Forasteira
21 Destino
Notas iniciais
beijos da Amora
Yago estava na cela de Hershel recebendo cuidados médicos.
Daryl estava sentado no último degrau da escada que dava para o andar superior da ala de celas que eles ocupavam. Ainda não podia acreditar no que tinha acabado de acontecer. Aquele filho da mãe estava ali e com certeza ia fazer de tudo para transformar a vida dele e de Luna num verdadeiro inferno.
Luna saiu da cela onde Yago agora urrava de dor, enquanto Hershel o costurava também. Daryl respirou aliviado. Luna não estava ali servindo como apoio para aquele cigano nojento. Ela caminhou em sua direção...
– Obrigada!
– Pelo o quê?
– Por tê-lo aceito.
– Nunca vou aceitar esse cretino. – Daryl se levantou, pegou a besta e saiu. Luna o seguiu até a parte externa da prisão. A noite estava estrelada e um pouco fria.
– Daryl, eu sei que ele é um... babaca, como você diz...
– Se sabe, porque ficou agarrada naquela grade, colada nele? – ele estava morto de ciúmes e se detestava por isso.
– Eu não acreditava que ele pudesse estar vivo...
– Eu fiquei aliviada dele estar bem... Eu ainda carrego muita culpa por tê-los deixado lá, para morrer...
– Você não deixou eles lá para morrer. Não tinha nada que você pudesse fazer. Estava ferida! – Daryl disse nervoso de aproximando mais do que deveria de Luna.
– Eu sei! Não precisa falar desse jeito comigo! – ela levantou o olhar para encará-lo.
Daryl ficou ali, olhando-a e o peito dele subia e descia rapidamente, numa respiração nervosa.
– No que você está pensando? – Luna questionou.
– Estou me controlando para não beijar você. Droga! – ele se virou e continuou andando.
Luna ficou parada porque quase respondeu “Então, me beije logo”.
– Eu prometo que ele não vai incomodar você.
– Não. Ele vai se atirar em você. E eu vou ficar muito puto.
– Daryl?
– O quê?
– Posso ver sua mão?
– Por quê?
– Por favor... A esquerda.
Daryl estendeu a mão para Luna que a virou de palma para cima. Ela fez passeou seus dedos por ela, arrancando um suspiro de Daryl. Ele estava assim tão carente a ponto de sentir tesão até com um toque singelo desses? Luna ficou olhando suas mãos largas de dedos curtos, mas fortes. Parecia hipnotizada pelo o que via. Daryl demorou alguns minutos para entender que ela estava lendo sua mão. E, por algum motivo estranho, aquilo o fez se sentir nu diante dela.
– A sua linha da vida é atravessada por várias outras linhas. Significa rupturas drásticas.
Ele ficou ali parado, olhando para a cigana.
– Você é alguém com coração maior do que gosta que enxerguem. Seus sentimentos são puros e verdadeiros. Você raramente mente para alguém.
– Recebeu muito menos atenção do que gostaria da sua família.
– Sua fé está abalada. Você não acredita mais! Mas é um protegido. Seus passos são iluminados. Tem alguém olhando por você muito de perto, lá de cima. – Luna sibilava apontando para o céu.
– Lembra quando me disse que não estava nos seus planos ser pai? É bom você rever mesmo esta decisão. Eu vejo que duas crianças foram reservadas para você pelo destino. – Luna não conseguia conter a emoção. Imagina os filhos de Daryl? Que lindas criaturas seriam? – Você seria o melhor pai. O melhor de todos.
– E por fim. A linha do coração... – Luna olhou e viu claramente – Você tem dois grandes amores na sua vida. Terá de optar por um deles... – fechou a palma da mão dele e o soltou. Virou-se de costas e começou a caminhar mais confusa do que antes. Aquilo deveria ajudá-la a eliminar algumas dúvidas, mas só serviu para reforça-las. Daryl tinha dois amores no seu destino. A palma da mão dele não mentia. Ela e Carol, provavelmente. Se o envolvimento dele com Carol era tão profundo para estar marcado no seu destino, isso significava que sua “rival” tinha reais chances de conquistar Daryl em definitivo.
– Forasteira? – Luna não parou de caminhar. Também não respondeu. Precisava pensar um pouco.
– Ei, estou falando com você! – ela apertou o passo. Queria chegar logo à prisão, onde estaria protegida pela presença de todos os outros. De repente, sentiu um tranco e caiu no chão. Daryl despencou por cima dela, de forma desajeitada.
– O que foi, Daryl?
