Notas iniciais
Aproveitem!


O choro de Nessie preencheu a sala luxuosa do escritório no instante em que Ângela tentou pegá-la no colo.

— Tudo bem, meu amor... calma... — ela murmurava, balançando-a cuidadosamente enquanto a pequena se remexia irritada.

Sentada no sofá, observei a cena com um suspiro cansado. Nas últimas semanas, Nessie vinha passando por uma fase difícil. Chorava sempre que alguém tentava segurá-la por muito tempo, assustava-se com facilidade e parecia precisar de mim o tempo inteiro.

Ou quase o tempo inteiro.

Porque, estranhamente, existia uma exceção.

Edward.

— Acho que ela decidiu que não gosta mais de mim — Ângela brincou, embora houvesse um leve desconforto em sua expressão quando o chorinho aumentou ainda mais.

Levantei imediatamente.

— Me dá ela aqui.

Assim que a coloquei em meus braços, Nessie se aconchegou contra meu peito, agarrando a gola da minha blusa enquanto escondia o rosto no meu pescoço. O choro diminuiu um pouco, mas ela ainda parecia inquieta.

— Talvez seja só uma fase — Alice comentou da cozinha enquanto preparava café. — Bebês costumam ficar mais sensíveis nessa idade.

Assenti distraidamente, mas meus olhos já tinham encontrado Edward do outro lado da sala.

Ele estava encostado na mesa, quieto demais, observando tudo em silêncio.

Então aconteceu.

Nessie levantou a cabeça devagar sobre meu ombro e esticou os bracinhos na direção dele.

Meu coração falhou uma batida.

Edward pareceu confuso por um instante, como se não tivesse entendido.

— Ela... quer vir comigo? — perguntou, a surpresa evidente na voz.

Antes que eu pudesse responder, Nessie soltou um resmungo impaciente e tornou a esticar os braços pequenos na direção dele.

Ângela sorriu imediatamente.

— Acho que isso respondeu à sua pergunta.

Edward me olhou como se esperasse que eu recusasse. Como se ainda tivesse medo de ultrapassar algum limite invisível entre nós.

Engoli em seco antes de caminhar até ele e entregar nossa filha em seus braços.

O efeito foi imediato.

Nessie se acomodou contra o peito dele quase instantaneamente, como se aquele fosse exatamente o lugar onde queria estar. O chorinho cessou aos poucos até desaparecer completamente, deixando a sala mergulhada em um silêncio estranho.

Pesado.

Porque eu não sabia explicar por que aquela cena mexia tanto comigo.

Talvez porque, durante meses, eu tivesse tentado convencer a mim mesma de que minha filha não precisaria sentir falta do pai. Talvez porque fosse mais fácil alimentar minha mágoa quando Edward parecia distante, ausente, incapaz de construir qualquer vínculo real com ela.

Mas agora ele estava ali.

Presente. Tentando. Criando espaço na vida dela sem forçar nada.

E Nessie parecia sentir isso naturalmente.

Edward abaixou os olhos para ela, claramente emocionado, enquanto passava os dedos devagar por suas costas pequenas.

— Acho que ela só estava cansada — comentou em voz baixa, embora a rouquidão em sua voz denunciasse muito mais do que aquilo.

Alice trocou um olhar discreto com Ângela antes de puxá-la de volta para fora da sala com a desculpa de que iriam pegar um café, nos deixando sozinhos na sala. E eu odiei perceber isso, porque, de repente, tudo pareceu íntimo demais. Familiar demais.

Fiquei observando Edward balançar Nessie lentamente enquanto ela brincava distraída com a gravata dele. Havia algo absurdamente natural naquela cena, e talvez fosse exatamente isso que me assustava tanto.

Ele parecia tão concentrado nela que não percebeu imediatamente que eu ainda o observava.

Até levantar os olhos.

Nosso olhar se encontrou, e senti alguma coisa vacilar dentro de mim.

— O quê? — perguntou baixo.

Desviei os olhos rápido demais.

— Nada.

Edward permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de voltar a atenção para Nessie.

— Ela faz isso às vezes? — perguntou. — Escolher uma pessoa específica?

