Forasteira
73 Lamento cigano
Notas iniciais
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Gente, sabia que Forasteira tem apenas 42 leitores? Sempre achei que eram mais, mas é metade do que muitas fics têm. Que estranho. Ainda assim, o que me deixa feliz é a taxa de aceitação da Fic. Mesmo com pouquíssimos leitores, ter 16 recomendações é muita coisa percentualmente falando, não? Agora me digam porque acham que não temos tantos leitores??? Pulga atrás da orelha desta leitora...
Queria que as pessoas que leram e não gostaram se manifestasse, sabia? hahahaha
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Aurora, meu bem, leitora querida, muito obrigada pela sua recomendação, viu? Fiquei tão felzi que sei lá se já agradeci, mas estou fazendo agora... Você me deixa muito feliz, messsssmo. Obrigada por confiar em mim e em Luryl :)
Beijos enormes da Amora
Luna continuava febril e delirante. Quando acordava permanecia poucos minutos de olhos abertos e, mesmo assim, parecia não fazer muito contato com a realidade. Daryl estava tão puto, quanto preocupado. Ele já tinha brigado com Hershel algumas vezes por tê-la colocado naquele estado de quase coma. Rick precisou leva-lo para fora e explicar que aquilo era a única maneira que eles tinham para saber o que de fato estava acontecendo. E Daryl não teve como discordar. Ele mesmo tinha descoberto coisas importantes e a principal delas era que havia alguma chance do Governador ser o mesmo cara que tentou estuprar Luna na adolescência. Céus! Aquilo era como atearem fogo em seu corpo. O caçador tinha vontade de pegar sua moto, todas as armas que conseguisse carregar e entrar em Woodbury para fazer justiça. Mas sabia que, naquele momento, o Governador simplesmente massacraria a prisão como retaliação e ele não podia arriscar a segurança do grupo e especialmente de Luna, que agora não tinha condições de correr ou se defender sozinha. O jeito era esperar. E paciência definitivamente não era uma das qualidades de Daryl.
Naquele entardecer, ele subiu até a torre de vigília. Precisava, mais do que simplesmente cumprir seu turno, de um tempo sozinho. Quando ficava só, ele conseguia esvaziar a mente de todos os problemas e reter unicamente as lembranças de seus melhores momentos com Luna. Imagens da primeira vez em que ele lutou com ela na mata e a forma como a cigana rendeu a ele e Merle, dois marmanjos.
Ele adorava também se recordar de quando percebeu como ela se movia rápido dentro da mata, quase como um fantasma e seus movimentos precisos e graciosos; a briga por conta da infusão que ela mandou que preparassem para o banho que Daryl tomou no acampamento e o fato de ela tê-lo enfrentado e tê-lo provocado sem medo algum em seus olhos.
O respeito e a resiliência que ela demonstrava junto ao líder do seu bando, mesmo quando o que pediam a ela representava um enorme sacrifício pessoal; sua coragem em seguir adiante com dois estranhos, mesmo ferida, para salvar a vida de Yanka; sua persistência em resistir a aproximação dele por respeito aos valores de sua cultura, mesmo estando distante, mesmo sabendo que ninguém estaria ali para julgá-la; sua disposição em ajudar Carol e o bebê que ela fabricara com Yago depois de tudo o que a mãe de Sophia aprontara.
Também a forma como aprendera a atirar com Rick e a horta que ela e Hershel planejavam juntos, e tudo isso só para poder se tornar cada dia mais útil ao grupo. A hesitação zero que demonstrou quando precisou buscar a planta medicinal para curar a malária de Carl e de Glenn.
E, claro, todos os gestos puros e honestos de carinho que a cigana demonstrava para com ele. Luna sempre tivera um modo singular de provar para ele que era a mulher com a qual jamais sonhou, pois nem sabia que uma companheira com tantas qualidades, tão bonita por dentro e por fora, pudesse existir. E mais: que essa garota, de livre e espontânea vontade, se aproximasse dele e querer cuidar dele como a cigana fizera. Quando Luna disse “Nunca teria escolhido Merle, se fosse escolher entre vocês” ou “Você é o homem mais bonito que já na vida”, ela não sabia o quanto aquelas palavras fariam Daryl mais forte, mais feliz.
Por tudo isso e pelo enorme amor que sentia britar dentro dele, cada dia mais, Daryl Dixon gostava de sentar naquela torre de vigília e pedir a qualquer força suprema no universo que Luna voltasse ao normal, que ele pudesse entrelaçar os dedos de sua mão nos dela ou dormir ao seu lado sem que isso significasse uma crise para a garota. Alguns dias, Daryl pensava como viveria se ela nunca mais se recuperasse... O mundo parecia valer menos a pena nestes momentos.
