For You I Do Everything
47 Capítulo 46
Fazia exatamente cinco dias desde que Edward me beijou. Cinco dias desde que ele me deixou com um beijo na testa e uma promessa silenciosa de que esperaria. E ele estava mesmo cumprindo. Nem uma investida fora do tom, nem uma palavra atravessada. Só paciência, atenção... e aqueles malditos olhos verdes que me despem cada vez que se cruzam com os meus.
A nova rotina com a faculdade começou. Cansativa, mas revigorante. Eu sentia que estava voltando a ser eu de verdade. A garota que sonhava, que tinha planos além de fraldas e noites em claro. Agora, com minha independência reconquistada aos poucos, eu começava a entender que não precisava de Edward. Eu podia viver sem ele. Mas... talvez ainda quisesse ele. E isso me deixava furiosa. E excitada.
Edward vinha buscar a Nessie todos os dias antes das minhas aulas. Era pontual, gentil, e me tratava com uma delicadeza que eu mal reconhecia. Às vezes ele me esperava na saída, outras, deixava mensagens simples:
"Nessie brincou com a vovó hoje e comeu banana sem reclamar. Ainda não acredito nisso."
Ou:
"O Snoop aprendeu a abrir a porta do armário da cozinha. Mande ajuda."
Ele não cobrava nada, não forçava nada. E era justamente isso que me desarmava. A cada gesto sutil, eu sentia minhas defesas ruírem. A cada risada da Nessie ao lado dele, eu me apaixonava de novo. E odiava isso. Porque amar Edward era fácil. Difícil era confiar.
Era sexta-feira à noite. Eu estava voltando da última aula quando meu celular vibrou.
Edward:
"Esme ficou com a Nessie hoje. Passei no mercado e trouxe pizza. Só pensei que talvez você estivesse cansada demais pra cozinhar. Se quiser, venha comer aqui. Prometo não fazer drama."
Li a mensagem três vezes.
Pizza. Ele sempre sabia o jeito certo de ser gentil sem parecer carente. O velho Edward teria comprado a pizza e jogado em cima da mesa com uma bronca. Esse novo... me convidava com um quase sussurro.
Respirei fundo. Ok.
Só pizza.
Nada mais.
O apartamento dele estava com um cheiro delicioso de massa assando no forno. Quando abri a porta, Snoop veio ao meu encontro como se eu fosse a dona da casa. Ajeitei a alça da bolsa e sorri.
— Parece que você já me adotou, hein?
— Ele tem bom gosto — a voz dele veio da cozinha, firme, quente. — Você quer vinho?
Pisquei, surpresa.
— Está tentando me embebedar?
Ele riu, com a garrafa já aberta nas mãos.
— Você está me tratando com frieza há dias. Achei que vinho fosse mais eficaz que terapia.
— Isso não é frieza, Edward. É... precaução.
Ele me entregou a taça e se aproximou devagar.
— Precaução contra mim?
— Precaução contra mim mesma.
Nossos olhos se encontraram, e dessa vez eu não desviei. Havia algo diferente em mim agora. Eu estava mais segura, mais estável. Ele percebeu isso. E isso pareceu deixá-lo ainda mais atraído.
— Sabe o que é engraçado? — Ele murmurou. — Quanto mais você se torna essa mulher segura, decidida, independente... mais eu quero você. E menos quero atrapalhar sua liberdade.
Fiquei em silêncio por um momento. Porque tudo que ele dizia... era exatamente o que eu queria ouvir.
— E se eu te dissesse que liberdade também é poder escolher quem eu quero do meu lado?
Ele deu um passo a mais. Estávamos perto, mas ainda não nos tocávamos.
— Eu não daria um passo sem sua permissão, Bella. Mas eu... quero muito você. Cada parte de você. Sem pressa. Mas com intensidade.
Meus dedos tremiam, não de medo, mas de expectativa. Então, lentamente, coloquei a taça na mesa e dei o último passo. Aproximei-me, toquei o peito dele, sentindo o coração acelerado sob os dedos.
— Não encoste em mim... até eu pedir.
O olhar dele ardeu. Um tipo de prazer e surpresa passou por seus olhos. Ele apenas assentiu.
— Sim, senhora.
A noite passou devagar, como se o tempo soubesse que havia algo prestes a acontecer, mas quisesse prolongar o momento até o último segundo. A pizza estava esquecida sobre a mesa, o vinho praticamente intocado. A conversa fluía, mas nossos corpos diziam muito mais do que qualquer palavra.
