa leitura!

Era uma tarde brilhante, tipicamente uma tarde de primavera. As diversas árvores estavam floridas e coloridas, cheias de vida, e enfeitavam os arredores de pedra, tirando um pouco da monotonia do cinza. Era uma vista maravilhosa, e que enchia o coração de quem tinha o prazer de ver de alegria e paz. Aquele era o efeito da primavera, ou como era chamada pelos habitantes, Ethuil.

Ao longe, observando as flores, estava uma mulher. Estava sentada em meio a relva esverdeada e florida de um jardim bem cuidado, e cantava uma melodia para si mesma, enquanto sorria passando as mãos por sobre as flores de diversas cores, e as plantas pareciam se abrir ainda mais ao seu toque. Infelizmente, sua paz logo foi incomodada por um novo habitante.

“Herynya¹,” chamou a pessoa, a qual reconheceu sendo um jovem elfo, de cabelos escuros e olhos cinzentos. A mulher sorriu em sua direção, e o elfo a olhou com admiração. “sua égua, Aeglos, está parindo. Vim chama-la como pediu.”

Os olhos cinzentos da mulher brilharam, e logo ela estava em pé e indo em direção ao elfo, sem se preocupar em tirar os fiapos de grama grudados em seu vestido. Foram caminhando por um caminho de pedra rustica, em silencio, até chegarem a um estábulo. Era enorme, de madeira, e de dentro alguns relinchos podiam ser ouvidos. A mulher e o elfo entraram, e logo avistaram a égua da qual o elfo falara. Aeglos, uma bela égua branca, com a crina tão dourada quanto a luz do sol. Estava deitada no chão do estábulo, com um elfo sobre si murmurando palavras de conforto. Poderia ser estranho para qualquer outra criatura ver um elfo confortando um animal em seu trabalho de parto, como se faria com um humano; mas era um fato bem conhecido que os elfos, independente do povo, eram mais chegados aos animais do que as outras criaturas que viviam em seu mundo.

A égua, ao sentir a presença de sua dona, bufou, encarando-a com os grandes olhos negros. A mulher logo foi ao seu lado, tomando o lugar do elfo e dizendo-lhe palavras reconfortantes com sua voz calma e um sorriso alegre. Não demorou muito para que uma pequena égua saisse de dentro de Aeglos, ainda suja de placenta e sangue. Aeglos foi em sua direção, lambendo-a gentilmente, como uma mãe com seu recém- nascido. Os elfos assistiam a tudo com um sorriso no rosto, e logo começaram a cantar para a nova habitante em seu reino.

A pequena égua era toda dourada, diferente de sua mãe, e a rapidez com a qual se levantara, apesar das pernas bambas, demonstrara que seria tão forte e bela como sua progenitora.

Tawariel acordou de supetão, os olhos se acostumando com a escuridão do quarto rapidamente. Se sentiu um pouco mole e tonta, provavelmente por acordar tão rapidamente. Contudo, não precisou de pensar muito para saber que o sonho que a fizera acordar era, na verdade, uma lembrança de sua vida. A protagonista do sonho era ela, e a égua que nascera era Huoriel. Não é preciso dizer o quão feliz ela ficara pelo pequeno pedaço de memória; principalmente uma memória tão bonita quanto aquela. Agora, apesar de ainda não saber de tudo, tinha certeza que Huoriel era, de fato, sua égua. E que, sua mãe antes dela, também tinha sido sua fiel companheira.

Afinal, a vida dos equinos não é eterna, como a dos elfos. Por isso, muitos elfos mudavam de cavalos várias vezes em suas vidas, e todos tinham um valor especial. Alguns preferiam se manter na linhagem do cavalo, como era o caso de Tawariel.

Resolveu se levantar, pois duvidava que conseguiria retornar a dormir. Já tinha sido difícil o bastante cair no sono, pois estava ansiosa com o encontro com Legolas, e agora seria mais difícil ainda, com uma lembrança de seu passado para ser saboreada. Percebeu que o dia ainda estava escuro.

Levantando-se da cama, sentindo-se animada com o dia a sua frente, começou a se arrumar. Jogou água no rosto, de uma bacia que Lothriel tinha lhe deixado no dia anterior, e penteou os cabelos, resolvendo fazer pequenas tranças nas laterais – algo comum para os elfos daquele reino; colocou o vestido marrom que Lothriel também tinha trazido, e calçou os sapatos de couro. Foi em direção a janela, que estava aberta, para permitir a passagem de ar para o quarto, e encarou o céu. Ainda estava escuro, mas as estrelas já tinham ido embora, assim como a lua. Dali a algumas horas, o sol finalmente nasceria, e com ele o dia finalmente começaria.

