Notas iniciais
Fic postada também no AnimeSpirit, espero que gostem.
Boa Leitura.

Eu estava ajoelhada com minhas asas brancas cobrindo meu rosto. Havia sido mandada para a terra á milênios atrás, era bom ficar aqui, quando as coisas não eram tão ruins como hoje. Eu tenho exatos mil e um anos, mas aqui na terra não passo de uma garota de 18 anos. A cascata de cabelos louros caia sobre meus ombros em leves ondas. Podia sentir o inchaço que havia em meus olhos, eu acabara de levar um soco direto nos olhos por Fred; um humano no qual sabia meu segredo, sabe que sou anjo e mais ninguém e se contar a alguém é capaz de me matarem então ele faz eu fazer tudo o que ele quer, e dessa vez não foi diferente, mas eu estou cansada! Não quero mais viver obedecendo alguem tão sujo e doente ignorante igual ele, se ele quiser sair por ai espalhando eu não me importo, realmente não. Mas estava decidida a não obedecer mais esse ser desprezível.

Seus olhos mostravam sua fúria e ódio, me levantei suavemente, e me virei de costas para ele.

— Onde você pensa que vai Katherine? — sua voz grave soava mais grave ainda agora, demonstrando sua fúria.

— Embora. — minha voz soava firme, e para mim isso era bom.

Virei para ver a expressão em seu rosto; queixo trincado, punhos cerrados.

— Seu segredinho...

— Pode contar, eu não ligo só não se esqueça que se contar, algo terrível pode acontecer com você.

Seus olhos se arregalaram.

— Está me ameaçando?

— Não, só avisando.

Então me virei novamente, e andei até chegar á porta onde escondi minhas asas e sai. Agora eu estava sozinha no mundo, sem lugar para morar, mas é melhor do que ficar com ele me agredindo todas as noites. Já perdi a conta de quantas vezes apareci na escola cheia de hematomas e olho roxo, o quanto de vezes a diretora veio até mim preocupada com meu estado. Sempre dizia que estava tudo bem, e saia de sua sala sem lhe dizer mais nada. Meus pés se chocavam contra o chão irregular da rua, qualquer deslize e me cortaria.

Meu vestido largo e preto ia até dois dedos acima de meus joelhos. Só é largo por conta dos meus 47 quilos. Eu tinha um novo recomeço pela frente, uma nova vida, algo que libertasse de tudo o que vivi no passado, algo que me mostrasse á liberdade, a paz, e a felicidade. Gostaria de ser iguais aos outros, assim não teria de esconder as asas, ou todos poderiam ser iguais a mim, então poderia voar tranquilamente por toda a cidade sem me importar com nada. O ruim do bairro em que morava, é que ele é pertubadoramente vazio, as ruas são vazias você nunca vê alguem andando por elas, como se fosse algo fantasma. O pior era quando as luzes piscavam sem parar e tudo ficava escuro, algo aterrorizante.

Acelerei meus passos a fim de sair da li logo, cheguei á parte central de Londres. As pessoas passavam e me lançavam olhares reprovadores e de nojo, obviamente pensando que eu seja algum tipo de prostituta. Mas não sou, peguei um pouco de dinheiro guardado em meu sutiã e fui até uma lanchonete para comer algo. As mesas de lá são redondas e cada uma tem duas cadeiras largas, o balcão é branco e coberto por bolinhas pretas, a decoração era bem retro. Havia somente três clientes ali dentro, e assim que entrei senti a atenção ser voltada a mim. Caminhei até uma mesa próxima de mim, de cabeça baixa, uma garçonete veio até mim.

— O que vai querer? — sua voz é suave, mas demonstra ignorância.

— Um cappuccino e algumas rosquinhas.

Ela anotou e saiu rebolando. As pessoas daquele lugar ainda me olhavam, dava razão a eles, estava com um vestido que parecia de ponto apesar de largo, descalça e conseqüentemente suja. Meus cabelos estavam limpos pelo menos, mas meus olhos estavam marcados pelo roxo. É azul, um azul que ninguém na face da terra já viu ou já teve coisa que faz muitos que já olharam pensarem que é lente. Mas não é.

O sino da porta da lanchonete soou, e senti um vulto perto de mim; olhos verdes e psicóticos me encaravam com ódio, as mãos em meu pescoço erguendo meu corpo até meus pés ficarem próximos de sua cintura. Meus olhos estavam saltados de pânico, e eu sentia cada vez mais o aperto em meu pescoço.

— Achou mesmo que eu ia deixar você ir assim tão fácil? Em sua vadia! — Fred gritava e cuspia em meu rosto apertando cada vez mais meu pescoço.

Eu não estava mais conseguido respirar, não conseguia falar. Senti meu corpo e nervos relaxar, e barulho de socos, percebi que não estava sendo enforcada mais, algo havia me liberto daquelas mãos. Olhei para o chão, e ali estava Fred, apanhando. Eu não queria ficar ali, não poderia mais ficar ali, larguei o dinheiro em cima da mesa do meu pedido que nem começou a ser feito e sai correndo porta a fora.

Notas finais
Fic postada também no AnimeSpirit, espero que gostem.
Boa Leitura
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.