For You I Do Everything
9 Capítulo 8
Notas iniciais
Naquela mesma noite como se não bastasse toda humilhação de ter me deixado sozinha na casa dos pais, Edward acrescentou mais uma merda em sua lista me esquecendo na casa deles. Já estava escurecendo quanto todos se despediam para irem embora e nada do Edward dar sequer um sinal de vida, por sorte Jasper e Alice me ofereceram uma carona que aceitei sem pensar duas vezes, não era bom andar de ônibus por esse horário e taxi também não seria uma boa opção. Depois que me deixaram em casa, percebi algumas luzes acesas e estranhei aquilo, ou Edward estava em casa ou Marie esqueceu as luzes ligadas.
Assim que passei pela porta da frente entrando na grande sala principal, percebi alguns copos espalhados na mesa que ficava entre os três sofás brancos e modernos.
“Será que Edward havia recebido visitas?”
Notei que tinha uma movimentação estranha nos fundos da casa. Joguei minha bolsa em cima do sofá e fui ver o que estava acontecendo, mas antes de passar pela porta de vidro que separava as duas áreas pude ouvir Edward conversando com alguém, a voz parecia com a do rapaz do clube de alguns dias atrás. Fiquei parada ao lado da porta onde tinha uma parede, assim ninguém notaria minha presença ali.
— Cara eu não te entendo.
— O que você não entende Paul? Espera, na verdade várias coisas não é mesmo?
Edward soltou uma risada um pouco mais alta, ele estava bêbado, isso dava pra notar.
— Para de ser babaca! Estamos falando da sua vida.
— O que tem minha vida? Ela é uma merda como qualquer outra.
— Não Edward, você é que se transformou em uma merda. Olha ao seu redor, você tem tudo o que um homem gostaria de ter, você tem uma casa, um casamento, uma mulher linda e que por sinal é gostosa. – Pude ouvir Edward respirar fundo e imaginei que ele estaria revirando os olhos, ele sempre fazia isso quando estava perdendo a paciência. – e além de tudo ela está grávida, qual é o seu maldito problema Cullen?
— O meu problema não é da sua conta! O que é isso? Veio aqui pra poder me dar lição de moral? Se for, está perdendo seu tempo, quer tanto assim a minha vida pra você? Você não sabe um terço do inferno que eu passo todos os dias, e se acha Isabella tão perfeita assim por que não fica com ela pra você? Só vou te avisando que o pacote vai ir completo. – Disse frio.
Paul parecia indignado com o que tinha acabado de ouvir, nem eu poderia negar que ouvir aquilo foi doloroso demais, mas não iria mais chorar.
— Você só me provou que é mais babaca do que imaginei. Não, não vim aqui te dar lição de moral, vim tentar conversar com um amigo e tentar abrir seus olhos, tentar fazer você enxergar o que está perdendo, mas parece que foi perda de tempo. Só queria te alertar uma coisa meu velho amigo: As pessoas cansam de serem usadas e humilhadas, talvez quando perceber a merda que está fazendo, seja tarde demais.
O barulho de uma porta batendo deu o assunto por encerrado. Me arrisquei a colocar um pouco a cabeça na vidraça da porta e vi Edward parado de costas
escorado no balcão, ele parecia perdido em pensamentos. – Em meio segundo balançou a cabeça como se negasse alguma coisa e sem olhar pra trás fez o mesmo percurso que Paul havia feito minutos antes.
Fiquei ali no mesmo lugar refletindo o que tinha acabado de acontecer na minha frente, fiquei surpresa com a atitude do amigo do meu marido, ainda mais sendo tão amigo dele. Ao que parece nem todos ali eram tão idiotas como os outros.
Curiosa com o que estava acontecendo do lado de fora, caminhei até a janela olhando ao redor, constatei o que já imaginava, tinha algumas pessoas sim de visita inesperada... Ou inesperada por mim pelo menos. Eram ao todo três casais, Paul, a loira que não sabia o nome até hoje mas já desconfiava de quem seria e meu “querido” Edward. Eles pareciam estar se divertindo conversando entre si, conversavam animados e bebiam entre eles, qual o problema deles com falar baixo? Daqui a pouco a conversa deles chegariam na vizinhança.
