Notas iniciais
Vejo vocês lá embaixo. Boa leitura!

Capítulo 26

Depois da conversa que teve com Paul, Bella admitiu que talvez ele fosse mesmo diferente dos demais amigos do ex-marido. Ela lembrava bem da noite em que Paul havia lhe defendido dos venenos que seu ex-marido soltava e ficou agradecida pela atitude do rapaz.
Ela não impediria que Paul fosse seu amigo, ainda mais agora sabendo que ele e Edward não se falavam, ela ficou curiosa pra saber mais sobre aquilo, mas não seria uma boa ideia logo de inicio de uma amizade se meter na vida dos outros. A única coisa que Bella estava ciente era que não deixaria qualquer outra pessoa ultrapassar os limites, qualquer tipo de sentimento a mais que amizade seria cortado pela raiz desde o inicio, antes que viessem a prejudicar ambos os lados. – Concluindo esses pensamentos.

Olhou no relógio de pulso e constatou que já faziam mais de trinta minutos que a amiga tinha ido comprar sorvete com a filha e não voltado, ela começou a se preocupar com a demora.

Ela estava tão distraída e preocupada que não notou mais uma vez que estava sendo observada.
Sua atenção só foi atraída quando escutou seu nome sendo chamado.

— Isabella.

O sussurro veio de trás de si.

Seu corpo arrepiou dos pés a cabeça, estava petrificada.
Qualquer movimento parecia ter sido esquecido de como serem feitos.

A voz... Aquela era a voz que há meses ela tentava fugir, mas os planos sempre pareciam dar errado, a prova disso estava ali, mais uma vez ele teria a encontrado.

Como se tudo estivesse em movimentos lentos, ela se virou e ficou de frente para o homem que já havia feito ela sofrer tanto. Edward estava mais uma vez na sua frente e ela não tinha qualquer maneira de fugir.

Ele não pode deixar passar despercebido o olhar e a atitude da mulher quando seus olhos se encontram.
Aqueles olhos que há anos atrás brilhavam de alegria, agora não passavam de um castanho opaco que transmitiam sofrimento. Aquilo foi como se levasse um soco no estômago, qualquer palavra seria pouca para descrever o que sentiu ao olhar novamente para o rosto da mulher que jurou não sentir nada durante anos, pena que estava enganado.

—Edward! – A voz de Bella também não passou de um sussurro.

Edward não estava tão diferente da mesma situação que ela. Ele não imaginava nunca que a encontraria tão cedo, e agora estavam ali, um de frente para o outro, depois de tantos meses separados e sem ao menos uma notícia.

O olhar dele passou por todo o corpo de dela e parecia analisar cada detalhe. A primeira coisa que notou foi a barriga, mas também não pode deixar de notar o quanto ela estava linda.
Ele sempre a achou linda, mas agora ela parecia diferente. Bella sempre teve o corpo bonito e curvilíneo, mas agora suas curvas estavam mais destacadas, e ele percebeu que não era somente isso, havia outra coisa também, uma “luz” diferente que parecia chamar mais a atenção de sua beleza.

Enquanto a mirava de cima a baixo, ela tentou agir e passar por ele, mas ele foi mais rápido e a puxou pelo braço.

— Onde pensa que vai? – O tom de voz era seco, mas Bella notou que ao mesmo tempo não soava como todas as vezes que ele lhe dirigia a palavra como antes.

— Me solta. – disse ríspida.

Bella tentou puxar seu braço do aperto, mas isso somente deu mais motivo para que Edward colocasse pressão nos dedos tentando mantê-la no lugar.

Mesmo o parque estando cheio de pessoas, nenhuma delas notou o que estava acontecendo, quem passava pensava que não passavam de um casal normal conversando civilizadamente.

— Solte o meu braço, agora – ordenou.

— V-você está diferente. A gravidez... A barriga. Você já deu a luz e ao menos teve a coragem de comunicar isso para a família.

— Que família? Pelo o que eu saiba, a única família que tinha me deu as costas quando eu fiz a burrada de me envolver com você.

Bella já estava assustada.

— Deixe-me passar. – tentou novamente puxar os braços, mas novamente sem sucesso.

— Eu quero conhecê-la. – Aquilo não parecia ter soado como um pedido e sim como uma ordem.

