For You I Do Everything
38 Capítulo 37
Notas iniciais
Capítulo 37
“O ódio dos fracos não é tão perigoso como a sua amizade.”
— Marquês de Vauvenargues
“Será que dessa vez você fez a coisa direito?”
“É claro que sim.”
“Eu espero mesmo que sim, sabe por quê? Porque se eu precisar mover sequer um dedinho pra cobrir alguma merda errada sua James, você pode ir tirando seu cavalinho da chuva.” – A mulher levou o cigarro que fumava até a boca e tragou o máximo de fumaça que conseguia, depois de poucos segundos a soltou levemente. – Aquele era o seu terceiro cigarro? Ou o quinto? – Bufou – Ela não fazia questão de saber.
Tudo aquilo não passava de um passa tempo tedioso para ela.
Fumar havia se tornado um hábito desde que saiu da casa dos pais, aquilo parecia acalmá-la de certa forma.
“Não esqueça que se eu me ferrar você também se ferra, querida”. – James a alertou. Um alerta que por trás havia um tom de ameaça.
Irina pensava que James era seu capacho e que comia em suas mãos, mas o que ela nem imaginava era que o loiro não era tão bobo como parecia.
Diferente do que Irina imaginava, James não confiava plenamente naquela cobra que ele mesmo talvez tivesse ajudado a criar.
Irina voltou a olhar para o “amigo” e sorriu. – Aquele não era um simples sorriso. Para quem conhecia bem a jovem, sabia que aquele era um dos seus sorrisos diabólicos, até causaria medo se o companheiro não estivesse tão acostumado com ele.
“É claro que sei disso James, somos uma dupla.” – Afirmou – “Mas pense comigo: Se ninguém nunca descobriu sobre Kate não será agora que irão, concorda?”.
“Você está se metendo em encrenca pela segunda vez e no mesmo território.” — A alertou.
“Eu sei, e isso é o que torna as coisas mais divertidas. Quero Edward em minhas mãos pela segunda vez, e dessa vez pode ter certeza que não vai falhar.”
“Como pode ter tanta certeza disso, Irina?”
“Confie em mim, é só isso que basta.” – Disse com desdém.
“Você já começou a usar a primeira peça.”
O sorriso que Irina mantinha no rosto morreu ao ouvir essas palavras e o seu olhar voltou-se para ele.
“Charlie Swan, aquele velho asqueroso!” – Disse ela apertando as mãos em modo de conter a raiva.
“Se fosse tão asqueroso não teria seduzido o velhote.” – A provocou.
“Cala sua maldita boca! Sabe muito bem o motivo que me levou a fazer isso. Eu precisava de informações e ele era a única pessoa da qual eu poderia me aproximar sem qualquer desconfiança de outras pessoas.” – Explicou.
“Sabe que há essa hora ele já deve ter procurado por Ângela e do jeito que é impulsivo já deve ter ido atrás de Isabella.”
“Eu sei. Agora me basta ter paciência até que aquela idiota o perdoe e comece a frequentar a casa do pai de novo.”
“E até lá o que você vai fazer?”
“Até lá? – Irina sorriu novamente – Bem, até lá eu manterei o meu papel de menina dócil e manterei a pose de boa moça.”- Confessou um pedaço do seu plano.
“E depois? O que você pretende com tudo isso Irina? Primeiro seduz o velho e pega informações da filha que tanto desejava e agora quer que o velho faça as pazes com a filha para que ela volte a frequentar a casa dele em Forks?” – James se levantou e ficou de frente para a loira. – “Você tem noção de quanto essa cidadezinha é longe daqui? Puta merda Irina, é muito longe. Ok, tudo bem que os Cullens são ricos e devem ter um helicóptero para que ela vá, mas...” – Irina o cortou antes que terminasse de falar.
“Engano seu imbecil, Isabella não voa e nunca irar voar. Pelo que o velho idiota disse, a ‘idiota filha’ tem alguns traumas e ela não anda nem mesmo de avião. Pelo que entendi tem algo haver com a morte da mãe ou coisa assim... Eu sei lá! O importante é que Isabella sempre foi pra casa do pai de carro e com certeza vai voltar a fazer.”
“Se ela não voa de jeito nenhum então as coisas pioram pra você, não acha?” – Perguntou desconfiado.
“James as vezes eu acho que você é o ser mais burro da face da terra.” – Irina voltou a olha-lo. “É claro que não pioram, aliás, as coisas só melhoram. Se a "Idiota filha" não pode voar, ela vai dirigindo até Forks e tenho certeza que de ônibus ela não vai.” – Explicou.
