Fomaríamos um Maravilhoso Nós
26 The new bitch
— Eu achei que podia confiar em você May!
— Mas você pode confiar, eu não fiz nada demais Ames.
— Você sempre se intromete no que não é chamada. Eu ia contar para a mamãe do Maxon, mas você e essa sua língua solta não se seguram, não é?
Já é de manhã. Estou no meu closet me vestindo para ir ao colégio, ao mesmo tempo que discuto com minha irmã os acontecimentos de ontem a noite. Uma noite que tinha tudo para ser perfeita se May não desse com a língua nos dentes e me fizesse receber sermões e castigos descabidos.
— Até parece que você ia contar pra ela. — Diz convencida — Sua cara de assustada deixou claro que você ia deixar nossa mãe sem saber da verdade.
Porque ela tem que me conhecer tão bem?
— Talvez tenha passado pela minha cabeça não dizer nada no momento porque definitivamente — altero o tom de voz — não era a melhor hora! — Assim que visto a gola da camisa, pego no flagra May me mostrando a língua. Preferi fingir que não vi. — E aliás… desde quando você se importa que nossa mãe saiba sobre isso?
May sempre foi fiel a mim, assim como eu a ela. Não é do seu costume me dedurar.
— Ué… sei lá… ela é nossa mãe né. — Diz sem jeito. Que péssima maneira de tentar me convencer.
— Você nunca soube mentir para mim May Singer. Desembucha! O que te fez abrir o bico pra ela? — Exijo e começo a calçar o tênis.
— Não posso dizer. — Ela comprime os lábios. Meu olhar sobre ela é severo. — Não me olha com essa cara, eu prometi ao papai. — May tapa sua boca.
— Aah… então quer dizer que nosso pai tem algo a ver com isso…
— Ames, deixa de ser persuasiva e manipuladora, isso não é certo, você tem que ser um exemplo pra mim, lembra?
— Você já está perdida May, agora para de fugir do assunto. — Me aproximo dela perdendo a paciência pela enrolação.
— Acho que estão me chamando… — diz tentando escapar, é claro que não permito. Corro até a porta e nos tranco ali dentro. — Isso se chama sequestro.
— Eu não tenho muito tempo, então sugiro que abra essa boca antes que eu te torture. — Ameaço.
— Eu vou chamar a mamãe…
May fez cara de assustada depois de choramingar como criança, mas não demorou muito para cairmos na risada. Pensamos juntas que se mamãe aparecer aqui, ela é capaz de nos dar uma surra e nos mandar pra lua com um chute só.
— Agora chega! — Quase grito — Você tem cinco segundos, ou eu desço correndo e falo aos nossos pais do Henrique. — May fica boquiaberta.
— Você não seria capaz! — Sua cara é impagável.
— Cinco… — Lhe lancei um sorriso travesso — quatro… — ela permanece convicta em si — três!... — aumento o tom — DOIS… — Ela engoliu em seco quando toquei a maçaneta — um — digo calmamente. — Fez sua escolha mocinha. — Dou o ultimato a May abrindo a porta.
Certamente que eu não iria dizer nada aos nossos pais sobre o namorinho dela, foi só uma jogada para ela se assustar e me dizer o que quero saber. E deu certo.
— Tá, tá! — May se rende por fim — papai me pagou cinquenta dólares para dizer a verdade caso você não dissesse. — Ela fala como se não fosse nada.
— Então quer dizer que é só oferecer uns trocados que você sai soltando a língua?
— Também não é bem assim ok! — Se defende mostrando estar indignada pela minha acusação — Papai sofreu horrores para me convencer a abrir o bico, foi só pelas boas razões que ele me deu, e claro que o dinheirinho ajudou. — A safada sorri forçadamente, vejo um pedido de desculpas escondido bem lá no fundo.
— É mesmo? — Finjo surpresa. — E que boas razões seriam essas?
— Aff… vou resumir, porque o papai veio com um discurso para o presidente, estou até achando que foi por me cansar de ouvir ele dar tantas razões que eu decidi concordar…
Como gosta de enrolar. Depois é meu pai que faz longos discursos.