— Nunca! Você não vai chegar perto dela, Edward. Suma, desapareça como você sempre fez todos esses anos que estivemos juntos. Volte para suas amantes e infernize a vida delas como fazia com a minha. Agora me solte antes que eu comece a gritar e chamar a atenção das pessoas, elas já estão começando a notar.

— Que notem! – disse com firmeza. – Não quero saber dessas pessoas, a única coisa que me interessa no momento é você e minha filha. Isabella, onde está a nossa filha?

“Ele sabe.” – O pensamento de Bella gritou em alerta.

— Quem lhe garante que tive uma menina ao invés de um menino, Cullen?

— Não brinque comigo Isabella. Eu sei muito bem que nós tivemos uma filha. Uma menina, agora eu quero saber onde é que ela está.

— Você não vai chegar perto dela! Não ouse se aproximar dela ou eu esqueço que sou Isabella Swan e te mato.

— Então realmente é uma menina. – confirmou.

Os olhos verdes ganharam tons diferentes.
Bella sabia que aquele olhar significava felicidade, ela já tinha visto algumas vezes aquele mesmo olhar em algumas festas de família ou quando se tratava de algo que Edward gostava. O choque maior era por estar se tratando da filha, pelo que se lembrava, ele mesmo havia lhe tratado com frieza e crueldade quando disse a possibilidade de ser uma menina e não um menino.

— Vamos combinar uma coisa, — a voz de Edward não passava de sussurro e seus rostos estavam próximos um do outro – Eu te solto assim que você disser onde está nossa filha.

— Minha filha! – o corrigiu.

— NOSSA! Pelo que lembro você não a fez sozinha.

— Você é ridículo. – Bella usou um tom como se estivesse com nojo dele – Como soube que é uma menina? Que eu saiba nenhum de vocês sabem da existência dela – disse se referindo a família Cullen, em exceção de Rosalie.

— Exatamente por isso que quando olho pra você e penso das coisas que você me escondeu, eu sinto vontade de... – Bella não o deu tempo de terminar a frase.

— De que? Vai me bater agora? Bate! Suja mais sua ficha imunda. Uma coisa a mais ou menos não faz a diferença do homem de gelo que você é.

Raiva. Esse era o sentimento que os dois estavam tendo no momento.

— Aqui não é o lugar para termos essa conversa. – Edward concluiu.

— Aqui e nem em lugar nenhum. Nossa conversa acabou quando eu dei um fim nisso. O que você quer agora? Eu já lhe dei o seu tão sonhado divórcio, será que agora não pode me deixar em paz?

— Você esquece que temos uma filha?

— Você nunca ligou pra isso.

—Eu... – Edward puxou o ar fortemente e o solto logo em seguida tentando ter alguns segundos para colocar seus pensamentos no lugar. – Bella, por favor vamos conversar civilizadamente em um local onde não tenha plateia e que nós dois estejamos calmos, eu não vou te forçar a fazer nada por agora, mas esteja ciente que vou entrar em contato com você e se você tentar fugir novamente, eu juro que vou atrás de você mesmo que seja no inferno.

— Acho bom que você esteja preparado para ir até lá.

Edward desapertou os dedos que prendiam seu braço no mesmo instante que ela o puxou com força, fazendo assim com que ela cambaleasse para trás e quase caísse, mas o reflexo de Edward foi mais rápido e pôde firmá-la pela cintura.
Bella percebeu o toque e tratou de afastá-lo com um empurrão forte que fez Edward se mover para trás.

— Vou deixá-la em paz por hoje, mas lembre-se que vou entrar em contato com você e será melhor que não fuja.

Antes que Bella retrucasse, ele lhe deu as costas.

Isabella viu ele se afastar até o ponto do estacionamento e dar partida no seu volvo, assim deu graças aos céus por ter a oportunidade de voltar a respirar normalmente.

Bella agradecia por Ângela ainda não ter voltado com Nessie, elas provavelmente tinham se distraído em alguma área do parque e por isso demoravam. Ela só notou que as mãos estavam frias e tremendo quando tentou pegar a bolsa que tinha no carrinho, depois que conseguiu fazer isso, pegou o celular e discou o número de Ângela.

Não demorou o aparelho ser atendido e Bella combinar com a amiga de se encontrarem no final da rua mais próxima.
Depois de recolher todos os pertences do banco e colocá-los dentro do carrinho de bebê, ela caminhou tentando colocar seu estado emocional no lugar antes de encontrar a filha novamente.

