Forasteira

67 Luna desperta


Notas iniciais
Queridos, obrigada pelos reviews do último capítulo. Mesmo! Fiquei muto feliz e recebi mensagens de leitoras lindas me pedindo pra não colocar Forasteira em hiatus. Olha, queria esclarecer, que essa ideia do hiatus não é uma ameaça. É só pra quem sabe recuperar um pouco d inspiração, voltar a fortalecer a história. Enfim, não tem nada decidido. Vamos ver como a história fica...

Espero que curtam este capítulo tb!

Ah, pelo o que entendi vocês querem uma fic Real Norman é isso mesmo?

Beijos enormes da Amora

Luna despertou no meio da madrugada sentindo-se muito fraca e cansada. Ela só se lembrava de que estava em pé, diante de Daryl, implorando para que ele não a tocasse e ele pedindo sua mão... Essa era sua última lembrança. Porque ele se portava de um jeito tão diferente? Ás vezes, Luna podia jurar que ele a olhava de um jeito... meigo? Aqueles olhos azuis sempre tão límpidos não combinavam de forma alguma com o que ele aprontava com as mulheres que prendia naquela prisão.

A cigana mexeu-se um pouco e sentiu algo pesar sobre sua barriga. Ela fez força para olhar para baixo e ficou espantada... Daryl tinha dormido com a cabeça apoiada nela e os braços em torno de seu corpo. Parecia u menino assustado assim, de olhos fechados e a expressão de dor congelada em seu rosto. Algumas linhas de expressão ainda estavam tensas e marcadas em sua testa. Luna também viu uma cicatriz ali. Onde teria se machucado? Sem se dar conta a ideia de Daryl machucado e com dor lhe impôs um enorme desconforto. Porque se preocupava com aquele ser desprezível, seu carrasco? Ela desvencilhou o braço da coberta e ergueu a mão para tocar os fios finos e lisos que emolduravam o rosto do arqueiro. O que ela estava fazendo? Ia mesmo fazer um afago naquele homem?

“Luna, você está enlouquecendo!”, algo sussurrou dentro de sua cabeça. Tarde demais, ela já tinha mergulhado os dedos no cabelo de Daryl Dixon. Eram tão macios e delicados. Podiam ser perfeitamente os fios de cabelo de um menino. Conforme o acariciava, sentiu seu corpo se aquecer e se acomodar com o contato entre sua pele e o couro cabeludo do rapaz. Ele era tão bonito. Seu ar rebelde se misturava com aquela beleza inegável e ela teve certeza que se o mundo não tivesse se tornado este lugar escuro e se Daryl fosse um cara bom, talvez ele seria o primeiro homem por quem ela de fato poderia se interessar.

– Hum... Isso é bom! – a voz rouca fez o coração da cigana disparar. Foi de zero a 100 km/h em segundos. Ele se referia obviamente ao carinho que ela estava fazendo em seus cabelos e Luna, com medo de que o rapaz concluísse que ela gostava do que ele fazia com ela à força, retirou imediatamente as mãos dali. Ele fez um ruído de protesto. – Não! Continua, por favor... – pediu e fez o coração de Luna derreter. Meu Deus, porque seu corpo reagia daquela maneira estranha ao cara que a estuprou várias vezes.

– Desculpa, não posso. – ela avisou baixinho.

Daryl se virou para encarar aqueles olhos verdes escuros e Luna teve receio do arqueiro ouvir as batidas frenéticas que vinham do seu peito.

– É o primeiro carinho que você faz em mim desde que saímos de Woodbury. – ele informou, com semblante triste.

– Não sei por que estou fazendo isso, na verdade. Foi sem querer... – Luna replicou desviando o olhar daqueles faróis azuis.

– Não acha que pode estar fazendo isso simplesmente porque gosta de mim, Cigana? Talvez até me ame... – ele sugeriu e suas palavras pareceram lançar pedras de gelo no estômago da garota.

– Impossível! Não posso estar gostando do homem que... – ela hesitou um pouco. – Do homem que faz as coisas que você faz comigo.

– A única coisa que tenho feito com você é amá-la incondicionalmente. Eu nunca toquei em você sem seu consentimento, ouviu? Nunca! – ele falava sério e até um pouco irritado.

– Então, me diga: o que aconteceu? Porque não sou mais virgem? – ela questionou. – Minha virgindade não evaporou no ar, certo? – sua voz continha amargura.

Daryl se ergueu e se aproximou mais do rosto de Luna, que ruborizou. Ele achou, como sempre, que ela ficava ainda mais bonita com as bochechas coradas e teve vontade de colar sua boca na dela. Mas se segurou, pois estava na dúvida se ela queria mesmo isso.