James estava fazendo um jogo desde o princípio com as perguntas.
O rapaz já sabia qual provavelmente era a ideia da moça, mas não tinha plena certeza se era aquilo que ele realmente estava pensado que ela faria...
“Você por acaso está pensando em...” – Ele novamente foi cortado pela voz enjoativa.
“Acabar com a vida da Swan e da bastardinha? Isso mesmo. E o que deu certo uma vez pode com certeza dar de novo.”
As palavras soaram frias, assim como o vento que bateu no corpo de James.
Um segundo homicídio.
Um segundo assassinato que poderia estar se envolvendo só que dessa vez, os riscos eram mais altos.
O que James se perguntava era se tudo aquilo valeria a pena no final.
Se questionava se aquele acordo que fizeram anos atrás valeria a pena ou só lhe daria dor de cabeça, se aquilo realmente valesse a pena, pq ele continuava se fazendo essa mesma pergunta repetidas vezes?
Esses eram os pensamentos que o fazia permanecer calado e pensativo, não seria só uma pessoa a morrer, seriam duas... E duas completamente inocentes, assim como a primeira.
[...]
Diferente das outras manhãs, Ângela e Isabella já se encontravam acordadas e prontas para pegarem o táxi juntas.
“Venha pequena.” – Bella disse tirando Nessie do carrinho e a mantendo-a confortavelmente em seu colo. – Bella não iria precisar daquele objeto enorme aonde vinha carregando há meses com ela ao sair com a filha.
Bella verificou uma última vez para ver se todos os documentos seus e de Nessie estavam na bolsa e depois de confirmado saíram do apartamento.
“Tem certeza que pode ir sozinha?”
“Claro que sim Ângela, é só uma consulta normal de Nessie.”
“Não se esqueça de comentar sobre aquele assunto.” – Ângela a lembrou.
Era exatamente por esse motivo que Bella estava ansiosa por aquela consulta com a pediatra da filha.
“Não esquecerei.” – Confirmou.
Ao saírem do edifício, um táxi já esperava por elas. As amigas dividiram o mesmo veículo, pois o consultório não era tão longe da empresa, essa era uma das vantagens de morar no centro da cidade, tudo era perto.
O caminho foi tranquilo e rápido, logo o veículo parava em frente ao prédio onde era o consultório.
Ângela ajudou segurando a bebê e deixando o espaço maior para que a amiga pudesse sair mais facilmente.
“Obrigada.” – Bella agradeceu quando pegou a filha da amiga.
“Qualquer coisa que precisar já sabe onde me encontrar.” – Ângela balançou o aparelho celular no ar. – “Boa consulta meu anjo. – disse a Nessie – E você mamãe, nós conversamos quando eu chegar.” – Bella assentiu concordando.
O carro se afastou deixando Bella e Nessie.
Era a hora de tirar algumas dúvidas e procurar uma ajuda para pai e filha.
[...]
“Não acredito que você esteja me pedindo isso, Jasper. Você enlouqueceu?”
Agora Jasper, Emmett e Edward estavam em sua sala para a tal reunião que o amigo havia solicitado.
“Por qual motivo vocês acham que eu estou enlouquecendo? Eu só quero ajudar a minha esposa a encontrar os pais dela.”
Edward esfregou o rosto com as mãos.
Ele não estava crendo que o amigo havia contratado um investigador para ir atrás dos pais da Alice, e pior, agora estava ali pedindo ajuda se caso ele fosse preso.
“Cara, você tem noção do que está nos pedindo?” Emmett interferiu – “Alice praticamente nos odeia, principalmente o cabelo de fogo ali.” – Apontou para Edward.
“A questão não é só a Alice, Emmett. Ela nem sabe sobre isso, na verdade estou fazendo tudo isso escondido dela.”
“Mais um motivo para ela nos odiar se caso você for ver o sol nascer quadrado e ela não saber e nós sim.” — Emmett retrucou.
Jasper olhou mais uma vez na direção de Edward
“Por favor, Edward, você sabe o quanto isso vai ser importante.”
Edward odiava ser colocado contra a parede e era exatamente isso o que Jasper estava fazendo.
