Notas iniciais
Gente, gente... Estou viciada em escrever esta fic. Obrigada pelos reviews. Vocês me estimulam muito.

beijos da Amora

Yago estava na cela de Hershel recebendo cuidados médicos.



Daryl estava sentado no último degrau da escada que dava para o andar superior da ala de celas que eles ocupavam. Ainda não podia acreditar no que tinha acabado de acontecer. Aquele filho da mãe estava ali e com certeza ia fazer de tudo para transformar a vida dele e de Luna num verdadeiro inferno.



Luna saiu da cela onde Yago agora urrava de dor, enquanto Hershel o costurava também. Daryl respirou aliviado. Luna não estava ali servindo como apoio para aquele cigano nojento. Ela caminhou em sua direção...



– Obrigada!



– Pelo o quê?



– Por tê-lo aceito.



– Nunca vou aceitar esse cretino. – Daryl se levantou, pegou a besta e saiu. Luna o seguiu até a parte externa da prisão. A noite estava estrelada e um pouco fria.



– Daryl, eu sei que ele é um... babaca, como você diz...



– Se sabe, porque ficou agarrada naquela grade, colada nele? – ele estava morto de ciúmes e se detestava por isso.



– Eu não acreditava que ele pudesse estar vivo...



– Eu fiquei aliviada dele estar bem... Eu ainda carrego muita culpa por tê-los deixado lá, para morrer...



– Você não deixou eles lá para morrer. Não tinha nada que você pudesse fazer. Estava ferida! – Daryl disse nervoso de aproximando mais do que deveria de Luna.



– Eu sei! Não precisa falar desse jeito comigo! – ela levantou o olhar para encará-lo.



Daryl ficou ali, olhando-a e o peito dele subia e descia rapidamente, numa respiração nervosa.



– No que você está pensando? – Luna questionou.



– Estou me controlando para não beijar você. Droga! – ele se virou e continuou andando.



Luna ficou parada porque quase respondeu “Então, me beije logo”.



– Eu prometo que ele não vai incomodar você.



– Não. Ele vai se atirar em você. E eu vou ficar muito puto.



– Daryl?



– O quê?



– Posso ver sua mão?



– Por quê?



– Por favor... A esquerda.



Daryl estendeu a mão para Luna que a virou de palma para cima. Ela fez passeou seus dedos por ela, arrancando um suspiro de Daryl. Ele estava assim tão carente a ponto de sentir tesão até com um toque singelo desses? Luna ficou olhando suas mãos largas de dedos curtos, mas fortes. Parecia hipnotizada pelo o que via. Daryl demorou alguns minutos para entender que ela estava lendo sua mão. E, por algum motivo estranho, aquilo o fez se sentir nu diante dela.



– A sua linha da vida é atravessada por várias outras linhas. Significa rupturas drásticas.



Ele ficou ali parado, olhando para a cigana.



– Você é alguém com coração maior do que gosta que enxerguem. Seus sentimentos são puros e verdadeiros. Você raramente mente para alguém.



– Recebeu muito menos atenção do que gostaria da sua família.



– Sua fé está abalada. Você não acredita mais! Mas é um protegido. Seus passos são iluminados. Tem alguém olhando por você muito de perto, lá de cima. – Luna sibilava apontando para o céu.



– Lembra quando me disse que não estava nos seus planos ser pai? É bom você rever mesmo esta decisão. Eu vejo que duas crianças foram reservadas para você pelo destino. – Luna não conseguia conter a emoção. Imagina os filhos de Daryl? Que lindas criaturas seriam? – Você seria o melhor pai. O melhor de todos.



– E por fim. A linha do coração... – Luna olhou e viu claramente – Você tem dois grandes amores na sua vida. Terá de optar por um deles... – fechou a palma da mão dele e o soltou. Virou-se de costas e começou a caminhar mais confusa do que antes. Aquilo deveria ajudá-la a eliminar algumas dúvidas, mas só serviu para reforça-las. Daryl tinha dois amores no seu destino. A palma da mão dele não mentia. Ela e Carol, provavelmente. Se o envolvimento dele com Carol era tão profundo para estar marcado no seu destino, isso significava que sua “rival” tinha reais chances de conquistar Daryl em definitivo.



– Forasteira? – Luna não parou de caminhar. Também não respondeu. Precisava pensar um pouco.



– Ei, estou falando com você! – ela apertou o passo. Queria chegar logo à prisão, onde estaria protegida pela presença de todos os outros. De repente, sentiu um tranco e caiu no chão. Daryl despencou por cima dela, de forma desajeitada.



