For You I Do Everything
13 Capítulo 12
Notas iniciais
[POV BELLA]
Arrumei todas as coisas rapidamente e guardei as malas de volta no closet, deixando em um lugar fácil de serem pegas. Voltei para o quarto fazendo a mesma coisa que havia feito na sala, observei atentamente cada detalhe dele o guardando na memoria.
Depois de alguns minutos em minha pequena bolha, olhei para o relógio em meu pulso e vi que já estava na hora de sair para encontrar Félix.
Desci as escadas com cuidado, peguei a bolsa e as chaves do meu carro. Pelo menos o carro eu não teria que deixar para trás, ele foi um presente de aniversario que tinha ganhado de Charlie quando fiz 17 anos, pelo menos isso Charlie não tinha tirado de mim.
Dei partida em direção ao escritório de advocacia, torcia para que não encontrasse Edward pelo caminho. Estacionei o carro na garagem da empresa, no caminho pude ver o volvo e isso era um sinal que ele estaria ali. Mentalmente pedia aos céus que não o encontrasse pelo caminho e graças a Deus minhas orações foram atendidas, nenhum sinal do Cullen.
Entrei no elevador e apertei o 13° andar onde ficava a sala do meu amigo. As portas se abriram e de longe já pude ver os cabelos negros de Ângela e não demorou muito para que ela notasse minha presença.
— Bella — Veio até mim e me abraçou. – Que bom te ver por aqui.
— É bom ver você também.
— E essa barriga linda? Parabéns, já sabe o sexo?
— Menina.
Pra ela eu não tinha medo de contar, sabia que ela não tinha nenhum contato com Edward a não ser o profissional.
— Aww que fofo. – sorriu. – Félix me disse que estava esperando por você. – desviou do assunto.
— Pois é, reunião de negócios. – brinquei.
— Já posso anunciá-la?
— Por favor.
Ângela foi até a mesa pegando o telefone e anunciando minha chegada.
Assim que entrei em sua sala ele me recebeu com um abraço e me encaminhou até uma das duas cadeiras que ficavam de frente para grande mesa do escritório. Ele realmente já tinha deixado tudo pronto, bastava minhas assinaturas para que todo o processo da separação pudesse começar.
— Então Sr. Volturi, creio que conseguiu dar um jeito em todos os papéis.
— Claro que sim. Está lidando com o melhor advogado do país Sra. Cullen... Ops! Ou melhor, futura Ex Sra. Cullen.
Mesmo tentando manter o clima de brincadeira as coisas pareciam estranhas quando tratadas em voz alta. Estava vivendo a realidade que nunca imaginei.
— Tudo bem, vamos parar de falar besteiras e dar inicio a conversa séria. – mexeu na gaveta da mesa e de lá retirou alguns papéis dos quais eu já imaginava do que se tratava – Aqui esta o seus papéis necessários. – me entregou uma folha separada – Esse aqui é o papél que preciso que você assine primeiro para que possamos dar o andamento restante. Nos demais é só assinar onde estão marcados os “x”.
Prestei atenção na sua explicação para que não fizesse ou assinasse nada errado. Depois de entender tudo o que havia me dito, comecei a ler todas as cláusulas dos papéis e fiquei impressionada com a competência de Félix.
— Então quando assinar eu já estarei divorciada?
— Não tão depressa mocinha. Você primeiro assina e depois será a vez de Edward, quando ele assinar o Juiz os dará a tão esperada liberdade.
— Entendi.
— Tem mesmo certeza do que esta fazendo? Não acha melhor conversarem e ver se tem alguma chance de reconciliação? – Dessa vez não tinha tom de brincadeira, sua voz estava séria e o que estava em minha frente não era o Félix meu amigo e sim o advogado.
Pensei por um momento em suas palavras mas não, não teria mesmo uma reconciliação. A decisão estava tomada, não era o momento de voltar atrás. Antes de tudo era em minha filha que eu precisava pensar, era seu futuro que estava em jogo e eu não arriscaria deixa-la sofrer nas mãos daquele que me fez sofrer.
— Já tomei minha decisão, não vou voltar atrás.
Ele concordou com a cabeça e não disse mais nenhuma palavra.
Terminei de ler e assinar tudo como solicitou.