— Você demorou, achei até que tinha ido para o apartamento.

Bella sussurrou um desculpe para Ângela e pegou Nessie a abraçando apertado.

— Aconteceu alguma coisa? – Ângela estava preocupada com o estado da amiga. – Você parece que viu um fantasma.

— E vi mesmo! Ângela, eu acabei de bater de frente com Edward Cullen, o seu chefe, o pai da minha filha e meu ex-marido.

Ângela não demostrou surpresa. Já imaginava que poderia ter acontecido aquilo, por isso demorou a ir ao encontro da amiga. Mas agora ficava por sua conta contar que talvez Edward não tenha somente batido de frente com ela, mas também com sua própria filha e ao menos se deu conta disso.

— Eu preciso te contar uma coisa... – Ângela olhou para a amiga.

— Pode ser quando chegarmos em casa? Estou em um estado de nervos e apreensiva, tenho medo de que alguém esteja nos vigiando.

— Ele não seria louco...

—Eu conheço Edward há três anos, vivi com ele debaixo do mesmo teto e ainda fui sua mulher... Bem, não estava muito pra isso, mas de certa maneira fui, o conheço e sei que ele é capaz de tudo pra conseguir o que quer.

A amiga assentiu e as duas partiram para o apartamento.

Bella sabia que não adiantaria se esconder para sempre.
Era o momento de mostrar que amadureceu e encarar seus problemas de frente, isso começando pelo pai de sua filha e toda família Cullen, e talvez até mesmo o seu pai.

............

Edward dirigia nervoso pela cidade, ainda não acreditando que havia encontrada Isabella.

Mais cedo naquele mesmo dia, ele estava na casa dos pais na companhia de Rosalie e Emmett. Carlisle e Esme já sabiam do divórcio. Mesmo tentando fazer Carlisle se controlar de todas as maneiras possíveis, Esme não conseguiu conter as provocações que o marido as vezes lançava ao filho, ela também não estava feliz por saber todas as atitudes que ele teve durante todos esses anos, mas como mãe não poderia abandoná-lo.

Emmett ficou constrangido da maneira que as vezes Carlisle falava da relação dele com Rosalie e tomando-a como exemplo para a vida de Edward. O velho estava jogando em sua cara todos os erros que ele já tinha cometido.
Carlisle até chegou a dizer que o maior erro da sua vida foi ter o colocado na presidência da empresa, e que se não fosse por Esme, nem na empresa ele trabalharia mais.
A casa dos Cullen’s estava em um clima pesado e tentando fazer aquilo mudar, Esme pediu para que Edward fosse fazer uma ‘pequena compra’ de alguns produtos que faltavam para sua receita, mas na verdade não faltava nada, era só uma maneira de poder ficar sozinha com Carlisle e tentar convencê-lo a parar de tratar o filho tão mal. Foi então que ele parou naquele parque. Seu objetivo era somente poder esfriar um pouco a cabeça de toda confusão e depois voltar para a casa dos pais, mas agora estava com a cabeça mais atormentada do que antes.

Edward estacionou o carro na frente da mansão da casa dos Cullen, mas a forma que fechou a porta atrás de si acabou chamando a atenção das pessoas que estavam na grande sala.

— O que aconteceu? – Rosalie se aproximou – Irmão você parece que viu o demônio.

— E vi mesmo Rosalie.

A irmã nunca o tinha visto fora de si como estava agora.

— Sabem com quem acabei de me encontrar?

— Com quem? – dessa vez foi Esme a perguntar com curiosidade pela resposta.

— Isabella Swan. Eu acabei de encontrar com Isabella.

Mãe e filha ficaram estáticas no lugar.

— E como foi isso? Como ela está? E a nossa neta? – Esme disparou tantas perguntas para o filho que só parou quando Rosalie a olhou repreendendo por ter falado demais.

— Vocês sabiam! Todos vocês sabiam o tempo todo sobre a existência da minha filha e nunca me disseram nada?

— Edward, tente se acalmar por favor. – Rosalie tentou tocar os ombros do irmão que esquivou do toque.

— Acalmar? Eu fiquei dias procurando sem se quer uma única informação do paradeiro delas e vocês sabiam o tempo todo, até mesmo você Emmett. – acusou.

