Forasteira

65 Luna estranha - parte II


Notas iniciais
Queridos, hoje venho aqui para dizer que pensei bastante e tal... O útlimo cap teve 4 reviews apenas... Estou SUPER desanimada. Estava pensando que talvez eu coloque Forasteira em Hiatus se não receber mais um número normal de reviews e me dedique integralmente a "Santos Justiceiros - Dia de São Vito". Assim, quem sabe não tenho uma megainspiração e volte melhor do que antes, né?

Porque assim não dá! Isso não é ua ameaça, gente. É só uma reflexão e autocrítica. Afinal, quero que Forasteira termine bem e com muitos leitores.

É isso. escrevi este cap com muito carinho. Aproveitem!

- Pronto, querida. Se acalme, sim? – o senhor a tomou pelos ombros e seu toque gentil e cuidadoso fizeram com que a respiração da garota fosse desacelerando. – Sente-se aqui. – disse apontando a cama. – Está se sentindo mal?

Luna fez que não com a cabeça. Mentia descaradamente. Uma onda de tontura tomou conta dela e só teve tempo de se apoiar no tronco do senhor à sua frente.

- O que está sentindo? Pode falar, querida. Não tenha receio. Sou médico e vou ajudá-la. E prometo que Daryl não entrará mais aqui se você não quiser...

Que benção! Seria verdade? Aquele senhor tão bondoso poderia afastá-la da violência que o arqueiro lhe imporia? Esperava loucamente que sim.

- Eu me sinto zonza.

- Desde quando?

- Já me sentia assim em Woodbury.

- Bom, talvez você esteja com labirintite. É melhor descansar.

Luna concordou.

- Senhor, qual o seu nome? – ela perguntou.

- Não se lembra de mim?

Luna ficou espantada. Ele já a conhecia.

- Sou Hershel. Costumávamos a cuidar de alguns doentes juntos enquanto você esteve aqui...

Ela tinha auxiliado as pessoas da prisão! Estava absolutamente assustada. Mas tinha aquela pergunta que ela estava desesperada para fazer:

- Senhor Hershel, o senhor sabe sobre uma garota chamada Yanka? – perguntou segurando o choro.

Hershel abriu um grande sorriso.

- Claro que sei! Achei que não fosse perguntar nunca! – mal falou isso e apareceu na entrada da cela a sombra da pequenina. Luna não queria chorar, mas não teve como. Ela praticamente rastejou até a criança, abraçando-a, beijando-a e dando Graças a Deus que estivesse bem e viva.

- Tia! Eu estava com tantas saudades. Tantas! – Yanka se grudou em seu pescoço.

- Eu também, meu pequeno diamante. Você está bem? Eles estão tratando você bem?

Yanka balançou a cabeça positivamente.

- Nós adoramos Yanka, Luna! E gostamos muito de você também. – Hershel acrescentou, se aproximando das duas. – Por isso fomos busca-la em Woodbury. E posso garantir que está melhor aqui do que lá. – Luna fez uma careta. – Mas agora o importante é que você deite e descanse. Vamos, Yanka! Vamos deixar sua tia descansar. – Luna hesita em entregar-lhe a criança. Mas volta atrás quando a própria Yanka demonstra vontade de acompanhar aquele senhor.

- Certo! Vou tentar descansar um pouco, obrigada.

- Mais tarde pedirei que tragam algo para você comer. É preciso se alimentar. Vamos lá, Yanka? – Hershel pegou nas mãos da menina e saiu.

Luna se sentou na cama e avaliou por cima o local. Parecia limpo e mesmo assim era assustador. Ouviu passos de alguém se aproximando e enxergou o corpo frágil de uma mulher que parentava ter quarenta e poucos anos. Cabeça raspada, roupas esfarrapadas e um roxo horrível em seu olho esquerdo. Parecia pedir permissão para entrar. Luna se ergueu e caminhou até ela instintivamente. Será que ela era mantida prisioneira aqui também? Seu aspecto judiado simplesmente não combinavam com a aparente boa saúde de Yanka, Daryl ou o senhor Hershel.

- Oi? Posso ajudar...? – Luna perguntou.

- Shhhhh! Não fale muito alto. Podem nos ouvir. – Caro cochichou. Então Luna compreendeu perfeitamente que precisava ser mais discreta e fez u sinal para a moça entrar. Ela olhou para os dois lados e quando se certificou de que não tinha ninguém por perto, acompanhou Luna até a cama.

- Você também me conhece? – Luna quis saber.

Ela queria descobrir o quanto havia se envolvido no cotidiano daquele lugar horrível. A mulher assentiu com a cabeça. Parecia apavorada e, de perto, seu hematoma parecia recente. Estava muito inchado. Onde arrumara aquele machucado? Luna teve vontade de perguntar diretamente, mas teve medo de ser grosseira e espantar a mulher. Por algum motivo sem explicação, a cigana acreditava que a moça tinha algo importante para lhe revelar.

