Forest Lake 2
9 Capítulo Nove: Persistência
Notas iniciais
–Oi mãe, como estão às coisas? – A Srta. Kruger perguntou no telefone.
–Estou levando, hoje mesmo acordei com uma tosse, uma dor no peito...
–Tosse? Eu tenho um remedinho que alivia essa dor que você está sentindo, é milagroso, mamãe!
–Então seja boazinha e traga este antídoto para a sua mãe.
–Tudo bem, eu mando o Driss te entregar, nós te visitamos à noite.
–Eu vou esperar hein! Se ele demorar, te ligo para te dar um sermão.
–Entendido, até breve, beijos. –Ela desliga o celular. –Driss! Venha cá, já!
–Que é mãe? –Driss pergunta em um tom desrespeitoso indo em direção a cozinha.
–Não fale nesse tom comigo, mocinho!
–O que queres tu de mim?
–Que você leve um remédio de tosse para a sua avó.
–Mãe, acha que eu tenho cara de Chapeuzinho Vermelho por acaso?!
–Driss Kruger!
–Eu não quero ir!
–Por que não?
–Ela tem aqueles cachorros no quintal que todas às vezes avançam em mim.
–Se você não mexer com eles não vão te morder, eles protegem a sua avó.
–Tá legal, já entendi, vou pegar o skate.
–E eu a cartela de remédios. –A mãe de Driss avisa, e cada um vai para lados opostos.
A alguns quilômetros dali...
Sophie abre os olhos vagarosamente, e vê Diana e Estevan observando-a. Os dois exclamam na hora:
–Ela acordou!
–Qual delas? –Will pergunta de longe e abrindo uma porta de vidro. Logo, Oliver surge também.
–Onde estamos? –Sophie pergunta zonza.
–No Hospital de Forest Lake. –Estevan responde.
–Você nos deu um susto, bateu forte a cabeça no asfalto. –Oliver disse.
–Fiquei preocupadíssima com vocês duas! –Diana disse levando suas duas mãos ao coração. Diana tinha o coração enorme, amigos para ela eram como um talismã, seus amigos podiam contar com a ruiva para tudo.
–Duas?! –Sophie pergunta.
–Bom você sabe que a Sandy tem uma fobia monstruosa de ônibus, e quando um capotou assim que você desmaiou, ela caiu dura no chão. –Oliver disse.
–Ela vai ficar bem? –Sophie pergunta preocupada olhando para o lado e vendo Sandy desacordada em outra maca.
–Eu espero que sim... –Diana disse pondo com seus dedos o cabelo avermelhado para trás.
–E onde está o Simon? –Sophie perguntou, a morena realmente não se lembrava. Todos se desanimam, e quando estavam pra responder, algo os interrompe:
–Gente... Eu desmaiei?... –Sandy diz com seus cabelos assanhados.
–Sandy! –Will a abraça na maca onde repousava Sandy que acabara de acordar.
–Sandy, se sente melhor?! –Diana pergunta.
–Eu tô legal... –Ela disse. –Sophie, como você está? –Pergunta se virando para a morena.
–Eu tô ótima, mas... –Sophie olha para o alto e sua visão escurece.
–Sophie, seus olhos, estão completamente brancos! –Will alerta.
–Ficou cega? –Estevan perguntou.
–Não, ela não ficou exatamente cega... –Sandy disse.
Sophie vê uma imensa bola de demolição invadindo o andar do hospital, e ela vê tudo em câmera lenta, foi aí que ela vê um reflexo na bola de demolição, mas ela não via a ela mesma, via ao rosto de um garoto sardento e magricela, o Driss. Foi aí que todos notaram que os batimentos cardíacos de Sophie aumentaram. Depois disso, Sophie negou-se a ver mais coisas, e vira o rosto cobrindo o mesmo com as duas mãos.
–É horrível, eu sei, mas você precisa se concentrar, aceite o que vem a você, isso vai nos ajudar! –Sandy diz para a visionária.
