Notas iniciais
Boa leitura!

[POV Edward]

Ainda estava absorvendo tudo o que tinha acabado de acontecer. Eu deveria estar preparado para isso, afinal, não era isso que eu sempre quis? DROGA! Era isso que eu desejei, mas não pensei que iria ser justo agora.

Ter ouvido todas as palavras de Isabella, foi como voltar ao passado que fugia. Eu deveria estar feliz e pulando de alegria, mas... Tudo parecia tão errado agora.
Faltavam três meses para Carlisle se afastar da empresa e a posse total ir para minhas mãos, isso era o que sempre desejei. Tempos de estudos, anos desejando ocupar o espaço maioral da empresa e tudo agora poderia ir por água abaixo com esses problemas.

— Porra!

A ficha estava começando a cair.

— Merda... Droga! Essa mulher sempre ferrando a minha vida.

Perdi completamente o controle. Peguei a primeira coisa que vi em minha frente e joguei contra a parede que era meu alvo mais próximo. Tinha que descontar minha raiva em algo antes que pudesse cometer uma loucura.

— DESGRAÇADA! Essa vadia está sempre no meu caminho atrapalhando meus planos – gritei.

Cego pelo ódio somente notei os estragos que havia feito quando me sentei exausto no sofá. Coloquei a cabeça entre as mãos.

“O que eu faço agora?”

Fiquei ali um momento pensando no que tinha que fazer. Qualquer coisa que pensasse teria que agir rápido, pensar em algo que me livrasse de Carlisle e suas broncas que resultariam em consequências... Até pensei em ir atrás de Isabella mas a idéia desapareceu rápido demais, essa não seria uma boa ideia. Minha raiva era muita para poder olhar o rosto daquela desgraçada.

Peguei as chaves do carro e sai sem rumo pela cidade. A noite tinha o trânsito tranquilo mesmo com muitos lugares ainda abertos e sendo o final do fim de semana.
Estacionei o volvo próximo a uma praça que ficava no centro da cidade, ali havia vários bares da alta sociedade, boates, e tudo que envolvia bagunça.
Procurei meu celular no bolso da calça Jeans e liguei para todos os meus colegas solicitando a presença de todos naquele mesmo lugar. De primeira nenhum deles estavam aceitando sair a essa hora da noite, mas inventei uma desculpa qualquer dizendo que precisava contar uma grande novidade, e como a curiosidade fala mais alto, eles acabaram mudando de ideia e topando. Liguei para todos, até mesmo para Irina que é com toda certeza uma das piores quando o assunto é alguma fofoca. Não liguei para Paul, ele seria mais um problema se aparecesse.

Esperei cerca de uma hora encostado na porta do carro até todos do grupo se juntassem.
Chamei o grupo para que entrássemos para a boate e seguimos para a área VIP como de costume. Eles pareciam animados e á vontade se divertindo, menos eu.

Mal notei quando Jacob se acomodou do meu lado me oferecendo uma garrafa de cerveja.

— Não chamou Paul?

— Acha mesmo que depois do que aquele desgraçado fez eu iria querer ver a cara ou até mesmo a sombra dele?

— Sarcasmo e grosseria como sempre fazendo parte do seu dia-a-dia... Mas você tem razão, melhor deixar as coisas esfriarem entre vocês.

Fiquei em silêncio e Jacob ainda permaneceu do meu lado até as pessoas começarem a se juntar na mesa em nossa volta.

— Qual é a novidade tão estrondosa que tem para contar Cullen? Solta a língua logo que estamos ansiosos para saber. — Dessa vez foi a vez de Jéssica falar e chamar a atenção dos demais pra mim.

Respirei fundo e olhei pra um ponto qualquer a cima da cabeça deles e depois voltei a encarar a roda que prestava atenção em mim.

— A grande noticia é que Isabella vai me dar o divorcio amanhã. A partir de amanhã serei um homem solteiro. – sorri sem humor nenhum.

Esperei para ver se algum deles iria se intrometer, mas todos continuaram em silêncio e o único barulho do lugar era a música alta que tocava um pouco mais ao longe e algumas vozes das outras pessoas desconhecidas que estavam presentes no andar debaixo.

— OH MEU DEUS EU NÃO ACREDITO! – O grito animado veio de Irina, que rápido como um foguete veio me abraçar como uma criança que acabava de ganhar o melhor presente do mundo.

Jéssica e Mike se entreolharam como se estivesse debochando da atitude da amiga.
Desviei do seu aperto, aquilo estava me sufocando.

— Irina, não é pra tanto.

— Como não? Agora você vai ser um homem livre. Agora podemos ficar juntos sem qualquer preocupação com aquela idiota da sua mulher e aquele estorvinho que ela carrega.

— CALE SUA MALDITA BOCA! – Irritei.

