Forest Lake
7 Capítulo Sete - O Interrogatório
Notas iniciais
23h00min, Sábado, Outubro de 2014.
Após a saída dos jovens que saíram com vida daquela tarde traumatizante, Sandy, Selena e Will foram enviados para delegacia, onde seriam interrogados pela Agente Mirella Bittencourt. Ela era uma mulher culta e decidida. Tinha a pele morena, olhos negros, cabelo liso e maquiagem pesada no seu rosto.
Mirella falava de um jeito, que pela afinidade da fala, parecia já conhecer os sobreviventes desde o primeiro acidente.
–Muito bem, querem alguma coisa, uma água, café, bolinho?–Mirella aproxima-se dos aterrorizados.
–Eu estou bem... –Will responde.
–Eu aceito um café, estou cansada... –Diz Selena a Mirella. Sandy não falava nada.
–E você, Sandy Campbell? –Mirella põe a mão no ombro de Sandy. –A famosa visionária não vai querer nem um bolinho?
–Ah, nada não obrigada. Estou bem, mas, como a senhora sabe o meu nome? –Sandy acha que já viu aquele rosto em algum lugar.
–Não se lembra mesmo de mim? –Mirella pergunta a Sandy. Logo, ela dá um intervalo na fala com a tentativa de fazer o trio lembrar-se dela.
–Agente Mirella alguma coisa! Você é a Agente que nos interrogou depois do acidente da Sala de Cinema Seis! –Will lembra.
–E você é Will Lewis McGonagall, sobrevivente do Acidente Da Sala... Você já sabe o resto. –Mirella o apresenta.
–Estou lembrada! –Diz Selena.
–E então, descobriram o motivo do descontrole do trem? –Sandy pergunta a Mirella, a responsável pelo caso do acidente da Sala de Cinema Seis em conjunto com o da estação de trem.
–Eu faço as perguntas aqui, lindinha, então queira fazer o favor de entrar naquela salinha que você vai ser a primeira a ser interrogada. –Disse Mirella a Sandy com um tom arrogante. A sala era pequena, não continha janelas, apenas um piso antiderrapante e duas cadeiras apoiadas em uma mesinha com uma luminária. Sandy puxou a cadeira e sentou-se de modo que ela achou confortável. Mirella tranca a porta e se senta também.
–Então, vamos começar. O que sabe sobre Charlotte Mason? –Interroga Mirella.
“Eu... Na verdade... Ela era meio grosseira, mas tinha um bom coração. Tanto, que nos últimos meses ela estava mudando consideravelmente, mas ela sempre demonstrava insegurança em tudo que ela fazia.” Respondido por Sandy Campbell.
“Então... Eu nunca tive, digamos assim um laço de amizade formado com Charlotte porque não deu muito tempo, não éramos muito amigos quando ela trabalhava conosco na fábrica, porque ela não era do nosso bloco, ela ainda namorava com o recentemente falecido Howl Cameron, por isso não me aproximava dela.” Respondido por Will McGonagall.
“Ela não era a minha melhor amiga, mas, eu a achava legal, desde que ela pediu perdão por ser injusta com a Sandy, a que previu o acidente, mas não, não sei de quase nada, só sei que ela... Gostava de... Peixes.” Respondido por Selena Palmer.
–Pois bem, diz aqui na ficha deste caso, Palmer, que você e seus amiguinhos já tinham o conhecimento do fato de Charlotte Mason ser morta por animais aquáticos que nem sequer foram encontrados depois do acidente. A pergunta é... Como vocês sabiam disto? –Mirella encosta parte de seu tronco na mesa esperando uma boa resposta.
“Oras, ficamos sabendo desta tragédia pelo mesmo meio da primeira: As visões da Sandy, que inclusive já me custaram o para brisa do carro...” Respondido por Selena Palmer.
–Então Sandy, esta pergunta só será voltada para você. Voltando ao assunto, vamos dizer... Sobrenatural, estas visões– Mirella faz aspas com os dedos– que você tem, acontecem frequentemente? Você... Usa drogas?!
–Eu não tenho muito a dizer sobre as premonições, até porque eu não tenho controle, não me pergunte como, mas estas coisas anormais... Simplesmente vem! E acredite, se eu pudesse escolher, eu jamais teria estas coisas de ter... Premonições, ver vultos, e sinais, até porque isto já mostrou que não me ajuda em nada! Eu... Detesto, detesto mesmo não ter controle de algo que vem de mim. Eu até achei que com as visões, eu poderia deter essa matança, eu tento, e vou tentar se acontecer de novo, mas sempre que estou quase lá, já é tarde! E, não uso drogas e nem bebo.
–Espere aí... Está dizendo que mais gente vai morrer?
–Se mais gente vai morrer, eu não sei, mas... O que eu sei, é que ainda não acabou. Eu sinto isso.
–Perdão se ofender, mas, você espera mesmo que eu acredite nisso que você está me contando? Quer que eu acredite nessa maluquice? Eu sei que o que eu vou falar é algo meio clichê, mas: Tem uma razão pra tudo, Sandy! Tirando o fato de que esses depoimentos fazem todas as pistas dos homicídios apontarem pra você como suspeita isso não vai me ajudar em nada, afinal não tenho nenhuma prova, só sua ficha indicando desvio de comportamento.