Sentou-se na cama, e ali ficou, pensando na memória que tivera e o príncipe que lhe prometera sua visita assim que o dia nascesse. Não entendia o porquê de estar ansiosa, mas culpou a curiosidade em conhecer o resto do reino e caminhar pela vila novamente, tal como ver Huoriel novamente. Gostaria de abraça-la, e agradece-la novamente. Até mesmo levaria uma maçã de presente para ela.

Quando o dia já estava claro, com o sol alto no céu, Tawariel finalmente ouviu batidas em sua porta. Ficara encarando o céu até toda a escuridão dissipar e o azul claro tomar seu lugar. Seu coração saltou, e a elfa mordeu os lábios, reprimindo um sorriso, antes de abrir a porta. Nada poderia antecipar a frustração que Tawariel sentiu ao ver quem era a porta.

“Minha senhora, vejo que já está pronta para o dia.” Disse Lothriel, sorrindo. Tawariel teve que se forçar para sorrir também, mas a falta de vontade não passou despercebida por Lothriel. Contudo, a elfa nada disse, pois o que quer que fosse, não era de sua conta. Apenas entrou no quarto, dando uma olhada rápida ao redor.

“Bom dia, Lothriel.” Disse Tawariel, da melhor forma que pode. Lothriel resmungou uma resposta, enquanto fazia a cama de Tawariel. Quando terminou, lançou um olhar para Tawariel, antes de falar.

“O desjejum já está posto. Vamos?” Tawariel assentiu, e assim as duas seguiram para fora do quarto em direção ao salão.

Durante todo o caminho, Tawariel manteve-se quieta, apenas ouvindo a algumas coisas sem muita importância que Lothriel falava. Em sua mente, apenas a duvida, a razão de Legolas não ter ido, pairava. Ele tinha prometido, não é? O que acontecera para o mesmo mudar de ideia? Talvez tinha dito algo que o ofendera? Várias coisas passavam em sua mente, e nada mudava. Apenas sua ansiedade por não saber o que acontecera aumentava.

Quando finalmente chegaram ao salão, Lothriel deixara-a sozinha, dizendo que tinha coisas a resolver mas que logo voltaria. Assim, Tawariel tomou seu desjejum silenciosamente, ainda pensando nas mil possibilidades de Legolas não ter aparecido. Era estranho, mas sentia um aperto no coração, sem saber o motivo. Seu estomago também sentia, pois de repente perdeu o apetite; no fim, apenas bebericou o chá de ervas, e comeu um pedaço de bolo. Pegou a maçã que daria para Huoriel, e ficou esperando, após acabar, observando o prato vazio a sua frente.

Conseguia ouvir o som dos pássaros, sobrevoando o telhado de folhas; alguns até mesmo tinham ninhos entre o emaranhado de galhos. O sol entrava pelas frestas da copa das árvores, e seu calor era algo bem vindo. Tawariel sentiu vontade de ir para a vila dos elfos novamente, para poder sentir o sol sobre sua pele. Veria Huoriel, ficaria com a égua enquanto pudesse, e depois andaria pela vila, para tentar conhecer os moradores. Afinal de contas, não podia depender da presença de Lothriel ou de Legolas para sempre. Ambos tinham seus afazeres; principalmente Lothriel, que não parava por um segundo.

Por falar na elfa, Tawariel logo pode ver a cabeleira loira entrando pelo arco do salão, com a face solene e séria demais. Ainda assim, ao perceber que Tawariel a encarava com curiosidade, a elfa tratou de mudar a expressão, vestindo o mesmo sorriso doce e amigável de sempre.

“Terminou, minha senhora?” Tawariel apenas assentiu, ainda encarando-a com curiosidade. Contudo, a elfa não pareceu se importar e apenas sorriu ainda mais. “Bem, agora que já tomou o seu desjejum, virá comigo até o salão do rei, pois o mesmo deseja falar com a senhora.”

