Forasteira
41 Por você, Luna!
Notas iniciais
---------------------------------//---------------------------------
JulllyanKath, esta leitora dos sonhos de qualquer "autor" me deixou uma recomendação tão repleta de amor que eu quase explodi em vários pedacinhos de papel laminado! Obrigada, minha flor pelas suas pAlavars sempre tão carinhosas e divertidas. Fico feliz de levar um pouco de friozinho para o seu belísSimo estômago. E espero continuar assim. ♥ ♥ ♥
Beijos enormes da Amora
No capítulo anterior...
– Estou compreendendo melhor, caçador. – revelou ainda entre lágrimas.
– O quê exatamente? – quis saber com medo segurando mais forte seus braços, com medo dela querer desfazer o abraço e o contato que estavam tendo agora.
– Porque neste momento eu gostaria de me fundir a você e abraça-lo por dentro. Se pudesse, eu gostaria de tocar seu coração, segurá-lo com as minhas mãos. Gostaria de ser você também. E não ser só Luna. Ser só Luna não faz mais o menor sentido... Acho que estou fora das minhas faculdades mentais. – completou soluçando de leve.
– E eu adoraria tocar sua alma. E ela parece tão distante. Mas eu juro, Luna, sua alma é o que eu mais desejo. E eu me pergunto se vale a pena viver mais um único dia sem isso...
Luna abraçou Daryl ainda mais forte como se disso dependesse sua própria vida. Então, ele a forçou se soltar dele, girou o corpo, ficando cara a cara com a cigana. Eles se fitaram por alguns segundos. O profundo verde-oliva dos grandes olhos da forasteira se encontrou com o azul cristalino do olhar do caçador.
– Acha que isso foi uma coincidência? – ele quis saber de verdade.
– Isso o quê?
– Isso. – Daryl disse pegando sua mão esquerda e entrelaçando seus dedos nos dedos dela com força.
– Não. É impossível que seja só obra do acaso... – ela respondeu com firmeza, correspondendo ao toque do rapaz. Internamente, ele comemorava cada vez que a garota não fugia dos seus carinhos.
– Lembra quando dormimos na floresta, aquele dia em que nos encontramos?
– Sim, claro.
– Quando você dormiu ao meu lado na vigília, eu não resisti e acabei passando a mão no seu cabelo... – ele falava em tom de confissão.
– Daryl Dixon! – ela fingiu estar brava e depois riu um riso tímido que o caçador simplesmente adorava.
– Não consegui resistir. Mas eu pensei que era só curiosidade, porque você era tão diferente de todas as mulheres que eu já havia encontrado e eu estava literalmente de queixo caído. Eu passei um tempo tentando me convencer que era só isso: curiosidade, carência...
– Sério? – ela não conseguiu disfarçar uma pontinha de tristeza na voz.
– Sério. Ai, veio o Yago e o que ele fez com você... Eu pensei: “Esse desgraçado cuspiu na mulher que gosto? Vou matar esse cara na porrada!”. Por isso eu não consegui me segurar e iniciei a briga que acabou dando toda aquela merda... Depois, fiquei saquei que eu já pensava em você como ‘minha’. Então, em dois dias você fez isso comigo.
– Fiz o que exatamente?
– Me colocou de joelhos. Fez com que eu me apaixonasse desse jeito! Isso não é normal. Não pode ser só...
– Uma coincidência? Não é, não. Eu me senti bem assim. Quando chegamos ao acampamento fui tomar banho e chorei uma hora inteira. Eu me sentia tão culpada porque eu não queria que você fosse embora, mas achei que você viraria as costas e iria sem pensar duas vezes. Você parecia ser tão livre, tão independente...
– E eu era. Costumava ser um cara que detestava relacionamentos. Ainda não suporto muita gente, mas ás vezes eu acho que se eu passar o resto da minha vida grudado em você e conversando sem parar, ainda vou sentir falta de mais...
– Eu também, caçador! – Luna ajeitou a franja dele que caia sobre os olhos com a mão livre.
– Isso é novo pra mim. Eu não sei me comportar de forma romântica. Da forma que eu acho que você mereça.
– Daryl Dixon, você me trata como ninguém nunca me tratou. Você me enxerga. Eu, Luna. E não uma coitada que tem a marca de um destino triste, de um sacrifício, como costumavam me ver nas comunidades ciganas. Eu nunca vou poder te agradecer por isso. Entende o tamanho do que fez por mim?
Ele não sabia exatamente se entendia ou não, ele só compreendia uma coisa: seu ar estava acabando e em breve ele morreria sufocado. Então, ele puxou a garota pela nuca mais forte que o de costume e deixou sua língua explorar cada centímetro quadrado da boca de Luna, sentindo o gosto que o deixava tão inebriado e tão lúcido ao mesmo tempo. O gosto de Luna era como água para Daryl: tinha a nítida impressão de que se passasse três dias sem bebê-lo, seu corpo minguaria, vítima de um tipo cruel de desidratação.
Desta vez, no entanto, ele não tinha só sede da cigana. Estava faminto dela também. Tanto era verdade que, pela primeira vez, o caçador começou a intercalar pequenas mordidas nos seus lábios, queixo e na ponta da orelha com beijos profundos. Na primeira vez, em que segurou a boca de Luna entre os dentes, senti-a enterrar os dedos na pele dos seus braços e gemer bem baixo. Era quase inaudível, mas foi suficiente para fazer com que todo e qualquer controle que havia estado abandonassem de vez seu corpo.