– Não, sua virgindade não evaporou. Você tem razão. Mas nós fizemos isso porque você decidiu que seria assim. Se você tivesse me dito não, se tivesse pedido para parar, se tivesse me rejeitado, eu nunca teria encostado um dedo em você...

– Está me dizendo que eu concordei em termos intimidade? Que eu demorei um dia para abrir mão de uma promessa a que fui fiel durante 25 anos? É nisso mesmo que você quer que eu acredite?

– Primeiro: não foi em um dia. Demorou bastante para eu poder ao menos pegar na sua mão. Você não me deixava sequer te tocar... – ele disse baixo, mas ainda com a voz rouca.

– E devia ter continuado assim!

– Mas não continuou. Porque a gente acabou se apaixonando! – Daryl retrucou e parou por um segundo. – E eu ainda continuo muito apaixonado por você... – seu tom de voz era três tons mais baixo agora.

Luna se ergueu e se reencostou na parede atrás dela. Ela estava em choque. Aquela declaração fez seus nervos de aço se arrebentar, um a um. Talvez porque soubesse que ela seria capaz de se apaixonar por um homem como Daryl Dixon. A prova disso foi o momento em que o admirou deitado sobre ela.

– Como foi que aconteceu? – ela perguntou juntando toda a coragem dentro do seu peito.

– Aconteceu o quê?

– Você sabe... – ela abaixou o olhar, envergonhada.

– A gente...? – ele quis confirmar e Luna assentiu. – Bom, eu estava caçando na mata e você atirou um punhal em mim. Estava tentando roubar minha caça para levar para as crianças do seu acampamento. Acabamos nos enfrentando e o Merle, meu irmão, se machucou. Você abriu um corte com o outro punhal no braço bom dele. Você levou a gente até seu acampamento pra podermos nos recuperar, depois que fizemos um acordo de paz. Conheci seu tio Valentín e ele me contou sobre sua promessa. Eu fiquei um pouco atordoado porque eu já sentia algo por você...

– E foi assim que você me raptou? – ela interrompeu.

– NÃO! Na verdade, seu acampamento foi atacado por uma horda gigante. E acabou caindo. Você estava ferida nas costas. Yago tinha acertado uma facada em você sem querer. Eu te carreguei e Merle levou Yanka. Nós salvamos vocês...

– Por que Yago me atiraria uma faca? – ela perguntou, duvidando da versão de Daryl.

– Ele estava com ciúme de você. Olha, Luna, a verdade é que a gente se deu bem desde o início, cigana...

– é você que me chama de Cigana... – ela se deu conta de que tinha tentado se lembrar de quem a chamava assim.

Daryl sorriu de canto de boca.

– É. E também te chamo de Forasteira... – ele esticou a mão e conseguiu tocar o rosto de Luna. Sentiu a mulher arrepiar sob seu toque. Aquilo era tão honesto e verdadeiro. Ninguém nunca reagira assim a um carinho seu.

– Forasteira... – ela repetiu. Não era estranho.

– Isso. Então eu trouxe você para cá, para o meu grupo e cuidamos de você e de Yanka. Todos se afeiçoaram a vocês. Você curou o filho do Rick da malária que ele pegou...

– Curei?

– Curou!

– Ficamos aqui durante dois meses. Eu já estava amando você e você dizia que me amava também, mas que não podia simplesmente ignorar sua promessa. Mas sabe, Luna? A gente estava se gostando muito. Você disse que teve um sonho e que nesse sonho Santa Sarah a tinha liberado da promessa e foi ai que a gente decidiu ficar juntos.

– Eu estou muito confusa. Não me lembro de nada disso. Não consigo! – a cabeça de Luna dava voltas e mais voltas.

– Eu não te machuquei. Você me disse que uma amiga sua, Layla, tinha gritando de dor na noite de núpcias... – “Como, em nome de Santo Deus, ele sabia sobre Layla?” – E eu disse que não a machucaria. E não te machuquei. Você não sangrou naquela noite. – ele segurava agira a mão dela.

– Não sangrei? Mas eu era virgem, como não sangrei?

– Não sangrou, mas sim, você era virgem. E continua sendo a pessoa mais pura que conheci na vida.

– Daryl, eu preciso pensar. Eu... Como você sabia sobre Layla?

– Você me contou! Não se lembra?

– Não. Nunca contei sobre Layla para ninguém!

– Contou pra mim!

– E essa aliança que você usa? Você era casado?

– Não, cigana. Não era casado. Eu ainda sou... Quer dizer, eu me considero... Sou casado com você. Você costumava usar o par desta daqui. Alguém deve ter tirado de você naquela cidade maldita... – ele vociferou.

– Nos consideravam casados? Quem validou nosso casamento...?

