Força misteriosa

3 Capítulo 2 - Desespero


Notas iniciais
Respirem fundo e tentem entender a personagem, tentem sentir o que ela sente. Nossas aventuras não começam de um dia para o outro, nem as aventuras dela. A história está só começando a se formar.

Búzios é realmente um lugar lindo, mal desci do ônibus e já estou apaixonada pelo lugar. Encontrei uma pousada baratinha, um pouco isolada e que me fornece todos os dias café da manhã e almoço.

Após jogar minhas malas no chão, me despi rapidamente e fui fazer o que estava doida para fazer desde que entrei naquele ônibus: fui tomar um banho. A banheira da pousada era extremamente simples e não muito confiável, mas quem liga? Claramente eu não ligo. Cheia de água quente e com o máximo de espuma que o sabão fornecido pela pousada permitia, a banheira parecia muito mais convidativa, exceto pelo fato de que a hidromassagem não estava funcionando.

Quando acordei foi por frio, a água já deixara de ser quente há um tempo. Deixei escapar um sorriso, pois foi meu primeiro sono sem pesadelos, o primeiro onde não acordei em desespero. Seria isso um bom sinal? Bom sinal ou não, me enrolei na toalha e voltei para o quarto.

Fora da banheira o clima já era quente novamente, então soltei a toalha no chão e iniciei a procura por uma roupa fresca nas minhas malas. Acabei por vestir um vestido simples e largo, uma sandália e mantive meus cabelos presos da forma desajeitada em que se encontravam, e então fui caminhar.

Essa era a primeira vez que eu saía de São Paulo, primeira vez que eu ficava em uma pousada, primeira vez eu saía para caminhar de livre e espontânea vontade. O cheiro que eu sentia era ótimo, eu podia sentir o cheiro do mar, a brisa do mar. As ruas eram pouco agitadas, quase desertas, o que me chamaria atenção normalmente se levar em consideração que é verão, mas esse não é um dia normal, eu não sou eu mesma neste momento. Algo, uma força, me diz que isso agora é normal e que até os mais movimentados lugares seriam assim para mim daqui em diante.

Caminhei distraidamente até perceber que meus pés doíam muito e que eu já estava muito longe de onde estou hospedada, mas não parei para descansar, eu não tenho pena de mim nem do meu corpo. Apenas dei a meia-volta e continuei andando. O caminho de volta foi mais árduo, pois eu me dei conta de que chorava. Eu chorava muito, mas nenhum olhar se direcionava a mim. Os poucos olhares que dividiam espaço comigo pareciam tristes, mas eu ansiava por ajuda, ansiava que alguém me perguntasse se estava tudo bem. Eu ansiava por um carinho e um abraço que só minha mãe saberia me dar.

E então eu lembrei que minha mãe me odiava agora, lembrei que ela me evitava e que nem sequer pensou em me ligar. O desespero começou a tomar conta de mim, eu comecei a soluçar e a respirar de forma desesperadoramente rápida. Minha cabeça girava e eu fui obrigada a parar de andar, fui obrigada a parar de fingir ser um zumbi.

Encostei-me à parede de algum lugar que não parei para ver qual era, meu estômago tentou jogar tudo o que tinha nele para fora. Mas o problema é que, depois de passar mal no ônibus, tudo o que eu consumi foi uma barrinha de cereal. Então o ácido queimava minha garganta, meu estômago continuava tentando botar tudo para fora, e meu desespero só aumentava.

As poucas pessoas que por ali caminhavam, nem sequer me olhavam de canto de olho. Estavam todas de cabeça baixa, como se eu não estivesse ali. Eu as odiava por isso, mas sabia que continuar ansiando por ajuda não me traria nada, não faria com que alguém me notasse. Respirei fundo incontáveis vezes, limpando o meu rosto como se isso fosse parar as lágrimas.

Depois de muito tempo sentada no chão respirando fundo consegui me acalmar. Como uma criança que foi deixada de castigo e depois de um tempo se cansou de chorar.

...

Os pesadelos me perseguiram essa noite de novo e depois de tomar café-da-manhã ainda fiquei um bom tempo pensando antes de decidir se ligava para a minha mãe ou não. Mas está claro que eu não consigo passar por tudo isso sem o apoio dela, sem ter para quem voltar. Então a decisão não poderia ser outra, peguei meu celular e disquei o número dela. Silêncio total. Meu celular estava sem sinal. Sem pensar duas vezes o joguei longe, me arrependendo em seguida, mas sem levantar para ver se ele ainda estava inteiro.

...

Um mês se passou, minhas malas já estavam arrumadas novamente, em cima da cama. Nesse meio tempo não consegui entrar em contato com a minha mãe. Meu celular estava realmente arruinado e eu já estava conformada com os fatos: minha mãe me odiava, eu nunca voltaria a dirigir ou amar novamente e eu estava sozinha neste mundo. Estava na hora de seguir em frente e aproveitar, de verdade, o que essas viagens têm a me oferecer.

Notas finais
Me deixem saber sua opinião. Preciso mudar algo? Está monótono demais (eu sei que está um pouco mas CALMA, é só o começo!)? Estão curiosos para saber a história de Vanessa? Me conteeeem!