Segurando seus pulsos e a encarando nos olhos seriamente.

— Nossa! Fica calmo, foi somente um comentário. Não precisa ficar irritado ou agressivo. – puxou os pulsos que eu ainda apertava.

Jacob parecia analisar a conversa sem expressar qualquer manifestação, simplesmente desviou os olhos de nós e sacudiu a cabeça negando algo que pareceu pensar.

— O que foi? – Acabei lhe perguntando.

— Nada. Não é nada.

Conhecia muito bem meu amigo para saber que ele estava mentindo, o conhecia desde criança e estudamos juntos desde então.
Ouvir Irina falar de Isabella daquela maneira era quase normal entre nós, mas de certa forma aquilo veio a me incomodar naquele momento e não sei o que me levou a agir daquela maneira. Depois daquele episódio, nenhum deles quiseram voltar ao assunto. O restante da noite foi tranquilo, e como sempre me diverti com os amigos mas acabei bebendo um pouco mais do que o necessário.
Ao final daquela noite acabei indo para a casa de Irina, mas as coisas não estavam saindo como planejado.

— O que esta acontecendo com você?

Ela saiu de cima do meu colo emburrada.

— Fala Edward, qual a droga do seu problema?

Endireitei minha postura e respirei fundo soltando o ar fortemente em seguida.

— Não tem droga de problema nenhum, só estou preocupado.

— Vai me dizer que agora está preocupado com a esposinha? Deixa aquela sonsa pra lá vai... – Falou manhosa. Em seguida voltou a se sentar em meu colo colocando suas pernas em minha volta e distribuindo beijos pelo meu pescoço até chegar em minha boca.

PARE ELA AGORA!”— Meu consciente gritava.

— É SÉRIO PORRA, PARA AGORA! – A empurrei. Agora ela me olhava assustada como se eu fosse um maluco... E realmente estava agindo como um. – Chega! Já disse que não vai rolar e você fica se insinuando como uma puta... Quer saber? Estou caindo fora.

Minha paciência com ela já tinha acabado. Tirei suas pernas que estavam me prendendo e levantei a fazendo cair sem jeito para o lado oposto do sofá.

— Como assim caindo fora? Você está me deixando?

— Nunca te prometi nada, tudo que tínhamos era uma foda.

Seus olhos estavam chocados e demostravam sentimentos que não conseguia decifrar qual eram, só sabia dizer que não eram bons.

— Uma foda? – voltou a dizer – Uma simples foda, é isso mesmo Cullen?

— É exatamente isso. – confirmei.

Eu tinha que terminar aquilo. Precisava dar o fora antes que Carlisle descobrisse algo e piorasse as coisas para meu lado.

— Quer saber Irina? Você não passou de uma diversão, coisa de momento, um passa tempo. Não sei onde eu estava com a cabeça quando transei com você... Então sim, estou caindo fora.

— Você não pode fazer isso comigo.

— E porque não? Ah pelo amor de Deus Irina, não me venha com esse teatro de boa moça de família que isso todos nós sabemos que você não é. Você se envolveu comigo sabendo muito bem que eu era casado, que nunca iria ter um compromisso com você e mesmo assim você ainda quis abrir as pernas, então pára de bancar a coitadinha.

— Eu sabia sim que você era casado, mas eu sabia que você era infeliz Edward, nós somos felizes juntos. – tentou se aproximar e eu dei um passo pra trás – Tente se lembrar de todos os nossos momentos na cama, cada gemido, cada olhar... Por favor não faz isso.

— Acabou. Eu não quero mais você!

Seus olhos mudaram completamente e confesso que comecei a sentir uma coisa ruim.

— Esta pensando em voltar para Ex Edward? Já vou avisando que ela não seria tão idiota a este ponto. Você a humilhou, a maltratou, a traiu e chegou até a transar comigo no mesmo quarto e na mesma cama que dormia com ela. Você realmente acha que tem chances? Qual é! Se você pensa isso é por que está se transformando em uma pessoa ingênua demais. Isabella pode ser sonsa mas o nível não chega a ser tão alto.

— NÃO TOCA NO NOME DA ISABELLA.

— HÁ! Agora ela não é mais a sonsa ou a imbecil como você chamava, então agora a coisinha voltou a ter nome? – estava sendo sarcástica.

Cullen, Cullen... Olha onde você foi meter o seu pau não é mesmo?” – A frase surgiu em minha cabeça como se tivesse um diabinho no meu ombro esquerdo sussurrando as coisas no meu ouvido.

Pela primeira vez senti um desejo imenso de bater em uma mulher... Se aquilo era mulher, na verdade aquilo estava mais pra um demônio. Contei até dez mentalmente para não fazer algo que viesse a me arrepender depois, jamais havia levantado a mão para uma mulher antes, mas Irina estava me fazendo ter o pior dos desejos possíveis pela primeira vez.