Mesmo querendo, ele não conseguiria negar ao amigo sua ajuda, mesmo se caso desse errado, e convenhamos que poderia realmente dar. Alice não tinha nem um paradeiro dos pais desde que era criança, na verdade ela foi criada pelos tios que a odiavam pelo que se lembrava de ter ouvido Isabella o contando. – Se algo desse errado na investigação e o tal investigador fosse atrás da pessoa errada, o casal poderia muito bem entrar com um processo contra Jasper e ele acabar sendo punido de alguma maneira.
“Tem noção de onde você está me metendo não é, Jasper?”
“Eu garanto que será por uma boa causa, eu prometo, só não me deixa sozinho nisso.”
Edward jogou a cabeça pra trás e concordou com um aceno.
“O que? Você realmente vai entrar nessa loucura do doidão aí?”
“Emmett, Jasper é nosso amigo e amigos ajudam uns aos outros.”
“Cara isso não vai prestar.”
“Emmett, fica na sua. Deixe que Jasper e o tal investigador que ele contratou trabalharem, e se caso ele precisar, o que eu espero que não precise, aí sim nós nos metemos.”
“Lá vem o nós de novo...”.
“Quer pular fora? Achei que você fosse mais corajoso.” – Edward provocou.
Ele sabia que Emmett não resistia ser colocado na posição de fraco.
“Claro que não, eu estou dentro.”
“Ótimo.”
Jasper mesmo querendo ri da situação, achou melhor se conter, era um ponto a mais que os dois amigos teriam com ele.
[POV EDWARD]
Jasper e Emmett saíram da sala me deixando trabalhar em paz na causa de um dos clientes mais importantes da empresa, o Senhor Staubach.
Já fazia alguns minutos que procurava alguns papéis que eu mesmo deixei em uma das gavetas do armário negro, onde ficavam todos os documentos com os assuntos importantes a serem tratados.
Esse era um dos problemas de trabalhar com Tânya, ela sempre mantinha a organização, porém nessa organização, acaba trocando as coisas de lugar e faz com que tudo desapareça. – Aquilo me irritava.
Continuei a procurar em todos os cantos possíveis da sala e não obtive sucesso.
Depois de desistir da tentativa frustrante de achar sozinho o documento, caminhei até o telefone para tentar solicitar a presença da minha “querida” secretária. – Tentativa fracassada. O telefone tocava e nada de ser atendido.
“É Edward, hoje é o seu dia de sorte.” — Revirei os olhos sem paciência.
Apesar de o dia ter começado sem problemas, os mesmos começaram a aparecer horas depois. O bom humor já havia desaparecido e agora eu tinha voltado a ser a merda do mal humorado de sempre, como se não bastasse todo caos, ainda havia a preocupação de onde Jasper estava se metendo e também Isabella.
o jeito que eu já conhecia, podia ter a certeza que ela estaria pensando que eu estou fugindo da responsabilidade de pai e a deixando sozinha novamente. – Teria que me virar, mas não podia mais ficar tantos dias assim longe da minha filha.
“Se Maomé não vai até a montanha, a montanha vai até o Maomé” E querendo ou não, Isabella teria que aprender a conviver comigo e não me afastar de Nessie.
Saí dos devaneios voltando a me concentrar no trabalho.
Tentei outra vez me comunicar com Tânya pelo telefone e outra vez não consegui. – Eu teria que ir atrás da irresponsável.
“É isso que dá ser simpático com os funcionários, você da a mão e eles já querem o braço.” – murmurei.
Abri a porta da sala preparado para soltar uma bronca, mas percebi que não havia ninguém ali.
Eu poderia esperar até que ela voltasse, mas não tinha todo aquele tempo.
A revisão dos documentos seria rápida e por isso acabei deixando para última hora. Somente teria que verificar se todas as cláusulas estavam corretas e passar a informação e o documento para a empresa do Senhor Staubach de volta. O pobre homem tinha até a meia noite daquele dia para fechar o maior negócio da sua vida com os chineses e por isso acabou colocando a responsabilidade dos documentos em minhas mãos... Pobre homem. – Tânya estaria perdida se tivesse desaparecido com essa pasta.
Apressado e sem muita paciência, acabei indo atrás dela na cafeteria do escritório, ou melhor, a sala de descanso, lá era o local onde os funcionários ficavam enfurnados quando não havia nada para fazer, era bem provável que ela estivesse por lá.
Caminhei até a sala tentando conter a minha fúria e a preocupação que tomava conta de mim. Mas antes que me aproximasse, já pude vê-la saindo do local... E para minha surpresa ela não estava sozinha.
“Posso saber o que você está fazendo aqui?” – Perguntei com a voz já um pouco alterada.