— Mas, basicamente, foi para evitar problemas futuros. Você não iria dizer. Mamãe ia acreditar na mentira. Depois correríamos o risco dela descobrir a verdade sozinha e incendiar a casa enquanto todos nós dormimos.
Não posso discordar. Se mamãe descobrisse sozinha, e soubesse que a enganamos, não quero nem imaginar o que seria de nós.
— Você poderia ter me dado mais um tempo. — Vejo May relaxar.
Com certeza ela pensou que eu a mataria pelo que fez. Mas isso tinha que acontecer uma hora ou outra. O único problema é que agora me tornei a nova empregada de casa por duas semanas. Poderia ser um castigo tranquilo se fosse apenas lavar a louça ou varrer o chão, no entanto, mamãe fez questão de me dar as tarefas mais pesadas.
— Eu te fiz um favor, tá. — A autoestima dela é admirável.
— Me fez um favor uma ova. — Exclamo, indo pegar minha mochila, então, uma brilhante ideia surge.
— Que sorriso psicopata é esse? — May me observa com o cenho franzido.
— Como pagamento pela sua traição… Você vai me ajudar com minhas novas tarefas domésticas. — Sorrio amigavelmente.
— Vou nada! — Exclamou — Você que se ferre sozinha, e não ouse me arrastar com você. — Que ótima irmã eu tenho — Não mandei ser sem vergonha e esconder o namorado.
— Já se olhou no espelho praguinha? — Ela arqueia as sobrancelhas junto comigo. Me acabo de rir ao ver a cara de tacho que ela fez.
— Você não vai usar o Henrique para me obrigar a te ajudar, não é? — O lamentável é que ela perguntou com esperança.
— Naao, imagiiina… — digo ironicamente.
— A qual é Ames? — E começa às súplicas.
— É tão bom ter você na palma da minha mão. — Digo com satisfação.
— Vou contar para a mamãe que você se encontrava escondida com o Charles de madrugada quando morávamos em Carolina, e você sabe que ela odeia ele.
Senti a ameaça, mas não vou abaixar a guarda, tenho que aproveitar que May está vulnerável.
— Pode contar, eu já estou fodida mesmo. — Dou de ombros — O que é mais uma descoberta diante do caos que se encontra minha vida? — May fica calada, escondendo sua fúria. — Te passo nossa lista de tarefas depois da aula. — Me aproximo dela que cruza os braços negando qualquer carinho — Beijos maninha — encosto nossas bochechas. — Pense bem antes de abrir o bico outra vez. Byee!
Saio saltitando do quarto. Descendo as escadas escutei May gritar “você me paga”. Não parei de sorrir por isso todo o trajeto até o colégio, não queria ter que fazer isso com ela, no entanto, May bem que mereceu. Devia ter falado comigo antes de mais nada.
Chego no colégio e vou direto para o meu armário pegar o que precisava. Todavia, não deu para deixar de notar, os olhares zombeteiros da maioria das pessoas que encontrei no caminho. Aquilo estava estranho. Já deu o tempo de eu ser a novidade e o centro das atenções.
Ignoro por completo. Nada tirará essa sensação boa que estou sentindo.
Finalmente, tudo parece estar indo bem. Embora eu tenha ganhado vários castigos neste fim de semana, meu relacionamento com Maxon está ótimo, não o escondo mais da minha família, o que alivia minhas preocupações. E como capitã das líderes de torcida, estamos prestes a iniciar os ensaios com o novo grupo. Tudo está indo muito bem.
— Oii! — Marlee aparece dando um salto do meu lado disparando meus batimentos.
— Céus! Que susto Lee — levo a mão ao peito — que empolgação toda essa? — Pergunto ajeitando nos braços os livros que acabo de tirar do armário.
— Eu tenho uma grande novidade! — Deve ser grande mesmo, nunca vi ela tão animada — mas vamos esperar a Celeste, e então eu conto para as duas de uma vez.