— Toda minha cota de paciência para seus ataques se esgotou aqui, Adeus Irina.

Caminhei na direção da porta mas fui parado bruscamente com a puxada que levei.

— Grava uma coisa na sua mente Cullen, você vai se arrepender muito do que está fazendo.

— Devo levar isso como uma ameaça? — direcionei a ela em postura de desafio.

— Não querido, isso é um aviso.

Aproximei dela, e sem deixar alguma chance dela se mover a segurei pelo queixo botando uma certa força nos meus dedos.

— Você não sabe o que eu sou capaz.

— Idem.

Apertei mais forte seu queixo e ela gemeu de dor. Agora via medo em seus olhos.

— Acho bom que não apronte nada, ou do contrario eu passo por cima de você como um rolo compressor.

— Você não me conhece Cullen...

— E você muito menos.

Dei o assunto por encerrado e soltei seu rosto com certa força. A marca dos meus dedos ficaram ainda na sua pele, isso no momento seria bom pra ela poder levar como uma aviso pra não se meter no meu caminho.

Eu não estava bêbado então podia conduzir perfeitamente até em casa. Sai do apartamento de Irina sem ao menos dar uma chance dela retrucar. Mesmo quando fechei a porta e batendo com força, ainda pude ouvir os gritos da mulher do lado de fora, isso era insano.
Agosta estava a poucos metros da mansão então apertei o botão no chaveiro do carro para que o portão se abrisse. Estacionei o carro e em poucos minutos já me encontra dentro da casa. A sala ainda continuava revirada como tinha deixado.
Fui até o bar localizado no canto da sala e peguei a primeira garrafa de uísque, não me dei ao trabalho de pegar copo ou gelo, minha única vontade agora era encher a cara e esquecer por pelo menos algumas horas todo aquele dia de merda.

Foi ali sozinho e com uma garrada de bebida que meus pesadelos começaram.

[POV Bella]

[ Atualmente ]

— Você está decidida a fazer isso Isabella?

— Sem dúvidas. E você está disposto a me ajudar?

Ele se remexeu na sua cadeira jogando seu corpo um pouco sobre a mesa.

— Sabe que estou me metendo em uma grande guerra, não sabe?

— Sim, eu sei... – Aproximei meu corpo da mesa – Por favor Félix, se não for você terá que ser outro. Todos sabem que é muito amigo da família Cullen, eles confiam em você com todas as forças para que não tenha qualquer furo para uma possível fofoca por ai.

— Vocês ao menos já chegaram a conversar? Entrar em algum acordo? Vocês estão esperando um filho e isso pode complicar se ele quiser algum direito como pai.

— Ele não vai querer, tenho certeza.

— Tudo bem.

Suspirei em alívio em poder saber que isso já era um outro passo dado.

— Eu preciso que os papéis fiquem prontos ainda hoje.

— HOJE? – Falou mais alto do outro lado da linha.

— Sim, tem algum problema?

— Não tem problema, mas vou precisar da sua assinatura antes, já que é você quem está entrando com o pedido de divórcio. Você teria que vir aqui no escritório assinar os papéis para que eu possa leva-los para Edward assinar em seguida.

—Não tem problema, estou terminando de arrumar algumas coisas por aqui e posso passar aí daqui uma hora?

— Sim, levo cerca de meia hora para fazer todos os papéis e deixa-los prontos.

— Ótimo então estarei aí em uma hora.

— Tudo bem.

— E Félix? – o chamei antes que desligasse a chamada.

— Sim?

— Muito obrigada!

— Pode contar comigo sempre.

— Então até daqui a pouco. – finalizei animada.

Desliguei o telefone e voltei a coloca-lo no seu lugar de antes.

Olhei em volta e memorizei cada pedacinho daquele lugar. Eu ia sentir falta de algumas coisas, a casa era enorme e totalmente iluminada pela luz do dia pela manhã ou pela tarde, diferente de agora em diante aquele não seria mais o meu futuro.

Subi para o andar de cima com os olhos marejados pelas lágrimas e entrei no closet do meu antigo quarto, o quarto meu e de Edward. Peguei minhas três malas grandes que estavam no closet, fui até a porta e a fechei para que ninguém visse o que estava fazendo.
Comecei a colocar todas as roupas e pertences necessários dentro das malas e uma delas separei para colocar os pertences da Renesmee. A pequena nem nasceu e já tinha bastante presentes das madrinhas e algumas coisinhas que eu mesma havia comprado, estava tudo embalado no fundo do closet e guardado em baixo de sete chaves para que ninguém visse.
A cada peça de roupa guardada era uma dor que eu sentia, dor da mudança, do desapego, da saudade... Era difícil dizer Adeus.

Notas finais
õ/ Volto amanhã.