Cruzei os braços devagar, tentando ignorar o aperto estranho no peito.

— Faz.

— E hoje fui eu?

A maneira cuidadosa como ele perguntou aquilo me desmontou mais do que deveria. Havia surpresa em sua voz, mas também algo pior.

Esperança.

Pequena, contida... perigosa.

— Parece que sim — respondi baixinho.

Edward engoliu em seco antes de voltar a olhar para nossa filha, como se estivesse tentando absorver aquele pequeno momento sem assustá-lo.

Então Nessie soltou um balbucio animado e segurou o rosto dele com as duas mãozinhas.

E Edward sorriu.

Não aquele sorriso arrogante que eu conhecia tão bem.

Nem o sorriso sedutor que costumava bagunçar meus pensamentos anos atrás.

Era diferente.

Mais leve.

Mais vulnerável.

Mais verdadeiro.

Meu peito apertou de forma quase dolorosa ao perceber que, pela primeira vez em muito tempo, eu conseguia enxergar exatamente o homem que Edward poderia ter sido desde o começo.

Desviei o olhar antes que Edward percebesse por tempo demais o jeito como eu o encarava. Minha filha continuava completamente confortável em seus braços, brincando distraidamente com a gravata dele enquanto ele a balançava devagar, quase instintivamente.

Aquilo ainda parecia estranho para mim.

Não ruim.

Só... estranho.

— Então, vocês duas finalmente resolveram aparecer por aqui.

A voz divertida de Emmett ecoou pelo corredor antes mesmo que ele surgisse na porta da sala de Edward com um copo de café na mão.

Revirei os olhos automaticamente.

— Alice praticamente me arrastou.

— Porque você precisava sair de casa — Alice respondeu imediatamente da mesa de Ângela, sem sequer levantar os olhos do computador. — E porque eu já estava cansada de ouvir você dizer que "não tinha roupa adequada" para vir até aqui.

— Porque eu realmente não tenho roupa adequada para escritório.

Olhei para baixo, encarando a calça jeans confortável e a blusa larga que usava.

Emmett soltou uma risada.

— Relaxa, Bella. Metade desse escritório trabalha parecendo que acabou de sobreviver a um acidente.

— Isso explica muita coisa — murmurei.

Ângela riu baixinho da própria mesa enquanto organizava alguns documentos.

Depois da licença da lua de mel, ela tinha voltado a trabalhar no escritório de advocacia dos Cullen, e, naquela manhã, Alice tinha decidido — sem me consultar — que seria uma ótima ideia me tirar de casa para "ver gente viva".

Segundo ela, eu estava começando a agir como uma eremita emocional.

Infelizmente, talvez ela não estivesse completamente errada.

Nessie soltou um som animado no colo de Edward, imediatamente chamando a atenção de Emmett.

— Ei, pequena Ness! — ele se aproximou sorrindo. — Vem com o tio favorito.

Assim que Emmett tentou pegá-la, porém, Nessie franziu o rostinho e agarrou a roupa de Edward com mais força.

Precisei morder o interior da bochecha para esconder a vontade de sorrir.

Emmett colocou a mão no peito dramaticamente.

— Isso foi humilhante.

Edward riu baixo pela primeira vez naquela manhã, e o som me pegou desprevenida.

Porque fazia tempo que eu não ouvia uma risada genuína dele.

— Acho que ela fez uma escolha — comentou divertido.

— Traidora — Emmett acusou a bebê, estreitando os olhos. — Eu comprei brinquedos para você.

Nessie apenas soltou outro balbucio distraído antes de esconder o rosto no peito de Edward.

E, estranhamente, aquilo fez o ambiente inteiro parecer mais leve.

Ângela levantou os olhos do computador e sorriu.

— Ela está realmente confortável com você.

A expressão de Edward mudou quase imediatamente ao ouvir aquilo.

Ficou mais séria.

Mais silenciosa.

Como se ele ainda não soubesse exatamente o que fazer com o fato de nossa filha começar a aceitá-lo daquela maneira.

Seus dedos deslizaram devagar pelas costas dela enquanto ele mantinha os olhos baixos.