Perdido nestes devaneios, Daryl não notou os pequenos passos de Yanka, qe agora estava parada na porta da torre. A garota sentou-se cm cuidado para não fazer barulho e apenas assistiu o caçador desfiando sua dor e em determinado momento, esfregando com força os olhos marejados. Ela era apenas uma criança, mas sabia que o rapaz sofria pela sua tia, só porque a amava demais para ficar separado dela. Yanka teve muita dó de Daryl. Tanta dó que tomara uma decisão naquele momento...
Trilha sonora para este trecho: http://www.youtube.com/watch?v=vem0mbN_zQI
Luna estava diante de um grande espelho, sentada em alguma cadeira, enquanto sua mãe arrumava seus cabelos, junto com suas primas. Seus olhos se encheram de lágrimas e todos os pelos de seu corpo se eriçaram quando sentiu, depois de anos, o afago dos dedos finos e ágeis da sua mãe, puxando as mechas dos longos fios e ajeitando-os no que parecia ser um coque ou algo assim. Por alguns minutos, apenas fechou os olhos e aproveitou para gravar aquele carinho na memória mais uma vez. Assim, apenas deixou que seus ouvidos fizessem o trabalho de escutar o que a mulher mais importante da sua vida dizia.
– Sabe, Luna, quando seu pai fez aquela promessa a Santa Sara e depois ouvimos seu choro forte e consistente ecoar através da nossa tenda, achei que Arturo tinha tido a melhor das ideias e que seu espírito era forte. Já que ele pedia a Santa Sara e foi prontamente atendido... Você foi o presente mais precioso que recebi de Deus. Depois de todos os bebês que nasceram mortos de mim, achei que fosse como a terra triste e infértil do inverno da Romênia. Achei que nunca viria um filho crescer. Estava conformada e ai... Ai você chegou, minha filha. Minha vida e a de seu pai mudaram tanto. E a do acampamento também. Nossa sorte virou para melhor. Os negócios de todos os homens começaram a prosperar. As mulheres nunca mais tiveram problemas com infertilidade. E todos associaram ao fato de eu você era o bebê tocado por Santa Sara. Mas para mim, você era por si só toda a sorte do mundo.
Lola fez uma pausa e Luna ousou abrir os olhos e viu que sua mãe estava quase terminando o penteado que fazia em seu cabelo. Estava bonito. Luna só não entendeu porque estava tendo os fios presos, já que aquilo não lhe era permitido.
– Mas então os anos foram passando. Você cresceu. Com treze anos, era a cigana mais bonita em que eu já tinha colocado os olhos. Seu pai começou a receber muitas propostas para casá-la. Dotes milionários. Imagina! Até o rei dos ciganos quis cara o filho com você. – Lola riu um pouco. – Mas decidimos que você se manteria fiel à promessa feita a Santa Sara. Você era nova e estava estudando e aprendendo as coisas muito rapidamente. Seu pai ponderou que você mesma não gostaria de se casar naquele momento, mesmo que ela liberasse. Os anos foram passando e as garotas do acampamento foram se casando. Algumas nos deixaram, outras tiveram seus filhos. E você passou a ser tão só. Você ia a escola sozinha e aquilo me deixava maluca. Mas, Luna, você enfrentava o mundo como uma verdadeira guerreira. Seu pai sempre foi tão orgulhoso da sua força e da sua determinação, minha filha. – Luna viu os verdes olhos de sua mãe marejar um pouco mais.
– Porém, apesar do orgulho, Arturo e eu passamos a questionar a decisão com relação a sua promessa. Tínhamos medo de que sua solidão se aprofundasse ainda mais. Não era justo para com você, minha filha. A promessa tinha beneficiado somente a nós dois, porque queríamos tanto um filho ou uma filha e isso nos foi proporcionado. Mas e você? Não pense que seu pai não se perguntava o tempo todo, porque ele se perguntava, sim. Quem seria por você na nossa ausência? Quem a amaria na mesma intensidade que nós a amamos? Então, começamos a imaginar se seria d sua vontade se unir a um bom homem que pudesse respeitá-la e dar-lhe uma vida digna. Mas você sabe... Você se tornou esta mulher cheia de conhecimentos do mundo, inteligente e forte. Sua facilidade para comandar e tomar decisões logo começou a transparecer. E sabemos que os homens ciganos não apreciam isso em suas companheiras. – Lola então deu a volta e ficou diante da filha olhando-a nos olhos. Luna sentia-se como diante da própria encarnação de Deus. Sua mãe era sábia e era bondosa na mesma medida que Deus deveria ser. Então, Lola apanhou o kajal e começou a desenhar o delineado dos olhos da filha com cuidado e destreza que só anos de treino podiam proporcionar. Depois de um longo suspiro ela continuou seu discurso e Luna não ousou a interrompê-la embora mil perguntas rondassem sua cabeça naquele exato momento. Não lhe pareceu inteligente perder nenhum segundo da maravilhosa melodia que era a voz de sua mãe ressoando tão pertinho dela.
