Forbidden Game

7 Cedo ou mais tarde você pararia em minha cama.


Notas iniciais
Boa leitura

Tay ® POV

Ele era o único homem que em toda minha vida eu tinha achado atraente, até mais do que algumas das meninas quais eu já havia ficado. Sabe quando você se pega devaneando em certas coisas que se você tivesse prestando atenção em seus próprios pensamentos, evitaria estar pensando naquilo? Quando você se sente atraído por alguém que não deveria, e por causa disso se proíbe de ter pensamentos maliciosos e principalmente de pensar em um futuro para vocês? Pois é, e exatamente assim que me sinto quando se trata do Kami. Sei que não deveria, mas meu interior fala mais alto do que minha força de vontade. Em certos momentos preferia acreditar que aquilo que sentia era simplesmente algo passageiro e não um amor florescendo.

Aquele desejo de beija-lo já estava me corroendo por dentro desde muito tempo. Naquele momento não me importei em beijar ele na frente de todos, até por que estávamos envolta de pessoas desconhecidas, ninguém dali sabiam quem éramos. E os garotos para mim estariam distraídos demais para acabar nos encontrando naquela multidão de pessoas. Achei que era a ocasião perfeito para satisfazer meu desejo de tê-lo por alguns momentos. E foi como eu imaginei durante varias noites, os lábios dele eram macios, senti meu corpo ardente pedindo mais por ele. Não havia sido qualquer beijo, havia sido o primeiro beijo qual eu havia dado em um cara, e eu gostei!

Porém eu tinha que agir como se aquilo só havia acontecido por causa do efeito do álcool. Não queria ser taxado de “bichinha”. Não é fácil para uma pessoa que cresceu e vive em um mundo onde o “certo” é ser hétero e o “errado” é ser homossexual, acabar assumindo que gosta de um cara. Não queria correr o risco de sofrer preconceito e o julgamento de todos. Não sou forte emocionalmente para isso.

Não era vergonha o que eu sentia, e sim medo. Medo de assumir que eu gostava dele e ser ‘apedrejado’. Não sei como o Kami consegue aguentar todos na maioria das vezes o olhando diferente, como consegue viver com piadas grotescas e principalmente por ver pessoas que cresceu com ele o rejeitando só pela sua orientação sexual. Ele simplesmente solta um “foda-se” para todas essas coisas e pessoas. Queria ser como ele nesse aspecto, não se importar com o que os outros pensam e dizem.

Quando ele me disse que os garotos estavam vendo a cena do beijo, meu mundo desabou naquele momento. Várias cenas passaram pela minha cabeça de pessoas importantes para mim me julgando, meus pais e até amigos próximos me abandonando. Meus pais iriam ficar destruídos se eles descobrissem. Na hora eu não pensei em como o Kami iria se sentir, mas estava apavorado, eu simplesmente precisava mostrar minha heterossexualidade para os garotos e até mesmo para mim. Eu não poderia ser gay, já que gostei e namorei meninas. Não posso simplesmente tirar uma conclusão precipitada de um beijo que dei em um amigo de equipe e ainda bêbado e em meio a uma balada. Não poderia levar aquilo em consideração, não é?

Para me sentir melhor acabei ficando com uma garota, precisava afirmar para mim e para os meninos que sim, eu era hétero. Porém não pensei nos sentimentos do Kami, e nem o quanto os meus ficariam feridos por estar tentando engana-lo e enganar a mim mesmo. Queria acreditar naquilo, mas estava uma total confusão dentro de mim, estava uma verdadeira avalanche de sentimentos que desciam e destruíam tudo que eu ainda tinha de sanidade.

Durante aquele resto de noite qual fiquei com a menina, a imagem do Kami vinha em minha cabeça, o gosto dos seus lábios estava em minha boca. Fiquei com vontade de voltar lá dentro com ele e pedir desculpas por ter o deixado no meio de todos com cara de tolo. Queria dizer que não havia o usado, mas ao mesmo tempo eu preferi acreditar que o meu desejo por ele iria sumir após o beijo. Que aquilo era apenas uma curiosidade do meu interior. Por tanto não fiz nada e nem fui atrás do mesmo, até porque já era tarde demais, já que ele havia acabado de me ver beijando a menina.