– Eu estou tentando falar com você. Porque não me atende?
– Porque não sou sua propriedade, apesar de ter salvo a minha vida tantas vezes.
– Ele mal chegou e você já está estranha...
– Não tem nada a ver com o Yago, se é isso que você está pensando.
– Ah, não tem? Então, tem a ver com o quê?
– Esquece isso. Estou precisando aquietar meu coração. Preciso de um tempo, por favor!
– Aquietar seu coração? Então não pode negar que ele mexeu com você!
– Não! Pare de inventar não tem nada a ver! Já disse. Você é um teimoso. – Luna tentou levantar. Daryl a impediu.
– Você é louca. E está me deixando maluco também, sabia? Hoje, mais cedo, eu estava lá dentro com você falando coisas que eu não teria dito para ninguém, nem no meu pior pesadelo. Porra e agora você vem aqui, me fala meia dúzia de coisas, muda completamente, se vira e vai embora? Eu não entendo! O que você quer? Porque não escolhe um jeito de agir comigo e segue nele para sempre, para eu poder ter uma chance de não me ferrar na sua mão uma única vez? – Daryl estava até sem fôlego.
Luna ficou desarmada por completo, olhando aqueles olhos azuis lindos tão perto dos seus agora...
– Daryl, você ouviu o que eu disse? Você tem dois amores predestinados a você. E terá de escolher. Terá de optar. Você tem uma escolha. Eu queria tanto ter uma escolha... Não tive essa sorte. Você a tem! Fique com a Carol. Ela pode dar à você coisas que estão no seu destino e que eu não posso atender, caçador! – seu tom era de súplica.
Daryl tomou ar. Precisava de fôlego antes de falar o que ia dizer.
– Acho que você não entendeu... Está ai tentando me dar um conselho burro!
– Burro? Estou tentando te ajudar...
– Cigana, caso não tenha percebido, eu já fiz esta escolha!
Daryl mergulhou num beijo profundo. E desta vez não precisou lutar contra os lábios de Luna. Sua língua invadiu a boca dela rapidamente. Ele precisou se conter para não devorá-la, como era sua vontade. Não queria assustá-la. Ele soltou o peso do seu corpo por cima do corpo dela, enlaçando-a pela cintura com uma das mãos e usando a outra para acariciar seu rosto. Luna estava quente e aos poucos ele sentiu que ela correspondia ao beijo de forma instintiva. Sem movimentar muito a língua, mas o acompanhando de forma suave e de olhos fechados. Daryl sentia o peito da cigana descer e subir. Sua respiração também estava acelerada. Com a mão que ele a circundava pela cintura, Daryl percorreu todo o contorno da sua silhueta, desde a linha da axila até a lateral de suas coxas. Ele não tocara em nada especificamente. Nem seios, nem bunda, nem nenhuma outra parte mais íntima. Era apenas o contorno do corpo dela e aquilo o deixou descontrolado de desejo. Ele sentiu sua ereção pressionar o corpo de Luna. Desceu a boca para seu pescoço, roçando a barba por fazer no seu ombro, respirando quente na sua orelha.
Então, aconteceu o impensável: Luna gemeu... Era um gemido entre dor e prazer e Daryl saiu de cima dela num pulo, se jogando na grama ao seu lado, arfando e tentando conter a dor do tesão contido no meio da suas pernas. Levar um chute nas bolas teria sido menos dolorido que interromper o que estava tendo com Luna. Mas, quando ela gemeu, ele sacou rapidamente que ou fazia aquilo naquele instante ou não conseguiria mais parar. E Daryl havia prometido não machucar Luna de forma alguma e respeitar suas crenças. Então, era preciso. Aquela era porra da mulher da vida dele. E não havia nada que ele queria mais do que ter certeza de que iriam acabar juntos. Sem Carol, sem o puto do Yago, sem Merle, sem Santa Sara... Caramba, aquilo ia ser difícil.
– Daryl? – ela chamou baixinho.
– Sim?
– Acho que estou tendo um enfarto... Meu peito dói demais... – choramingou, tentando puxar ar.
– Não. Você não está tendo um enfarto. – ele tateou até achar a sua mão e a segurou e a levou até o peito dele.
– Então que dor insuportável é essa que estou sentindo?
Daryl pensou um instante... Em como a dor que ela descrevia lhe era familiar e o quanto ele demorou para descobrir...
– Você está sentindo isso não porque está enfartando, mas porque está apaixonada. Espero que seja por mim, cigana. Porque eu estou louco por você, Luna.
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