— Cara, eu não conheci sua filha. – se defendeu.

— Mas sabia da verdade o tempo todo! É por isso que você falava todas aquelas coisas... Agora faz todo o sentido.

— Pare de fazer tanta tempestade em copo d’água. – A voz de Carlisle saiu do meio deles – Todos sabiam que você nunca ligou para Isabella e muito menos pra criança que ela esperava, achava mesmo que alguém aqui iria aliviar sua barra, moleque?

— Papai, pare com isso. – Rose tentou dizer.

— Vocês não entendem... Nunca vão entender. – Edward respirou fundo e olhou para a mãe com o olhar triste – Eu não conheci minha filha mãe, ela não estava com Isabella e pelo que vi, Bella vai fazer de tudo para deixá-la longe de mim.

— Ela não pode te manter afastado.

— Mãe – Rosalie interferiu – Bella sofreu muito nas mãos de Edward. Mesmo ele sendo o pai, ela ainda tem medo de que ele possa machucar Renesmee.

— Renesmee?

Edward perguntou olhando para a loira que ainda estava parada em sua frente.

— É esse o nome dela, Rose?

— Sim, Edward. É esse o nome da sua filha. Foi uma mistura do nome da mãe de Bella com a nossa mãe.

Outra informação que agora ele sabia sobre sua filha.
Seu maior desejo no momento era poder conhecê-la, poder abraçar e sentir pelo menos um pouco o lado de como era ser pai.

Rosalie tentou explicar para Edward tudo o que sabia sobre Renesmee, mas a irmã negou tudo sobre onde Bella estava vivendo ou onde ele poderia encontrá-la.
Edward sabia que sua única saída no momento seria convencer Bella a deixá-lo conhecer a própria filha... Quem diria, Edward Cullen nunca foi de ficar na mão de ninguém, mas parecia que tudo havia mudado e agora ele estava nas mãos da mulher que ele mais fez sofrer todo esse tempo.

............

Assim que Bella entrou no apartamento percebeu que Ângela estava diferente e muito quieta.

— O que aconteceu? Você também está estranha. – Perguntou – Por qual motivo você estava desesperada me pedindo desculpas?

Ângela não sabia como começar a dizer tudo o que estava acontecendo, por isso ficou alguns segundos olhando para a amiga tentando achar as palavras certas para usá-las.

— E-eu... – gaguejou – Eu encontrei com Edward no parque. Eu não sabia que ele estava ali perto ou coisa assim e quando vi, ele já tinha se aproximado de mim e de Nessie. Eu tentei afastá-lo o mais rápido possível, mas não foi o suficiente.

— Ele a reconheceu? Ele soube ou desconfiou de alguma coisa? – Perguntou com medo.

— Não, o crápula nem se quer ligou um fato ao outro do quanto eles são parecidos.

Isabella suspirou em alivio.
Talvez o reencontro fosse inevitável. Ela não iria conseguir manter Nessie por muito mais tempo afastada dos Cullens, sabia disso.

Renesmee dormia calma e tranquila no confortável carrinho de bebê. Em nenhum momento chorou ou desconfiou do clima que passava nesse mundo louco que estava ao seu redor.

— Eu tenho medo que ele a faça sofrer, Ângela.

— Então faça que ele mude.

— Eu tentei fazer isso desde que nos conhecemos, acha que a essa altura do campeonato eu vou conseguir fazer essa mágica?

— Mas antes você não tinha o elemento mágico chamado Renesmee. – lembrou – Bella, eu vi nos olhos de Edward o quanto ele ficou balançado só de aproximar de Nessie sem ao menos saber que ela era sua filha.

— Ele disse que vai entrar em contato comigo para conversarmos mais calmamente.

— Isso é ótimo. Use esse encontro para dar inicio a mudança.

Isabella parecia estar em uma discursão interna consigo mesma.

— Sabe uma coisa que eu não entendi? Edward disse que vai entrar em contato comigo, mas não me pediu sequer o telefone ou algo do tipo.

— Eu...

Bella lançou um olhar de desconfiança para a amiga, ela estava começando a ligar os pontos uns aos outros.

— Ângela, foi por isso que você perguntou tanto sobre os telefonemas hoje pela manhã? É por isso? Você passou meus dados para o Edward sem eu saber. – disse indignada.