Talvez o medo estivesse me privando de ter um relacionamento com a pessoa que eu goste, me impedindo de namorar uma pessoa maravilhosa e incrível como ele. Mas sei que ele não merece uma pessoa que tem medo de assumir os seus próprios sentimentos por alguém do mesmo sexo. Ele é maravilhoso demais para ter alguém covarde como eu. E sim merece uma pessoa que lute com ele, que não tenha medo de ser julgado e dos preconceitos qual vai viver, alguém que o ame acima de qualquer obstáculo que a sociedade coloque. Como eu queria ser essa pessoa! Queria ter essa coragem que várias pessoas possuem.

Mesmo com esse medo era difícil para mim não o olhar com desejo. Aquela boca, o sorriso e até mesmo o jeito que ele arrumava o cabelo pela manhã, são coisas que me fazem me apaixonar por ele, principalmente o jeito que ele me irritava.

Fui dormir naquela noite com lágrimas nos olhos, por um lado eu estava feliz por ter o beijado, mas pelo outro passava pela minha cabeça que infelizmente eu não iria ter outra chance como aquela. Não depois de ter ficado com ele e poucos minutos depois ter ficado com outra pessoa.

No dia seguinte minha cabeça estava latejando como jamais esteve. E ainda era pior pelo fato do Kami estar me evitando de todas as formas. Bom, na verdade eu nem tentei me aproximar muito dele, já que sabia que ele estava com raiva de mim. Como eu sabia? Ele me lançava um olhar perfurante, me olhava serio como se a qualquer momento pularia em meu pescoço. Não tiro a razão dele se ele fizesse isso, até o deixaria, talvez eu me sentisse melhor comigo mesmo. Pois naquela altura estava me sentindo a pior pessoa do mundo.

Quando MiT disse nosso castigo, vi aquilo como uma oportunidade de reconciliar com o garoto. Fomos limpar a sala primeiro, tentei falar o menos possível e com todo cuidado do mundo. Porém eu queria entrar naquele assunto.

— Kami— Falei quase sussurrando. O garoto nem respondeu, mas continuei mesmo assim. — Sobre ontem eu queria dizer que... — Mas dessa vez ele não ficou quieto.

— Dizer o que? Que você estava bêbado e que não sabia o que estava fazendo? — O garoto que estava tirando o pó dos troféus me olhou e arqueou suas sobrancelhas com um sorriso irônico nos lábios.

— Não é bem isso, eu apenas não quero que fique um clima ruim entre a gente — Parei de varrei e me aproximei ainda mais dele, tentando fazer contato visual.

— Tay, sabe qual é o problema de pessoas como você que se dizem “héteros” — O garoto faziam aspas com a mão. — É achar que em uma noite pode pegar um cara e fingir que nada aconteceu e simplesmente colocar a culpa na bebida. — O Kami voltou a tirar o pó.

— Você tem que entender que aquele beijo foi um erro! Eu só posso te pedir desculpas por ter beijado outra pessoa depois de ter ficado com você. Não queria te usar. — Aquelas palavras saíram com tanta dificuldade que nem sabia como estava pronunciando elas, pois havia um nó enorme na garganta.

— Depois de me beijar que vem dizer que foi um erro? — Kami cruzou os braços, o modo que ele falava, parecia irritado como jamais o tinha visto.

— Eu já pedi desculpas — Fui até ele e coloquei minhas mãos no ombro dele

Kami inclinava a cabeça e começava a chorar. Pelo menos era isso que eu tinha pensando que ele estava fazendo. Mas aqueles múrmuros de choro começavam a soar como risadas. O virei para frente e o garoto estava com a mão escondendo a boca enquanto suas bochechas entregava sua face de riso.

— Puta que pariu, calma, eu estava zoando com você. — Kami apontava para mim e ria, dava umas gargalhadas gostosas de escutar.

— Porra, eu achei que você tivesse ficado chateado comigo. Que susto. — Eu estava feliz e puto ao mesmo tempo com aquilo. Feliz por ele não ter ficado chateado e puto por ele não ter ficado chateado. Contraditório não é? Mas se ele não ficou chateado apenas significava que ele não tinha se importado, que não havia sentimentos da parte dele por mim. Porém isso não significava que eu iria parar de amar ele só porque ele não me ama de volta. Lutar contra aquele sentimento que para mim era errado, era uma sensação de impotência. Ao mesmo tempo em que eu queria, eu não conseguia para de gostar dele.