— Acho que ela só está começando a me reconhecer.

Havia algo na voz dele que apertou meu peito outra vez.

Porque não existia arrogância.

Nem presunção.

Só... cuidado.

E talvez um pouco de medo de estragar tudo.

Alice finalmente fechou a tampa do notebook e se levantou animada.

— Certo. Já que Ângela ainda precisa terminar algumas coisas aqui e Edward claramente foi sequestrado pela própria filha, eu e Emmett vamos buscar comida.

— Por que eu? — Emmett resmungou, não gostando da ideia.

— Você fala como se fosse um sacrifício enorme — murmurei.

— Para mim é. Sabe a distância que vou andar daqui até o restaurante de que ela gosta?

— Emmett, eu estou faminta desde as nove da manhã.

— São onze e meia.

— Exatamente. Uma eternidade.

Ângela riu enquanto pegava a bolsa.

— Eu vou com eles antes que Alice compre comida suficiente para alimentar vinte pessoas.

— Sem promessas.

Antes que eu percebesse o que estava acontecendo, os três já estavam caminhando em direção à porta.

Franzi a testa imediatamente.

— Espera... vocês estão indo embora?

Alice olhou para mim como se a resposta fosse óbvia.

— Sim?

— E vão me deixar aqui?

Ela lançou um olhar significativo na direção de Edward segurando Nessie.

— Honestamente? Acho que vocês vão sobreviver por quinze minutos sozinhos.

— Alice...

Mas ela já estava saindo da sala, rindo junto com Ângela.

A porta se fechou atrás das duas, e o silêncio tomou conta do escritório quase imediatamente.

Meu olhar encontrou o de Edward no mesmo instante.

E alguma coisa dentro de mim ficou perigosamente consciente do fato de que estávamos sozinhos.

— Alice fez isso de propósito — murmurei depois de alguns segundos.

Edward soltou uma risada baixa.

— Definitivamente.

O som me pegou desprevenida outra vez. Era estranho perceber como eu tinha sentido falta de coisas pequenas sem sequer notar. A forma como ele ria, o jeito calmo da voz dele quando não estávamos brigando, a maneira como parecia mais leve perto da nossa filha.

Afastei imediatamente aqueles pensamentos antes que ganhassem espaço demais na minha cabeça.

Edward ergueu os olhos para mim por um instante.

— Você pode sentar, sabia?

Franzi a testa.

— Eu estou sentada.

Um pequeno sorriso surgiu no canto da boca dele.

— Bella, você está praticamente pronta para fugir pela porta.

Olhei para mim mesma e percebi que ele tinha razão. Minha bolsa ainda estava presa ao ombro como se eu realmente estivesse preparada para sair correndo a qualquer momento.

Bufei baixinho antes de largá-la na cadeira ao lado. Edward acompanhou o movimento em silêncio, e aquilo me deixou inexplicavelmente nervosa.

Nessie soltou um balbucio animado e puxou a bendita gravata dele outra vez, mas, dessa vez, em direção à boca.

— Ei, isso é caro — Edward murmurou para ela com falsa indignação.

Revirei os olhos.

— Claro que sua preocupação é a gravata.

— Bella, ela tem uma força assustadora para alguém tão pequena.

Apesar de mim mesma, senti o canto da boca ameaçar subir. Edward percebeu imediatamente, e soube disso pela forma como seus olhos suavizaram ao me observar.

Meu coração acelerou de maneira irritante.

Desviei o rosto rápido demais antes que ele interpretasse qualquer coisa.

— Então... — ele começou com cuidado. — Alice comentou que você não tem saído muito de casa. Quero dizer, sai para o trabalho, do trabalho para a faculdade e da faculdade para casa.

Cruzei os braços imediatamente.

— Alice fala demais.

— Ela se preocupa com você.

— Não preciso que se preocupem comigo.

A resposta saiu mais defensiva do que eu pretendia. Edward permaneceu em silêncio por um momento antes de assentir devagar.

— Eu sei.

Mas havia alguma coisa na maneira como ele disse aquilo que me fez levantar os olhos novamente. Não parecia irritação. Parecia culpa.