— Pelo amor de Deus me perdoa! Bella, você lembra que me perguntou o motivo do qual eu não falava do trabalho? Esse era o motivo. Edward andou me perseguindo tentando saber alguma coisa sobre você. Ele não imagina que você vive comigo ou que somos ligadas de alguma maneira, seu único pensamento é que tenho seus contatos porque Félix é seu advogado, Por favor, não fique com raiva de mim.

Ela queria poder ficar com raiva da amiga, mas não conseguia.

— Eu não consigo ficar com raiva de você. Meu círculo parece estar se fechando cada vez mais e eu não sei o que fazer. – Esfregou o rosto com impaciência.

— Já lhe dei a dica, faça-o mudar. Edward não é aquele homem de gelo que aparenta ser.

Essas foram suas últimas palavras antes de deixar Bella e Nessie sozinhas na sala e seguir para dentro do apartamento.
Isabella ainda ficou alguns minutos pensando no conselho da amiga, e chegou a conclusão de que se Edward quisesse realmente estar do lado da filha, ele teria que mudar de todas as formas possíveis.

.........................

Assim que chegou em casa, Edward foi direto para o banho.
Os empregados não estavam na casa devido ao horário, já era tarde e provavelmente todos já estariam em suas casas.

Depois de fazer sua higiene pessoal, Edward desceu para o bar e fez o que havia se tornado sua rotina frequente desde que ficou sozinho, beber.

Beber todas as noites estava se tornando um habito horrível, já que sempre foi fraco para bebidas, mas para ele parecia ser a única maneira de poder aliviar um pouco da culpa que sentia ao ficar sozinho.

Edward levantou as mãos com o copo de whisky e ficou olhando para o cristal, mas seus pensamentos voaram até os acontecimentos que haviam ocorrido algumas horas atrás.
Bella sozinha naquele parque, Ângela com uma criança que aparentava ter poucos meses de vida, e sem contar todo o nervosismo da moça.
Os pensamentos dele se firmaram na imagem do bebê em sua mente, os traços dela lembra-o os seus quando era criança, até mesmo depois de adulto, a cor dos cabelos, os olhos...

— É ela! – concluiu – Era minha filha bem em minha frente e eu não reconheci isso. – Por um segundo ele sentiu raiva de si mesmo.

Olhou para o telefone e depois para o relógio que marcavam quase meia noite.

“Será que ela está acordada?” – Foi o pensamento dele antes de pegar o telefone e ligar para o número que já era bastante conhecido por ele.

................

Bella acabava de colocar Renesmee no berço e estava se preparando para dormir quando seu telefone tocou.
Ela estranhou por ser tão tarde e alguém estar ligando nesse horário, mas mesmo assim decidiu atendê-lo sem ao menos olhar o número desconhecido que piscava na tela do aparelho.

— Alô. – não houve sequer uma resposta — Alô? Quem está falando?

A linha ficou muda por alguns segundos e ela tornou a repetir o cumprimento para quem quer que seja do outro lado da linha se identificasse.

— Isso já está se tornando chato. Seja quem for, quer falar logo o que você quer ou parar de me ligar a essa hora da noite, diferente de você eu tenho que dormir e descansar, não tenho tempo para joguinhos, então já que não vai dizer nada tenha uma boa noite.

Antes de desligar o aparelho a voz surgiu no telefone.

— Espera! Sou eu... Edward.

— Edward? Eu não acredito que você está me telefonando a essa hora da noite. O que você quer?

— Sabe o que eu quero. Eu disse que entraria em contato.

— Precisava ser essa hora da noite?

— Desculpa, estou tão ansioso que não pude esperar mais. Por favor, Bella vamos marcar de conversar.

— Por mim eu não falaria com você nunca mais.

— Mas isso não é só entre você e eu, agora temos nossa filha também.

— Minha filha.

— Nossa!

— Eu não estou disposta a entrar nesse seu joguinho...

— Segunda-feira. – a cortou – Não vou pedir seu endereço porque sei que não vai me passar, mas já que você conhece o escritório você pode ir até lá para conversarmos civilizadamente. Não vou impor um horário, largo tudo para atendê-la a hora que você quiser.

Edward Cullen tirando um pouco do seu tempo precioso para ela? Aquilo era novidade – Pensou irônica.

