Forget Tomorrow
1 O Início da Era Greatest Revenge
Notas iniciais
Long Beach, Califórnia
- Rock não é coisa pra menina.
Era o que meus pais e metade do mundo diziam quando eu falava que queria cantar numa banda de rock. Não importava os vários argumentos que eu tinha pra provar o contrário, todos sempre diziam a mesma coisa. Além de dizer que eu deveria investir em meus estudos e essa baboseira toda. Meus pais disseram a mesma coisa a meu irmão Igor quando ele teve a mesma ideia que eu. Mas, como ele é mais esperto, tratou logo de sumir de casa pra tocar com a banda dele, o Sepultura (yeah, Sepultura!). Foi por causa disso que meus pais ficaram com um pé atrás em relação ao rock, e consequentemente, em relação a minha opinião sobre montar uma banda.
Mas, apesar de ter apenas 18 anos na época, eu já tinha certeza do queria pra mim, pro meu futuro: ser um astro do rock mundial. Não seria fácil, mas eu iria conseguir.
Depois de um bom tempo eles me convenceram de que eu deveria fazer uma faculdade. Quer dizer, eles não me convenceram, eu tive que aceitar, senão eles me perturbariam até o fim da vida. Mas seria até bom, pelo menos eles achariam que eu estava fazendo "algo de útil", quando na verdade estaria planejando detalhes da minha futura banda.
Foi na faculdade que eu tive a oportunidade de conhecer aquelas que seriam minhas melhores amigas daqui pra frente. Lindsay, Rebecca, Jennifer e Isabela, a única brasileira, assim como eu. Elas me apresentaram um mundo totalmente novo, totalmente diferente daquele que eu conhecia. E eu adorava esse mundo.
E com a ajuda delas eu resolvi fundar a Greatest Revenge. Eu era a vocalista, Jennifer era a guitarrista, Lindsay a baixista e Rebecca a baterista. Isabela seria a "empresária" do grupo, ajudava a gente sempre, não importava o tamanho da dificuldade. Ela também emprestou a garagem da casa dela, mesmo com sua mãe enchendo o saco toda vez que a gente ia ensaiar lá. Então, pra evitar mais confusão com ela, resolvemos ensaiar num galpão abandonado que tinha perto da minha casa. Não era o local mais adequado, mas servia.
Então, depois de muito, MUITO ensaio, resolvemos nos apresentar em alguns festivais que tinham na Califórnia. Toda vez que subíamos no palco, as pessoas na plateia nos olhavam com cara de "o que essas patricinhas tão fazendo aqui?". A minha vontade nessas horas era de descer do palco e bagunçar a cara de cada um que falava mal da gente com o meu soco inglês, que fazia às vezes de anel na minha mão.
Mas eu tinha que descontar toda a minha raiva desses momentos no palco, cantando, gritando e o caralho a quatro. Meu gutural não era dos melhores, confesso, mas que se foda, eu só queria expulsar toda a raiva que tinha dentro de mim. E conseguia. As meninas também tinham essa mesma opinião, então elas também descontavam tudo em seus instrumentos, fazendo o show ficar simplesmente fodástico.
Quando os shows acabavam, a reação do público mudava completamente. Os que antes nos xingavam, agora gritavam pedindo por mais. Eu achava simplesmente o máximo como a nossa música conseguia mudar o pensamento dessa galera.
E foi assim, de festival em festival, que conseguimos conquistar o nosso espaço no metal. Até que, em um desses festivais, nós conhecemos Larry Jacobson, que é simplesmente O FODÃO no ramo empresarial do rock. Ele virou oficialmente nosso empresário dois meses depois, e a função da Isabela na banda teria que mudar. Então, ela virou nossa roadie.
Meu pai estava em pânico, segundo ele, "estava vendo outro filho sendo arrastado pro mundo do sexo, drogas and rock?n roll". Mesmo com o Sepultura, a banda do meu irmão, fazendo um puta sucesso há um bom tempo e a minha carreira começando a deslanchar, meu pai não conseguia sair desse pensamento ultrapassado. No fundo, eu tinha dó dele, mas teria que seguir o que eu sempre sonhei pra mim. Larry ajudou o meu pai a entender a situação, até que ele começasse a se acostumar com isso. Tive que sair de casa pra seguir em turnês que Larry nos arrumava, abrindo shows pra outras bandas. Passamos uns dois anos só nisso, até que Lola, uma produtora, ouviu uma demo de nossa banda e nos chamou para gravar um CD.
Ela apostou fundo no marketing da banda, dizendo que uma banda formada só por mulheres faria muito sucesso. Nossos nomes artísticos mudaram um pouco, na verdade só a Lindsay que teve uma mudança maior, passou a assinar Lyn-Z. Rebecca assinava apenas Becca e Jeniffer só Jenny. Isabela entrou na brincadeira e agora assinava Bellz.
Cada uma tinha uma marca registrada no palco. Lyn-Z começou a usar um estilo de roupa meio "colegial-sexy", como ela mesmo fala, que eu achei no mínimo tosco no começo, mas logo me acostumei. Jenny tinha um jeito mais reservado, então o máximo que ela exagerava era no tamanho das saias que ela usava. Becca tinha o cabelo pintado de roxo como sua marca, já que era só isso que aparecia diante daquela bateria enorme. As minhas marcas eram os meus espartilhos, acompanhados ora por calças legging de couro, ora por saias, que faziam com que as cintas-ligas que eu usava nas pernas aparecerem, e o meu cabelo liso, que vai até a cintura. Às vezes usávamos salto, mas o que predominava nos shows, até por ser mais confortável na hora de pular, eram as botas (sem salto, claro).
Essa história de ser sensual demais no palco não me agradou no começo, queríamos ser reconhecidas pelo nosso trabalho, não pelo corpo. Tá, e eu também morria de vergonha de entrar no palco com roupas curtas, apertadas e cinta-liga na perna. Mas a Lola acabou me convencendo que esse estilo seria bom pra gente. Acabou que ela estava certa, em pouco tempo os fãs estavam copiando nosso estilo.
O nosso sucesso era tanto, que em 2003 resolvemos fazer nossa própria turnê, finalizando ela em 2005.
Agora, em 2006, estamos realizando nosso grande sonho: tocar junto com o Metallica, na turnê deles! CHUPA PRECONCEITUOSOS, TÔ NA TURNÊ COM O METALLICA CARALHO! HAHAHAHA tá parei.
Achei que só a Greatest Revenge que iria tocar com eles, mas outra banda também iria nos acompanhar nesses meses. O Avenged Sevenfold também estaria lá. Sou muito fã deles, desde a época que eles lançaram o STST, então nem preciso dizer o tamanho da minha felicidade quando eu descobri que nós ficaríamos seis meses perto deles né?! Sério, foi MUITA felicidade.
Aí você se pergunta até agora: QUEM É VOCÊ MULHER??? Fala logo porra!
Calma vei, tô me apresentando. Prazer, meu nome é Daniella Cavalera, mas assino Dani Cavalera. Vocalista da Greatest Revenge. Sou brasileira, mas agora moro em Los Angeles com as meninas. Divido um flat com a Bellz, também brasileira. Tenho 25 anos até o presente momento.
E sinto que essa turnê ainda vai dar muito que falar...
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