— É eu sou um ótimo ator, estou melhorando. Deveria parar de jogar lol e virar ator. — O menino parou de rir e apenas dava alguns sorrisos laterais. — Aquele beijo apenas aconteceu, pois estávamos alterados.

— Aham— Demos um olhar sugestivo e sorrimos. — Foi tipo, tudo uma brincadeira, né? — Mesmo ele dizendo aquelas coisas, talvez tivesse um pouco de verdade nas palavras dele. Ninguém gosta de ser usado.

— Não se torture, marginalzinho. É claro que foi tudo uma brincadeira. Apesar de eu ter ficado chateado com você na hora por ter me deixado plantado no meio de todos. Mas como não significou nada para você, para mim muito menos. —

Terminamos a sala e fomos para os banheiros. Eu lavava louça, mas nunca em toda minha vida havia lavado um banheiro e muito menos o Kami aparentemente. Peguei a mangueirinha de água do chuveiro e molhei o chão enquanto Kami jogava alguns produtos pelo canto do banheiro. Foi a pior coisa que ele fez, já que deve ter jogado algo que não deveria ser usado no chão. Aquilo ficou parecendo uma pista de patinação de gelo de tanto que estava liso e fácil de perder o equilíbrio.

— É acho que eu passei algo que não deveria. — Disse ele se segurando na parede.

— Você acha? — Quando terminei de falar me desiquilibrei e cai sentado no chão molhado.

Kami caiu na gargalhada. — Mas foi o melhor produto que eu poderia passar. — ele não sabia se falava ou ria e eu apenas ri junto com ele.

Minutos depois quem acabou escorregando foi o Kami, aparentemente não estávamos conseguindo parar em pé por muito tempo. O garoto resolveu por fim fazer a limpeza dos pisos do chão em uma posição muito tentadora. Não tinha como não olhar, as roupas dele estavam úmidas e ainda por cima estava esfregando o chão de quatro. Eu passava o rodo no box transparente e desviava o olhar para ele, voltava a olhar para o que estava fazendo e depois sem perceber já estava olhado para ele. Minha mente se encheu de coisas improprias. Quando me dei conta meu membro estava rígido, não consegui acreditar que ele havia ficado daquela forma só por estar vendo o Kami de quatro. O que está acontecendo comigo?

— Puta que me pariu!! — Aquilo saiu sem eu perceber, não queria chamar atenção dele, já que estava bem evidente a rigidez. Virei-me de costas o mais rápido possível na hora que o vi olhar para mim. Me apoiei de cabeça baixa no piso da parede e fiquei olhando para a direção do chão.

— Aconteceu alguma coisa? — Perguntou Kami com uma voz baixa.

— A pior das coisas— Tentei pensar nas coisas mais broxantes que eu podia imaginar naquele momento.

— O que você fez de errado? Deixa eu ver! — O garoto se levantou. Se ele visse poderia sei lá pensar o que. Eu apenas não queria, era constrangedor demais.

— NÃO!!! Fica ai, deixa que eu resolvo!! — Estendi meu braço lateralmente, como um sinal de pare.

— Ta bom, relaxa! — O menino voltou a fazer o que estava fazendo. Já eu, comecei a limpar a parede, torcendo para que aquela ereção cessasse logo.

Para minha sorte naquela hora o telefone do Gabriel começou a tocar, e ele saiu do banheiro para atender, pois corria o risco de cair água no celular novo. Senti um alívio naquele momento. Fui até a porta e a encostei, comecei a imaginar tudo o que tinha imaginado anteriormente, só que dessa vez com os olhos fechados. Era cada coisa absurda, mas que eu precisava tentar acabar com aquilo o mais rápido possível. Até que finalmente tive sucesso, respirei fundo e não tive como conter uma risada de alegria. Kami chegou empurrando a porta contra meu corpo sem saber que eu estava do outro lado.

— Ta escondido atrás da porta por quê? — O menino entrava com toda calma no banheiro para não escorrer.

— Não estava. — Voltei para o lugar qual eu estava limpando. Quando ele iria agachar novamente, logo o impedir. — Não, não... Deixa que eu faço isso. Você limpa o box.

— Mas já estou terminando. Acho até melhor já tirarmos o sabão do chão. — Sem pestanejar jogo a água que tinha dentro de um balde no chão. O Kami empurrava para o ralo do banheiro.