Meu peito apertou discretamente.

Nessie começou a resmungar baixinho, claramente sonolenta, e Edward automaticamente passou a balançá-la devagar enquanto diminuía o tom de voz quase instintivamente.

— Ela dormiu bem depois daquela madrugada?

Assenti.

— Dormiu.

Ele hesitou antes de perguntar:

— E você?

A pergunta me pegou desprevenida. Fazia muito tempo que ninguém perguntava aquilo daquele jeito, como se realmente se importasse com a resposta.

Engoli em seco antes de dar de ombros.

— Estou acostumada a dormir pouco.

Assim que as palavras saíram da minha boca, me arrependi. Vi a expressão dele mudar imediatamente. O maxilar tensionou discretamente, e seus olhos baixaram para Nessie por alguns segundos antes de voltarem para mim.

— Bella...

A maneira como ele disse meu nome fez meu estômago apertar.

— Você não precisa fazer isso.

Franzi a testa.

— Fazer o quê?

Edward hesitou por um instante, escolhendo as palavras com cuidado.

— Fingir que está tudo bem o tempo inteiro.

Minha respiração falhou por um segundo. Aquela frase atingiu exatamente onde doía.

Soltei uma risada sem humor enquanto desviava o olhar.

— Você acha que eu finjo?

— Acho que você passou tanto tempo tentando sobreviver sozinha que nem percebe mais quando está exausta.

O silêncio caiu pesado entre nós.

Minhas mãos se apertaram uma contra a outra no colo enquanto eu tentava ignorar a forma absurda como aquelas palavras me atingiram. Edward continuava me observando quieto demais, e eu odiava o fato de ele ainda conseguir me enxergar daquele jeito, mesmo depois de tudo.

Nessie soltou um pequeno suspiro sonolento e se aconchegou mais contra o peito dele.

Então Edward sorriu.

Foi um sorriso pequeno, quase imperceptível, mas completamente verdadeiro.

— Ela faz isso quando está confortável — murmurei sem pensar.

Ele levantou os olhos imediatamente.

— O quê?

Apontei discretamente para Nessie.

— Se aconchegar assim. Ela só faz isso quando se sente segura.

Assim que terminei de falar, percebi o peso das minhas próprias palavras.

Edward também.

O escritório mergulhou em silêncio outra vez, e o jeito como ele me olhou naquele momento — como se aquela simples frase significasse muito mais do que eu pretendia dizer — fez meu coração bater forte demais dentro do peito.

Desviei os olhos primeiro, porque sustentar aquele olhar por tempo demais parecia perigoso. Edward continuou me observando por alguns segundos antes de voltar a atenção para Nessie, que agora dormia tranquila em seus braços, completamente aconchegada contra o peito dele. A pequena mão permanecia agarrada ao blazer como se tivesse medo de soltá-lo, e aquela imagem simples apertou alguma coisa dentro de mim outra vez.

O silêncio entre nós começava a se alongar quando algumas batidas suaves interromperam o momento.

Respirei discretamente aliviada.

Ângela entrou primeiro, equilibrando uma sacola grande de papel nos braços, enquanto Alice vinha logo atrás carregando cafés demais para apenas quatro pessoas.

— Trouxemos comida antes que vocês dois entrassem em uma crise existencial sozinhos — Alice anunciou com naturalidade, fechando a porta com o pé.

Revirei os olhos imediatamente.

— Você é incapaz de agir normalmente por mais de cinco minutos?

— Não. Próxima pergunta.

— Cadê o Emmett? — dessa vez foi Edward quem perguntou.

— O grandão recebeu um telefonema da Rosalie e teve que ir buscá-la na casa da mãe dela.

Ângela riu baixo enquanto colocava as sacolas sobre a pequena mesa de reuniões no canto da sala.

— Ah! Eu trouxe comida de verdade porque Alice queria viver de salada e água com gás.

— Salada é comida de verdade — Alice rebateu, ofendida.

— Não para uma mãe que ainda amamenta — Ângela respondeu automaticamente, lançando um olhar significativo na minha direção.

