Forbidden
1 A Reunião
Reunidos no sexto andar ao lado leste do castelo de Hogwarts, em uma pequena sala secreta, estava o grupo formado por estudantes quintanistas, sextanistas e setimanistas e que se autodenominavam Wanders. Trata-se de um grupo muito seleto de alunos cujo objetivo é de criar novos feitiços para uso próprio sem o conhecimento de professores e outros estudantes. Naquele momento, eles discutiam calorosamente e sem chegar a decisão alguma.
— Isto é diferente! – Bradou um garoto moreno de estatura pequena. Ele usava o uniforme da Corvinal, possuía uma pele branca e os cabelos rebeldes perfeitamente arrumados com a ajuda de uma poção capilar para impedir que os cachos cheios se formassem naturalmente. Seu nome é Blaine Anderson; um dos co-fundadores dos Wanders.
Os ânimos dentro daquela pequena sala estavam exaltados por conta de dois feitiços recém-criados pelo grupo. Sebastian Smythe, o outro co-fundador do grupo, e seus amigos da Sonserina Kitty Wilde, Hunter Clarington, Santana Lopez e Noah Puckerman queriam testá-los em outros estudantes de Hogwarts. Blaine, seu namorado Kurt Hummel da Grifinória, e os outros ravinos Mike Chang e Tina Cohen-Chang mantinham uma oposição muito forte a essa ideia.
— Esses dois feitiços são muito mais fortes e complexos do que tudo o que já criamos aqui. Além disso, nenhum é regulamentado pelo Ministério da Magia. Se formos pegos podemos ser expulsos ou pior. – Continuou a argumentar o moreno, sendo apoiado pelos colegas de Casa e pelo namorado. E sim, o pior se referia à Azkaban.
— Você é um covarde Anderson! Pensou que íamos nos contentar com algumas azarações ridículas que fazem a pessoa espirrar sem parar ou que faz cair o cabelo? – Interpôs Hunter, um garoto loiro, olhos verdes claros, bem mais alto e corpulento do que Blaine. A voz de Hunter era tão grave e dura que assustava alguns alunos do primeiro ano. Sua postura rígida lembrava um auror.
— Se bem que foi engraçado ver a estúpida da Marley Rose careca. – Comentou Kitty com um tom diabólico e divertido sem se importar com a discussão que, no seu ponto de vista, era inútil e cansativa. Wilde era uma garota baixinha e loira com belos olhos verdes em formato de amêndoas. Os lábios grossos e rosados sempre carregavam um sorriso sarcástico. Kitty oscilava seu temperamento entre uma pessoa legal e uma vadia sem coração. Era a mais imprevisível entre todos ali.
— Não devíamos ter criado esses feitiços. – Blaine agora falou diretamente com Sebastian Smythe, pois eles eram os maiores responsáveis por essa bagunça.
Sebastian Smythe era uma figura controversa. Natural da França, veio transferido de Beauxbatons para Hogwarts e muitas eram as lendas a respeito de sua transferência, já que ele não falava a respeito. A versão original era porque seu pai, Seymour Smythe havia assumido o cargo de presidente do Departamento de Execução das Leis em Magia e por isso a família passou a viver em Londres e Sebastian transferido para Hogwarts no início do sexto ano. Sebastian tinha quase 1,90m de altura, cabelos castanhos e olhos verdes intensos. O rosto era longo e fino, assim como seu nariz. Dificilmente sorria, mas quando o fazia exibia dentes alinhados e brancos, sendo os dois da frente um pouco maiores que os demais.
Meia hora de reunião e ainda não haviam chegado a um acordo. Noah e Hunter começaram a discutir furiosamente com Mike e Tina. Kitty apenas observava a cena como se todo aquele caos lhe desse prazer.
— Se alguém usar algum desses feitiços eu mesmo irei até o diretor e conto tudo. – Esganiçou Kurt Hummel com sua voz aguda, fazendo todos se calarem imediatamente. Hummel era um rapaz alto, de cabelos castanhos escuros e olhos azuis cristalinos e disformes onde o direito é ligeiramente menor que o esquerdo.
Blaine olhou para o namorado, surpreso com sua reação. Kurt era o membro mais novo do grupo, e também o menos aceito. A maioria o considerava inútil e diziam que ele só estava ali por ser o namorado de Anderson.