— Nem vou tomar banho, por um mês desse jeito. — Com o dedo indicador e o dedão eu puxo a blusa que estava toda colada em meu corpo de tão molhada que estava.

— Fala isso não, se já tomando banho todo dia você não tem um cheiro agradável, imagina se ficar sem tomar banho durante um mês. Ninguém na casa iria te aguentar. — Como o chão estava com várias poças de água, estava mais parecendo um rio, o garoto chutou água em mim com a intenção de me deixar mais molhado.

— Falou o cara que faz mais de anos que não lava o tênis. — Terminamos de tirar o sabão, passamos o rodo em seguida sem deixar nenhuma pocinha no chão.

— Quem disse que eu não lavo? Você que nunca viu! — Conforme o Kami falava ela fazia micagem com suas expressões faciais. — Ah! Já estava me esquecendo, sabe quem me ligou? — Ele parecia eufórico, como se tivesse sido alguém de extrema importância.

— Eu vou lá saber, o celular é seu! — Terminamos de secar o banheiro, colocamos algumas coisas de volta no lugar e fechamos a porta. Para a primeira vez que eu limpei um banheiro ficou muito bom, estava com um cheiro maravilhoso de eucalipto. O banheiro seguinte nem precisamos lavar. MiT havia dado para Rakin e Mylon lavar, comemorei no fundo. Já estava cansado e provavelmente não aguentaria ver de novo o Kami naquela posição. Fomos direto para o local de onde pegamos os produtos, e durante o percurso tentei adivinhar quem havia ligado. Foi da mãe dele até a rainha Elizabeth e pode acreditar. Não era a rainha.

— Você é muito ruim em adivinhação! Ta loco! — O menino tirava das minhas mãos os produtos que eu estava segurando e colocou no chão.

— Quem fica enrolando para contar quem ligou é você, não eu. — Encostei-me a porta o esperando enquanto ele terminava de colocar as coisas nos lugares.

— Ganhamos aquela promoção do jantar, mas não sei se devemos ir. — Naquele ponto eu concordava com ele, isso atrairia e aguçaria a imaginação de muitos da casa só de saberem que saímos.

— Eu terei que concordar, imagine o que iriam falar dentro de casa. — Kami parava em minha frente e inclinava um pouco a cabeça.

— Ow, é bem... Não é bem por isso que eu não acho que seria uma boa ideia. Mas aproveitando no assunto que tocou, você não quer sair só porque sente vergonha do que os outros iram pensar? —

— É quase isso, depois do, você sabe o que! E ainda sairmos eles vão pensar que eu e você estamos tendo alguma coisa. — Engoli a seco, tentei pensar mil vezes antes de falar aquela frase.

— Você é muito babaca. Fala como se ter algum relacionamento comigo fosse a pior coisa do mundo. — O garoto saia daquele quartinho esbarrando em mim.

— Eu não disse isso, não vejo problema nenhum. Pronto, vamos nesse jantar só pra mostrar pra você que eu não tenho problema nenhum com isso. — Fui andando atrás dele, mas ele apressava os passos.

— Eu não quero que você vá comigo pra provar alguma coisa. E de qualquer forma nós não iriamos poder ir, já que será no dia do jogo e depois do jogo eu tenho compromisso. — Fomos para a cozinha onde havia a cozinheira preparando o jantar

— Que tipo de compromisso? — Depois dos jogos normalmente sempre ficávamos juntos, no caso o time inteiro, comemorando ou levando broncas.

Kami parou por alguns segundos e ficou me encarando, não sei ao certo ou se ele estava tentando lembrar do que iria fazer exatamente ou apenas estava tentando criar alguma desculpa. — Irei sair com um amigo— Disse ele na maior calma possível.

Ele tinha todo direito de sair com quem quiser. Aquilo me fez ficar com uma pequena pulga atrás da orelha. Não disse nada, assim como ele também não.

— Vão se trocar ou tomar um banho vocês dois. Ta escurecendo vai ficar frio, não quero ninguém resfriado depois vindo me perguntar se tem remédio. Vão logo!! — Disse a cozinheira, ela fazia de tudo dentro da casa, até mesmo como agora nos dava uma bronca quando saiamos sem blusa de frio. Praticamente uma mãe substituta.

— Calma, eu já vou. Só queria saber o que você está fazendo de janta, pois o cheiro está maravilhoso. — Fui até as panelas e as abri, iria ser macarronada com frango frito. Só fez abrir mais meu apetite ainda.

