For All Time
1 Para sempre, Ruka e Kain
Já passava de uma e meia da madrugada daquele domingo de verão e a luz da lua iluminava quase toda a academia Cross. Akatsuki Kain repousava sobre os pés de um carvalho antigo ainda no terreno do dormitório da lua, o carvalho era talvez tão antigo quanto à própria existência dos vampiros. — Ou nem tanto... — Ele pensou e um sorriso apático contornou seus lábios.
As noites de verão eram especialmente mágicas para aquele vampiro, talvez porque durante esta estação a lua parecia lhe brilhar mais intensa e as nuvens tão pouco pareciam tentar ofuscar o seu brilho. Ele descansava tranquilamente, talvez pela hora ou talvez por ser domingo, naquela noite não havia nenhum monitor ou nenhuma garota da turma do dia para tirá-lo de sua paz. Havia apenas ele, a lua e Ruka... Ruka? Seus olhos pairaram sobre a vampira que estava de pé diante de si. Os olhos tão belos brilhavam com lágrimas de tristeza, que se agarravam as últimas esperanças para não se derramarem pela face pálida da vampira. Como aquilo o feria... Aquelas lágrimas derramadas por outro enquanto tudo o que ele queria era fazê-la sorrir. Aquele sorriso majestoso que desaparecera desde tanto tempo que ele não conseguia mais imaginar sua Ruka sorrindo.
– Posso me sentar? – Perguntou-o evitando olhar em seus olhos, para que ele não notasse as lágrimas em seus olhos. Leda tentativa em vão, mal sabia que não poderia esconder nada de Kain, não dele.
O vampiro com cabelos da cor do fogo maneou a cabeça positivamente, aconchegando-se mais para direita para dar espaço a sua Ruka que tampouco era sua. Mas ele gostava de pensar assim e de chamá-la dessa forma em seus pensamentos. Porque era neles em que podiam ficar juntos. Sem dúvidas, sem medos, sem outros; apenas eles para sempre.
Ela sentou-se cuidadosamente ao lado de Kain, evitando que seus olhos se encontrassem ainda para que ele não notasse sua tristeza, mas ela no fundo sabia que não poderia esconder, pois estava exalando a melancolia por todos os poros do corpo.
- Ele rejeitou você novamente? – Kain perguntou sem olhá-la, não era preciso ver em seus olhos para sentir sua tristeza, sempre que ela sofria, ele também sentia. Ela era o seu coração no final das contas.
Ruka permaneceu em silêncio observando aquele céu onde a lua cheia parecia ter sido costurada de tão esplêndida. Ela sabia que seu amado provavelmente estaria observando a majestosa prateada como sempre fazia. Uma lágrima escapou de seus olhos amendoados quando se lembrou dele. Então a lágrima desceu queimando pela pele fria e alva da vampira. No fundo estava farta de amá-lo, mas era inevitável. Não conseguia abandonar o amor que cultivara desde que seus olhos pairaram pela primeira vez sobre Kaname-sama.
Agarrava-se a cada fio de esperança de tê-lo só pra si e esperava em vão para que isso acontecesse, era assim que vivia. No fundo sabia que seria tudo em vão e isso talvez fosse o que mais a feria; ter o conhecimento de que nunca iria tê-lo e que nunca desfrutaria de ser o único amor de Kaname. Outra e mais outra lágrima escaparam, não conseguia mais contê-las... Então abaixou a face, tentando escondê-las.
Não era preciso que ela dissesse uma só palavra, as lágrimas haviam vindo à tona trazendo a resposta para Akatsuki. O vampiro de cabelos cor de fogo não pensou duas vezes e enlaçou-a em um abraço cálido. Entre eles nunca foi preciso haver muitas palavras para que se entendessem. Ele queria dizer-lhe todas essas palavras que os jovens amantes dizem, mas não conseguiria e tampouco era um momento apropriado para isso. Não era o que ela precisava ouvir, não era o que ela gostaria de ouvir, não dele. A cabeça de Ruka agora estava enterrada em seu peitoral e as lágrimas que ela derramava por outro molhavam sua camisa. Então ele sentiu raiva, ódio talvez... Mas tudo se convergiu em tristeza.
As mãos carinhosas do louro afagaram os cabelos da amada. Se ele dissesse que a amasse agora o que aconteceria? Talvez as paredes caíssem, o sol se recuse a brilhar novamente e ela jamais retornaria a ele. Certo? Ele não queria mais se conter, aquilo também estava machucando-o demais, embora ele escondesse isso atrás de sorrisos falsos, tão falsos que ninguém percebia. Até ele mesmo chegava a acreditar em alguns sorrisos que dava. Mas quando o assunto era Ruka era difícil de controlar. Principalmente se ela chorava e sofria... Ela era sua maior fraqueza e seu maior amor. Sempre fora, não é?