— Não, você não vai fazer isso. – Pela primeira vez na noite, Santana Lopez se pronunciou. A garota baixa com fortes traços latinos, que até então estava apoiada no ombro de Sebastian, se pôs de pé e caminhou com uma confiança incrível e um sorriso cheio de desdém na direção de Hummel. Eles ficaram frente a frente.
— Escute com atenção, Cara-de-Fuinha, porque eu só vou falar uma vez. Eu mesma posso ter o prazer de quebrar cada osso do seu corpo de menina e mais pálido do que um fantasma ou então faço um favor a todos aqui e tiro o seu paladar para nos poupar dessa sua voz irritante, está me entendendo? – A latina rapidamente sacou a varinha da cintura e tocou a ponta no rosto de Kurt. O garoto não teve reação. Apenas engoliu um seco e permaneceu calado.
— Expelliarmus! – A varinha de Santana voou para a porta que levava à saída, deixando-a desarmada.
— Da próxima vez não será um Feitiço de Desarmamento. – Avisou Blaine, com um tom de voz ameaçador.
No entanto, parece que só fez piorar a situação porque, no momento seguinte, Noah, Hunter e até Kitty estavam com as varinhas apontadas para Blaine prontos para atacar. Blaine viu três raios vermelhos vindo em sua direção. Um Feitiço Estuporante triplo, para ser mais preciso.
— Protego! – Sebastian bradou ao empunhar rapidamente a varinha e ficando ao lado de Blaine, criando um escudo protetor entre eles e os demais sonserinos. O corvino cambaleou para trás em reação ao ataque que fora neutralizado pelo feitiço de Sebastian. Não pôde deixar de notar o quanto o sonserino era formidável. É preciso muita perícia para executar um feitiço protego forte o suficiente para deter três feitiços estuporantes de uma só vez.
— Todos vocês, se acalmem! — Ordenou Smythe, vendo Puck e Kitty baixarem as varinhas. Santana já havia recolhido a sua do chão e voltava para se juntar ao grupo de sua casa. Hunter, no entanto, continuava com a varinha imposta como se ponderasse entre acatar as ordens de Sebastian ou atacar Blaine. O mais velho então baixou lentamente o braço, dando um passo para trás, sem tirar os olhos de Anderson.
— Assim está melhor. — Smythe disse lançando um olhar um tanto superior aos colegas de casa, embora Hunter também fosse durão, Sebastian era o "líder natural" naquele lado do grupo.
— Obrigado. – Blaine se dirigiu a Sebastian quando este controlou a situação. Entretanto, por mais incrível que Smythe fosse, se recusou a abaixar a cabeça como fizeram os sonserinos quando o francês decidiu botar ordem na reunião.
Santana estava de braços cruzados ao lado de Kitty e a loira encarou Blaine, enquanto apoiava a varinha descontraidamente sobre o ombro direito, dando leves batidinhas ao falar.
— Deu sorte dessa vez, Blaine Bottom. — A loira virou-se para Hunter e sem sutileza alguma o puxou pela gola das vestes. Se dirigiram a um lugar reservado para ficarem a sós. Blaine ignorou o comentário ácido de Kitty, rolando os olhos em exaustão e impaciência.
— You know what? No me gusta! — Santana disse para Sebastian, enquanto apontava o indicador na direção de Kurt, ela tinha uma das sobrancelhas arqueadas e um olhar repressivo antes de se afastar alguns passos acompanhada por Puck.
Os sonserinos recuaram, assistindo de longe o desenrolar da situação. Sebastian deu longo suspiro antes de virar-se para Blaine, o feitiço protetivo já desfeito.
— É melhor fazer sua namoradinha se acalmar, Anderson. Já deu para notar que ela não é bem-vinda aqui. — Ele se referiu no feminino porque era a melhor provocação, uma vez que Hummel sempre ficava desconfortável em ser comparado com uma boneca de porcelana ou uma garota.
— E você devia controlar o seu ninho de serpentes. – Respondeu no mesmo tom de ameaça para Sebastian, encarando-o com uma expressão impassível. Mesmo com os narizes quase se tocando se não fosse pela diferença de altura, Blaine não se deixou intimidar.
— A questão não é essa, Smythe. Se o Hummel der com a língua nos dentes... Ele derruba todo mundo. — Mike disse preocupado do outro canto da sala. Tina coçava a nuca com a ponta da varinha um tanto pensativa, ao lado dele.