Fiz uma careta discreta.

— Obrigada por ser a única pessoa responsável aqui.

Alice apontou imediatamente para Edward.

— Tecnicamente existem duas agora.

O comentário caiu na sala com mais peso do que ela provavelmente pretendia. Meu olhar encontrou o de Edward por um breve instante, e alguma coisa na expressão dele mudou. Não parecia desconforto. Parecia algo mais cuidadoso.

Esperança.

Pequena e contida, como se ele ainda estivesse aprendendo a ocupar aquele espaço sem medo de perdê-lo de novo.

Ângela começou a tirar as embalagens das sacolas enquanto Alice se aproximava devagar de Nessie.

— Ela dormiu? — perguntou mais baixo dessa vez.

Edward assentiu imediatamente, ajustando nossa filha nos braços com um cuidado tão natural que me peguei observando a cena por tempo demais.

Alice percebeu.

Claro que percebeu.

Um sorriso lento surgiu em seu rosto antes que ela olhasse discretamente entre nós dois.

— Já que todo mundo vai almoçar aqui... — começou casualmente.

Meu estômago revirou no mesmo instante.

Eu conhecia aquele tom.

— Alice...

— Edward, por que você não leva Bella para almoçar lá embaixo? — continuou como se eu não tivesse falado. — Eu e Ângela podemos ficar com Nessie por meia hora.

— O quê? Não.

Minha resposta saiu rápida demais, arrancando um sorriso contido de Ângela.

— Bella, é só um almoço.

— Exatamente — respondi na defensiva. — Só um almoço. Não precisa transformar isso em uma intervenção emocional.

Alice suspirou dramaticamente.

— Você sabe que pessoas normais conseguem sair para comer sem agir como se estivessem assinando papéis de divórcio, certo?

— Alice.

— Estou apenas tentando ajudar.

Edward permaneceu em silêncio durante toda a troca, mas, quando finalmente olhei para ele, encontrei seus olhos verdes fixos em mim com uma calma cautelosa que me desarmou mais do que deveria.

Ele não insistiu.

Não provocou.

Não tentou transformar aquilo em um jogo.

O Edward de antes teria feito exatamente isso.

Mas agora ele apenas esperava.

E eu ainda não sabia lidar com essa versão dele.

Nessie se mexeu levemente em seus braços, soltando um pequeno resmungo sonolento. Edward imediatamente baixou os olhos para ela e passou os dedos devagar por suas costas até ela relaxar outra vez.

Meu peito apertou de forma irritante.

Alice percebeu exatamente o momento em que minha resistência vacilou.

— Trinta minutos — disse ela, dessa vez mais suave. — Você merece sentar e comer sem precisar segurar um bebê o tempo inteiro, Bella.

Engoli em seco.

Porque aquilo me atingiu mais do que deveria.

Eu nem conseguia lembrar da última vez que tinha feito algo tão simples.

Edward ergueu os olhos lentamente para mim outra vez.

— Se você não quiser, tudo bem — disse em voz baixa. — Eu não vou insistir.

E talvez tenha sido exatamente isso que me fez hesitar.

O fato de ele realmente aceitar um "não".

Suspirei devagar antes de cruzar os braços.

— Trinta minutos.

O sorriso de Alice foi imediato.

— Meu Deus, isso é praticamente um encontro.

— Alice, eu ainda posso desistir.

— Certo. Parei de falar.

Ângela riu enquanto Edward se levantava cuidadosamente do sofá com Nessie ainda nos braços. Ele caminhou devagar até mim para entregá-la, mas, no último segundo, nossa filha resmungou baixinho e se agarrou novamente à roupa dele.

Edward sorriu de leve.

— Isso é manipulação emocional — murmurei, observando Nessie agarrada à blusa de Edward como se estivesse deixando muito clara sua preferência naquele momento.

Alice imediatamente apontou para a bebê.

— E extremamente eficaz.

— Vocês são impossíveis.

— Mas estamos funcionando — Ângela comentou, divertida, enquanto abria uma das embalagens sobre a mesa.

