Notas iniciais
Eu prometo, eu cumpro. E eu prometo que não vou parar até ter um final ♥ BOA LEITURA

A chuva fraca batia contra a janela do quarto.

Eu acordei assustada com o choro da minha filha rasgando o silêncio do quarto.

Por um segundo, fiquei parada, tentando entender onde estava, mas o chorinho manhoso aumentou, e meu corpo reagiu automaticamente antes mesmo da minha mente despertar por completo.

Outra madrugada.

Outra noite sem dormir.

Outra noite sozinha.

Meu corpo inteiro doía.

Eu nem sabia mais quando tinha dormido pela última vez sem acordar assustada, cansada ou chorando junto com a minha filha.

Suspirei pesadamente ao me levantar da cama, sentindo minhas costas doerem imediatamente. Eu devia estar com uma aparência horrível — cabelo bagunçado, olhos inchados, olheiras profundas —, mas já não tinha energia para me importar com isso. Caminhei até o berço e a peguei nos braços com cuidado.

— Já vai, meu amor… — murmurei rouca, pegando minha filha no colo.

Ela chorava inquieta contra meu peito, o rostinho vermelho e as mãozinhas fechadas enquanto se remexia, desconfortável. Verifiquei a fralda, toquei sua testa e tentei fazê-la arrotar, mas nada parecia funcionar. A cólica provavelmente tinha voltado.

Fechei os olhos por um instante enquanto a embalava devagar.

— Shh… shh… mamãe tá aqui…

Mas o choro continuou, insistente, e senti um nó se formar na minha garganta. Eu amava minha filha mais do que qualquer coisa naquele mundo, porém existiam noites em que o cansaço me consumia de um jeito cruel. Noites em que eu me sentia tão exausta que mal conseguia respirar sem vontade de chorar junto com ela.

A porta do quarto se abriu devagar, e eu nem precisei olhar para saber que era Edward. Havia coisas que o tempo não apagava, e reconhecer a presença dele era uma delas.

— O que aconteceu? — a voz rouca dele preencheu o quarto.

Ignorei a pergunta enquanto continuava tentando acalmar minha filha.

— Nada que eu já não esteja acostumada.

O silêncio que veio depois foi pesado. Eu sabia que tinha sido cruel, mas também sabia que era verdade. Passei a gravidez praticamente inteira sozinha, chorei inúmeras noites sem ter ninguém ao meu lado e aprendi a cuidar da nossa filha sem ajuda. Então, sim, eu estava acostumada.

O choro da bebê aumentou, e eu fechei os olhos rapidamente, tentando controlar o desespero que começava a crescer dentro de mim. Edward observou em silêncio por alguns segundos antes de se aproximar.

— Bella… — Edward chamou baixo. — Me dá ela um pouco.

Meu corpo inteiro ficou tenso imediatamente. Finalmente levantei os olhos para ele.

— Não precisa.

— Você mal consegue ficar em pé.

— Eu consigo cuidar da minha filha.

O destaque involuntário no “minha” não passou despercebido por nenhum de nós. Vi a dor atravessar os olhos dele por um segundo. Mas Edward não recuou.

— Eu sei que consegue — respondeu baixo. — Nunca duvidei disso.

Aquilo me atingiu de um jeito que eu não esperava, porque, durante muito tempo, eu tive certeza de que ele duvidava. De mim, da gravidez, da nossa filha… de tudo.

Nossa bebê chorou mais forte, e senti meus braços fraquejarem de cansaço. Edward estendeu os braços devagar, sem insistir, sem tentar me pressionar. Apenas esperou.

Meu instinto gritava para não entregar. Para continuar no controle. Para não depender dele outra vez. Mas eu estava cansada demais para lutar comigo mesma.

Com cuidado, coloquei nossa filha em seus braços.

Edward ficou claramente tenso no mesmo instante, como se tivesse medo de segurá-la errado. Ele a ajeitou desajeitadamente contra o peito e começou a andar devagar pelo quarto.

— Ei… ei, pequenininha… — murmurou baixinho. — Você precisa colaborar comigo, porque eu claramente não sei o que estou fazendo aqui.

Apesar do meu estado, quase sorri ao ouvir aquilo.

Quase.

Então, para minha surpresa, o choro dela começou a diminuir aos poucos.

Edward franziu a testa, olhando para a bebê como se estivesse genuinamente impressionado.

— Ah, então era isso? Você só queria me humilhar?

Revirei os olhos, cansada.

A voz dele saiu tão naturalmente leve que alguma coisa estranha apertou meu peito.

Ele continuou andando devagar pelo quarto enquanto a balançava com cuidado.

— Você herdou o drama da sua mãe, não foi?

— Edward! — repreendi.

— O quê? É verdade. Ela puxou você em quase tudo, porque, na aparência, ela é minha cópia. — Ele completou, orgulhoso, e, dessa vez, eu realmente precisei esconder o impulso de sorrir.

Lancei um olhar cansado para ele. E odiei perceber que quase sorri.

Quase.