— É sério que vai me fazer esperar? — Faço manha, Marlee despertou minha curiosidade.
— Sim! — Diz convencida.
— Fazer o que então… — lamento fechando meu armário com certa força. — E onde está a Celeste afinal? Sábado liguei para ela e nem quero te contar o constrangimento que passei.
A memória desse momento veio com força. Liguei para ela várias vezes durante meu sábado entediante, começando a me preocupar com minha amiga sumida, até que ela atende me fazendo ouvir ela transar com sei lá quem.
— Celeste estava no maior momento íntimo quando me atendeu e me mandou pro inferno — Marlee segura a risada. — Não tive coragem de entrar em contato de novo.
— Se eu contar com quem ela provavelmente estava, seu queixo vai cair — eu já estava de queixo caído, tinha novidades e ninguém me disse nada ainda.
— Marlee me conta! — Exigi.
— Não — disse simplesmente.
— Não? Como assim não? — Pergunto incrédula. — Não é justo você saber e eu não. Também sou amiga dela.
— Acho que nem era para eu saber, e também não tenho como ter certeza se era com quem eu estou pensando. — Segue com o mistério. Minha curiosidade estava me matando.
—Marlee! Eu imploro! Me con…
Fui interrompida com um estrondo no armário atrás de Marlee que estava de frente para mim. Me estiquei um pouco para ver além dela o que tinha batido no armário, e quando vejo, o meu queixo cai. Celeste e Aspen estão no maior amasso. Ele tinha prensado com força minha amiga naquele armário. Aspen a segurava pelas pernas a suspendendo do chão. Aquele sem dúvidas nenhuma… era o beijo mais obsceno que já vi na vida.
— Deus do céu! Não. A-cre-di-to! — Aquilo sim era surpresa, e minha reação não podia ser outra.
— É… — Marlee que olhava a cena tão chocada quanto eu fala — não é mais segredo.
Ela que agora estava de costas para mim, vira apenas seu rosto com a intenção de ver minha reação. Ambas começamos a rir. Rir de nervoso e felicidade pela nossa amiga. Sabíamos da sua paixão por Aspen, e a danada está aproveitando muito bem a oportunidade que não sei como, nem quando, nem onde surgiu.
— Acho bom vocês pararem ou procurar um motel, aqui não é lugar de se comer pombinhos — Marlee os repreende. Com total razão.
Eles param com a pegação e se olham sorrindo, ignorando completamente a Marlee. Sem entender o motivo, me pego sorrindo também. A cena era linda, merecia até ser eternizada em uma foto: aquela troca de olhares, a felicidade evidente. Um casal perfeito.
— Até daqui a pouco minha rainha — uou! Isso é o Aspen babando por Celeste?
— Até meu gato! — a morena lasca um beijão na boca dele.
Ok, aquilo é os dois babando um pelo outro. Marlee e eu nos encaramos chocadas.
— Até meninas — Aspen finalmente notou nossa presença.
— Até. — Eu e Lee respondemos juntas ainda se recuperando da surpresa.
— Oi amigas maravilhosaas! — Mais alguém estava radiante esta manhã.
— Pode ir falando TUDO! — Eu e a loira não exigimos, ordenamos ao mesmo tempo. Celeste sorri feliz da vida.
— Ai meninas… — ela suspira e encosta a cabeça no armário. Aquilo é impagável, nossa amiga está apaixonada. — Começou sexta, durante a festa, encontrei ele prestes a transar com outra no banheiro — franzi a sobrancelha por vê-la falar isso com tanta tranquilidade — aí eu pedi para participar, acreditam?
— Você é doida. — Digo rindo, não sabendo ao certo o que pensar.
— Então foi por isso que eu procurei e te procurei e não encontrei — Marlee se recorda.
— Se você interrompesse, eu acabava contigo Marlee!
— Agradeça a garota que saiu do banheiro bufando só de sutiã, eu ia direto bater na porta, mas depois de ver ela, minha intuição disse que era melhor não.