Assim que Lothriel terminou de falar, Tawariel entendeu o motivo da face da elfa estar séria. Até o seguinte momento, o rei apenas a chamara quando acordara, e após isso apenas trocaram palavras breves no banquete. O que o mesmo tinha a tratar consigo, não sabia. Só esperava que ele não a expulsasse de seu reino, pois não saberia para onde ir. E gostaria de conhecer aquele reino escuro melhor, tal como seus habitantes.

Espantando os pensamentos, levantou-se e caminhou ereta até Lothriel, pronta para segui-la de encontro ao rei. Lothriel sorriu amigavelmente, antes de começar a caminhar. E enquanto andavam pelos corredores e escadas, Tawariel sentia que Lothriel sabia a razão pela qual o rei a chamara. Porém, em respeito ao silencio da elfa, não perguntou nada. Logo suas duvidas seriam sanadas.

E foi o que aconteceu, quando a mesma pisou no salão real. Ao contrário da sala do trono, aquela era uma sala mais reservada. As paredes eram feitas de pedra polida, lisas, sem nem mesmo um detalhe sequer. Apenas algumas luminárias enfeitavam as paredes, com seu brilho opaco, lançando sombras estranhas na parede rochosa. No canto leste da sala, um pequeno lago, com a água cristalina e azulada, ficava, recebendo a luz do sol, que vinha de uma abertura no teto, sobre sua superfície. No canto oeste, uma cadeira, parecida com um trono, mas menos detalhada, ficava junto a uma mesa de madeira entalhada; sobre essa mesa, tinham uma jarra prateada e taças, além de uma pena dentro de um pequeno pote de tinta e alguns papeis empilhados de forma organizada.

Sentado nessa cadeira, com o olhar azul parado sobre a figura da elfa sem memórias a sua frente, estava o rei. Vestia uma túnica esverdeada, rica em detalhes, e um colar dourado, com pequenas esmeraldas adornando toda sua extensão. A mesma coroa com flores silvestres adornavam a cabeça dourada e altiva, demonstrando claramente que ele era o rei daquele lugar.

“Meu senhor, aqui está Tawariel, como pediu.” Disse Lothriel, com a voz solene e os olhos baixos. Antes do rei falar ou fazer qualquer coisa, a elfa já tinha se virado e saído, sem nem lançar um ultimo olhar a Tawariel; e naquela sala, que de repente parecia sufocar-lhe com suas sombras, ficaram apenas ela e o rei.

Ficaram se encarando, uma ousadia muito grande por parte de Tawariel, mas a mesma não se dera conta de que encara-lo era errado. O rei, contudo, não pareceu se importar, apesar do pequeno incomodo que raramente lhe acometia. Era raro alguém olhar diretamente em seus olhos, sendo seu filho e sua falecida esposa os únicos a faze-lo. Mas ali estava a elfa, que ainda era jovem em idade comparada consigo, olhando-o e esperando seu veredicto.

Apesar da pose altiva, a postura ereta e o queixo erguido, pode ver pelos olhos cinzentos que a mesma estava um pouco nervosa, mas não demonstrava. Permanecia calada, com as mãos rentes ao seu corpo, e, apesar do nervosismo, nem mesmo suas mãos tremiam. Era uma criatura deveras interessante, pensou. Assim se pôs a falar.

“Minha cara, aproxime-se, por favor.” Tawariel, apesar do nervosismo em estar sozinha com aquele ser que lhe dava calafrios, fez o que lhe foi mandado. Afinal de contas, ele ainda era o rei. E ele tinha sido generoso o bastante para permitir que ficasse ali, em seu reino. Por isso, seria o mais educada o possível.

“Como está sua estada em meu reino? Tudo está conforme desejas?” perguntou, assim que a mesma estava parada a sua frente.

“Ah sim, meu senhor. Agradeço profundamente a hospitalidade de seu povo em minha situação delicada.”

“Fico feliz por ouvir isso, minha cara. Gostaria de um pouco de vinho?” perguntou já enchendo sua própria taça.

“Por favor, meu senhor.” Após colocar uma boa quantidade em uma taça, entregou-lhe com um sorriso discreto no belo rosto. “Obrigada.”

Bebericaram de suas taças, cada qual observando o outro discretamente. Após mais alguns segundos de silencio, o que já estava incomodando Tawariel, Thranduil finalmente começara a falar do motivo que lhe trouxe ali.

