Forasteira

46 Jogando conversa fora


Notas iniciais
Meninas, este capítulo é um tanto parado. Mas ele vai começar a desenhar uma característica de personalidade de Luna, agora que ela descobriu o sexo. Vamos ver onde tudo isso vai nos levar, né?

Espero que continuem acompanhando como sempre, lindas!

beijos enormes da Amora

Luna estava desperta há uns 15 minutos, mas não tinha coragem de abrir os olhos. Ela sabia o porquê: tinha feito. Estava feito, na verdade. Havia se entregado a Daryl e, Céus, aquela ideia parecia menos clara a medida que avançava a madrugada. Por fim, vencida pela sede, decidiu encarar a realidade. Deu de cara com as duas orbes azuis cintilantes fuzilando-a.

- Há quanto tempo está me olhando? – perguntou puxando o lençol para cobrir seu corpo, envergonhada.

- Tempo o suficiente para me apaixonar de novo. – respondeu o caçador.

Luna riu.

- Não sabia que era um romântico. Estou surpresa.

- Tem muitas coisas que eu estou descobrindo agora. Por exemplo: acabei de descobrir que me tornei um tarado compulsivo por vê-la dormir nua. Não devia estar se cobrindo com essa porcaria! – disse tentando puxar o lençol decima dela.

- Estou com frio! – ela argumentou.

- Deixa que eu te aqueço, então. – o rapaz deu um salto e, como num passe de mágica estava por cima do corpo de Luna. Ele imobilizou os pulsos da cigana e inclinou a cabeça para fazer seus lábios se encontrarem. O beijo, por força do hábito, começou casto. Apenas um roçar de lábios para, em seguida, tornar-se molhado e quase imoral devido aos movimentos únicos que a língua de Daryl produzia dentro da boca de Luna.

Quando se desgrudaram, já estavam arfantes e Daryl Dixon estava a postos para o que quer que fosse. Leia-se: estava duro como uma pedra. Duro como se nem tivesse feito sexo naquela noite ainda. Luna sentiu e ficou na dúvida sobre o que aquilo significava. Ela tinha a ideia infantil de que sexo se fazia uma vez por noite, como nas novelas e filmes.

- Veja, cigana. Você me deixa desesperado! – ele sussurrou em seu ouvido.

- Como é possível? Eu nem me movi... Não pode nem dizer que provoquei... – ela estava argumentando de forma honesta. Não em tom de reprimenda.

Daryl gargalhou, jogando a cabeça ligeiramente para trás para afastar a franja que já caia sobre seus olhos cor de céu.

- Até parece que você precisa se mexer para que “isso” ocorra... – disse apontando o próprio pau. Então ele segurou o rosto da garota com as duas mãos, forçando-a a encará-lo. – Não entendeu ainda não é, Luna Sara Kalí?

Ela se assustou e se conformou em balançar a cabeça negativamente.

- Eu amo você. Antes de você, eu nem sabia o que diferenciar amizade de coleguismo. Daí você chegou na porra da minha vida fodida e apareceu assim: no meio do mato, tentando roubar minha caça e ainda por cima usava saia e estava descalça! – disse em tom divertido. – Devo ter uma queda por mulheres que tentam me matar, porque eu fiquei alucinado por você desde o dia em que me levou para seu acampamento. O problema é que eu não sinto só amor...

- Não...? – ela parecia preocupada.

- Não. – sussurrou. – Eu sinto desejo. Tenho tesão por você. E isso também é uma força bastante poderosa. – avaliou.

Luna já ouvira aquela palavra “tesão” antes. Mas poucas vezes. Sabia que tinha a ver com sexo, com querer fazer sexo com alguém. E por isso corou bastante ao ouvir a declaração de Daryl.

- Quando alguém te dá muito tesão, você fica... Como eu te explico? É quando você tem sede e não há água. E ai bate aquele desespero e você fica fissurado por um copo bem gelado. É irresistível: você só pensa nisso. O tempo todo.

- Você pensa em mim o tempo todo? – quis saber.

- Sim.

- Mas você pensa em mim o tempo todo de roupa ou nua...? – perguntou chocada.

- Eu penso em você o tempo todo de todos os jeitos possíveis e imagináveis, Luna. – respondeu sério, ainda mirando-a com os canhões azulados.

- Eu não... – Desculpa, é complicado pra mim! – disse chacoalhando um pouco a cabeça, meio aturdida.

- Eu sei... Mas como foi?

- O quê?

- Fazer amor pela primeira vez...

Luna não respondeu. Fechou de leve os olhos e repassou os detalhes do momento em que Daryl consumou o ato... Tudo tinha passado tão rápido. Ela se lembrava da maneira gentil como ele encontrou uma boa posição para aquilo, os carinhos que ele empregara nos seus seios... Tudo tão doce e intenso. As coisas que ele lhe disse quando pressionou o membro duro e ereto na cavidade entre suas pernas. Agora, parecia que ela revivia com mais nitidez o momento. O caçador começou apenas esfregando seus sexos de leve, enquanto a beijava ou mordiscava seus seios. Só isso foi suficiente para deixa-la sem ar. Quando achou que nada mais podia ser tão intenso, Daryl começou a forçar a entrada. E, não podia mentir para si própria: doeu e não foi a coisa mais confortável do mundo por uns 2 ou 3 minutos. Mas Ela se agarrou ao lençol com força e resolveu aguentar firme. Ele passava tanta confiança que ela sentia que logo aquilo acabaria. E depois de uma certa resistência do seu corpo, ela o sentiu entrar. Daryl tremia, mordia os lábios, tensionava cada músculo dos seus braços fortes e soltava gemidos de ansiedade. Podia jurar que ele quase sentia dor. Uma dor física, como quando machucamos uma ferida quase cicatrizada, que se abre novamente e sangra de forma mais dolorosa, ardida. Mas Luna sabia o que significava o esforço, a dor: ele estava usando todo seu controle para ir com calma, ser cuidadoso. Aquilo custava caro ao caçador, era evidente.