Edward estava diferente. Não o homem explosivo que um dia me feriu. Ele agora era sutil. Perigoso, mas com doçura.
Sentamos lado a lado no sofá. Nossa filha já estava em um sono profundo depois de passar horas brincando de atormentar o cachorro. Snoop dormia aos nossos pés, e a playlist suave de jazz que ele colocara no fundo preenchia os silêncios com um certo erotismo involuntário.
— Nunca imaginei você ouvindo jazz. — comentei.
— E eu nunca imaginei você me dando uma segunda chance. — respondeu com um sorriso enviesado.
Sorri, mas meu peito apertou. Ele sabia exatamente o peso que aquelas palavras carregavam. Eu ainda não havia dito nada abertamente. Mas meu corpo... meu olhar... já haviam confessado tudo.
Me virei em sua direção, dobrando uma perna no sofá para ficar de frente para ele. Edward não se mexeu, mas seus olhos escureceram. Me observavam como se o simples movimento dos meus dedos fosse sagrado.
— Você está me olhando como se fosse me devorar. — sussurrei, com o coração martelando no peito.
— Porque estou tentando não fazer exatamente isso.
Me aproximei, lenta. Deliberada. Deixei os dedos tocarem o colarinho da camisa dele, abrindo o primeiro botão, com calma. Sem urgência. Os olhos de Edward seguiram cada movimento meu como um animal em alerta. Desejo bruto, mas contido.
— Me diga que posso te beijar. — ele pediu, a voz rouca, baixa.
— Não. — murmurei, sentindo meu corpo inteiro vibrar. — Eu vou te beijar.
E fiz.
Me inclinei e o beijei com vontade. Sem hesitação. Nossos lábios se encontraram com força, calor, e saudade. Edward gemeu baixo, suas mãos se posicionaram nos meus quadris, mas ele não puxou. Ele apenas esperou. Me deixou comandar.
Minha língua encontrou a dele com avidez, mas com ritmo. A cada toque, eu o sentia se render, e isso me dava poder. Ele reagia com gemidos contidos, com dedos tensos nas coxas, como se se segurasse para não me virar de costas e tomar o controle.
Quando me afastei por um segundo, ofegante, vi o rosto dele contorcido de desejo. Os olhos entreabertos, a boca entreaberta.
— Você vai me matar assim. — ele sussurrou.
Sorri.
— Você ainda me deseja tanto assim?
— Bella... você tem noção do que faz comigo?
Beijei seu pescoço, descendo devagar até a curva entre o ombro e a clavícula. Mordi levemente ali, só pra testar a resposta. Ele arfou.
— Talvez. Mas me mostre. — desafiei, provocando.
Ele cravou os olhos nos meus. Não era mais o mesmo Edward. Havia uma mistura perfeita entre controle e rendição ali. Ele queria — muito. Mas não ultrapassaria o limite que eu impusesse. Isso só aumentava o calor entre nós.
Me puxou devagar, firme o bastante pra me fazer sentar no colo dele, com uma perna de cada lado. Meu vestido subiu um pouco, mas não me importei. Sentia o calor do corpo dele contra o meu e cada músculo dele tenso sob minhas coxas.
Seus beijos agora vinham com mais força. A língua explorando, os dedos subindo pelas minhas costas até segurarem minha nuca. Arfamos entre os beijos, entre uma mordida e outra.
— A gente devia parar. — murmurei, quando senti minha sanidade começar a derreter.
— Não sou eu quem está no controle. — ele respondeu, com um beijo molhado atrás da minha orelha, me arrepiando inteira.
— Esse é o problema.
Me afastei devagar, a respiração descompassada. Me sentei ao lado dele novamente, tentando me recompor, enquanto ele passava as mãos pelo rosto, claramente no limite.
— Você me deixa sem ar. — ele disse, rindo com a voz rouca.
— E você me deixa... vulnerável. Isso ainda me assusta.
— Eu não quero que você tenha medo de mim, Bella.
— Eu não tenho. Tenho medo de mim mesma com você.
Silêncio. Mas era um silêncio denso, quente, cheio de coisas não ditas.
Ele passou os dedos pela minha coxa, devagar. Depois pousou a mão sobre a minha, sem força, sem posse. Só presença.
— Quando você estiver pronta... não vai haver mais espaço pra medo. Nem pra dúvidas. Só eu e você. E essa vontade maldita que a gente não consegue conter.
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