“Bem, minha cara Tawariel, fico feliz por ser minha convidada, e considere-se uma convidada de honra em meu reino; por outro lado, fico imensamente triste por saber de sua condição – Mairon me contou que foi acometida pelo veneno cruel da força das trevas --, e espero que melhore logo.” Parou para bebericar o vinho novamente, e Tawariel aproveitou a chance para ser cortês.

“Agradeço sua preocupação, meu senhor.”

“Não faço nada além de minha obrigação, minha cara. Como o rei dessa floresta, sinto-me inclinado a ajuda-la, já que foi atacada em meus domínios. Ah, é uma vergonha para mim e meu povo! Mas ainda tenho esperanças de um dia recuperar a beleza que era o meu reino em eras passadas. Talvez, quando isso acontecer, poderá mais uma vez caminhar por nossas florestas, sem que seja maltratada por alguma criatura nefasta.”

“Sim, meu senhor. Eu o farei com grande alegria no meu coração.” Disse Tawariel, sendo sincera. Após ouvir tantas coisas sobre aquele reino de Legolas, realmente tivera vontade de conhecer melhor o lugar, e ver como ele era antes das trevas – apesar de não saber como ele é exatamente agora, com as trevas. Ouviu histórias, mas ainda não vira com seus próprios olhos o que acontecera naquela terra. E, se vira, não se lembrava.

“Bem, pássaros me contaram que meu filho lhe mostrou uma parte de meu reino. O que achou?” Tawariel se forçou a não franzir o cenho com aquela mudança repentina de assunto; e não pode deixar de se sentir envergonhada por ter andando com um príncipe por ai. Engolindo a vergonha e nervosismo, que crescera ainda mais, respondeu.

“Achei o reino um belo lugar; apesar de toda a escuridão sobre a qual ouço frequentemente, fizeram um ótimo serviço em manter o lugar da forma em que está. Fiquei encantada, especialmente, com a vila. É um lugar cheio de luz, e parece ter certa magia.”

Dessa vez, para a surpresa de Tawariel, Thranduil soltou uma risada; não era uma gargalhada, mas ainda assim era uma risada. E seus olhos brilhavam, não frios e astutos, mas quentes como os de Legolas. Tawariel, embora ainda nervosa, se sentiu um pouco mais confortável. Talvez aquele rei não fosse tão assustador assim.

“Fico muito feliz por saber que gostou.” Ele disse, por fim. Tawariel pode perceber que, não apenas Legolas, mas aquele rei também amava seu reino. E ficou aliviada por agrada-lo com suas poucas palavras, que apesar de tudo, eram sinceras.

“Bom, minha cara, chamei-lhe apenas para isso. Sinta-se livre para caminhar pelo reino e conhecer o meu povo, tal como aprender mais sobre os elfos da floresta. Caso tenha algum problema, pode falar para Lothriel ou com Galion, meu mordomo pessoal e pai de Lothriel. Tenha um belo dia!”

E assim como começara, a conversa terminara. E Tawariel caminhou a passos rápidos e longos em direção a saída. Não se surpreendeu ao encontrar Lothriel parada, esperando-a. E assim que a vira, pode ver um brilho de curiosidade passar pelos seus olhos, mas assim como chegara, se fora. Aquela elfa era realmente boa em disfarçar o que sentia, pensou. Talvez tivesse experiencia nisso.

Foram caminhando calma e silenciosamente de volta para o quarto, mas Tawariel resolveu fazer outro caminho e ir para a vila, como planejara antes. Pensou que Lothriel a deixaria e faria outras coisas, mas a mesma continuou em seu encalço, ambas em silencio.

Não se sentia incomodada com a presença da elfa; de fato, ficava até mais aliviada por ter alguém consigo, mesmo que Lothriel não pudesse substituir quem ela esperava. Mais uma vez naquele dia, seus pensamentos se direcionaram ao príncipe daquele reino, e o motivo pelo qual fora deixada de lado. Lembrou-se do que o mesmo falara no dia anterior, que mesmo estando de folga, o dever sempre chamava. Imaginou se o dever novamente o chamara. E se sim, que tipo de dever era aquele? Que tipo de dever um príncipe tinha para com o seu reino? Principalmente aquele reino; parecia organizado o bastante, e não tinha muitos problemas aparentemente – a não ser a tal escuridão. Suspirou. Odiava não saber de nada, pensou. Estava impaciente, e frustrada por não ter perguntas respondidas.