O que era mau humor passou a ser fúria, ódio.
“Edward eu posso explicar. Eu só...” – Tânya tentou se pronunciar e eu a cortei antes.
“Não fiz essa pergunta pra você Tânya e sim para o infeliz traidor ao seu lado. O que veio fazer aqui?”
Tânya permaneceu calada nos olhando, ela sabia que o assunto no momento não era com ela e sim com o infeliz que estava ao seu lado me encarando como se tivesse sido pego de surpresa.
“Perdeu a memória Edward?”
O infeliz respondeu sorrindo sarcástico.
“Acalme-se Edward.”
“Fica fora disso Tânya. O que veio fazer aqui, Paul?” – Perguntei mais contido dessa vez.
“Ei, calma. Que isso? É assim que você trata seus velhos amigos? Cadê a educação que Esme e Carlisle te deram? Garanto que eles não gastaram uma fortuna com sua faculdade a toa, não é verdade?” – Provocou.
“Paul, para com isso agora!” – Tânya se intrometeu.
Eu juro que estava tentando me conter para que nada desse errado enquanto Carlisle e Esme viajam. Seria terrível eles chegarem e já receberem a notícia que o filho havia arrumado confusão dentro da empresa. — Eu não daria aquele gostinho a Paul, não mesmo, se ele queria confusão que me procurasse fora da empresa. – Pensei rápido.
“Cai fora daqui.” – Exigi.
“Não precisa me expulsar senhor mandão.” – Paul se voltou para Tânya e a cumprimentou. Eles ainda se mantinham sendo amigos depois que me afastei, era nítido. – “Vou indo nessa Tânya, espero te ver em breve. E não se esqueça do convite que a senhora Cullen pediu para entregar para um cara chato do caralho aí.” – Disse a ultima parte um pouco mais alta.
Provavelmente para que eu pudesse escutar o motivo que o levou a estar alí.
“Tudo bem Paul, agora vá.” – Tânya lhe lançou um sorriso nervoso e Paul se afastou.
Pude soltar a respiração que nem mesmo havia percebido que prendia quando vi que o elevador já estava parado no andar. Mas antes que Paul entrasse e fechasse a porta do elevador ele voltou a se virar e resolveu soltar o último veneno que lhe restava, aquele veneno que mais me atingia.
“Antes que me esqueça: parabéns pela filha linda que teve com Isabella. E aliás, você perdeu um grande pacote.”
“Cale essa maldita boca antes que eu perca o pouco de juízo que me resta e parta sua cara em duas.” – Tentei avançar, mas Tânya me conteve segurando-me pelo terno.
“Não vale a pena, Edward. Paul dá o fora daqui, anda logo.”
O infeliz ainda riu e em seguida pude ver as portas se fechando atrás de si.
“Porra! Pra que você foi se meter Tânya?”
“Deveria me agradecer por ter te impedido de cometer uma loucura, isso sim. Já imaginou o que Carlisle pensaria se soubesse que você andou brigando aqui dentro? Queria dar esse gostinho para seu pai?”
“Eu sei, mas ele estava provocando e você viu isso.”
“Você o conhece muito bem para saber que ele faz isso quando lhe dão a oportunidade, você querendo ou não deu esse prazer pra ele.”
Assenti. – Tânya tinha razão, eu acabei dando a oportunidade perfeita para a provocação.
“O que ele veio fazer aqui? Que convite era aquele que ele disse?”
“Venha, vou lhe explicar.” – Tânya me puxou para voltarmos para a área da gerência.
Enquanto seguíamos de volta para a área das salas, Tânya me explicava que Paul havia recebido uma mensagem de Esme para que viesse pessoalmente entregar o convite da festa que ela havia planejado para sua empresa de publicidade.
A revista da qual a empresa fazia parte, completaria 10 anos e como tradição faria a grande e habitual festa para comemorar. Como Esme estava viajando com Carlisle, ela solicitou que Paul, o seu fotógrafo genial, trouxesse até a empresa o tal convite da festa para os funcionários.
Tânya ainda tentou se desculpar por ter o mantido alí por mais tempo que o necessário e também por ter abandonado seu posto para lhe atender, mas eu compreendia. Paul antes da nossa grande discussão, também era um grande amigo, mas depois do acontecido na minha casa e nossa discussão, a última coisa que eu queria era voltar a vê-lo de novo.
Tânya entregou-me os papéis que havia “escondido” e saiu da sala me deixando novamente sozinho.