Edward soltou uma risada baixa, ainda olhando para Nessie com uma expressão que eu começava a perceber cada vez mais nele. Algo entre surpresa e cuidado, como se ainda não acreditasse totalmente que nossa filha estava começando a aceitá-lo daquela forma.

Com delicadeza, ele tentou soltá-la outra vez.

— Ei, pequena traidora... você vai sobreviver meia hora longe de mim.

Nessie respondeu apertando ainda mais o tecido do moletom dele entre os dedos minúsculos.

Alice levou a mão ao peito dramaticamente.

— Ela escolheu o pai. Bella, você perdeu.

Revirei os olhos, mas, antes que pudesse responder, Edward finalmente conseguiu desprender os dedinhos dela da própria blusa e a entregou para Ângela com cuidado.

Nessie fez uma pequena careta de insatisfação, mas não chorou. Ângela começou a balançá-la devagar pela sala.

Edward pegou a carteira sobre a mesa e voltou a me olhar.

— Ainda dá tempo de desistir — comentou calmamente.

Aquilo deveria ter me irritado.

Mas não irritou.

Porque ele realmente parecia disposto a aceitar qualquer decisão minha sem transformar aquilo em uma discussão.

Suspirei antes de pegar minha bolsa da cadeira.

— São só trinta minutos.

— Claro.

Alice estreitou os olhos na nossa direção.

— Vocês dois percebem que ninguém acredita nisso, certo?

— Alice — eu e Edward falamos ao mesmo tempo.

Ela abriu um sorriso satisfeito.

— Ah, isso foi fofo demais.

Gemendo frustrada, caminhei até a porta antes que ela pudesse continuar falando besteira. Ouvi a risada baixa de Edward logo atrás de mim, e meu estômago deu aquele maldito aperto outra vez.

O corredor do escritório estava mais movimentado do que eu esperava. Pessoas caminhavam de um lado para o outro carregando pastas, conversando ao telefone ou digitando em tablets enquanto passavam apressadas. Alguns funcionários cumprimentaram Edward imediatamente quando nos viram.

— Doutor Cullen.

— Boa tarde.

Edward respondeu a todos com a mesma educação calma enquanto caminhava ao meu lado. E, pela primeira vez desde que cheguei ali, me dei conta de que fazia muito tempo desde a última vez que estivemos juntos em um lugar público sem gritar um com o outro.

A percepção me deixou estranhamente desconfortável.

Quando as portas do elevador se fecharam atrás de nós, o silêncio finalmente caiu entre nós outra vez.

Cruzei os braços automaticamente, observando os números mudarem acima da porta.

— Então... — Edward começou depois de alguns segundos. — Alice realmente precisou te arrastar até aqui?

Soltei uma risada fraca.

— Praticamente. Ela disse que eu estava começando a "assustar a sociedade" ficando na mesma rotina o tempo inteiro. Sua mãe comentou a mesma coisa.

O canto da boca dele se ergueu levemente.

— Parece algo que elas diriam.

Assenti, ainda olhando para frente.

— Ela também disse que eu precisava parar de agir como se minha vida tivesse acabado aos vinte e poucos anos.

Assim que as palavras saíram da minha boca, me arrependi.

O silêncio mudou imediatamente.

Pesou.

Edward desviou o olhar por um instante antes de respirar fundo.

— Bella...

— Não foi um convite para você sentir pena de mim.

— Eu não sinto pena de você.

Aquilo me fez finalmente olhá-lo.

As portas do elevador se abriram naquele instante, mas nenhum de nós saiu imediatamente.

Edward sustentou meu olhar por alguns segundos antes de continuar:

— Eu acho que você é a pessoa mais forte que eu conheço. E acho que você precisou ser forte por tempo demais por causa de coisas que eu fiz.

Meu peito apertou com força.

Porque havia sinceridade demais na voz dele.

E eu ainda não sabia o que fazer quando Edward parava de tentar se defender e simplesmente dizia a verdade.

Desviei o olhar primeiro e saí do elevador antes que ele percebesse o efeito que aquelas palavras tinham causado em mim.

Atravessamos a rua ainda em silêncio, mas um ao lado do outro.