“Minha senhora, está tudo bem?” encarou Lothriel, se lembrando de que a elfa estava ao seu lado, e lhe encarava com preocupação.

“Estou sim, Lothriel. Por que pergunta?” Lothriel franziu o cenho antes de responder.

“Bem, a senhora não para de suspirar já faz um tempo.” Tawariel não pode deixar de corar, o que fazia com frequência, notou. “Tem algo perturbando-a?”

Encarou a elfa, mordeu os lábios, e ponderou sobre o que queria dizer. Será que teria problema em lhe perguntar onde Legolas estava? Ou quais eram os deveres de um príncipe?

“Sinta-se livre para conversar comigo, minha senhora.” A elfa disse, sorrindo amigavelmente. Já que ela insistia tanto, iria tirar suas duvidas.

“Espero que não seja errado perguntar isso, mas quais são os deveres de um príncipe em um reino?”

A elfa a encarou confusa, franzindo o cenho novamente; após alguns segundos sem resposta, Tawariel olhou para baixo, pensando que não seria respondida, e que, de fato, tinha passado dos limites. Apesar da hospitalidade daquele povo, ela obviamente não era daquele reino. E se fosse de um reino inimigo? Com certeza tal informação não seria dada tão facilmente. Já tinha desistido de uma resposta, mas fora surpreendida novamente quando Lothriel respondeu.

“Ora, um príncipe tem muitos deveres em um reino. Afinal, o príncipe será o sucessor do rei, quando este passar para os Salões de Mandos, ou simplesmente cansar de ser rei. Portanto, desde o inicio de suas vidas, os príncipes são treinados principalmente para isso. Tem que aprender a história de seu reino, e também a de outros reinos e povos. Também deve aprender a lutar, para defender o seu povo quando tempos de guerra chegam. O príncipe é o braço direito do rei, e também o aconselha quando lhe é requisitado. Depois do rei, o príncipe é o mais importante de todo o reino. Respondi sua pergunta?” Terminou de falar com um sorriso, e um quê de que sabia o motivo para a pergunta da elfa.

Contudo, Tawariel ainda não tinha sua duvida sanada.

“E o que o príncipe desse reino faz?” arriscou perguntar. Lothriel sorriu ainda mais; Tawariel não era nada sutil quando desejava saber algo, notou.

“Fala do príncipe Legolas?” Nem mesmo precisou de uma resposta verbal para saber que era. “Bem, o príncipe é o capitão das tropas do reino. Como já é um príncipe de idade, quero dizer, já aprendeu tudo o que tinha que aprender, e sabendo que provavelmente nunca será rei, pois nosso rei ama seu trabalho, resolveu fazer outras coisas. Logico que, quando o mesmo decidiu assumir esse cargo, o rei foi veementemente contra. Mas o desejo do príncipe prevaleceu, no fim das contas. E já faz centenas de anos desde que ele assumiu esse cargo.”

“Entendo.” Murmurou Tawariel, antes de continuar. “E o que ele faz sendo o capitão das tropas? Quero dizer, contra o que vocês lutam?”

Lothriel pareceu um pouco desconfortável com a pergunta, e seus olhos azuis também se entristeceram. Mas não deixou de responde-la.

“Já ouviu falar da escuridão que tomou conta de nossa floresta, não é mesmo?” Tawariel assentiu, “Bem, logo que a escuridão tomou conta da fortaleza de Dol Guldur, que foi construído na nossa antiga capital, Amon Lanc, seguidores do inominável vieram para a floresta. Orcs vindos das montanhas, principalmente das Hithaeglir², e as terríveis aranhas, que vieram diretamente da Terra Sombria, filhas Dela³, e ocuparam as florestas, matando todo e qualquer ser vivo que habitavam lá. As malditas são nossas piores preocupações, apesar dos orcs. Geralmente, são mandados para fazerem outros serviços maldosos em nome de seu mestre, e muito raramente ousam nos atacar. Não obstante, nos atacam quando tem desejo por sangue e morte. As aranhas, contudo, são mais ousadas. Sempre tentam emboscar elfos que caçam na floresta, para se alimentarem. E elas crescem cada vez mais, se tornando mais famintas e perigosas.”