Pelo visto eu não sou muito bom em conseguir amizades. – Pensei comigo mesmo.
Ver Paul me trouxe grandes lembranças do passado do qual eu gostaria de esquecer. Noites de farra, bebida, mulheres e até mesmo brigas com Isabella. Também me lembrava da conversa que tivemos na cozinha da mansão onde eu praticamente lhe dei carta branca para “cair matando” pra cima de Isabella. – Lembrar aquilo faz com que me sinta enjoado. – Praticamente estava oferecendo minha esposa e minha filha para o meu “melhor amigo”, e ouvi-lo tocando no nome de Bella daquela maneira meu juízo foi por água abaixo, se não fosse por Tânya, talvez estivessem os dois jogados naquele hall entre socos e xingamentos.
A quem eu queria enganar? Talvez a mim mesmo? Era evidente que aquilo que eu estava sentido era ciúmes. – Nunca pensei sentir isso, mas agora eu estava provando talvez o próprio veneno que fiz minha esposa provar.
[Pov Bela]
Isabella aguardava enquanto a assistente da doutora não a chamava para serem atendidas. Para sua sorte, aquele dia Nessie estava mais quietinha, coisa que normalmente ela não era, com certeza seria o sono, ainda era muito cedo, de certa maneira aquilo era muito bom, pois todas as vezes que Nessie se desesperava em seus braços, Bella acabava se desesperado também.
Bella nunca havia imaginado que ser mãe pudesse ser tão complicado, mas ao mesmo tempo tão prazeroso. – Seu telefone começa a tocar e isso fez com que Bella fizesse uma manobra até conseguir segurar Nessie com um dos braços enquanto o outro se ocupava em buscar o aparelho celular na bolsa de bebê ao seu lado.
“Alô?”
“Isabella?” – Assim que reconheceu a voz do outro lado da linha, seu coração saltou e os batimentos começaram a ser mais fortes.
“Jasper? Que surpresa! Aconteceu alguma coisa com a Alice?” – O espanto e o medo na voz já estavam presentes.
“Não! Fique tranquila, Alice está ótima, na verdade pronta pra ter um ataque de tanta felicidade por ter festas para organizar.” – Jasper explicou e o ar que estava preso em seus pulmões foi solto – “Desculpa te ligar dessa maneira, sei o quanto deve estar surpresa, mas gostaria de falar com você, é um assunto importante.”.
Surpresa, essa era a definição do que sentia no momento.
“Tudo bem Jasper. – concordou – No momento estou na clínica com Nessie e não posso te encontrar, mas se quiser pode passar lá em casa mais tarde.”
“Aconteceu alguma coisa com a ela? Renesmee está bem?” – O tom da voz que era sereno do outro lado do telefone agora parecia em alerta.
“Não, é somente uma consulta de rotina e nada demais.” – Explicou tentando o tranquilizar.
“Tudo bem. Posso passar em sua casa depois do expediente? A conversa não vai ser longa, prometo.”
“Sem problemas. – concordou – Alice vai estar com você?”
“Não, eu vou sozinho.”
Bella estranhou aquilo, mas concordou e se despediram.
Assim que o telefonema foi desligado o seu nome e o de Nessie foram chamados pela assistente.
“Obrigada.” – Bella agradeceu a jovem por ajudá-la enquanto adentrava no consultório.
“Isabella, que bom revê-la! Oi pequena linda da tia! – A doutora as cumprimentou – Sente-se Bella, vamos ver quais as boas que essa mocinha nos trás”.
Bella fez exatamente o que a doutora havia dito.
Depois de se sentar e posicionar a filha de maneira com que a pequena ficasse sentadinha em seu colo e de frente para a médica, as perguntas, que eram as mesmas, começaram.
Ela até já havia começado a gravar alguma delas, a doutora pegou Nessie de seu colo e a levou para medir, pesar e observar se estava tudo bem em seu corpinho.
No inicio, antes de conhecer e se acostumar com toda aquela observação, Bella ficava constrangida por ter a filha sendo tão observada, agora ela até ria internamente por pensar que aquela verificação toda era somente para certificar que a filha estava inteira e não por achá-la uma doida que não sabia cuidar da própria filha.