— Pronto, agora é esperar a hora do meu almoço que levarei os papéis para que Edward possa assiná-los.
— Muito obrigada Félix, por tudo. – apertei suas mãos e ele retribuiu o gesto.
Ele continuou segurando minhas mãos em forma de carinho e apoio. Em seus olhos vi que ele queria comentar algo mas parecia indeciso.
— Pode falar Félix.
— Eu sei que não deveria me meter, mas você ainda vai continuar morando na mesma casa com o seu ex-marido? Isso vai ser muito estranho tanto pra você e pra ele.
— Não. Isso é uma coisa que ainda estou vendo o que posso fazer, ainda não encontrei um lugar pra ficar. Pensei em ir para casa de Alice, mas descartei a ideia agora que ela está prestes a se casar, Rosalie também nem pensar. Minhas ideia por agora é me hospedar em algum hotel e ficar por lá até Renesmee nascer e eu poder continuar na buscar de algo melhor.
— Eu acho que tenho a solução para seus problemas. – Soltou minhas mãos e caminhou para sua mesa pegando o telefone.
— Ângela, poderia vir até minha sala? ... Ok.
Em poucos minutos a moça amigável adentrava a sala.
— Posso ajudar?
— Acho que acabo de resolver os seus problemas também Ângela.
Ele mirava a moça e ela pareceu ficar feliz com a noticia.
— Jura?
Até aquele momento eu não estava entendendo nada do que estava acontecendo e Félix pareceu perceber isso.
— Isabella, Ângela está precisando urgentemente de alguém para dividir o apartamento onde mora. Ele fica a poucos minutos daqui do centro da cidade e lhe garanto que é um ótimo lugar. O apartamento é grande, bem mobilhado e em ótimas condições, sem contar que ela mora sozinha, acho que não teria problema de vocês poderem trocar uma ideia e ver se daria para você e a pequena morarem com ela por enquanto.
— Meu Deus é claro que sim! – Ângela disse antes que eu abrisse a boca para falar algo. – Mas... desculpa mas você já não tem uma casa? – me perguntou.
Era claro que Félix não tinha tocado no assunto do divórcio com ela e nem com ninguém.
— Estou em processo de divórcio Ângela. Esse é o motivo para que eu tenha que sair de casa.
A notícia pareceu ter surpreendido ela. Sua boca estava meio aberta e seu semblante ... Bem, eu não sabia como descrever, mas era engraçado.
— Me desculpe eu não deveria ter perguntado e ...
— Não tem problema. – a cortei.
Félix chamou nossa atenção e isso evitou que ela ficasse mais constrangida do que já estava.
— E então Ângela, tem algum lugar para Bella no seu apartamento ?
— Claro que sim! Devo ir avisando que não é um lugar tão luxuoso como você deve estar acostumada mas é um ótimo lugar como Félix mesmo disse.
— Só de ter um teto para morar já é o suficiente, não precisa se preocupar com o resto. Podemos almoçar juntas para que possamos conversar melhor sobre isso?
— Claro que sim. Meu almoço é às 14:00hs, daqui a pouquinho. – mirou o relógio de pulso em seu braço.
— Podemos ir nos encontrar naquele restaurante que tem aqui pertinho? É um bom lugar e não é tão longe, será bom para ambas.
Ela concordou e logo se despediu se retirando da sala e voltando para seu trabalho.
Me despedi agradecendo mais uma vez a ajuda de Félix e ele me garantiu que hoje mesmo os papéis estariam nas mãos de Edward para que ele pudesse assinar e o processo se iniciasse.
Saí da sala e verifiquei o horário, não faltava muito tempo para a pausa da Ângela. Desci pelo elevador temendo poder encontrar Edward ou Carlisle por ali, eu não queria ter contato com nenhum deles até que minha vida estivesse novamente no lugar. Depois que o elevador parou no andar principal de entrada, saí apressadamente e peguei o caminho mais rápido e fácil para o restaurante que tínhamos combinado de nos encontrar.
As coisas pareciam estar acontecendo bem. Mesmo com a decisão repentina do divórcio, eu já tinha conseguido as papeladas prontas e agora um lugar para morar, graças aos Céus. Agora a única coisa que me faltava era a parte mais difícil e complicada, o emprego. Eu já estava com sete meses de gestação, ninguém ia contratar uma grávida faltando poucos meses para dar à luz. Eu não poderia trabalhar até que Renesmee nascesse e pudesse ficar com alguém... Isso me quebrava o coração, mal minha filha nasceu e eu já teria que ir pensado em afastar dela.