Sophie lentamente vira-se para Sandy e vê sua franja pegando fogo.
–E aí? –Sandy pergunta.
–Seu cabelo... Está pegando fogo.
–Está?! –Sandy estapeia a própria cabeça e confirma que aquilo era apenas uma visão.
Sophie vira-se para Will e vê seu rosto sendo alvo de uma grosseira e absurda corrente de vento, fazendo seu cabelo extremamente liso se debata como se estivesse dançando.
–Está ventando? –Sophie pergunta apontando para a cabeça de Will, mas o cabelo do jovem estava mais parado que as cortinas do quarto do hospital.
–As janelas estão fechadas. –Estevan alerta.
–Sophie, tá me assustando. –Sandy disse. Sophie vai aproximando-se do rosto de Sandy, e quando está quase a ponto de tocar a franja que para Sophie pegava fogo, o pé da maca se desparafusa e Sophie vai ao chão. Eles o ajudam a levantar, e quando Sophie se dá conta, seus olhos voltaram ao normal, assim como sua visão, e seu olhar.
–Oliver, sabe onde o Driss mora? –Sophie pergunta.
Driss ia de skate pela calçada da rua enquanto segurava com uma mão uma sacola plástica que envolvia uma cartela de remédio para tosse. Ele passa por uma rua onde um prédio que estava prestes a ser destruído por uma bola imensa de um guindaste de demolição sendo mantida em equilíbrio por dois cabos de aços aparentemente leves, mas Driss passa deixando despercebido à perigosa e monstruosa máquina de demolição.
O garoto finalmente chega à casa de sua avó, que ficava metros longe do prédio, ele leva o skate a sua mão e grita pelo nome de sua avó enquanto seu braço que segurava o skate estava apoiado entre as grades de ferro que isolavam o quintal da moradia.
–VOVÓ! Sou eu, Driss, seu neto! –Ela chama por seu velho parente.
–Já estou indo! –A velha mulher disse escolhendo com paciência a chave certa para destrancar a grade enquanto caminhava sobre seu quintal coberto por grama artificial.
–Oi vovó, está aqui os remédios, até mais! –Driss disse passando a sacola entre a grade ainda trancada e dando a avó.
–Ah, o que é isso, já vai assim tão rápido, fique aqui um pouco!
–Desculpe vovó, mas tenho muita lição de casa para fazer.
–Eu fico muito tempo sozinha aqui, e eu fiz bolo de cenoura.
–Disse bolo de cenoura? –Driss perguntou levando o skate até as sua mãos.
–Com cobertura de chocolate...
–Vovó, é claro que quero ficar um pouco! Eu amo a companhia da senhora! –Driss se fez de bom neto.
–Venha, querido. –A idosa disse acompanhando o garoto para o quintal.
–Espera, e aqueles seus cachorros?
–Estão amarrados a coleira. Vamos entrando querido.
Enquanto Isso...
Os seis iam com rapidez na van de Diana em direção à casa da próxima vítima com a ajuda das coordenadas do GPS.
–E então, Sophie? –Diana pergunta olhando para o espelho do carro olhando os olhos da visionária.
–Eu estou sentindo uma coisa... Eu acho que... –Na hora, alguns resquícios de árvore começam a triscar sobre a janela de vidro da van. Sophie vê que aqueles resquícios vinham de um pinheiro que estava sendo massacrado por um caçador que cortava a planta com uma serra elétrica. –Um sinal, é um sinal... Não é?!
–É você que está dizendo, desconhecemos qualquer sinal que você vê.
–Bola de demolição, árvore... Isto está tão complicado... –Sophie disse, ela e Sandy estavam ainda com a roupa cinza do hospital. –Gente... Lembrei-me de uma coisa, cadê o Simon?
–Sophie...
Ouve-se um estrondoso barulho.
Fale com o autor