Sem que ele entendesse, em um movimento ágil a vampira se afastou dele como se ele fosse um leproso, desvencilhando-se dos braços fortes que a envolviam no abraço. Era o orgulho dela vindo à tona. Ruka levantou-se rapidamente, evitando-o olhá-lo. Nunca fraquejava, mas dessa vez foi inevitável.
– Vou voltar para o dormitório. – Falou antes de sair caminhando sem olhar para trás.
– Ruka! – Akatsuki apressou-se em segui-la.
– Não tenho nada a tratar com você Kain. – Continuou andando em frente sem olhá-lo, mas dessa vez apressou os passos. Como poderia encará-lo depois de ter fraquejado daquela forma? Não poderia.
– Mas eu tenho... – Kain segurou uma das mãos da vampira, puxando-a pelo braço para trazê-la de encontro aos seus braços, não a deixaria escapar novamente. Dessa vez abraçou-a fortemente num abraço quente que transmitia todo seu afeto por ela... Todo o apreço, amor e desejo que sentia. – Meninas grandes não deveriam chorar, mas se for você eu não me importo de emprestar meu ombro. – Ele queria mantê-la ali o máximo de tempo que conseguisse.
Ruka então que antes parecia recusar-se a retornar aos braços do louro, após essas palavras parou de debater-se e enterrou sua face mais uma vez no peitoral dele. Estava farta de esconder suas dores, de sofrer sozinha... Bem, pelo menos era o que ela achava... Mal imaginava que a cada lágrima que escapava de seus olhos feriam Kain, mais e mais. E ele não conseguia mais se conter e nem seus sentimentos.
– Ruka... – Akatsuki ergueu a face de Ruka para que pudesse olhá-la olhos nos olhos. Ela primeiramente desviou, mas ele forçou delicadamente a face dela para que o olhasse. – Ruka... – Ele repetiu acariciando levemente a face de sua amada colhendo as lágrimas que lhe molhavam a face. Ela precisava saber o que ele não agüentava mais esconder. – Eu... – Aproximou sua face da dela vagarosamente sem perder o contato visual. A vampira parecia não compreender o que estava acontecendo, mas tampouco se movia. Estava praticamente hipnotizada pelos olhos dele que pareciam arder como as brasas que ele controlava.
– Kain eu preciso ir... – Antes que ela completasse a frase sua boca foi tomada por um beijo cálido e repleto de paixão e amor. Akatsuki parecia ter sede dela, do amor dela. As mãos dele passearam gentilmente por entre os cabelos amendoados que Ruka tinha, prendendo-a naquele beijo gentil e ardente. A língua dele se misturava ferina a dela, mas não menos gentis. Ele parecia querer explorar cada parte da boca da amada, sentir todo o sabor dos lábios sedosos que havia sonhado há tempos. Ela primeiro tentou escapar, mas acabou deixando-se levar seduzida pelas carícias gentis e repletas de afeto do vampiro. Era a primeira vez que se sentia amada e era tão bom... Então ela correspondeu. Estava completamente entregue aos sentimentos dele.
– Ruka... – Ele falou distanciando seus lábios do dela, aproximando-os agora do lóbulo da orelha da amada. – Eu não consigo mais suportar ver você sofrendo dessa forma, me deixa tentar fazer você feliz... Eu te amo. – Segredou sussurrando ao pé do ouvido dela.
Mas Ruka afastou-se assustada, empurrando-o para longe dela novamente. Onde estava com a cabeça em se entregar as carícias de outro se não Kaname-sama? Se antes ele já a ignorava agora provavelmente ele sentiria repulsa.
– Eu preciso ir Kain... – Apressou-se em se distanciar do vampiro com cabelos cor de fogo tal qual o elemento que ele controlava.
– Ruka... – Chamou-a de volta em vão. Mas dessa vez ele não correria atrás dela, ele sabia que ela precisava descansar. De fato as paredes se esmigalharam - as paredes da barreira dela - e ela realmente correu para longe de dele como ele mesmo havia calculado. Se o sol se recusaria a brilhar novamente ele não sabia, mas pelo menos de uma coisa ele tinha certeza: agora ela sabia que o que ele sentia por ela era para sempre.
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