Cheguei ao restaurante e providenciei uma mesa mais ao fundo do local. Vários funcionários vieram me atender enquanto aguardava Ângela, mas decidi não pedir nada além de um suco natural até que ela chegasse e pedíssemos juntas. E não demorou muito, ela já estava atravessando a porta de entrada do lugar.
— Me desculpa pela demora, fiquei agarrada naquele lugar. Nunca vi um telefone gostar tanto de tocar igual aquele. – comentou e rimos.
Fizemos nossos pedidos e começamos a conversar coisas agradáveis antes de chegar ao ponto principal. Eu precisava ver se ela realmente iria ser uma pessoa de confiança e que poderia contar quando precisasse, o resultado não foi outro: ELA ERA.
Ângela era o tipo de pessoa que qualquer um pediu para ter como amiga. Depois de esclarecermos alguns pontos e algumas dúvidas o fim da conversa já estava se aproximando.
— Então posso contar com sua ajuda com isso? Lembre-se que logo não terá somente eu mas também um bebê morando com a gente.
Não seria fácil, eu tinha que já ir preparando-a para o pior das hipóteses. Se crianças maiores eram difíceis morando com outras pessoas, imagina agora um bebê recém-nascido? Eu precisava ter a certeza que ela não me chutaria para fora e me deixaria na rua caso viesse a perder a paciência.
— Ah Bella você não me conhece mesmo. – riu – Se existe uma coisa que amo são crianças, ainda mais bebês. Fique tranquila que sua menininha será bem vinda.
Sorri. Aquilo era tudo o que eu precisava ouvir.
— Fico satisfeita, agradecida e muito feliz com isso Ângela.
— E quando pretende se mudar? Se deu entrada nos papéis creio que será rápido, não é?
— Ângela, aí está um problema... Eu queria me mudar ainda hoje.
— Hoje? – Perguntou surpresa.
— Algum problema?
—Não, claro que não. Achei que iria dar tempo de fazer uma faxina e te receber melhor, sabe como é, eu não tenho muito tempo no meio de semana. – disse sem graça.
— Não se preocupe e nem se incomode com isso, temos muito tempo para colocar sua casa em ordem e garanto que ficarei muito bem nela.
— A casa também será sua a partir de agora.
— Você quer fazer algum tipo de contrato ou algo que te dê alguma segurança?
— Claro que não, eu confio em você.
Lancei um sorriso de agradecimento.
— Obrigada Ângela.
Terminamos nossa refeição e ela já estava em cima do horário para voltar ao escritório.
— Bom, meu horário já está acabando e tenho que voltar. Aqui está o endereço do prédio – tirou um bloco de papél colorido e uma caneta da bolsa, anotou e me entregou a pequena folha. – Eu largo serviço às seis, se você quiser já pode ficar me esperando por lá. Devo demorar uns 20 minutos por que vou passar em um chaveiro para fazer uma segunda copia para você.
— Obrigada mais uma vez Ângela.
— E pode me chamar de Angel se preferir, seremos quase uma família agora. — sorriu docemente.
— Ok, Angel. Agora vá antes que seu chefe venha atrás de você ou me ligue brigando porque te roubei.
Nós levantamos e acertamos a conta do restaurante.
Fui com ela até a frente do prédio de advocacia novamente e nos despedimos na porta mesmo.
— Até daqui a pouco companheira de residência.
Ri com o novo apelido, isso me fazia lembrar a época do colegial.
— Até mais tarde companheira de residência.
Ela entrou pela portaria que algumas horas atrás eu tinha saído.
Olhei novamente para o prédio.
Ele era um grande edifício e deveria ter uns 20 andares, mas agora observando melhor, daqui de baixo eu ficava assustada, aquele lugar me assustava.
Olhei com atenção para o ultimo andar onde sabia que Edward e os demais Cullens ficavam e pensei por um momento em como as coisas poderiam ser diferentes, mas infelizmente a vida não seguia os caminhos que planejamos para nós mesmos.
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