— Não tenho como fugir, não é mesmo?

— É. – concordou.

— Boa noite, Cullen.

Antes que ele respondesse ela desligou o telefone.

Edward ainda estava com o aparelho no ouvido.
Ela não tinha lhe dado a chance de se despedir ou lhe dar boa noite, mas com toda razão, ele nunca tinha feito aquilo durante todos os anos que estiveram juntos.

Ele estava cansado, cansado da pessoa que tinha se tornado.
Por um momento se perguntou onde foi parar aquele Edward bacana que anos atrás existia. Aquele Edward que era amigo e companheiro, que tinha sentimentos... Um Edward que não enxergava só assim mesmo.

Lembrou-se de quando começou namorar Isabella. No começo ainda era tudo muito novo por ela ser menor de idade e ainda estar no colegial, mas depois viu o quanto a garota era amadurecida para sua idade e apesar de tudo, nunca negou que ela era realmente bonita... Muito bonita por sinal, não o chocava Félix ter se interessado por ela.
Foram dois anos de namoro.
Dois anos que ela suportou todas suas grosserias e sempre cuidando dele e lhe dando amor e carinho, coisa que ele não retribuía nunca.

—-- Flashback ---

Edward tinha acabado de chegar de uma viagem que havia feito para a Rússia.
O frio que fazia no lugar era tão violento que ele acabou pegando um resfriado que o fez ficar de cama durante uma semana.

Bella como boa namorada não se afastou dele por um momento, ela estava sempre ali presente e fazendo tudo que estava ao seu alcance para fazer com que ele ficasse bem.

Naquele fim de semana Bella havia pedido permissão para dormir na casa dos Cullen, normalmente Charlie não deixava que aquilo acontecesse, mas as regras mudaram depois que Bella completou dezoito anos e contou para o pai que o namoro já estava sério o bastante, então não havia mais motivos para Charlie prender tanto a filha como antes.

A ideia de inicio era passar a noite no quarto de Rosalie e só ficar com Edward até o momento de irem dormir, mas no meio da noite Bella resolveu acordar e ir para o quarto do namorado.

Ao chegar ao quarto dele, notou que ele ainda estava acordado e sentado na cama, escorado na cabeceira e com o controle remoto nas mãos passando os canais com a expressão de tédio.

— Posso incomodar? – ela perguntou.

— Já é de costume fazer isso.

Ela ignorou o humor do rapaz.

— O que está assistindo? – ela se sentou ao seu lado e viu que ele tinha parado em um canal de filme.

— Estava tentando achar alguma coisa legal para assistir, mas parece que todos os canais resolveram não transmitir nada de interessante.

— Você deveria estar descansando?

— Você as vezes é tão mandona.

— Sou cuidadosa, é diferente.

Ela esticou o braço até que encostou a palma das mãos contra a testa dele.

— Sua temperatura está mais baixa, melhor assim.

Ele aproveitou aquele momento para analisá-la.

— Obrigado. – sussurrou.

Ela ficou sem reação de principio pela atitude do rapaz.

— De nada. – respondeu simplesmente.

As luzes do quarto estavam apagadas e só a luz da TV iluminava o quarto.

Bella percebeu o clima mudar e ficou um pouco constrangida.

— Acho melhor eu voltar para o quarto de Rosalie.

— Você pode dormir aqui se quiser.

Até mesmo Edward estranhou aquele seu comentário, ele nunca agia de forma calma como estava agindo.

Bella se arrastou devagar para mais perto dele e encostou suas costas na cabeceira da cama.

— Você quer alguma coisa? – ela perguntou e ele negou com a cabeça.

Edward não queria dormir, mas também não queria ficar sozinho. Ambos estavam próximos demais.
Bella percebeu ele se mexendo ao seu lado e logo em seguida Edward deitava com a cabeça em seu colo. Com as mãos livres ele pegou as dela e depositou sobre seu cabelo.

Edward nunca foi de toques e caricias e aquilo era novidade. Com medo da reação dele, ela começou a fazer leves caricias no cabelo do rapaz.

Edward fechou os olhos e se permitiu por um momento relaxar, sentindo aquele toque.
Ele sentia que era diferente de todas as outras vezes que já foi tocado por alguém, então quando menos percebeu já havia sido levado pelo sono.