- Qual é o seu nome? – Luna cochichou.

- Carol.

- Engraçado, não me lembro... Você precisa cuidar disso! – Luna fez menção ao machucado.

Carol fez cara de assustada.

- Por favor, não diga para ninguém que você me viu machucada. – implorou. – Principalmente para o Daryl! – Luna se arrepiou com o apelo da moça. Ela parecia tão frágil.

- O que? Porque isso?

Carol apenas a olhou com dor.

- Ele fez isso, Carol? Foi Daryl quem bateu em você?

Carol não respondeu novamente. E para Luna, nem precisava. Aquele crápula, algoz de mulheres. Luna não resistiu e ofereceu um abraço àquela mulher que parecia perecer do mesmo mal que ela própria.

- Não vou falar nada! Porque ele fez isso com você?

Carol correu novamente até a entrada da cela e verificou se não havia ninguém escutando. Voltou e se ajoelhou diante de Luna que continuava sentada diante dele.

- Ele me pegou na estrada. Eu tinha uma filha e ela infelizmente não sobreviveu. – disse triste e Luna se sentiu tão mal... – Eles mataram meu marido. Hoje sei que foram eles. Então, depois que Sophia se foi, ele começou a me cercar, me fazer propostas e ameaças...

- Propostas? Que tipo de propostas?

- Sabe? Para dormir com ele. Mas eu tinha acabado de perder minha filha, estava de luto. Mesmo que eu tivesse algum interesse...- Luna a interrompeu, pegando suas mãos para lhe dar conforto.

- Eu entendo. – disse a cigana.

- Então, quando encontramos esta prisão. Nós nos alternamos nas rondas e vigílias. Tem uma torre lá fora. Era minha noite e ele chegou no meio da madrugada. Achei que só queria jogar conversa fora, mas ele me agarrou e começou a me despir, Luna! Eu quis gritar, mas ele tapou minha boca e me ameaçou. Eu tive de ficar quieta. Eu tive tanto medo. Tinha um colchonete no chão lá na torre. Ele me atirou, abaixou um pouco a calça e ele me estuprou pela primeira vez.

Luna estava chocada. Como Daryl Dixon ainda tinha coragem de dizer à ela que nunca encostara em seu corpo sem sua permissão? Ele era um estuprador e mais: Luna não era sua única vítima. Pelas feições de sofrimento, a cigana se perguntou quanto tempo Carol estava ali, sendo violad d etodas as formas possíveis.

- Mas então, um dia, ele chegou com você. Me desculpe pelo o que vou falar. Me desculpe mesmo, mas eu agradeci aos Céus a sua chegada. Ele parecia tão focado em você, ele se voltou completamente para você e seu corpo. Ele ficou obcecado em possuí-la. Principalmente depois que soube que você era virgem. E então ele me deu um pouco de paz... – Carol disse ofegante e Luna sentiu as lágrimas quentes queimarem em seus olhos. Aquele maldito! Ele considerava sua pureza uma diversão, uma piada. Queria ser o dono da sua virgindade e o fez a força.

- Tudo bem, Carol. Eu te entendo... – Luna fez um esforço para não julgá-la.

- Então, certa noite, você o recusou e ai ele veio a minha cela e me obrigou novamente a ter relações com ele. Fazia um tempo que eu já estava sem ser violentada. Doeu muito e ele ficou irado. Parecia um bicho! Fiquei com muito medo! Pouco antes de você desaparecer, eu comecei a passar mal. Eu tinha enjoos e tonturas. Falei com Hershel. Ele é um bom homem, sabe? E ele me trouxe um teste de gravidez. E deu positivo...

- Oh, Carol! – Luna deixou escapar mais alto do que deveria e se desculpou. Aquilo era chocante. Meu santos Deus. – Ele sabe? Daryl?

- Lógico que sabe! Eu contei e ele ficou furioso. Espalhou por ai que o filho não era dele. Ele culpou uma pessoa boa e honesta. Você deve conhecer... Yago!

Agora o mundo parecia girar. Ela ficou confusa, desesperada, louca de raiva... E preocupada. Se Carol estava grávida, isso significava que Daryl não se preocupava em usar preservativo para evitar gravidez ou doenças. E se ela estivesse doente? Como tratar uma DST em dias como aqueles? Em pleno apocalipse? Impossível. E agora mais isso: Yago esteve ali com elas. Porque não as carregou quando teve a oportunidade de fugir?

- Yago fugiu daqui?

- Ah, não, não! Ele foi capturado na mata por homens do Governador. O dono de Woodbury!

Luna agora sabia: tinha sido muito injusta com o Governador. Ele se preocupou em resgatá-los. E ela tinha tanta ojeriza à ele...