Para não atrapalhar a consulta ela preferia ficar de longe olhando tudo, cada processo, por um momento chegou a pensar que talvez, se tivesse continuado a estudar, quem sabe ela não tivesse escolhido a pediatria como seu futuro. – sorriu com os pensamentos de poder cuidar de crianças, mas talvez não fosse tão bom assim. Ter experiência com era uma coisa, já que Nessie era calma com todos... Bem, quase todos, se não fosse estranho ela acharia graça pelo fato da filha estranhar ao pai.
“Pelo que vejo essa mocinha está muito bem Isabella, tudo no lugar.” – A doutora a tirou dos devaneios devolvendo Nessie para que pudesse voltar a vestí-la. Aquela era a parte chata da consulta, ela odiava ter que desmontar todo o trabalho que teve mais cedo de arrumar sua bonequinha e agora ter que montá-la de novo. – Isabella sorriu e beijou as bochechas rodadas de Nessie ao terminar o trabalho.
A doutora anotava alguma coisa no sistema e Bella imaginou ser o relatório completo da filha. Assim que voltou a sua posição anterior, o assunto que tanto queria que viesse a tona estava prestes a começar...
“E então, quer acrescentar ou perguntar qualquer coisa?” – A médica a olhou e ela suspirou.
Com um leve aceno de cabeça e a encarando fixamente Bella concordou.
“Sim, tenho algumas perguntas a fazer.”
[...]
Pov Narrador
“Jasper, o que aconteceu com Renesmee?”
Mal havia desligado o telefone e Edward apareceu entrando como um furacão pela sala do amigo.
“Edward? Eu nem sabia que estava aí...”.
“Renesmee? Eu ouvi você dizer que ela está no hospital...” – Edward estava a ponto de avançar sobre Jasper para conseguir uma resposta antes que ele enfartasse.
“Calma Edward, Nessie está bem. Bella precisou levá-la ao exame de rotina, que se você não sabe, bebês precisam de acompanhamento.” – Tentou explicar.
Edward soltou os ombros que estavam tensos e fechou os olhos. Por um momento sentiu que enfartaria ali mesmo, sem ao menos poder segurar a filha decentemente, ele se sentiu um idiota, mas era horrível pensar que algo podia ter acontecido e Bella não ter o avisado.
“Tudo bem, desculpa ter invadido sua sala.” – Edward diz.
“Edward Cullen se desculpando? Isso sim é novidade.”
“Vai à merda!”
“O que veio fazer aqui?” – Jasper perguntou.
“Achei que as fofocas rolavam rápido por aqui, mas pelo que vejo não. – comentou e Jasper ergueu as sobrancelhas esperando uma explicação – Paul esteve aqui e resolveu tirar o dia para me atormentar.”
“Mas o que ele veio fazer aqui? Não vai me dizer que vocês se atracaram aqui na empresa?” – Edward não respondeu e isso fez com que Jasper o repreende-se.
“Eu não o ataquei, se é isso que quer saber, na verdade eu até me senti um babaca por não ter socado a cara daquele filho da puta.”
“Pelo menos Carlisle não vai ter o que reclamar quando voltar de viagem, porque mesmo ele estando afastado da empresa, seu pai pode muito bem te dar um pé na bunda e voltar ao comando.”
“E você acha mesmo que não sei disso? – Edward perguntou, mas em seu interior, estava se corroendo de raiva. — Mas já aviso Jasper, essa foi a última vez que ouço aquele cara falar da minha mulher sem fazer nada!”
Jasper estranhou tanto o fato de Paul provocar o amigo usando a ex-mulher, que nem deu importância ao fato de Edward ter aquele ato de possessão com ela.
“Ele falou de Isabella?”
“E de Nessie também, o que eu não entendo, será que ele as viu?” – Edward fez a pergunta para si mesmo, mas foi o amigo que a respondeu.
“Provavelmente, se ele não as viu, sua mãe deve ter mostrado alguma foto ou sei lá. O importante é que você soube relevar e não deu assunto para as pessoas dessa empresa comentar. Agora tenho que juntar essas papeladas porque daqui do escritório vou até a casa de Bella.”
“Você vai ir ao apartamento de Bella?” – Edward fez a pergunta com certo interesse, o que não passou despercebido pelo o amigo.
“Sim. Preciso conversar com ela sobre o assunto do casamento.”
“Alice vai com você?”
“Não, Edward, eu vou sozinho.” – Jasper respondeu.
“Posso ir com você? Eu preciso ver a Nessie e...”.
“Pode tirar seu cavalinho da chuva! Preciso conversar em particular com ela e você não pode estar lá para tirar a atenção de Bella.”
Edward bufou e foi saindo da sala com raiva.