Fiquei observando em silêncio enquanto ele caminhava pelo quarto com nossa filha nos braços. Havia algo estranho naquela cena, algo que mexia comigo de um jeito desconfortável. Talvez porque, pela primeira vez em muito tempo, aquilo parecesse… natural. Como se fosse exatamente assim que as coisas deveriam ter sido desde o começo.

Edward não deveria estar ali. Hoje era uma sexta-feira à noite, e ele provavelmente deveria ter planos melhores. Contudo, decidiu abandonar tudo o que tinha quando liguei para avisar que Nessie estava com febre. Afinal, qualquer coisa que acontecesse com Nessie deveríamos comunicar um ao outro; esse era o nosso combinado. E agora estávamos ali, na madrugada de uma sexta-feira à noite, com uma criança que ainda estávamos aprendendo a conhecer… Não era fácil. Nunca foi fácil.

— Ela acorda assim sempre? — ele perguntou baixo depois de alguns minutos.

Passei a mão pelo rosto cansado antes de responder:

— Quando algo incomoda… sim.

Ele assentiu devagar, observando a bebê aninhada contra seu peito.

— Mas eu aprendi sozinha — acrescentei antes que pudesse impedir minhas próprias palavras.

A frase pairou no ar entre nós.

Vi seus ombros endurecerem discretamente e, por um momento, Edward apenas ficou em silêncio, como se não existisse defesa possível contra aquilo.

Porque não existia.

Ele sabia exatamente do que eu estava falando. Das noites em que chorei durante a gravidez, do medo, da solidão, da sensação de abandono que carreguei por meses.

— Eu sei — murmurou por fim, com a voz rouca.

Sentei-me na ponta da cama enquanto observava Edward continuar andando lentamente pelo quarto. A chuva caía fraca do lado de fora, e a luz baixa deixava tudo silencioso e íntimo demais.

Sem perceber, meus olhos começaram a pesar.

Quando acordei novamente, levei alguns segundos para entender onde estava. O quartinho de Nessie permanecia silencioso e escuro, e meu coração disparou no mesmo instante em que meus olhos foram para o berço ao lado da cama.

Levantei-me rápido da cama, procurando desesperadamente pela minha filha no berço ao lado, até meus olhos encontrarem os dois perto da janela.

Edward estava dormindo na poltrona, com a cabeça caída para o lado em uma posição desconfortável. Nossa filha dormia tranquila sobre seu peito, agarrada à camisa cinza amassada que ele usava.

Meu peito apertou de um jeito estranho.

Porque aquela cena parecia uma família.

Aproximei-me devagar, tentando pegar minha filha sem acordá-la, mas, no instante em que a afastei do peito dele, ela resmungou baixinho e apertou a camisa de Edward na mãozinha gorducha, mesmo dormindo.

Fiquei imóvel.

Edward despertou lentamente, ainda confuso pelo sono. Os olhos verdes encontraram os meus antes de descerem para a pequena mão agarrada em sua camisa.

Um sorriso cansado surgiu em seus lábios.

— Acho que ela gosta de mim.

Meu coração apertou com força.

Porque esse nunca tinha sido o problema.

O problema era perceber que, aos poucos, eu também estava começando a baixar a guarda outra vez.

Desviei o olhar rapidamente antes que ele percebesse qualquer coisa em meu rosto. Peguei minha filha com cuidado e caminhei em direção ao berço, mas, antes de soltar Nessie, olhei para trás.

Edward continuava sentado na poltrona, observando nós duas em silêncio.

E, pela primeira vez em muito tempo, eu não enxerguei o homem que destruiu minha vida.

Eu enxerguei o homem por quem me apaixonei.

Edward se levantou devagar e caminhou em silêncio até a cama. Antes de sair do quarto, inclinou-se para depositar um beijo carinhoso na testa da nossa filha, que já dormia tranquila em meus braços. Depois, seus olhos encontraram os meus, e ele se aproximou lentamente.

Por um breve instante, pensei em recuar.

Era automático. Instintivo.

Mas, antes que eu pudesse dar um passo para trás, Edward apenas inclinou o rosto e deixou um beijo suave na minha testa. O toque foi rápido, delicado e inesperadamente familiar.

Então ele se afastou sem dizer nada e saiu do quarto com calma, fechando a porta devagar atrás de si para não acordar nossa filha.

Depois de observar Nessie dormir por mais alguns instantes, voltei para a cama devagar e me deitei novamente. Fechei os olhos, tentando ignorar a confusão dentro de mim enquanto ainda absorvia tudo o que havia acontecido naquela noite agitada.

A claridade suave da manhã atravessava as frestas da cortina quando abri os olhos lentamente. Por alguns segundos, fiquei encarando o teto, confusa demais para entender por que meu corpo parecia menos pesado naquela manhã.

Então me lembrei.

A madrugada.

O choro da bebê.

Edward.

Soltei um suspiro cansado e me sentei devagar na cama, passando a mão pelos cabelos bagunçados. O quarto estava silencioso demais, e aquilo imediatamente me colocou em alerta.

