Notas iniciais
Demorei, né? Me desculpem mesmo, era para eu ter postado há duas semanas, mas não deu certo... espero que gostem c:

Apertei sua mão.

Alagan Dhiren Rajaram. Ah, meu Deus...

–Você está bem? — ele perguntou quando sentiu que minha mão tremia. Na realidade, meu corpo inteiro estava inquieto.

Puxei o braço gentilmente, sentindo o rosto corar.

– Sim, estou bem — eu disse, por fim. Ainda não acreditava. Aquele momento foi, literalmente, um exemplo de sonho se tornando realidade.

Recuperei a postura e tentei secar minhas lágrimas discretamente. Pigarreei.

– No que posso ajudá-lo, Sr. Rajaram?

– Pode me chamar de Dhiren — ele me corrigiu, dando um meio sorriso. Meu rosto corou ainda mais, provavelmente. Dhiren riu. — Onde posso encontrar o proprietário do circo?

No mesmo instante em que ele disse aquilo, vi o tigre branco aproximar-se. Fiz um carinho atrás de suas orelhas e ouvi-o emitir um som que lembrava quando gatos ronronavam.

Dhiren — o homem — levantou uma sobrancelha.

– Não tem medo do tigre? — perguntou. Sr. Kadam havia feito a mesma pergunta em meu sonho.

Suspirei.

– Ele é dócil e eu acabei de alimentá-lo. Não acho que me machucaria. Respondendo a sua outra pergunta, o Sr. Maurizio deve estar em seu trailer. Posso levá-lo até lá, se quiser — respondi, mordendo o lábio inferior.

Dhiren sorriu.

– Se não for incomodá-la...

Verifiquei a jaula do tigre e as chaves. Saímos do recinto e caminhamos em silêncio enquanto eu tentava assimilar o que aconteia. Dhiren era, obviamente, real, porém não como em meu sonho — ele não era um príncipe indiano de trezentos anos, mas mesmo assim... E mesmo que não ficássemos juntos, pelo menos eu iria saber que seu rosto não sairia de minha mente tão rápido.

Assim que chegamos perto do trailer preto e prateado, Dhiren parou a minha frente.

– Obrigado — ele disse. — Foi um prazer conhecê-la.

– Você é indiano? — perguntei antes que pudesse me conter. Argh.

Dhiren me olhou, confuso.

– Nasci na Índia e vivi no país por quinze anos, e então me mudei para a América. Fiquei no Maine por quatro anos e faz dois que estou aqui. O Oregon é... definitivamente o melhor — ele respondeu, me olhando da cabeça aos pés várias vezes. Senti meu rosto esquentar novamente.

– O.k. — eu disse, sorrindo falsamente. — Foi um prazer conhecê-lo também.

Ele sorriu e bateu na "porta" do trailer. Ouvimos uma voz gritar Só um minuto! e me afastei.

Enquanto dirigia-me a tenda de Cathleen, pensamentos tomaram conta de minha mente. Ele era real! Apenas saber aquilo já era ótimo, apesar de não significar praticamente nada. Passei pela entrada da tenda e me joguei na cama, tentando adormecer, mas é claro que não conseguia; pensamentos e lembranças vinham em minha mente a todo momento, tais como as lágrimas — porém eu não as deixava sair.

Não me lembrava de ter adormecido até abrir os olhos e ver a claridade invadindo o local. Peguei meu celular e apertei uma tecla aleatória para ver o horário: oito e dezesseis da manhã. Suspirando, forcei-me a levantar, ligeiramente cambaleante. Escovei os dentes e troquei minhas roupas antes de Cathleen chegar, e perguntei-lhe se haveria alguma apresentação naquele dia.

– Não — ela respondeu, mexendo no cabelo louro. — O Sr. Maurizio cancelou os shows de hoje. Parece que ele irá fazer algum comunicado, mas ainda não sabemos do que se trata.

– Humm — murmurei. — O.k., obrigada.

Ela sorriu e começou a mexer em sua mochila. Saí da tenda e fui comer alguma coisa no refeitório. Como não estava com tanta fome, apenas peguei uma xícara de chá e um pão de queijo e sentei-me.

– Olá, Kelsey — ouvi uma voz ao meu lado e me assustei. Era o Sr. Davis, que segurava uma caixa com algo que parecia se mexer dentro dela.

– O que é isso? — perguntei, referindo-me a embalagem.

Ele olhou para a caixa e respirou fundo.

– Alguns itens que vamos precisar usar nas próximas apresentações — arregalei os olhos ao compreender algo. — Não se preocupe, são apenas algumas molas e bolinhas de borracha.

Suspirei, aliviada.

– Kelsey, poderia me fazer um favor daqui a alguns minutos? — assenti. — Há um visitante no circo hoje, porém não posso recebê-lo. Poderia fazer isso por mim?

– Claro — respondi. — Quem é?

– Um tal de Alagan.

Quase me engasguei com o chá.

– Ah, sim... claro. Eu o conheci ontem a noite — disse, me recuperando.