Edward costumava almoçar nesse restaurante que ficava à frente do prédio do escritório dele. Lembro que, às vezes, nós almoçávamos aqui quando ainda éramos casados.

O restaurante no térreo do prédio estava mais cheio do que eu esperava para aquele horário. O som de conversas baixas, talheres e música ambiente preenchia o espaço enquanto funcionários do escritório ocupavam boa parte das mesas. Edward caminhou ao meu lado até uma mesa mais afastada perto das janelas, claramente escolhendo um lugar mais reservado.

Agradeci silenciosamente por isso.

Porque ainda me sentia estranhamente consciente da presença dele perto demais.

O garçom apareceu quase imediatamente, e Edward deixou que eu escolhesse primeiro antes de fazer seu pedido. O silêncio entre nós não era desconfortável, mas carregava aquela tensão constante que parecia existir sempre que ficávamos sozinhos tempo demais.

Tentei me concentrar no cardápio.

Na movimentação do restaurante.

Em qualquer coisa que não fosse Edward Cullen sentado na minha frente me observando discretamente.

— Você está nervosa — ele comentou depois de alguns minutos.

Levantei os olhos imediatamente.

— Não estou.

O canto da boca dele se ergueu levemente.

— Bella, você está apertando o guardanapo há cinco minutos.

Olhei para minhas mãos e percebi que ele tinha razão.

Bufei baixo antes de largar o tecido sobre a mesa.

— Talvez seja porque isso é estranho.

A expressão dele suavizou quase imediatamente.

— Porque estamos almoçando juntos?

— Porque faz muito tempo desde a última vez que conseguimos ficar no mesmo ambiente sem nos destruir emocionalmente.

Edward sustentou meu olhar em silêncio por alguns segundos antes de assentir devagar.

— Justo.

O garçom voltou naquele instante com nossas bebidas, quebrando a intensidade do momento. Respirei discretamente aliviada e agradeci baixo antes de pegar meu copo.

Foi então que ouvi uma voz feminina atrás de nós.

— Edward?

Meu corpo inteiro ficou tenso automaticamente.

Edward virou o rosto na direção da mulher que se aproximava da mesa com um sorriso amplo demais.

Ela era bonita.

Muito bonita.

Alta, elegante e perfeitamente arrumada de um jeito que me fez sentir cansada só de olhar.

— Samantha — Edward respondeu, claramente surpreso. — Oi.

Ela abriu um sorriso ainda maior ao parar ao lado da mesa.

— Meu Deus, quanto tempo. Eu quase achei que você estivesse me evitando depois daquele jantar.

Senti meu estômago revirar imediatamente.

Edward lançou um olhar rápido na minha direção antes de voltar a encará-la.

— Tenho trabalhado bastante.

— Imagino. — O olhar dela finalmente caiu sobre mim. — Oh... desculpa. Não queria interromper.

A maneira como ela analisou meu rosto rapidamente antes de sorrir educadamente me irritou instantaneamente.

— Não interrompeu — respondi antes que Edward pudesse falar.

Samantha voltou a olhar para ele.

— Você sumiu depois daquela noite na boate da Quinta Avenida, em Nova York. Achei que pelo menos responderia às minhas mensagens.

Meu maxilar travou.

Edward claramente percebeu.

— Samantha...

— Tudo bem, eu sobrevivi — ela brincou com uma risada leve. — Mas ainda acho que você me deve um jantar decente.

O silêncio na mesa ficou pesado.

Muito pesado.

Porque Edward não respondeu imediatamente.

E aquilo bastou para algo feio se contorcer dentro de mim.

Ciúmes.

Ridículo.

Irracional.

Completamente injustificável.

Mesmo assim, estava ali.

Edward finalmente respirou fundo.

— Acho melhor não.

Ela arqueou as sobrancelhas, surpresa.

— Uau. Direto assim?

— Samantha...

— Tudo bem, entendi. — Ela levantou as mãos em rendição antes de sorrir outra vez. — Foi bom te ver, Edward.

Então voltou o olhar para mim.

— E você também.

Esperei até ela desaparecer pelo restaurante antes de voltar a encarar Edward.