Olhei para o berço ao lado da cama.

Vazio.

Meu coração disparou.

Levantei rápido demais, sentindo uma pontada nas costas enquanto saía do quarto apressada. A primeira coisa que ouvi foi um som baixo vindo da cozinha. Louça. Água correndo.

Franzi a testa.

Quando entrei na sala, encontrei a cena mais estranha que já tinha visto desde que Edward havia voltado para nossas vidas.

Ele estava na cozinha.

Usava a mesma calça de moletom da noite anterior, o cabelo ainda bagunçado e os olhos claramente marcados pelo sono, mas tinha nossa filha presa contra o peito em um sling torto e claramente mal colocado enquanto tentava lavar mamadeiras.

Pisquei algumas vezes.

Nossa filha soltava pequenos balbucios satisfeitos e tentava segurar o nariz de Edward, completamente confortável naquela posição improvisada.

Edward ainda não tinha me visto.

Observei em silêncio enquanto ele tentava equilibrar a mamadeira ensaboada em uma mão e segurava a pequena cabeça da bebê com a outra.

Um desastre ambulante.

Mas estava tentando.

E aquilo mexeu comigo mais do que deveria.

— Isso está definitivamente errado de várias maneiras.

A voz dele me arrancou dos pensamentos.

Edward olhava desconfiado para o sling preso ao próprio corpo.

— Acho que ela vai escorregar daqui a qualquer momento.

Apesar de tudo, senti vontade de rir.

Nossa filha soltou um som animado, como se estivesse concordando com ele.

Edward finalmente percebeu minha presença e levantou os olhos na minha direção.

Por um segundo, nós dois ficamos em silêncio.

Algo estranho passou pelo rosto dele quando me viu parada ali.

Talvez surpresa.

Talvez nervosismo.

Talvez as duas coisas.

— Eu ia levar o café pra você — disse baixo.

Olhei automaticamente para a bancada.

Havia uma xícara ao lado da cafeteira.

Meu café.

Do jeito que eu gostava.

A garganta apertou de repente, e odiei o fato de aquele pequeno detalhe me atingir tanto.

Porque Edward lembrava.

Mesmo depois de tudo.

Desviei os olhos rapidamente antes que ele percebesse qualquer reação no meu rosto.

— Você não precisava fazer isso.

— Eu sei.

A resposta veio simples.

Sem cobrança.

Sem expectativa.

Aquilo me desarmou um pouco.

A bebê começou a resmungar baixinho no colo dele, e Edward imediatamente olhou para baixo, preocupado.

— Ei, ei… calma… eu tô tentando aqui, pequena.

Ele começou a balançá-la devagar enquanto olhava para mim com uma expressão quase culpada.

— Acho que ela não confia muito nas minhas habilidades paternas ainda.

— Nem eu confio — respondi antes de conseguir evitar.

O silêncio caiu entre nós imediatamente.

Fechei os olhos por um segundo, arrependida.

Edward apenas assentiu devagar.

— Justo.

E aquilo foi pior.

Muito pior.

Porque, no passado, ele teria retrucado.

Teria ficado irritado.

Teria transformado aquilo em discussão.

Mas não agora.

Agora ele apenas aceitava.

Minha filha começou a choramingar um pouco mais alto, e automaticamente caminhei até eles.

— Me dá ela.

Edward hesitou por um segundo antes de entregá-la com cuidado nos meus braços.

Nossos dedos se tocaram brevemente.

Idiota.

Ridículo.

Mas suficiente para meu coração acelerar de maneira irritante.

A bebê imediatamente agarrou a gola da minha blusa enquanto se aconchegava contra meu peito.

Edward observou a cena em silêncio.

Cansado.

Quieto.

Então meus olhos desceram involuntariamente para as olheiras profundas no rosto dele.

E alguma coisa dentro de mim vacilou.

— Você não dormiu? — perguntei baixo.

Ele soltou uma risada fraca pelo nariz.

— Acho que dormi umas duas horas.

Franzi a testa.

— Por quê?

Edward deu de ombros, desviando o olhar.

— Fiquei com medo de ela acordar de novo e você precisar levantar sozinha.

Meu peito apertou tão forte que quase doeu.

Porque, durante muito tempo, eu esperei ouvir algo assim.

Esperei que ele se importasse.

Que percebesse.

Que estivesse presente.

E agora que finalmente estava…

eu não sabia mais o que fazer com isso.

Edward pegou a mamadeira limpa da pia e secou as mãos na calça antes de voltar a me olhar.

— Bella… eu sei que isso não apaga nada.

Minha respiração falhou discretamente.

— Eu sei que cheguei tarde demais pra muita coisa. Mas… — ele passou a mão cansada pelos cabelos — eu só queria tentar fazer alguma coisa certa agora.

O problema era justamente esse.

Ele estava tentando.

E eu começava a perceber que parte de mim queria deixar.

Notas finais
E então, o que acharam? Eu amo escrever partes do Edward com a Nessie, eu não resisto a esses dois.