- Daryl ficou louco quando você foi capturada também. Ele enlouqueceu. Achei que fosse matar a todos nós. Ele não aceitava que tivessem colocado a mão na mulher dele. Era assim que ele te chama: como mulher dele, sua propriedade. Por isso ele foi busca-la.

- E porque ele te bateu?

- Porque eu disse que ele não deveria ter ido busca-la de volta. Eu sei o que você vai passar aqui... Eu sinto muito!

Luna não aguentou. Ela desabou e as lágrimas correram soltas.

- Carol, obrigada por me contar! Pode contar comigo para o que você e seu bebê precisarem. Eu sinto muito que essa criaturinha tenha sido originada de tamanha violência. Mas fique firme. Vamos trazê-lo com vida ao mundo!

Carol agradeceu e se retirou rapidamente dizendo que assim que pudesse voltaria para visitar Luna.

Ela se deitou e se encolheu quase em posição e tal. Chorou e adormeceu em meio a pesadelos em que Daryl a carregava para uma tenda nupcial cigana. Ela vestida de branca e Daryl a atirando entre as almofadas no chão, gritando que sua virgindade era dele e que ele iria pegar o que lhe pertencia. Então, o caçador a penetrava com força, rasgando-a por dentro. Luna acordou suada e gritando por socorro, exatamente como sua antiga amiga Layla fez enquanto enfrentava sua noite de núpcias...

Imediatamente, um corre-corre se instalou nos corredores e como mágica Daryl estava plantado na frente de sua cela. E ela se ergueu rapidamente, ainda zonza. Sentia-se fraca e sem nenhuma condição de reagir. Suas pernas estavam quentes, queimando. Daryl entrou e foi chegando perto de Luna. Ela recuou com dificuldade, sentindo suas mãos formigarem e uma dor horrível na barriga a atingir, como se tivesse sendo surrada de dentro pra fora. Mesmo assim, a cigana lutava para se afastar do rapaz que se aproximava cada vez mais rápido. Então, meio zonza ela sentiu as costas baterem contra a parede fria da cela. Não tinha mais para onde fugir.

- Luna, por favor... – Daryl estendia uma das mãos para ela. Porque ele se portava de maneira doce se não passava de um bastardo, se tinha a intenção de violenta-la assim que possível? O rosto do rapaz tinha uma expressão de preocupação, típico de quem tem algum sentimento de caridade para com o próximo. Tudo uma grande farsa. Nojento.

- Por favor – ela começou a dizer, recomeçando a chorar – Por favor, não me estupre de novo. Eu não estou bem. Me dê uma noite, por favor, Daryl. Não me estupre hoje! – ele estava implorando porque não tinha forças para mais nada e o arqueiro parecia tão próximo...

Nada poderia ter preparado Daryl para o que ele acabara de ouvir. O caçador era um caipira expert em putas e mulheres fáceis, nunca teve muito cuidado na hora de trepar com as mulheres que comia. Mas jamais obrigou ninguém a foder à força. Isso não. Ele considerava nojento. Quando os amigos de Merle se gabavam de que tinham forçado suas mulheres a fazer sexo anal, mesmo contra vontade, mesmo que elas gritassem de dor, Daryl sentia o estômago revirar. Ser acusado de estupro por Luna era parecido com terem dado um soco em seu tórax e arrancado seu coração do peito com as mãos. Era insuportável. E ela tremia de medo dele. Tinha nojo dele. Por isso não estava aceitando a aproximação. Mas porque? O que mudou naqueles dias em Woodbury?

- Luna, pelo amor de Deus! Eu nunca a estuprei. Nunca faria nada disso com você. Eu amo você, cigana. Mais do que qualquer pessoa que tive! Eu daria minha vida por você...

- Por favor, não chegue mais perto... Luna levou a mão até o baixo ventre e se dobrou. A dor estava aume ntando e parecia empurrar cada órgão seu para baixo.

Daryl baixou o olhar e se espantou. Havia sangue correndo por toda a saia dela. Não era pouco sangue, não. Ela estava à beira do desmaio. Acabou de pensar isso e ela despencou. Só não bateu no chão, porque Daryl a segurou nos braços.

- HERSHEL! HERSHEEEEL! – ele gritou. Onde estava o velho quando mais precisavam dele.

O senhor apareceu com sua muleta.

- Diga! – Ele viu Daryl segurando uma Luna toda ensanguentada d cintura para baixo.

- O que é isso? O que aconteceu?

- Não sei! Eu acordei com ela gritando e ela começou a sangrar... O que está acontecendo? – Daryl estava quase tão pálido quanto Luna. – Rápido hershel, não quero perdê-la. Não posso perdê-la...

- Coloque ela aqui na cama e chame Maggie para mim.