–E perdão a você se ofender, mas, eu não tenho obrigação nenhuma de te fazer acreditar nisso, afinal, isso não vai me ajudar em nada. E “desvio de comportamento”? Realmente, se vocês pensarem como os que salvei no acidente, vocês estarão muito longe da resposta. Com certeza, mais longe do que eu. –Sandy retruca pondo parte de sua franja atrás da orelha. Mirella nada disse. Apenas a sugeriu ir embora. Sandy arrastou sua cadeira, levantou, Mirella estendeu sua mão direita querendo apertar sua mão. Sandy fingiu que não viu por causa do “desvio de comportamento” e foi embora. Só restavam dois para o resto do interrogatório, que inclusive não estava rendendo muitas pistas ou depoimentos necessários para desvendar a “razão” de tudo. Mirella tem a ideia de dar um ultimato em Will, ou seja, pressionar e ameaçar para conseguir respostas.
–Will, você deve estar ciente de que Charlotte morreu por seu corpo mutilado por piranhas no Lago Queirozz, mas o que você não deve estar ciente, é que estas piranhas nunca foram encontradas no lago. E eu gostaria muito de uma explicação– Will já ia ditar novamente a teoria da visão e dos sinais quando Mirella o interrompe– mais apropriada, pois vocês já sabiam pelo que me informaram pelos depoimentos, que a jovem iria morrer. E você precisa encarar os fatos, afinal, você é o homem desse “trio heroico”, e acho que com certeza, você já tem noção que é o principal suspeito nesse caso.
–Isto não é justo eu... –Will protesta e Mirella ignora.
–Por que eu não posso aceitar sua explicação de que vocês sabem quando alguma desgraça vai acontecer só porque uma jovem viu tudo acontecer no pensamento. Então, é sua chance de confessar o que fez, antes que seja tarde. –Mirella cruza seus braços e encosta na cadeira.
–Eu... – Will não tinha nada no momento, ele não podia fazer nada, ele preferiu ser solto com rapidez sem dar mais declarações até porque Mirella não tinha provas de que eles estavam fazendo tudo isso de alguma forma. Só restou Selena, a última esperança da Agente.
–Eu quero que fique ciente dos fatos mocinha. Todos vocês já estão na mira da polícia. Não só a falsa visionária.
–Ei! Ela não é falsa, vocês que tem a mente pequena e não conseguem entender o que se passa nas nossas vidas!
–Olha como você fala! –Mirella levanta seu dedo indicador, Selena continua sem abaixar o tom de voz:
–Já houve duas mortes individuais, tá legal! Eu, o Will e a Sandy estávamos com a Charlotte bem longe do Howl quando ele morreu eletrocutado, não tivemos nada a ver com isso.
–Então vocês estavam na casa da próxima vítima antes da primeira...
–Eu não sei o que está acontecendo. Não sei por que os sobreviventes estão morrendo. Mas eu sei o que a Sandy é, e ela não foi só uma “falsa visionária”.
–Não? E o que ela é realmente, me diga! –Mirella estava esperançosa.
–Uma oportunidade. E com certeza, nós três iremos acabar com isso. E vamos descobrir um jeito.
–Oh, claro, por que eu jurava que você ia me dar alguma resposta útil... –Mirella levantou-se. –Vá! Pode ir embora.
Selena lança um olhar de raiva para Mirella, que por sua vez puxa de seu bolso um pequeno cartão plastificado, com o nome “Agente Mirella Bittencourt” E seu número “555-2081”.
–Mas, se precisar falar qualquer coisa... Este é meu cartão. –Ela apresenta. Selena segura o cartão entre os dedos. Ela abre a porta e vai embora sem fechar. A mesma não ouviu o que Mirella murmurou.
Sandy e Will esperavam dentro do carro Selena sair da delegacia pela porta giratória.
–E então, Selena? O que ela te disse? –Perguntou Sandy a Selena destrancando a porta.
–Perguntou o que eu sabia sobre a Charlotte.
–Pra mim também. –Will comenta.
–Ela foi uma grossa comigo! No começo ela parecia legal, até bolinho ela ofereceu. Tirando também o fato de que ela esqueceu de me entregar o café –Selena decepciona-se.
–Vocês não entenderam? Ela estava impaciente. Ela não acreditou em nada que respondi. Começou gentil, mas viu que não íamos falar nada de interessante para ela e começou a ter ataques de ignorância.
–Bom, ela me deu um cartão. Disse que podíamos procura-la se quisermos falar com ela. –Selena mostra o insignificante papel plastificado. – Eu vou joga-lo fora.
–É melhor não fazer isso– Will e Selena viram-se pra Sandy– Nunca se sabe quando vamos precisar. –Sandy pega o cartão dos dedos de Selena e guarda no seu bolso.
Sandy liga seu carro vermelho e dirige. Depois de alguns minutos...
–Gente, eu acabei de raciocinar uma coisa. –Will quebra o silêncio no carro. – Se a Charlotte... Morreu... Como vamos achar a casa da Marine para achar o tal sujeito de cachecol e sandálias?
–Bom, já que já estamos na mira da polícia, não temos nada a perder se... –Sandy faz um sorrisinho de canto de boca.
–Ei! O que você pretende que façamos? –Selena verifica se o seu cinto estava bem preso.
–Eu preciso dar um jeito de entrar na delegacia e verificar no computador da polícia quantas “Marine” existem em Forest Lake, e procurar uma por uma... Não devem existir muitas nesta região.
–Sandy, tem certeza? Marine não é um nome comum, mas... Acha que vão deixar nós entrarmos no computador que localiza alguém na polícia? Vão suspeitar mais da gente! De que jeito vamos entrar na delegacia e procurar a Marine no computador da polícia? –Diz Will a Sandy.
–Bom... –Sandy vai em direção a sua casa– Daremos um jeito.
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