– Yago ia validar.

– Yago detesta você.

– Eu sei. Porque ele sabe e sempre soube que eu te amava e que era correspondido. Espero ainda ser. – e depositou um beijo na mão pequena de Luna. Ela sentiu o toque dos seus lábios e quis por uma ração de segundo que ele beijasse seus lábios também. “Que sentimento nojento! Porque sinto isso por ele?”

– Yago não pode validar nosso casamento. A troco de que ele faria isso?

– Na noite de núpcias, antes de fazermos amor (o rosto de luna corou violentamente nesse instante), eu preparei um lençol como manda a tradição da sua gente. Eu abri um corte no braço e pinguei algumas gosta de sangue.

– Por que? Você duvidava que eu era virgem?

– Não! Claro que não! Eu só fiz isso pra você saber que, se quisesse, não precisávamos fazer nada, sabe? Não precisávamos ter uma noite de núpcias. Eu só queria esperar por você mas já casado...

– Nenhum homem faz isso. Que vantagem você teria em desposar uma mulher que não se deitaria com você?

– Eu poderia esperar anos. Eu só queria que você fosse minha, só isso. Não precisava me deitar com você pra isso. Só queria que Yago não tivesse como não aceitar o casamento. Ele veria o lençol e teria de ceder. Não é?

– Teoricamente, sim. Como vou saber que o que você está falando é verdade? Que se cortou para forjar um lençol nupcial? – ela desafiou e viu, desesperada, Daryl arrancar a jaqueta, o colete de couro e apontar um corte vermelho, cicatrizando perto da dobra do braço.

– Olha aqui. Essa é a cicatriz do corte. Luna, eu nunca enganaria você. Pergunte a qualquer pessoa nesta prisão, todos sabem que sou maluco por você, que sou completamente apaixonado e que você costumava a me corresponder. Eu não sei o que mudou, cigana, mas seja lá o que for, espero que eu não a perca, que ainda queira ficar comigo, porque sem você... – ele fez uma pausa para escolher bem as palavras. – Sem você, sem seu amor, nada disso vale a pena pra mim. – e Luna viu os olhos azuis inundarem. Eram lágrimas contidas? Aquele homem tão grande e forte estava com os olhos marejados por ela? Se ele fingia, era um excelente ator.

No entanto, no mesmo momento ela se lembrou de sua conversa com Carol. Carol não estava mentindo. As marcas do espancamento dela eram reais. Luna as viu.

– Tem uma mulher grávida aqui, não tem?

Daryl gelou. Será que ela tinha ouvido sobre seu aborto?

– Tínhamos duas.

– Como assim duas?

– Carol que está grávida de Yago e....

– E...? – Luna sabia que Daryl espalhara que aquele filho era de Yago.

– Você.

O mundo de Luna tremeu. Suas mãos suavam e seus cabelos estavam arrepiados. Como assim, ela?

– Luna, eu sinto muito! Eu queria muito ter esse filho com você...

– CALMA! Espera ai... – ela estava agitada. – Como assim queria? O que quer dizer?

– Ontem você desmaiou. Tinha sangue nas suas pernas. Hershel disse que você teve um aborto espontâneo. Eu não sabia que você estava grávida... Eu... Me perdoa!

– Eu? Eu estava grávida também? De você?

Daryl assentiu.

– E perdi o bebê?

– Daryl assentiu novamente.

– Não! Não, não, não...- Luna começou a chorar. Mas não sabia determinar o porquê. Se era pela situação completamente louca em que se encontrava, com aquele homem dizendo que eles tinham se amado, sim. E espontaneamente. Ou se era pela tragédia de ter perdido um filho sem ao menos ter sido informada que aquele bebê existia, sem ter tido a chance de cuidar dele e de si própria pra que isso não acontecesse. Meu Deus! Daryl chegou mais perto e abraçou, enquanto ela levava as duas mãos à cabeça, em sinal de desespero.

– Desculpa, Cigana... EU te amo demais, vamos ter outros, você vai ver... – ele repetia.

– não, Daryl! Não vamos ter outro. – ela disse se desvencilhando. Não quero outro bebê. Eu queria esse. Queria meu filho vivo. Queria ter cuidado dele e de mi pra que isso não acontecesse...

– Eu não sabia que você tinha engravidado...

– Claro! Porque você não se importa de vir e se deitar com todas nós sem se preocupar em usar um preservativo, não é?

– Não existem todas nós, Luna. Só existe você, porra!

– Não minta! Você também engravidou Carol!

– Não! Ela mesma admitiu que o filho não era meu!

– Claro, o filho é do coitado do Yago que não está aqui para se defender. – disse irônica.