— Vocês não irão comer se não se trocarem, e olha já está quase pronto. —

Fui para o quarto usar o banheiro, tomei um rápido banho quente e me troquei, colocando uma roupa confortável. Jantei bastante, estava deliciosa aquela macarronada, melhor do que a que minha mãe fazia. Mas ela não pode nem sonhar que eu achei isso.

Meus olhos começaram a arder e meu corpo parecia mais pesado do que antes. Ainda nem se quer havia dormido direito, por que sabia que se tivesse dormido a tarde não iria ter sono para dormir a noite inteira. Deitei-me na sala junto do Ziriguidun em um canto do sofá.

— O que você está vendo? — Perguntei pegando um travesseiro e apoiando em minha cabeça

— One Piece — Disse ele se ajeitando para que eu pudesse deitar

— Eu estou atrasado nos episódios. — Olhei para ele que por sinal estava vidrado na televisão.

Ele nada mais disse, apenas se levantou e apagou as luzes. E pouco tempo depois adormeci.

Acordei no meio da madrugada, Zirigui estava dormindo ao meu lado, a televisão estava com um volume absurdo. Deveria estar muito cansado para conseguir dormir com aquele volume.

— Zirigui, Zirigui... Vai para a cama — Sussurrei enquanto o cutucava e procurava o controle para desligar a tv.

O garoto resmungou algumas vezes e foi para cama, provavelmente andando ainda dormindo. Senti minha boca seca, não conseguiria dormir com aquela sede. Talvez toda a água do meu corpo tenha descido pela baba.

— Acordado até agora? — Perguntei ao ver Kami na frente da geladeira.

— Estava com sede, não consigo dormir sem beber água antes. — O menino pegou dois copinhos de água. Fui na seca com a intenção de pegar o outro copinho, já que eu achei que era o outro para mim. Kami puxou o outro copinho quando fui pega-la. — Quem disse que é pra você? — Arqueou sua sobrancelha e deu um sorriso lateral.

— Você não vai beber os dois. — Fui na intenção de retirar o copinho de novo da mão dele. Dessa vez ele deu um passo para trás se encostando na geladeira.

— É meu Tay, pega outro. — Haviam comprado copinhos de água por que o filtro de água estava quebrado, mas como no dia seguinte de manhã viria o técnico para arrumar o filtro da geladeira, compraram apenas dez copinhos achando que iria durar até o técnico concertar.

Abri a geladeira e para minha surpresa não havia mais nenhum. — Não tem mais. — Olhei para ele que já estava abrindo o segundo copinho.

— Ae verdade, esses eram os dois últimos. Que pena — Aquele sorriso irônico tirava qualquer um do serio.

— Que infantilidade, eu não vou beber água da pia. — Olhei para o relógio na parede e eram duas da manhã.

— Fique com sede então! Olha para o lado positivo, daqui a seis horas o técnico vem e você poderá beber água. —

— É nesses momentos que tenho vontade de te matar. E onde está a porcaria do meu celular? — Bati minha mão nos bolsos da calça

— Porcaria nada, foi caro. — Kami deu dois pequenos goles na água e me entregou o copinho.

— Desculpa, tinha esquecido que havia sido você que me deu o celular. No dia que salvei sua vida, e você ai querendo me matar de desidratação. —

— Eu não teria tanta sorte assim. Agora bebe logo antes que eu me arrependa. — bebi a água do copinho e a joguei no lixo.

Fomos para o quarto, fiquei um bom tempo sem conseguir dormir novamente. Olhei para a cama do Kami e vi que o garoto estava assistindo alguma coisa na netflix pelo celular.

— Kami... hey— Tentei falar o mais baixo possível para não acordar o Mylon, mas o suficiente para que o Kami escutasse. O garoto joga aquela luz forte do celular em meu rosto. — O que está assistindo? — Me sentei na cama.

— Um filme, quer ver? — Desci e fui até a cama dele, ficamos sentados de baixo das cobertas. Ele me deu o outro lado do fone. — Eu sabia que cedo ou mais tarde você pararia em minha cama. —

Notas finais
Não postei antes por preguiça, quase não entro aqui. Mas sempre essa fanfics estão em dia na social spirit. Porém não quero deixar vocês na mão ♥ por tanto vou postar os dois cap seguidos. Capítulos quais já está na social