Daryl decidiu que era hora da mão que repousava na nuca explorar novos territórios. Aos poucos, desceu para as costas da garota, apertando sua cintura contra seu corpo. Ele a sentia tremer e até travar em alguns momentos, mas não conseguia parar. Simples assim. Depois, pressionou o tronco contra o tronco dela. Ele queria sentir a pele do seu peito nu com o pouco de pele exposta pela blusa da cigana. E quando conseguiu contato com a tez aveludada do ventre dela, quem gemeu foi Daryl. A garota estava muito ofegante e ele desgrudou de leve seus lábios para que tomassem ar, mas manteve sua testa encostada na testa dela e os olhos bem abertos olhavam diretamente para seu rosto.
Ele teve certeza que assim que tivesse espaço Luna se afastaria. Mas não aconteceu. No entanto, ele sentia todos os seus músculos completamente rígidos.
– Eu amo você, cigana. – e ele a deitou de novo na cama, praticamente carregando o corpo de Luna, obrigando-a a fazer os movimentos necessários para se acomodar. Depois deitou-se sobre ela, apoiando o peso nos próprios cotovelos, para não machucá-la. Daryl beijou toda a sua face: olhos, nariz, testa, queixo... Na boca se demorava um pouco mais. Luna mantinha os olhos verdes vidrados no teto. Resolveu continuar com os carinhos. Talvez aquele estado catatônico fosse apenas um pequeno nervosismo e logo iria embora.
Assim, o rapaz percorreu a lateral do corpo dela com as mãos, como que desenhando sua silhueta, constatando aquela perfeita ampulheta que ele formava. Desceu os beijos para o pescoço da sua amada para, em seguida, tomar o caminho do seu colo. A blusa de amarrar tinha alças finas que Daryl abaixou delicadamente. E, apesar de ainda estar coberto pelo tecido o rapaz desenhava com beijos e ligeiras lambidas o contorno dos montes formados pelos seios médios da garota. “Meu Santo Deus, como você é gostosa, Luna! Você não tem ideia do quanto seu corpo me deixa maluco...”. Ele vinha evitando adjetivos muito sensuais, mas estavam explodindo de tesão e não se controlou.
Neste ponto a ereção de Daryl chegava a machuca-lo, contida pelo jeans surrado. Para aliviar um pouco a pressão, ele abriu o primeiro botão da calça. Mas quando voltava para continuar o que tinha parado, ouviu um chiado fraquinho. Era a respiração de Luna. Não era nada sensual. Ao contrário, mais parecia que ela estava morrendo sufocada. Daryl a ergueu rápido. Afastou os fios de cabelo de seu rosto e tomou-o em suas duas mãos.
– Tudo bem? Você tá bem? – ele perguntou olhando direto para os olhos vidrados da cigana.
Sem que ela precisasse piscar uma lágrima escorreu e ela agarrou o crucifixo pendurado no pescoço. Daryl entendeu.
– Desculpa... Eu não devia. Eu amo tanto você, caralho!
Ela continua estática.
O caçador ficou ali pensando... O que poderia fazer para libertá-la daquele peso e daquela dor? Ele não entendia nada da cultura dela. Só sabia que estes valores estavam agarrados a ela como raízes de uma árvore milenar se agarram ao solo. Uma coisa era certo: ele não desejava que ela deixasse de ser cigana. Não saberia viver com alguém que não tivesse a intensidade e a dignidade que ele vira no povo dela.
Ele se abaixou, recolheu a camisa do chão, vestiu-a, fechou a calça.
– Ei, Forasteira... Não vamos fazer nada que te deixe mal, entendeu? E... Eu entendo. Juro que eu entendo! – mentiu. Não entendia. Mas a amava o suficiente para aceitar e enfrentar todo o medo que morava nela. Abraçou-a e aninhou seu rosto no peito dele. Um abraço protetor, quase fraterno.
Quando sentiu finalmente os músculos de Luna irem relaxando, ele apoiou as costas dela na cabeceira.
– Consegue me entender bem, Luna?
Ela fez que sim com a cabeça, sem soltar seu crucifixo em momento algum.
– Tomei uma decisão. – Daryl se levantou, foi até o guarda-roupa do quarto, retirou um novo lençol branco e sacudiu para abri-lo e estendê-lo grosseiramente sobre a cama onde Luna estava sentada. Caminhou até a escrivaninha, depois voltou a sentar-se de frente para a cigana.
– Decidi esperar por você, Luna. Vou esperar o tempo necessário. Você manda. Eu te amo. – disse beijando a mão dela que estava livre. – Mas não peça para espera-la longe de você. Isso, eu não aguentaria mais! Juro. Quero esperar já casado com você. Sendo sua família, seu marido. Por isso...
Daryl estendeu o braço sobre o lençol. Abriu e fechou o punho várias vezes. Suas veias incharam. Ele escolheu um local, bem perto da divisão do braço com o antebraço e passou a lâmina da sua faca afiada sobre a pele. O sangue brotou, de leve. Luna deu um salto. Aquilo era loucura.
– Daryl, não! – o que ela o tinha feito fazer, Deus do céu! Tentou alcança-lo para impedir que ele se cortasse mais. Ele se esquivou. Avaliou e decidiu abrir ainda mais o talho. De novo, passou a faca sobre a pele, mas desta vez fazendo muito mais força. Ele segurou o urro de dor. Agora, um jato vermelho-vivo jorrava violentamente do braço do rapaz.
– Por você, Luna. Sempre e só por você... – e deixou o sangue escorrer por cima do lençol branco, formando uma perfeita mancha redonda.
Luna sentiu a alma deixar seu corpo. Tentou se conter sem sucesso. Pendeu a cabeça para trás e caiu desacordada...
Notas finais
Beijo carinhoso e especial d Amora para todas as mamães (presentes e as que viraram anjos também!).
Amora
Fale com o autor