– Não é verdade. Carol sabe, pode te dizer...

– Pois ela já disse!

– Carol esteve aqui? O q eu ela te falou?

– Por quê? Você vai lá espanca-la de novo?

– Espancá-la? E de novo? Não estou entendendo...

– Claro que está! Agora saia daqui, Daryl. Quero ficar sozinha.

– Luna, eu...

– Saia, por favor.

– Eu te amo.

– Mas eu NÃO te amo. Saia daqui! – ela disse sem ter certeza do que falava.

Daryl sentiu uma faca atravessar suas vísceras. Ela não só não se lembrava dele, como não se lembrava do que sentia por ele. Preferiu estar morto naquele momento. Ele se levantou, colocou o colete e a jaqueta de volta e ia caminhando para a porta da cela, quando se virou...

– Não vou desistir de você, entendeu?

– Pois deveria.

– Mas não vou. Você é minha mulher e vai se lembrar disso... – e saiu.

Luna sentiu um calafrio, mas algo em seu peito estava desperto de novo. Ela adorava o jeito como o arqueiro se movia e as coisas que falava pra ela. Ele tinha mesmo se cortado para forjar um lençol nupcial? A cicatriz estava lá... Luna achou aquilo romântico. E os olhos azuis brilhavam muito quando estavam fitando-a. Porém, ele a tinha engravidado. Ele lhe dera um bebê que ela acabara de perder. E isso era a pior dor do mundo. Ela se encolheu debaixo das cobertas e sentiu uma ponta de inveja de Carol. ‘’Porque, minha Santa Sara, eu não posso carregar um bebê meu? Mesmo que ele o tenha sido concebido à força... Eu o queria. Queria o bebê do arqueiro. Queria um filho!”.

Enquanto isso, fora da cela, Daryl limpava suas flechas pensando em como faria para que Luna se recordasse dele. E pensando também que teria uma conversinha com Carol em breve. Maldita!

– Oi, Daryl! – Andrea chegava para cumprimenta-lo... “Mas que Diabos?”

– o que pensa que tá fazendo, Andrea?

– Vim te dar boas vindas! – ronronou.

– Mostrando os peitos pra mim? – ele questionou voltando-se para as flechas. Andrea caminhara em sua direção tirando a blusa e abrindo o sutiã. Ela estava nua da cintura para cima e tinha péssimas intenções para com o caçador.

– Senti falta da sua grosseria... – ela se ajoelhou diante de Daryl, enfiou os polegares no passante da sua calça jeans detonada e desceu o zíper. – Quero assim! Quanto mais agressivo você fica, mais tesão eu sinto.

Era oficial: Andrea estava enlouquecida e queria chupá-lo. Não ia acontecer.

Ela puxou sua boxer para baixo e agarrou seu membro, respirando perto da glande. Daryl suspirou. Andrea não o atraia, mas ele estava sem sexo há dias. Mesmo assim, ele agarrou a cabeça da loira e tentou tirá-la dali. Andrea resistiu e abocanhou o pênis de Daryl que soltou um gemido de dor.

– Saia Andrea, não vai rolar. Não é de você que eu gosto!

– Mas ela não te chupa, não é? Ela só faz o básico e olha lá!

– Não se trata disso. Eu a amo. Quando eu penso em alguém, é só nela que eu penso. E você é diferente de Luna, vamos combinar...

– Então finja que eu sou ela...

– Não! Saia daqui. – Daryl arrancou o membro da boca dela e fechou as calças. Foda-se! Não servia nenhuma outra mulher que não fosse Luna. Isso estava certo pra ele. Se ela nunca quisesse fazer aquilo que Andreia estava se propondo a fazer, tudo bem. Ele podia conviver com isso. Ele podia conviver com qualquer coisa, desde que Luna estivesse ao seu lado. Porque era tão complicado para todos entenderem? E porque, do nado, tinham tantas mulheres atrás do que ele tinha dentro das calças? Carol, agora Andreia. Mulheres malucas!

Só queria que Luna lembrasse deles dois. O que poderia fazer? Não sabia mas tinha que pensar em algo rápido. Uma coisa era verdade: alguma coisa ainda vivia dentro da cigana, porque ela acordou acariciando seus cabelos. Uma esperança encheu o peito do caçador. Talvez se ele a levasse até o quartinho do hotel onde eles ficaram... Será? Seria um passo arriscado: ou ela o odiaria e teria ainda mais medo dele ou ela voltaria a amá-lo. Valeria a pena?



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Notas finais
Gente, Andreia... A coisa vai pegar fogo!

Gente, Daryl deve ou não raptar a cigana uma segunda vez? E será que ela vai gostar?

Deixem sua opinião pra mim?

beijos enormes