– Seu pai sabia que alguns ciganos tentariam matar seu espírito, Luna. Tentariam eliminar o que você havia desenvolvido de melhor. E essa foi a verdadeira razão pela qual recusamos Yago quando ele lhe pediu em casamento. – Luna abriu os olhos, absolutamente atordoada com aquela informação. Na época, ela ouvira seu pai dizer ao pai de Yago que nunca quebraria a promessa para a Santa Sara e que casá-la estava fora de cogitação. Nunca soubera o que seu pai pensava verdadeiramente do cigano. – Yago é um bom menino e dava para ver o quanto gostava de você. Mas ele queria possuí-la, não fazê-la sua companheira. Caminhar lado a lado com você. Jamais! Seus ciúmes e seus valores o tentariam a aprisiona-la. E isso seu pai não queria. Já, quanto á família real cigana – Lola disse, como que adivinhando os pensamentos da filha – seu pai ponderou que eles só a queriam para exibi-la, como um troféu. Como que dizendo: “Olhem, somos tão poderosos que conquistamos até a garota tocada por Santa Sara, que teoricamente, nunca se casaria”. Isso seria um destino ainda pior, pode acreditar. Paralelamente, o bando rejeitava a ideia de você nos deixar. A comunidade via em você um amuleto de sorte.
– Seu pai e eu passamos por muitas dúvidas, Luna. E pedimos muito a Santa Sara que intercedesse por você junto ao Senhor, que mostrassem um caminho de luz para você. E olha como são as coisas de Deus... Ele preparou alguém para você no momento mais crucial possível, no momento que nós lhe faltamos, minha filha. – Lola acabara de fazer o traçado nos olhos da filha, que agora a mirava. – Este homem é a resposta de nossas preces. Ele a ama da maneira mais pura. Ele não quer sua glória, seu corpo ou a beleza da sua juventude. Ele a quer por amor, por devoção a tudo o que você representou para ele. E está disposto a olhar por você com todo o zelo que agora eu e seu pai não podemos oferecer. Por isso, minha filha – Lola disse, virando Luna novamente para o espelho e ajeitando um grande véu sobre seus cabelos presos – limpe seu espírito, deixe as dúvids serem levadas pelo vento. Seu coração sabe de todas as respostas que você precisa. Procure dentro de você. Não deixe um homem tão especial, preparado por Deus para você, escapar agora. E saiba que você tem nossas bênçãos, minhas, as de seu pai e as de Santa Sara, para seguir adiante de cabeça erguida. Luna, você não foi violada, não caiu em desgraça, não representa nenhuma vergonha para nós. Pelo contrário! Vá se unir ao rapaz que o destino trouxe para você, meu bem.
A voz de Lola começava a se distanciar, como se a mulher estivesse se retirando da tenda devagar. Não queria aquilo! Precisava de mais tempo com sua mãe. E um desespero foi tomando conta de sua alma.
Luna teve tempo de olhar para o espelho e a imagem refletida nele a atordoou completamente. Ela estava toda vestida de noiva! Seus olhos se encheram de lágrima...
– Mamãe, você quer dizer que devo ir atrás deste homem, o tal de Philip, aquele em que em minha memórias Daryl cita como sendo o único que me amaria de verdade...? – Luna questionou, confusa.
– Não! – Lola afirmou com segurança — Estamos falando do seu verdadeiro amor. Estamos falando Dele, meu bem. Daquele que conhece até seus maiores segredos, Estrela!
Luna sentiu-se sendo fisgada daquele devaneio e caindo em um buraco negro e profundo. Um grito seu e uma mão imediatamente lhe deu apoio, segurando firme seu rosto. Quando Luna abriu os olhos, ela os encontrou. Os dois olhos azuis como o oceano de Drayl Dixon mirando-a cheios de algo que parecia ser... amor? E Yanka atrás dele, agarrada às costas do caçador. Viu os lábios do arqueiro se mexerem...
– Vai ficar tudo bem. Vai ficar tudo bem pra você, Estrela Luna. Eu prometo! – falou baixinho e as lágrimas brotaram dos olhos da cigana como rios revoltos. Seria ELE? Era dele que sua mãe falava? Daryl Dixon?
Notas finais
Logo, sei que Luna de noiva não agradará a todos, mas faz parte da cultura dos romaní. Ok?
Fora isso, vamos ao que interessa: quem chorou ai, levanta a mão? hahahaha o/
Bem, espero estar no caminho certo, sem decepcioná-las. Deixem seus reviews pelo amor de qualquer coisa?
beijos enormes da Amora
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