Era por volta das três da manhã quando ele acordou e notou que ainda estava na mesma posição que havia dormido, e ao se levantar viu que Bella também estava encostada nos travesseiros e dormia sentada.

Edward resolveu se aproximar e sem entender o motivo, começou a depositar leves beijos pelo rosto de Bella, fazendo assim com que ela despertasse assustada.

— Edward, — disse assustada e tentando voltar a consciência – Está tudo bem?

Por algum motivo ele estava se sentindo mais atraído por ela. Ele a queria... E não era desejo sexual, vingança ou só atração, ele a queria como sua mulher.
Foi então que ele começou novamente a distribuir beijo por todo rosto de Bella. Começou primeiro pelas bochechas, depois na testa, passou pelo nariz, e finalmente chegando à boca.
A princípio o beijo foi um leve experimentar de lábios, mas depois eles se beijavam fervorosamente fazendo que ambos ficassem sem ar.

No momento em que se afastaram para recuperar o ar, Bella tentou se afastar, mas ele foi mais rápido e a puxou novamente para perto de si.

— Não fuja. – sussurrou.

— Não estou fugindo. – explicou – Edward, você não está em condições de fazer qualquer coisa ou esforço...

— Eu estou ótimo. – cortou a abraçando novamente. – E... Obrigado por cuidar de mim.

Os dois continuavam próximos demais e eles podiam sentir a respiração um do outro.

— Me deixa te agradecer da forma correta por tudo que fez e faz por mim, por favor. – ele pediu.

Dizendo isso, ele a beijou novamente da mesma maneira anterior.

Bella adorou poder sentir aquela sensação.
Era a primeira vez que ela via Edward tão entregue e não queria estragar isso.

Sem notar ambos já estavam deitados e Edward sobre ela.
Com um sorriso amável no rosto ele olhava seus olhos e depois passou por todo o corpo dela, admirando-a.
Ele tirou sua blusa e teve a visão privilegiada dos belos seios que a ela tinha, isso fez com que Bella ganhasse um tom avermelhado e a deixasse mais chamativa.

— Você é muito linda... – ele sussurrou enquanto beijava o pescoço dela e todo seu corpo.

Todos os toques dele faziam com que o corpo dela tremesse e se arrepiasse. Eles já tinham feito sexo outras vezes, mas nenhuma vez havia sido como estava sendo aquela.

Bella gemia baixinho apreciando cada caricia que ele fazia, isso deixava ele mais louco.

Eles não tiveram chance de negar o que sentiam no momento e por isso se deixaram levar.

Edward a amou como nunca tinha feito com nenhuma outra mulher que esteve em sua vida, nem mesmo com Kate.
Ele não estava centrado somente em seu prazer, mas também em dar prazer a ela.
Edward sabia que ela queria aquilo tanto quanto ele. Gemidos, suor, palavras sem sentido ditas durante o prazer... Não se amaram só uma vez, mas duas vezes naquela noite.

—-- Fim do flashback ---

As lembranças fizeram com que Edward entendesse que Isabella estava mais presente em sua vida do que ele imaginava, ele se odiou ainda mais por se dar conta disso tarde demais.
Aquela noite não tinha sido só como uma forma de agradecimento, como tinha dito para ela e convencido a si mesmo, era muito mais que isso. Agora ele tinha a certeza que a filha tinha sido concebida naquele dia. Seu orgulho não deixava com que ele admitisse sentimentos na época, ele tentou esconder que a queria como mulher, ele queria amá-la, queria estar do lado dela... E agora parecia tarde demais para tudo aquilo, Bella o odiava e com toda razão.

Notas finais
EITA! O bicho pegou ali... O bicho pegou várias vezes, danadinhos rsrsrs. ♥ Eu nunca escrevi um capítulo que me desse tanto trabalho que nem esse. Escrever cena de sexo é difícil, ainda mais pra mim que nunca escrevi... Mas calma! Eu vou melhorar pra ficar melhor mais pra frente, esse ai ta fraco... eita rsrsrs #PartiuVêPornô /parei. Bom, eu acho que não ficou como muitas esperavam mas PELO AMOR DE DEUS NÃO TAQUEM PEDRA, AMÉM. Um abraço de urso para todas que comentaram no capítulo anterior :D Bjs e até o próximo capítulo.