— Então... jantar?

Edward soltou o ar lentamente.

— Bella...

— Não precisa explicar. — Peguei meu copo outra vez, tentando ignorar o gosto amargo na boca. — Você claramente continua sendo muito requisitado.

A expressão dele mudou imediatamente.

— Isso é ciúme?

Levantei os olhos tão rápido que quase me ofendi.

— Claro que não.

O maldito sorriso dele apareceu de novo.

Pequeno.

Quase provocador.

— Bella...

— Não começa.

— Você está brava comigo porque uma mulher falou comigo por dois minutos.

Inclinei o corpo para frente imediatamente.

— Não estou brava. Só acho impressionante como você consegue transformar qualquer lugar em uma audição para "quem vai sair com Edward Cullen".

Ele ficou me encarando por um segundo antes de, inesperadamente, rir baixo.

E aquilo me irritou ainda mais.

— Você está rindo de quê?

— Porque você fica linda com ciúme.

Meu coração tropeçou no peito de forma humilhante.

— Eu não estou com ciúme.

— Claro.

Passei o resto do almoço irritada demais comigo mesma para conseguir olhar diretamente para ele por muito tempo.

E o pior era perceber que Edward parecia perigosamente satisfeito com isso.

Não voltamos a falar sobre aquele assunto. Continuamos nosso almoço de maneira tranquila. No entanto, eu ainda estava entalada com a situação e com a tal Samantha.

O caminho de volta até o escritório foi silencioso.

Não um silêncio confortável.

Um silêncio carregado.

Eu continuava irritada, e Edward claramente sabia disso. O problema era que ele parecia cada vez mais entretido com a situação.

Quando entramos no elevador vazio, apertei imediatamente o botão do andar do escritório e cruzei os braços.

Edward permaneceu quieto atrás de mim por alguns segundos.

— Você realmente ficou com ciúme.

Fechei os olhos brevemente.

— Edward, pelo amor de Deus...

— Bella, você praticamente quis matar a mulher com o olhar.

Virei-me imediatamente para ele.

— Talvez porque ela estivesse praticamente se jogando em cima de você.

— E você odiou isso.

— Eu odiei que você tenha gostado disso.

Assim que as palavras saíram da minha boca, percebi o erro.

O olhar dele escureceu no mesmo instante.

Meu coração disparou.

Edward deu um passo na minha direção.

Depois outro.

— Bella...

— Não.

Mas minha voz saiu fraca demais.

Perigosa demais.

Ele parou perto o suficiente para que eu sentisse seu perfume, e aquilo sozinho já bagunçou completamente meus pensamentos.

— Você faz ideia do que está fazendo comigo? — perguntou rouco.

Minha respiração ficou presa na garganta.

— Edward...

— Porque eu estou tentando fazer isso direito. Estou tentando ir devagar, tentando respeitar seu tempo... — ele passou a mão pelo cabelo, claramente frustrado. — Mas você me olha desse jeito e depois fica com ciúme de outra mulher falando comigo como se ainda fosse minha.

O elevador pareceu pequeno demais de repente.

Meu corpo inteiro queimava.

— Você está me enlouquecendo, Bella.

Antes que eu conseguisse responder qualquer coisa, Edward segurou minha cintura e me puxou contra ele.

O beijo veio quente, intenso e desesperado o suficiente para arrancar completamente o ar dos meus pulmões.

E Deus.

Eu tinha sentido falta daquilo.

Da forma como ele me beijava como se estivesse perdendo o controle.

Como se me quisesse mais do que qualquer coisa.

Minhas mãos agarraram sua camisa sem que eu percebesse, e Edward soltou um som baixo contra minha boca antes de aprofundar ainda mais o beijo.

Quando o elevador finalmente parou, nós dois estávamos sem fôlego.

Edward encostou a testa na minha enquanto tentava recuperar a respiração.

— Sai comigo — pediu rouco. — Uma noite. Só nós dois.

Meu coração bateu forte demais dentro do peito.

E o pior era que uma parte perigosamente grande de mim queria dizer sim.

Notas finais
Os próximos já estão escritos!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.