— Acho que todos aqui se lembram das regras. Se abrir a boca sobre o que somos e o que fazemos, todos terão os nomes são revelados. Ninguém será poupado. E sinceramente, eu não quero ir para Azkaban, porque uma garotinha fofoqueira deu com a língua nos dentes. —
Smythe que até o momento estava encarando Blaine frente a frente, desviou o olhar para Hummel deixando claro que se referia a ele. Sebastian não confiava em Kurt. Aliás, não confiava em ninguém, no máximo em Santana e Blaine. Este, na opinião de Smythe, não estava em seu juízo perfeito uma vez que namorava com Kurt.
— Não vamos começar a brigar de novo. Parem, por favor, vocês dois! – Esganiçou Tina, bastante preocupada com o que poderia acontecer. A asiática fazia bem o tipo de um estudante da Corvinal. Era muito inteligente, bonita e prezava muito pela razão. Para Tina, o diálogo era o melhor jeito de se resolver as coisas.
— Ela está certa, Blaine. – Interpôs Kurt, impondo-se no meio da conversa. Ele foi o único a não empunhar a varinha em momento algum. Sendo um exímio aluno da Grifinória, a coragem era algo natural para Kurt Hummel. No entanto, suas habilidades de duelo eram bem aquém se comparada ao restante do duplo e ele sabia muito bem disso. – Não vale a pena. – Disse com sua voz um tanto aguda olhando diretamente para Sebastian, pois era essa exatamente a sua opinião sobre o Sonserino; que ele não valia absolutamente nada.
— Então? Como é? Vamos usar esses feitiços? — Santana perguntou já impaciente abrindo os braços e encarando Sebastian. Ela geralmente se virava para o rapaz sempre que precisava de algo, como se eles fossem uma coisa só e precisassem decidir tudo em conjunto.
— Não! – Exclamou tanto para responder Santana quanto para pedir que Kurt parasse de atacar Sebastian.
Sebastian deu um longo suspiro, voltando a encarar Blaine à sua frente.
— Podemos falar em particular, Killer? – Perguntou chamando-o pelo apelido que havia lhe dado. Killer, o assassino de corações naquela escola. Sebastian ignorava completamente a presença de Kurt Hummel ao lado de Blaine, era como se para ele o rapaz se quer existisse.
Blaine percebeu que Tina estava com a razão e, por isso, concordou em conversar à sós com o sonserino. Kurt não gostou nada dessa decisão e bufou, cruzando os braços e balançando a cabeça negativamente. Então, Blaine acompanhou Sebastian até uma pequena salinha improvisada onde o maior costumava fazer experiências com poções.
Assim que Blaine entrou na pequena sala, Sebastian fechou a porta atrás deles. Não que um feitiço simples não fosse abrí-la mas esperava que ao menos respeitassem que ela estivesse fechada e não os interrompessem.
— Não há nada que você possa dizer que vai me fazer mudar de ideia sobre o uso desses feitiços. – Avisou de antemão, irredutível quanto a sua opinião.
Blaine se posicionou contra uma mesa cheia de vidrinhos com ingredientes estranhos e frascos com poções variadas. Sebastian sempre foi cauteloso e cheio de segredos quanto as experiências que ele fazia ali, o que fazia o moreno se perguntar que outros segredos o francês escondia do resto dos Wanders.
— Eu te ofereceria uma poção calmante, mas você nunca prova nada do que eu preparo. – O rapaz disse em tom de brincadeira, cruzou os braços sobre o peito e se apoiou contra um armário de madeira escura e antigo, ficando de frente para Anderson. Blaine cruzou os braços e desviou o olhar momentaneamente.
— Você e seus amigos que precisam de uma poção de bom senso. – Ironizou o ravino, tendo plena consciência de que essa poção não existia.
Blaine fixou o olhar na porta fechada e protegida pelo Abaffiato, de modo que ninguém do outro lado pudesse escutar a conversa dos dois ali dentro. Sempre sentia um desconforto por dentro quando ficava sozinho com Sebastian. Além das cantadas nada sutis e o desprezo óbvio que o maior sentia por seu namorado, haviam também fatores que Blaine tentava negar a todo custo para si mesmo. Como, por exemplo, o fato de Sebastian transbordar confiança e emitir uma aura de simples e puro poder como ele não via nem mesmo nos professores de Hogwarts. Por mais que quisesse, não conseguia negar para si que achava aquilo bem sexy. No entanto, amava Kurt e esses sentimentos não passavam de admiração por um excelente bruxo. Apenas isso. Ao menos é o que o moreno ficava repetindo mentalmente para si mesmo.