Daryl obedeceu. Hershel e Maggie e todos na prisão estavam se movimentando em torno daquele drama. Hershel decidiu que Daryl não podia ficar ali depois que o caçador reagiu com violência a um suspiro de desespero de Maggie.

Rick o levou para fora e ficou com o amigo até que Beth voltou para chama-los.

- Daryl, meu pai precisa ver você agora.

Eles correram rumo a cela. Luna estava coberta, pálida e ainda dormia.

- Daryl...

- Hershel, o que ela tem? O que aconteceu?

- Eu não sei como falar isso pra você de um jeito menos traumático....

- Meu Deus, ela não vai morrer, não é? Diga que vai salvá-la, que não vou perder minha mulher, meu amor...! – ele falava desesperado, tremendo e suando como um louco. Nunca ninguém vira o caçador tão descontrolado e emocionalmente abalado. Era chocante. Mesmo!

- Acho que ela pode sobreviver, mas é que... Bem, Daryl. Qual era a chance de Luna estar grávida?

O mundo de Daryl parou para dar uma pirueta logo em seguida. Eles tinham transado, mas ela tomou os remédios...

- Nós não usamos preservativos, mas ela tomou pílulas do dia seguinte.... Não vejo como poderia... A menos que ela tenha sido violentada em Woodbury... – Será? Será que ela estava confundindo Daryl com algum bastardo que a tivesse estuprado naquela cidade maldita? Isso explicaria o papo maluco que teve com a cigana antes que ela desmaiasse.

- Não. Isso foi a primeira coisa que pensei. Ela não tem sinais de ter tido relações sexuais nos últimos dias, nem hematomas clássicos da violência sexual... Você disse que ela tomou pílulas do dia seguinte. Sabe se ela vomitou ou passou mal depois?

Daryl gelou. SIM!

- Carol deu aquele soco nela antes de sairmos para buscar as ervas para a malária de Carl. Ela vomitou...

- Fazia quantos dias que ela tinha ingerido a pílula?

- Não... Fazia apenas algumas horas. Não deu nem 10 horas...

- Daryl, creio que Luna engravidou depois que seu corpo expeliu a pílula no momento em que ela vomitou por conta do soco.

- Ela está grávida então? – Sentiu seu coração aquecer de forma insensata. Ele ia realizar aquele sonho mesmo? Ia ter um bebê com a mulher que amava? Um enorme sentimento de amor e paixão por aquela pessoa e a pessoinha que ela carregava no ventre agora...

- Não, Daryl!

- Como não? Porque está me perguntando tudo isso então, porra?

- Daryl, Luna estava grávida. Ela teve um aborto espontâneo. Não conseguimos salvar o bebê. Eu, eu sinto muito, meu rapaz! – Hershel colocou a mão sobre o ombro de Daryl. Ele se desvencilhou e andou até Luna, deitada na cama da cela. Ela parecia tão frágil, pálida e ingênua. Daryl tomou seu pulso e beijou, inalando o perfume de incenso, mel, canela e cravo da pele dela. Com a outra mão ele afagou a barriga dela por cima da coberta. A tristeza que tomou conta do seu coração era inexplicável. Sua mãe podia ter morrido mais 20 vezes e ele nunca sentiria nada tão desesperador... Sua alma estava em pedaços. Ele sentia pena dela, por amar tanto crianças e estar perdendo um bebê gerado com tanto amor e carinho e sentiu pena de si próprio por ter perdido a chance de finalmente formar uma família que o amaria incondicionalmente.

Então, diante do que não poderia ser mudado, com todos os habitantes da prisão em pé, assistindo o luto de Daryl e da sua pequenina família – ele, Luna e o bebê que haviam acabado de perder – o caçador abaixou a cabeça, sentiu os músculos do rosto repuxarem, os olhos azuis brilharam ainda mais, dessa vez pelas lágrimas que brotavam. Então, ele enterrou o rosto na barriga de Luna e chorou, chorou soluçando, sem pensar que chocaria à eles ou se Merle pensaria que ele era uma bichinha. Foda-se! Para o inferno todos eles!”.

- Porque não saem e me deixam aqui com ela, hein? – gritou, ainda soluçando- Só queremos chorar a perda do nosso bebê. Caralho! Meu filho morreu... Só quero ficar sozinho com a minha mulher! Saiam, porra... – ouviu todos se mexerem e irem deixando a cela aos poucos. Quando estava sozinho com ela, sua Luna, sua mulher amada, ele apenas chorou e chorou por horas.

“Me perdoa, babe. Me perdoa, Cigana por não ter protegido você e nosso pequeno...”

Notas finais
Muito deprimida por Daryl. Perder o bebê foi demais para a cabeça dele. 3

Contem pra mim oq ue acharam e o que sentiram?

beijocas da AMora