Mesmo me corroendo de vontade de me aproximar, decidi que não seria uma boa ideia, acabei saindo sem que eles percebessem minha presença, mesmo cansada eu não queria ficar naquele lugar, não com todas aquelas pessoas falsas que fingiam ser amigos de Edward, como ele não pode notar isso? Ele realmente estava cego. Cheguei na sala pegando as chaves de casa e decidi ir andar um pouco pelas ruas próximas da mansão. Sozinha, assim era bem melhor, parei em uma pracinha onde havia algumas crianças brincando e pais conversando entre si, por muitas vezes eu imaginei minha filha tendo um futuro como o daqueles pequeninos que corriam sorrindo e gritando de felicidade de um lado para o outro, mas pelo visto isso não iria acontecer, minha decisão de mudar e ser mais forte estava tomada, e tudo começaria por dentro de mim, eu precisava mudar em mim mesma antes de mais nada, eu não iria ser fraca, precisava ter amor próprio, parar de sofrer por alguém que não faz por merecer... – Fechei os olhos por um minuto que mas pareciam horas, senti a brisa da noite batendo levemente em meu rosto e trazendo uma sensação de liberdade, era um sentimento bom. Abri os olhos e fitei o relógio de marca no meu braço, já era hora de voltar pra casa.
Caminhei em passos lentos em direção a minha casa...
“Minha? Aquela casa nunca foi sua.”— Droga de mente que não me deixa em paz nem por um minuto sequer.
Já estava chegando próximo a mansão e estaquei no mesmo instante que percebi os amigos de Edward saindo pelo grande portão da frente da casa, eles se despediam um por um com abraços, toques de mãos ou beijos no rosto, isso já me fazia sentir desconfortável. Quando foi a vez da loira ás coisas pareciam ficar piores, ela passava as mãos no braço de Edward em uma leve caricia enquanto conversava alguma coisa que não dava para saber o que era, em seguida ela se aproximou mais dele e passou as mãos em volta do pescoço dele o puxando para um beijo... UM BEIJO.
Naquele momento o mundo parecia ter parado na minha frente, só existia eu e os dois nojentos na minha frente. Eu não fazia idéia de qual reação ter, eu só conseguia ficar ali parada no lugar observando a cena nojenta na minha frente. Edward pareceu ter notado algo errado e a afastou delicadamente e lhe disse algo baixo que tentei ler o que era pelo seus lábios mas foi em vão.
Sai do transe e comecei a andar na direção onde acontecia o teatro do “casal feliz”, queria que eles me notassem, ou melhor, queria que eles soubessem o que tinha acabado de presenciar. Meu desejo foi atendido, eles já tinham notado que eu estava ali.
— Bella. – Edward disse assustado.
Não me dei ao trabalho de responder, minha atenção naquele momento estava na loira que com toda certeza deveria ser a tal Irina. A vagabunda agora estava ao lado de Edward como se tentasse se proteger, será mesmo que estou parecendo uma má pessoa assim? — Quando Edward tentou se aproximar um pouco de mim para tentar desviar a tensão eu notei o sorriso debochado que a piranha me lançava.
Fiquei tão cega pelo ódio que só me dei conta do que havia feito quando senti a palma e as costas da minha mão ardendo, a vagabunda tinha o rosto vermelho e coberto pelas duas mãos, seus olhos cheios de ódio e ... Medo? O tapa que dei na vagabunda foi tão bem dado que o barulho pareceu ter dado eco pelo condomínio todo, até mesmo os amigos do Edward que já tinham entrado nos carros agora estavam do lado de fora dos mesmos observando toda cena.
— Isso é para vagabundas como você aprenderem a não mexer com homens casados, alias aproveitando que está aqui, eu já deixo avisado para que arrume um espaço para seu “companheiro” no seu galinheiro, acho que logo mais ele estará precisando de um novo teto. E ah... Fique com as marcas dos meus dedos como se fosse uma lembrança, eu espero que quando acordar pela manhã possa olhar no espelho e ver minha marca no seu rosto, considere isso como um presentinho. – Agora foi a minha vez de sorrir com cinismo para a loira que ainda estava na mesma situação no mesmo lugar.
Não disse uma palavra e nem mesmo olhei para cara do Edward, se eu o fizesse com toda certeza acertaria seu rosto com toda minha boa vontade. Entrei em casa com um leve sorriso estampado no rosto, se antes eu já estava bem agora estava bem melhor, extravasar dessa maneira era muito melhor do que chorar como uma derrotada pelos cantos.
Sorri mais ainda.
Aquela sim seria a nova Isabella, a mulher que não abaixaria mais a cabeça para ninguém, a mulher que não iria mais derramar nenhuma lágrima por quem não merecia. A mudança havia começado e o passo de hoje havia sido um pulo para o que estava por vir no futuro mais próximo.