Ele levantou as sobrancelhas.

– Quero dizer, ele estava procurando pelo Sr. Maurizio e eu o ajudei — me corrigi.

– Certo, certo — o Sr. Davis pegou a caixa novamente e se levantou. — Esteja em frente ao trailer do Maurizio em dez minutos, o.k.? Tudo o que você precisará fazer é mostrar o circo.

Sacudi a cabeça positivamente e terminei de tomar meu chá. Assim que acabei, saí do refeitório e fui dar uma olhada em Ren, o tigre. Ele estava dormindo, o corpo virado para o lado e a língua prestes a escapar de sua boca. Dei uma risadinha e observei-o por um instante antes de trocar sua água e deixar um pedaço de carne para ele comer quando acordasse. Fiz um carinho em sua pata e saí, indo ao trailer. Não havia ninguém lá, pelo menos da distância em que eu estava, não conseguia ver algo ou alguém. Me aproximei um pouco mais e de repente parei. Senti algo atrás de mim e me virei.

– O que estava tentando fazer? — perguntei.

Dhiren suspirou, balançando a cabeça.

– Você estragou minha tentativa de te assustar.

Pisquei.

– Por quê?

– Não gosta de surpresas?

– Na realidade, não.

– O.k. — ele se deu por vencido.

– Venha — chamei. Eu ainda tinha que mostrar-lhe o circo, então achei melhor não perder tempo.

Primeiramente fomos ver os cães, que estavam sendo treinados. Dhiren pareceu fascinado com um truque no qual os animais passavam por aros em segundos, e confesso que sua expressão era bonitinha. Droga.

Passamos, então, para os palhaços. Eles não estavam na tenda, porém haviam deixado uma porção de roupas, acessórios e coisas do gênero espalhadas. Franzi a testa ao ver uma peruca vermelha em um cabide, mas achei melhor não dizer nada.

Levei cerca de uma hora para mostrar o circo inteiro, deixando o tigre por último, dando tempo para ele acordar e comer — seria melhor não incomodá-lo — e só então fomos vê-lo. Dhiren não parecia notar suas semelhanças com o tigre, mas eu o fazia. Talvez fosse por causa do sonho, até mesmo porque eu jamais iria comparar os olhos de um homem com os de um tigre — mas vê-los assim, juntos, era impossível não se sentir triste. Virei o rosto, a fim de tentar escondê-lo.

– Kelsey — chamou-me. Olhei para ele. — Qual a idade deste tigre?

Se o Sr. Davis havia mencionado isso, eu não me lembrava.

– Sinceramente, eu não sei. Mas creio que ele não seja muito novo, mas também não deve ser tão velho.

Ele assentiu, de repente parecendo preocupado.

– Certo. Poderia me fazer um último favor?

– Sim — respondi baixinho. Ele se dirigiu a porta e olhou a sua volta.

– Hoje, o Sr. Maurizio irá fazer um comunicado...

– Já sei disso.

– ...e queria que você me ajudasse.

Franzi as sobrancelhas.

– Ajudar no quê? — perguntei, confusa.

– Você irá entender hoje a noite, depois que ele falar.

Assenti.

– Se estiver ao meu alcance, tudo bem.

Dhiren sorriu.

– Obrigado.

Ele deixou o local e eu fiquei ali, estática.

***

A noite não demorou a chegar, o que foi um alívio. O Sr. Maurizio havia reunido todos nós no pátio principal, e eu pude observar Dhiren a uma distância. Quando ele percebeu que eu o observava, sorriu. Corei e soltei um meio sorriso. Maurizio apareceu alguns segundos após todos nós estarmos acomodados e pediu silêncio.

– Temos um visitante em nosso circo! — ele disse e Dhiren encolheu os ombros, dirigindo-se ao seu lado. — Seja bem-vindo, Dhiren. É uma honra termos um descendente dos Rajaram por aqui. Seus antecendentes provavelmente fizeram parte do Império... ahn...

– Mujulaain.

Uma batida de meu coração falhou. Olhei para os dois, respirando pesadamente. Eu sabia que ele deveria ter alguma ligação com a velha família indiana, mas não imaginava isso.

– Ah! — exclamou Maurizio. — Ótimo, ótimo... Vejamos, Dhiren, sua proposta é tentadora, mas precisamos da opinião de nossos amigos, aqui...

Suspirei, imaginando o que aconteceria.

– Este jovem, Dhiren, está propondo comprar este circo. Mas não se preocupem, vocês permanecerão por aqui, apenas com um proprietário e cuidados diferentes.

No mesmo instante, compreendi. Dhiren precisava de mim para cuidar do tigre. Um pensamento tomou conta de minha mente e eu, de repente, saí correndo do pátio principal, esperando que ainda houvesse tempo.

Notas finais
Não ficou tão bom, não é? Me desculpem, mas acho que vocês vão gostar do próximo capítulo... ou não alkjsla vão me matar. Comentem, comentem o//