— Em compensação foi transar com o Carter no meu quarto, não é? — Celeste acusa, a loira se encolheu entregando o jogo. — Que nojo Marlee, meu quarto ficou fedendo o sexo de vocês. Tive que mandar trocar a cama.
— Que exagero. — Marlee tenta fazer pouco caso.
— Exagero é o cacete! — Ela esbraveja.
— Acho que vou chamar o Aspen, você estava tão mansinha quando ele estava perto. — A loira acaricia a cabeça da nossa amiga e ela estapeia sua mão.
— Vocês querem parar com isso? — Chamo atenção — Termina de contar Cel. — Eu preciso saber como Aspen e Celeste aconteceu. Eu contava com essa união mas não tão cedo.
Ela continua dizendo que passou o final de semana todo com o Aspen, além de descrever todas as qualidades que ele tem. Celeste não nos poupou de gabar como ele é bom de cama, um detalhe que preferimos não saber. Estou muito contente por ela, nunca a vi tão feliz como está agora, e minha amiga merece ser feliz. E o melhor, é que o Aspen é uma das melhores pessoas que eu conheço, independente dele também ter a fama de pegador, Aspen é uma ótima pessoa, e sei que vai cuidar bem dela.
O assunto estava interessantíssimo naquele corredor, mas nada se tornou tão interessante, quanto os braços fortes que me entrelaçaram e o beijo doce que recebi no pé do meu ouvido.
— Bom dia, minha linda. — Ah… essa voz.
— Bom dia Max. — Estou toda derretida. Nem tento manter a pose, pois é impossível fazer isso com Maxon distribuindo beijinhos carinhosos por onde ele alcançava.
— Opa, opa, opa! — Havia esquecido minhas amigas — Parece que temos outra novidade por aqui. — Diz Marlee sorrindo.
Acabei corando. Não disse nada a elas que eu e Maxon enfim nos resolvemos.
— Vou deixar você com elas — Maxon sussurra apenas para mim, ainda me agarrando por trás.
— Onde vai? — Senti uma frustração. O que eu mais queria era ficar com ele o máximo de tempo possível.
— Tenho que ver o treinador antes da aula, e estou atrasado.
— Tudo bem… — disse a contragosto.
— Não faz essa carinha — ele toca meu queixo me fazendo encara-lo — nos vemos daqui a pouco na aula — apenas concordo com um gesto e sem mais nem menos ele me beija.
Pode parecer exagero, mas os beijos dele me transportam para outra realidade, uma que não existe problemas, não existem obrigações, não existe medo, não existe nada além dos nossos sentimentos. Tenho certeza que Maxon sente o mesmo, pois ele se entrega de corpo e alma quando nossos lábios se tocam, às vezes com carinho, outras vezes com intensidade. Não importa como seja. Ambos nos entregamos por completo.
— Aí, casalzinho de chinchila, aqui não é lugar. — Marlee nos cutuca, fazendo-nos parar aquele momento mágico.
— Casalzinho de chinchila? — Celeste fez cara de dúvida.
— Foi a primeira coisa que passou pela minha cabeça — Marlee dá de ombros. — Deve ser fofo um casal de chinchila.
— Você é a pessoa mais aleatória que conheço Tames. — Marlee mostra a língua assim que Celeste fala.
— Vou indo — Maxon me dá um selinho — tchau meninas.
— Tchau Max — respondem juntas o seguindo com o olhar, mas logo se viram para mim em sincronia. — Pode ir falando TUDO! — Elas exigem.
Dou risada da empolgação delas com minha novidade. E o mais surpreendente foram elas trocando vinte dólares, pois haviam apostado quanto tempo eu e Maxon levaríamos para voltar. Celeste venceu.
Enquanto contava os últimos acontecimentos, fomos indo para a sala de aula. Celeste não parou de me chamar de assanhada quando contei em poucos detalhes o que ocorreu no quarto do Maxon. Elas não viam problemas em expor essa intimidade, mas eu sim. É algo novo para mim, algo pelo qual eu já esperava só que ainda estou conhecendo, e está sendo tão especial, que prefiro guardar só para mim.