Pov Edward
“UAU” – Foi a primeira coisa que ouvi alguém falar depois da cena presenciada por todos naquela rua deserta. Eu ainda estava tentando entender o que havia acontecido há alguns minutos atrás. Irina permanecia estática no lugar e seus olhos estavam uma confusão de sentimentos e pelo que notei não eram nada bons.
— Cara o que foi aquilo? – Jacob disse se aproximando com os demais.
— Aquilo é uma mulher deixando de ser boba. – Paul respondeu a pergunta do moreno e os dois pareciam se divertir com tudo isso.
Olhei para eles com a cara fechada.
— O que é? Vai me dizer que essa idiota não mereceu?
— Isabella não tinha o direito de fazer isso Paul.
— Como não? Ela está com todos os direitos sim, sei que a casa é sua mas ela mora nesse mesmo teto que você e ainda está esperando um filho seu, portanto Irina se comportou como uma vadia te agarrando na frente de todos, e pelo que vejo meu amigo, sua mulher ... ou melhor dizendo EX mulher viu toda a cena.
— Você não sabe de nada.
— Como se você soubesse não é? Acho que seu castelo ruiu de vez Edward, você acaba de perder o que era mais importante na sua vida.
Quem ele achava que era para me dizer aquelas coisas?
— Quem você acha que é para dizer alguma coisa Paul? Pelo que eu me recordo, não foi minha mulher que estava transando loucamente em um motel enquanto eu estava loucamente apaixonado a esperando no altar.
Paul partiu pra cima de mim como um animal, ele com toda certeza era mais forte do que eu e seu soco havia me pegado desprevenido, tudo aconteceu tão rápido que quando notei já tinha cambaleado para trás quando senti o soco que ele havia me acertado no queixo. Senti o gosto de sangue e o olhei como se não acreditasse no que tinha acontecido. Sem pensar duas vezes fui rapidamente em sua direção e lhe dei um soco que acertou o seu nariz e isso arrancou sangue também.
— Agora sim estamos empatados.
Quando Jacob percebeu que Paul avançava pra cima de mim de novo o segurou com toda força.
— CHEGA PAUL, CHEGA! Vamos embora agora. – Jacob gritou o empurrando para o carro do outro lado da rua.
— Nunca mais Cullen! Eu disse NUNCA MAIS você vai tornar a falar isso ou eu juro que esqueço que já fui seu amigo e te arrebento.
— Não me provoca seu imbecil.
— Imbecil é você bastardo! No fundo você é igual a ela, igual a Marina, faz a mesma coisas que ela, um completo vagabundo.
— CHEGA! Entra logo nesse carro Paul.
Jacob o empurrou para dentro do carro e fechou a porta traseira com toda força, saiu disparado para o lado do motorista e deu partida sem pensar duas vezes.
— Você está bem?
— Como posso estar bem depois de ter a marca da mão da sua esposinha no meu rosto Edward?
— Desculpa, mas você sabe que o jeito que agiu foi totalmente errado não sabe?
— Errado? Edward eu cansei. Estou cansada de ser a outra, estou cansada de ter sempre que me esconder e nunca poder demostrar o que sentimos para todos.
“Demostrar o que sentimos...” – Ela havia bebido mas parecia que as coisas estavam indo para um caminho diferente, sempre deixei claro para Irina que não tínhamos nada a mais que uma transa casual, ela não passava de uma simples amiga de farra pra mim.
— Irina não confunda as coisas.
— Como assim?
— Olha, — cortei antes que começássemos outro escândalo na porta da minha casa – vamos marcar um dia dessa semana para conversarmos direito e assim botar todos os pontos nos lugares corretos, ok?
— Tudo bem, mas por favor não demore.
— Vou tentar. Agora vá que Tanya está te esperando no carro.
— Tudo bem, adeus.
— Adeus.
Foram as nossas ultimas palavras naquele dia, sem nenhum outro contato físico e nem nada, não queria mais confusão e muito menos vizinhos de plateia.
Assim que todos os carros partiram olhei para a casa que agora estava somente com as luzes da sala acesa, Isabella deveria já estar dormindo o que me evitaria uma grande discussão por agora. Entrei em casa e constatei que eu estava completamente errado, Isabella estava sentada no grande sofá da sala e parecia distraída enquanto passava as páginas de uma revista qualquer que tinha jogada por ali.
Aproximei e fiquei em pé ainda a observando.
— O que é? Nunca me viu? – usou o tom sarcástico.
Ela parecia ter usado minhas palavras contra mim mesmo, sempre que a via me olhando eu falava aquilo.
— Acho que precisamos conversar.
Eu disse por fim.
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