“Que belo amigo você é! Nem pra me ajudar.” – Edward disse já deixando a porta fechar atrás de si.
“Acredite amigo, eu estou te ajudando demais.” – Jasper sussurrou de maneira que só ele pudesse ouvir.
[Pov Bella]
Estava brincando com Nessie na sala, já eram quase cinco da tarde. Era esse o horário que Edward costumava sair do trabalho – lembrei – Provavelmente Jasper já estava a caminho. – Olhei outra vez para o relógio em meu pulso. – Ângela também deve estar chegando e eu contaria para ela o que a doutora incentivou a fazer com relação a Nessie.
Poucos minutos depois ouvi a porta se fechando e vi que era ela.
“Ângela, que bom que chegou.”
“Graças a Deus! Eu não estava aguentando mais aquele lugar.” – Disse se jogando em um dos sofás.
“Dia difícil?”
“Não difícil, mas cansativo. Estou exausta.” – Confessou.
Não pude deixar de ri do seu estado largado, ela realmente parecia cansada.
“Eu sei que deve estar querendo um banho e descanso, mas vou precisar que você me faça um favor.” – Pedi com receio e passei os dedos levemente sobre as sobrancelhas.
“Que favor?”
“Será que você poderia tomar conta de Nessie por alguns minutos? Jasper quer conversar e marcou de vir até aqui, não acho que seria uma boa ela ficar conosco.”
“Tudo bem.” – Foi o tempo de ela concordar e a campainha tocar. – “Deve ser ele, deixa que eu atendo.” – Ângela caminhou até a porta a abrindo.
Sim, era ele. Ângela o cumprimentou e deu espaço para que ele entrasse, ele era tímido, mas quando me notou veio até mim me cumprimentando.
“Olá Bella.” – Jasper me abraçou levemente e depois segurou as mãozinhas de Nessie que estava em meu colo – “Ei boneca.”- Sorri. Jasper seria um bom pai, era evidente, torcia muito para que Alice não demorasse a dar a ele seus próprios filhos.
“Venha Nessie, vamos deixar a mamãe e o tio conversarem.” – Ângela a pegou do meu colo – “Qualquer coisa estarei no quarto brincando com ela. Tchau Jasper.”.
“Até mais Ângela.” – Ele se despediu.
“Prometo não demorar.” – Sussurrei pra minha amiga e ela assentiu com a cabeça sussurrando um: precisamos conversar, e eu assenti em concordância. – Ângela e Nessie desaparecem pelo corredor e eu pude voltar minha atenção para Jasper.
“Sente-se Jasper. Aceita alguma coisa pra beber?” – Ofereci.
“Não, obrigado. O assunto que eu tenho pra tratar com você é rápido.”
“Confesso que fiquei muito surpresa com sua ligação inesperada, eu não podia conversar muito naquele momento, pois estava no hospital com Renesmee.”
“Está tudo bem mesmo com ela?” – Perguntou.
Eu sabia que ele queria ter a certeza que estava tudo bem para passar a informação para o amigo, mas assenti e respondi que sim, não havia nada de errado com Nessie.
“Mas então, o que você quer conversar?” – Perguntei curiosa.
Jasper sorriu e percebi por sua atitude que ele estava nervoso.
“Bem... Isabella, você sabe que meu casamento com Alice está chegando.” – Sorri.
Dentro de alguns meses, minha melhor amiga estaria casada com o homem que ela amava, eu estava feliz por ela.
“Você também saber que ela convidou Rosalie e Emmett para serem os seus padrinhos. Tenho pra mim, que se Alice pudesse colocar você e Rosalie sendo o par de padrinhos, ela colocaria.”.
“Eu não tenho duvida disso.” – Rimos juntos – “Mas o que isso tem haver comigo, Jasper?”.
“Gostaria que você fosse minha madrinha de casamento.” – Jogou tudo de uma vez sobre a mesa. – Aquela atitude me pegou de surpresa.
“Nossa! – Ri – Madrinha de casamento de vocês? – Ele assentiu – Isso pra mim seria uma honra Jasper.” – Ele sorriu e abaixou a cabeça olhando para os próprios dedos.
“Só que talvez tenhamos um pequeno detalhe, mas eu espero que você não leve ele em conta...”.
“Qual detalhe?”
“Edward será seu par.” – Confessou. Gelei na hora.
O convite era maravilhoso, mas Edward como padrinho de casamento de Alice e Jasper? Edward não era nem um pouco, um exemplo para algum casamento, ainda mais se tratando do casamento dos dois.
