Forasteira
23 Novo kuká
Notas iniciais
- Oi! – Daryl disse chegando por trás de Luna e a assustando de propósito.
- AI, MEU DEUS! Você quase me mata do coração! – Luna cai no riso na sequência e Daryl se sente muito esperto por tê-la feito sorrir. Toda vez que ela sorria ele parecia se apaixonar um pouco mais por aquela mulher que ele encontrou descalça no meio do mato.
- Eu sei que vai parecer repetitivo, mas você está realmente linda hoje... – ele elogiou-a olhando para o céu estrelado.
Ela usava uma blusa que deixava seus ombros à mostra. Daryl achou que seu coração pararia quando a viu saindo do vestiário pela tarde.
Luna cora. Porque ele causava esse efeito nela? Queria poder esconder melhor o que sentia. Mas andava cada vez mais complicado.
- Você e seus elogios... – sussurra.
- Não gosta?
- Gosto. Eu não era elogiada desse jeito na minha antiga vida.
- Antiga vida?
- É. Parece que foi em outra encarnação. – ela diz um tanto deprimida.
Daryl concorda, balançando a cabeça.
Longo silêncio.
- Você já imaginou nós dois juntos? – Daryl precisou reunir toda a sua coragem para perguntar. Levou um dedo até a boca e roeu a unha esperando pela resposta.
Luna pensou em dizer que não porque aquilo nunca aconteceria. Mas estaria mentindo e ela não queria quebrar outro costume.
- Todos os dias...
- Eu também. – Daryl se aproximou um pouco mais da cigana. Ele agora respirava bem perto da sua nuca.
- Yanka me perguntou se estamos juntos...
- E o que você respondeu?
- Eu... Eu quis dizer que não. Mas...
- Mas ela tem 6 anos, só que não é idiota, certo?
- É. Isso! – ela tentou esconder uma risada, mas não conseguiu.
- Posso perguntar uma coisa?
- Claro, caçador!
- De onde vem esse cheiro de incenso que você tem? – perguntou baixinho.
- Cheiro de incenso? Eu tenho cheiro de incenso? – ela riu sem graça sentindo Daryl no seu pescoço.
- É. Esse cheiro me deixa...
- Enjoado?
- Louco.
- Não sei. Usamos mesmo muito incenso no acampamento. Faz parte do altar de Santa Sara. Nem tinha notado que tinha esse cheiro em mim...
- Tem outra coisa que eu tenho que te perguntar também... – disse se posicionando cara a cara com Luna.
- Tá... Pode falar.
- Se pudesse, você se casaria comigo?
Luna estava esperando qualquer pergunta sobre qualquer coisa, menos aquilo. Seu estômago deu uma cambalhota e ela teve vontade de sair correndo. Mas não adiantaria. Ele iria atrás dela de todo jeito.
- O que você acha? – quis ganhar tempo.
- Não sei, me diga você... – agora ele estava muito nervoso.
- Daryl? – ela quase choramingou.
- Hum?
- Não posso falar isso em voz alta. – ela cochichou.
- Como assim?
- Ciganos não falam em voz alta certas coisas.
- Certas coisas?
- Pois acreditamos que se você fala, elas ganham poder para acontecer...
- E você não gostaria que acontecesse?
- Esse é o problema. Eu gostaria. Mas não posso...
- Cigana, quantas vezes eu preciso gritar para que a porra do universo ouça e isso aconteça de uma vez?
- Daryl... Yago está de volta.
- E daí? Eu vou quebrar todos os dentes dele se ele sonhar em se colocar no caminho.
- Não, você não entende! Ele é o único homem vivo do meu bando...
- E...?
- E neste caso ele é o novo kuká.
- O novo o quê?
- O novo kuká. O novo líder. Ele é o nosso juiz supremo. Só ele pode definir como as coisas acorrem no bando. Eu e Yanka somos seu bando. Para casar com você, precisamos da autorização do kuká. Não entende? Porque acha que ele anda tão calmo?
- Filho de uma puta! – Daryl queria matar Yago. Ele sabia direitinho como foder com a vida dos dois.
- Acha que ele teria coragem?
- Ele já me lembrou disso duas vezes, quando esbarramos na troca de turnos de vigília. E também mandou recados por Yanka.
- Porque você não me disse nada?
- Não quero que vocês briguem! Eu não sei o que faria se vocês brigassem...
- Porque aquele canalha é sangue do seu sangue, né? – Daryl estava puto com aquela mania de Luna de ficar do lado de Yago. – Vai preferir viver debaixo da asa deste desgraçado? Você sabe bem o que ele quer... Você é idiota? – ele estava irritado e não conseguia fingir.
- Não! Não quero que vocês briguem porque eu conheço Yago. Ele vai querer lavar a honra do bando com seu sangue – ela começava a chora e soluçar. – E eu não vou aguentar perder você. Porque eu o amo! – ela gritou e se curvou como se sentisse dor. – Eu o amo mais que a minha própria vida, Daryl Dixon.
- Vou matar esse desgraçado!
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