E esse detalhe era o que deixava a cigana verdadeiramente excitada. Ela se sentia poderosa de um jeito estranho. Como se fosse tão preciosa a ponto de fazer com que um caipira, totalmente bruto e que já tinha passado pelo meio das pernas de um monte de garotas loiras e mais peitudas que ela, praticamente se torturasse daquele jeito para tê-la, para garantir que ela gostasse.

Sem dúvida alguma, era um bálsamo para a autoestima de uma garota tão diferente dos padrões americanos. Os homens não-ciganos que gostavam dela, pareciam também ter vergonha de admitir que a admiravam. Como se ser cigana significasse pertencer a uma casta tão baixa que o ideal era apenas ignorar que ela existia.

Mas Daryl não ignorou. Ou melhor, ele enlouqueceu por ela. E o pior: era recíproco. Na floresta — ele não sabia — Luna o vinha observando há mais de uma hora antes de decidir atirar os punhais e terminar logo o que tinha que fazer. Ficara encantada com o homem de faróis azuis tão intensos e movimentos precisos. Sua barba por fazer, o cabelo bagunçado, a voz rouca, as costas largas, a agilidade com a besta e até o sinal que tinha próximo a boca, uma versão masculina de Marylin, tão sexy quanto... A cigana simplesmente precisou segui-lo. Sentiu-se mal, suja, indigna. Não gostava de admitir que, pela primeira vez, fora pega com a guarda baixa.

Nunca tinha encontrado nenhum homem que a fizesse questionar a vida que levava, sob a égide da promessa que seu pai fizera. Por mais difícil que pudesse parecer. Oque gritava dentro dela era a vontade de não estar só, de ter filhos. Com o tempo, também teve curiosidade de saber como era ter um homem para amá-la incondicionalmente. Experimentar a fúria daquele sentimento que todos chamavam de amor.

Bem... Ela desejou e agora estava tendo a tal oportunidade. Mas não imaginava que outras sensações acompanhariam este aprendizado. Como o tal “tesão” que Daryl mencionara. Ela tinha sentido. Sabia como era a força de desejar e, principalmente, se sentir desejada.

- Cigana, em que planeta está? – senti-o sussurrar na sua orelha mordendo de leve o lóbulo de leve.

- Desculpa... Estava só... pensando, sabe?

- No quê?

- No dia em que nos conhecemos, na floresta.

- Você estava linda.

- Eu estava suja de tanto andar na mata...

- Eu achei que você estava muito bonita. – disse Daryl, rindo.

- Não pareceu...

- Deve ter sido porque você tentou me matar... Talvez?

- Não tentei, não. Eu amei seus olhos. Nunca tinha visto olhos tão azuis!

- Os de Merle são mais claros.

- Nem tinha reparado que Merle tinha olhos azuis. Os seus me deixam nervosa... – respondeu se arrepiando.

Um silêncio profundo tomou conta do quarto.

Daryl o quebrou!

- Não vou perde-la, Luna.

- Porque está falando isso agora?

- Por causa do Yago e do que ele está aprontando em Woodbury.

- Não vamos pensar nisso agora, caçador... – implorou.

- Não consigo não pensar no filho da mãe que quer a minha mulher. E sabe? Ele te quer deste jeito – disse apontando para o corpo dela. – Quer estar no meu lugar, beijando você, fazendo amor com você. Não consigo imaginar nele colocando a mão em você.

- Ele não poderá negar o que fiemos. Você e eu... Sabe? Temos este laço. – falou se referindo ao fato de que ele havia se tornado seu primeiro homem.

- Diga, Luna! – Daryl virou o rosto para encará-la, os olhos quase ameaçadores.

- O que quer que eu digo? – perguntou curiosa.

- Você precisa falar o que fizemos. Não é um crime. Não é uma vergonha. Estamos juntos. – disse pegando a mão esquerda da cigana, adornada agora pela a aliança que antes fora de Lori Grimes.

- Eu sei, Daryl. Mas eu preciso de um tempo para me acostumar.

- Se um dia formos ter um bebê – ele disse passando a mão pela barriga de Luna. – as pessoas saberão como fizemos o bebê.

- Não! – Luna tapa os ouvidos. – Eu sei, lógico. Mas preciso me acostumar.

- Ué não quer fazer bebês ciganos comigo? – ele ri. – A Yanka vai gostar...

Luna ri, meio sem-graça.

- Ah, meu Deus!

- Não é uma boa ideia, hum?

- Daryl, você não quer realmente ser pai, né?

- Sinceramente?

- Por favor...

- Não queria. Não queria com Carol, com outra mulher qualquer com quem eu visse me deitar...

- Mas...?

- Mas eu acho que você ficaria ainda mais bonita com o meu filho aqui dentro. – disse apontando para a barriga dela novamente.

- Você me deixa feliz falando isso... – Luna diz com os olhos marejados.

- Eu amo você, Luna.

- Também amo você, Daryl Dixon.

Notas finais
Girls, eu fiquei bem preocupada pois recebi tão poucos reviews para a primeira noite de Luryl... O que será que aconteceu???

beijos enormes da Amora