“Edward? Edward Cullen?”
“Sim Bella, Edward Cullen. Edward, “o SEU Edward!”.
A parte que ele enfatizou não passou despercebida por mim, mas fingi não ter prestado atenção.
“Jasper, eu não sei se isso é uma boa ideia...”.
“Por favor, Bella! Não estou pedindo por Alice, estou pedindo por mim. – Segurou minhas mãos – Sei que pode não parecer fácil, mas esse será um dia especial tanto pra mim quanto para sua amiga. Alice ficará muito feliz em ver as duas melhores amigas sendo suas madrinhas de casamento, lhe dou a minha palavra.”
“Porque convidou ele? Justo ele, Jasper? Você não tem outros amigos?” – Reclamei.
“Edward e Emmett sãos os meus amigos mais antigos, você sabe disso.”
“Alice não concordou nem um pouco com isso, tenho certeza.”
Jasper soltou minhas mãos e sorriu um pouco com humor.
“No começo ela não aceitou muito bem, mas depois acabou concordando e aceitando isso.”
“Você a chantageou?” – Perguntei espantada.
“Talvez um pouco... Mas o fato é que agora está tudo acertado e espero que você continue com sua palavra, não aceito não como resposta.”
Joguei a cabeça para trás, acompanhado com um suspiro profundo. – Abri os olhos e voltei a olhar para ele.
“Tudo bem Jasper, eu continuo concordando em ser sua madrinha.” – Seu sorriso foi de orelha a orelha.
“Ótimo! Nosso casamento será depois da festa da empresa, Alice deve entrar em contato com você para irem escolher os vestidos e tudo mais... Essas coisas doidas de vocês.” – Rimos e assenti.
Jasper não permaneceu ali tanto tempo, assim como ele mesmo havia dito, a conversa havia sido rápida. – Depois de fechar a porta fui até o quarto de Ângela buscar minha filha, minha amiga deveria estar acabada. – Bati na porta e ouvi a voz de Ângela autorizando a entrada.
“Vim buscar uma encomenda.” – Brinquei e Nessie logo virou o rostinho em direção a minha voz.
“Ops! Acho que alguém aqui já reconhece a voz da mamãe.” – Ângela brincou e me entregou Nessie.
“E como foi na clínica? Tudo bem com ela?” – Perguntou.
“Uhum, Nessie está perfeitamente bem. – Olhei para minha amiga que nos encarava – E antes que você me pergunte, eu conversei com a doutora sobre Nessie.”
“E qual foi a sugestão dela? Um psicólogo?”
Suspirei e me sentei na cama de Ângela. – Nessie ficou quietinha recostada sobre meu peito, sua respiração fazia com que seu corpinho subisse e descesse aquilo me trazia um sentimento maravilhoso, uma sensação de paz.
“Ângela, o que Nessie tem não é nada para um psicólogo ou coisa do tipo” – confessei, lembrando exatamente de todas as palavras da doutora.
“Isabella, bebês identificam o amor quando são cuidados e amados, e a melhor forma de demostrar isso é com os cuidados diários e com o tempo juntos de brincadeiras, atenção, colo e amor. Se um pai não tem estes momentos, provavelmente o filho não vai querer saber dele, sequer vai querer ficar no seu colo.”
“Ok, mas o que isso tem haver? Nessie não aceita o Cullen desde que nasceu.”
“Esse é o ponto Ângela! Edward nunca esteve presente na minha gestação, nunca acompanhou minha gravidez e sempre me fazia sentir horrível com seu comportamento, infelizmente isso afetou sim Renesmee. A doutora disse que os bebês são capazes de sentir o que a mãe sente na gestação, então esse é o ponto, Renesmee não se sente segura com o pai.”
“Posso dizer uma coisa? Bem feito! Isso é bom para o Cullen aprender e virar gente.” – Zombou.
Balancei a cabeça e lancei um olhar de desaprovação em sua direção.
“Tudo bem, me desculpa! – Revirou os olhos e voltou a me encarar – E o que a doutora disse que você pode fazer pra isso chegar ao fim? Porque Renesmee não pode rejeitar o pai a vida inteira.”
“Esse é um ponto que vai ser mais complicado do que eu imagino, Ângela.”
“Por quê?” – Perguntou. – “Não vai me dizer que...”.
“Sim! Eu terei que passar mais tempo com Edward Cullen do que eu gostaria.”
Fim do capítulo 37
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