– O que foi, Daryl?



– Eu estou tentando falar com você. Porque não me atende?



– Porque não sou sua propriedade, apesar de ter salvo a minha vida tantas vezes.



– Ele mal chegou e você já está estranha...



– Não tem nada a ver com o Yago, se é isso que você está pensando.



– Ah, não tem? Então, tem a ver com o quê?



– Esquece isso. Estou precisando aquietar meu coração. Preciso de um tempo, por favor!



– Aquietar seu coração? Então não pode negar que ele mexeu com você!



– Não! Pare de inventar não tem nada a ver! Já disse. Você é um teimoso. – Luna tentou levantar. Daryl a impediu.



– Você é louca. E está me deixando maluco também, sabia? Hoje, mais cedo, eu estava lá dentro com você falando coisas que eu não teria dito para ninguém, nem no meu pior pesadelo. Porra e agora você vem aqui, me fala meia dúzia de coisas, muda completamente, se vira e vai embora? Eu não entendo! O que você quer? Porque não escolhe um jeito de agir comigo e segue nele para sempre, para eu poder ter uma chance de não me ferrar na sua mão uma única vez? – Daryl estava até sem fôlego.



Luna ficou desarmada por completo, olhando aqueles olhos azuis lindos tão perto dos seus agora...



– Daryl, você ouviu o que eu disse? Você tem dois amores predestinados a você. E terá de escolher. Terá de optar. Você tem uma escolha. Eu queria tanto ter uma escolha... Não tive essa sorte. Você a tem! Fique com a Carol. Ela pode dar à você coisas que estão no seu destino e que eu não posso atender, caçador! – seu tom era de súplica.



Daryl tomou ar. Precisava de fôlego antes de falar o que ia dizer.



– Acho que você não entendeu... Está ai tentando me dar um conselho burro!



– Burro? Estou tentando te ajudar...



– Cigana, caso não tenha percebido, eu já fiz esta escolha!


Daryl mergulhou num beijo profundo. E desta vez não precisou lutar contra os lábios de Luna. Sua língua invadiu a boca dela rapidamente. Ele precisou se conter para não devorá-la, como era sua vontade. Não queria assustá-la. Ele soltou o peso do seu corpo por cima do corpo dela, enlaçando-a pela cintura com uma das mãos e usando a outra para acariciar seu rosto. Luna estava quente e aos poucos ele sentiu que ela correspondia ao beijo de forma instintiva. Sem movimentar muito a língua, mas o acompanhando de forma suave e de olhos fechados. Daryl sentia o peito da cigana descer e subir. Sua respiração também estava acelerada. Com a mão que ele a circundava pela cintura, Daryl percorreu todo o contorno da sua silhueta, desde a linha da axila até a lateral de suas coxas. Ele não tocara em nada especificamente. Nem seios, nem bunda, nem nenhuma outra parte mais íntima. Era apenas o contorno do corpo dela e aquilo o deixou descontrolado de desejo. Ele sentiu sua ereção pressionar o corpo de Luna. Desceu a boca para seu pescoço, roçando a barba por fazer no seu ombro, respirando quente na sua orelha.



Então, aconteceu o impensável: Luna gemeu... Era um gemido entre dor e prazer e Daryl saiu de cima dela num pulo, se jogando na grama ao seu lado, arfando e tentando conter a dor do tesão contido no meio da suas pernas. Levar um chute nas bolas teria sido menos dolorido que interromper o que estava tendo com Luna. Mas, quando ela gemeu, ele sacou rapidamente que ou fazia aquilo naquele instante ou não conseguiria mais parar. E Daryl havia prometido não machucar Luna de forma alguma e respeitar suas crenças. Então, era preciso. Aquela era porra da mulher da vida dele. E não havia nada que ele queria mais do que ter certeza de que iriam acabar juntos. Sem Carol, sem o puto do Yago, sem Merle, sem Santa Sara... Caramba, aquilo ia ser difícil.



– Daryl? – ela chamou baixinho.



– Sim?



– Acho que estou tendo um enfarto... Meu peito dói demais... – choramingou, tentando puxar ar.



– Não. Você não está tendo um enfarto. – ele tateou até achar a sua mão e a segurou e a levou até o peito dele.



– Então que dor insuportável é essa que estou sentindo?



Daryl pensou um instante... Em como a dor que ela descrevia lhe era familiar e o quanto ele demorou para descobrir...



– Você está sentindo isso não porque está enfartando, mas porque está apaixonada. Espero que seja por mim, cigana. Porque eu estou louco por você, Luna.