“As tropas são mandadas de tempos em tempos, para caça-las em seus ninhos, que, muitas vezes, são muito perto de nossos domínios. As vezes são mandadas apenas para se certificarem de que tudo está em “paz” na floresta, e nem sempre batalhas são travadas. O príncipe, sendo o capitão, é a primeira tropa, e consigo apenas os melhores de todo o reino estão. Tem a segunda e terceira tropas, que são lideradas pelos marechais. E quando uma tropa está fora do reino, as outras tem uma folga. Mas a cada semana uma tropa tem que sair do reino. Ontem mesmo o príncipe saiu para se encontrar com a segunda tropa, pois os mesmos estavam lutando contra várias aranhas.”

Quando Lothriel terminou, com o cenho franzido, ambas ficaram em silencio. Agora, ao saber do motivo por Legolas não tê-la visitado, se sentiu culpada por pensar tantas coisas bobas. Enquanto estava no reino, com tempo livre para pensar sobre coisas estupidas, o mesmo, junto com vários outros elfos, travavam uma batalha. Se sentiu idiota e infantil, e por isso não tocou mais no assunto. Mesmo assim, agradeceu Lothriel por esclarecer suas duvidas e responder suas perguntas.

Quando chegaram a vila, todos pareciam normais. As centenas de elfos se ocupavam com seus afazeres, andando de um lado para o outro. Tawariel pensou se eles já estavam tão acostumados com as batalhas e a escuridão, que nem se importavam mais. Era um pensamento terrível e triste, mas que parecia ser verdade.

Foram caminhando em direção ao estabulo, onde Tawariel chamou Huoriel, que veio prontamente ao seu encontro. Estava animada por vê-la, e Tawariel se sentir mal por não poder corresponder o sentimento. Depois de ter ouvido o que Lothriel dissera, se sentia desanimada e preocupada. Não conhecia a escuridão, pelo menos não se lembrava, mas mesmo assim parecia algo horrivel. Só a palavra, dûr, tinha um gosto amargo quando pronunciada. Ao pensar nas aranhas negras e enormes, com seu veneno e presas afiadas, e nos orcs, com seus olhos sedentos e corpos deformados, sentia um arrepio percorrer sua espinha.

Sentou na relva, com Lothriel de um lado, e Huoriel do outro. Deu a maçã que tinha trazido para a égua, que ficou mais do que feliz por comê-la. Lothriel soltou uma risada leve ao seu lado, o que trouxe Tawariel de volta ao mundo real.

“Vejo que lhe trouxe um presente.” Ela disse, sorrindo. “Aposto que os outros cavalos vão morrer de inveja.” Tawariel assentiu, também sorrindo, e passando a mão sobre a crina de Huoriel, que deitou sua enorme cabeça no colo de sua dona, tirando uma risadinha da mesma.

Notas finais
Olá novamente meus amores! Aqui está mais um capítulo, espero que gostem. Bem, nessa capítulo tem mais uma interação entre Thranduil e Tawariel, que será importante mais para frente (mas eles não se tornarão um par romantico, que fique claro. Na minha fic, e no universo do Tolkien, Thranduil pertence apenas a sua esposa). Tem também um pouco mais de interação com Lothriel, que é filha de Galion -- aquele mesmo mordomo que bebeu demais e, junto com os guardas, deixaram o Bilbo salvar os anões, haha. Como vocês já devem ter percebido, eu adoro contar histórias dentro da história, haha. Mas eu tenho uma explicação para isso. Eu sou fã de carteirinha do Tolkien e de sua escrita maravilhosa. Já li de cabo a rabo todos os livros relacionados com a Terra-média, e até o meu TCC será sobre ele. Eu sempre quis fazer uma fic falando sobre a cultura dos elfos, principalmente dos elfos da floresta, pois pouco se sabe sobre eles. E como toda e qualquer informação é importante para nossa protagonista, é bom sempre ter várias histórias. Eu não sei se vocês já leram os livros ou se apenas viram os filmes, mas se tiverem dúvidas sobre qualquer coisa, podem perguntar. Como são muitos personagens, muitas histórias e muitos povos, pode ser um pouco confuso. Sem mais delongas, vamos para o Glossário da fic. 1- Minha senhora; 2- Montanhas Sombrias; 3-Laracna. Bem, acho que é só isso. Gostaria de deixa-los avisados que semana que vem minhas aulas começam na faculdade, e que, talvez, eu possa me atrasar um pouquinho com os capitulos. Mas vou fazer de tudo para não deixar isso acontecer! Obrigada pelos comentários, pelos acompanhamentos e favoritos! Até a proxima, Bjs.