Já Sebastian tinha vontade de agarrar o garoto baixinho ali mesmo. Em sua mente, imaginava ambos sobre a mesa em um beijo intenso e ardente, derrubando os frascos sobre o chão, mas não era por essa razão que estavam ali. Infelizmente. Desde que colocou os olhos em Blaine sempre deixou claro seu interesse nele, pouco se importando se ele tinha namorado ou não. Kurt Hummel era apenas uma criatura irritante que ele teria que tirar do seu caminho se quisesse ficar com Blaine.
— Eis o seguinte. Os feitiços já foram inventados. Eles vão querer usar...
— Mas Sebastian...!
— Não, por favor... Me escuta primeiro. – Sebastian ergueu a mão para que Blaine se calasse quando o garoto começou a contra-argumentar. Blaine mordeu o lábio inferior, lutando para respeitar o rapaz e dar-lhe uma chance para falar. Respirou fundo e decidiu escutá-lo.
Sebastian deu quatro passos e se juntou ao menor. O segurou pelos braços e suas mãos subiram delicadamente até chegar aos ombros de Blaine enquanto falava de forma mansa e arrastada. O desconforto do aluno da Corvinal apenas aumentou junto a proximidade do outro. Blaine relaxou os braços, deixando-os pendentes ao lado do corpo.
— Pense. Para o feitiço Fractus... Já existe contra feitiço. Podemos usar o Bracchium Emendo, sem problema algum. E em último caso... Tem a poção Esquelesce. Ela funciona tanto fazer crescer ossos quanto para consertá-los. – Smythe massageava os ombros do menor como se quisesse fazê-lo ficar calmo e relaxado enquanto usava de todo seu charme e bons modos para convencê-lo de que não havia problema nenhum em usar tal feitiço se ele tinha uma reversão. O maior tinha um sorriso encantador no rosto conforme prosseguia com a massagem e falava. Anderson precisou respirar fundo mais uma vez ao sentir o toque delicado de Sebastian em seus ombros e braços.
— Quanto ao outro... Concordo com você. E tenho uma ideia para convencê-los a não usar, ao menos por enquanto. – Era claro que esta parte era mentira. Por ele, sairia usando tal feitiço sem piedade explodindo os cinco sentidos dos todos idiotas que cruzassem seu caminho, Hummel seria o primeiro da lista, mas queria que Blaine pensasse que ele poderia ser "bonzinho" ou algo do tipo. Seus dedos pressionavam os ombros do rapaz para mantê-lo mais o mais calmo possível.
Normalmente Anderson era muito bom em decifrar as pessoas. Hunter não valia nada; ele era do tipo que fazia qualquer coisa para conseguir o que quer sem medir esforços. Kitty e Santana são duronas, mas no fundo Blaine não acredita que elas sejam más pessoas. Em sua opinião, Noah é um garoto perturbado com vários problemas internos. Quando se tratava de Sebastian Smythe, porém, o ravino tinha muita dificuldade em entendê-lo. Sua mente se encheu de dúvidas. Deveria confiar nele? Ou Sebastian era bom mesmo na arte de manipulação? Não achou nenhum sinal de mentira nos olhos dele, tampouco em seu sorriso encantador e gentil.
— Diremos a eles que trabalhem em um contra feitiço, assim eles vão se manter ocupados nisso e não poderão usar um feitiço enquanto não existir outro encantamento que o desfaça. Essa regra pode valer para tudo a partir de agora, quando criarmos esses feitiços... mais... perigosos. – A voz lenta se arrastou mais no final, pois Sebastian dividia sua atenção com a boca rosada de Blaine, olhando intensamente para ela. Parou de massagear os ombros do rapaz, dando um tapinha nas costas dele, por fim. Estavam tão próximos que a diferença de um dedo separava seus narizes.
— E então, Killer... O que me diz? – Sussurrou a última parte, olhando bem dentro dos olhos cor del mel que Blaine tinha, enquanto tentava ignorar o arrepio bobo que sentia na nuca.
— Tudo bem. Mas se algum deles infringir essas regras vai ter consequências. – Anderson avisou ao maior, tentando sair da conversa com o mínimo de autoridade nesse acordo.
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