Mesmo diante de tantas coisas boas, algo estava incomodando. As pessoas. Não paravam de me encarar, os meninos com malícia e as meninas com deboche.
— Mas que inferno! — Celeste desabafa. — O que tanto esse povo olha para nós?
— Para mim você quis dizer né? — Falei meio contida. — Mas Marlee — decido mudar o assunto para aliviar — agora pode ir falando a novidade.
— Que novidade? — Celeste perguntou, paramos na porta da sala para ouvir.
Marlee sorriu abertamente. Ela segurava seus livros nos braços assim como eu, mas então, ela estendeu as costas da sua mão para nós. E um lindo anel prata de compromisso chamava atenção no seu dedo.
— Carter me pediu em namorooo! — Marlee saltitava ao passo que também chacoalhava.
— Aaah! — Gritamos as três juntas. Super contentes por Marlee acompanhando seus tremeliques de felicidade.
— Pode ir falando TUDO! — Dessa vez eu e Celeste exigimos.
— Vamos entrar e eu conto até os mínimos detalhes.
Eu sorria enquanto abria a porta, sorria por todas as coisas boas que aconteceram com nós três ao mesmo tempo. Mas foi só passar pela porta, para o sorriso sumir e dar passagem para uma cara de espanto. Na lousa, haviam coladas várias fotos minhas seminua naquela maldita ilha da cozinha. E o pior, fotos de péssimos ângulos, que mostravam minha bunda, “coberta” com meu fio dental, meu decote, minhas pernas, tudo muito vulgar, tudo muito horrível!
Não bastando isso, junto das fotos tinha uma frase chamativa: “The new bitch”.
— Mas que porra! — Celeste exclama.
Eu travei na porta. Quem poderia ter feito isso?
A sala já estava cheia, ou seja, todos viram aquela vergonha. Sinto meu rosto queimando. Não consigo ter nenhum estímulo. Minhas pernas não se movem assim como os meus braços. Sinto alguém tocar meu ombro e por um segundo me senti a salvo. Era o Maxon, atrás dele estavam o Aspen e Carter.
— Você está bem? — Me pergunta preocupado.
— Como pode perguntar isso diante disso!? — Marlee responde, perguntando exasperada apontando para a lousa.
Maxon não tinha notado ainda o problema. E assim que o viu, seu rosto se fechou em uma expressão de ódio. Largou a mochila no chão e foi à lousa. Começou a arrancar todas as fotos as amassando com muita força. Minhas amigas foram logo ajudar.
Não sabia onde enfiar a cara, não esperava passar por essa humilhação. O pior foi ter coragem para olhar adiante. Todos escondiam um risinho maldoso. As lágrimas começaram a embaçar minha visão. Aspen se pôs ao meu lado e me abraçou, a sensação de segurança me fez ver que já estava na hora de reagir, estava sendo ridícula em ficar ali parada, na frente de todos dando mais tempo de entretenimento a esses idiotas.
— Quem foi o filho da puta!? — Dei até um salto quando Maxon gritou nervoso.
Ele olhava para todos, esperando o imbecil se denunciar por livre e espontânea vontade, ou por medo do seu olhar matador. Mas todos ficaram em silêncio, porém, agora sérios. Na verdade, nem todos. Havia alguém, nada surpreendente, sorrindo satisfeita. Kriss.
— Foi você né sua vagabunda!? — Maxon jogou o bolo de papel amassado com força no chão. Nunca o vi tão furioso.
— Maxon… — o chamo. Não quero que ele se afete com isso. Mas ele me ignora e continua a encarar Kriss com fúria.
— Defendendo a nova vadia do colégio Maxon? — Kriss fala com naturalidade e deboche na voz. — Esperava mais de você meu amor.
Eu devia reagir, devia fazer alguma coisa.
— A única vadia aqui, é você! — Ele a retruca.
— Maxon! — Chamo outra vez, era isso que ela queria, nos ver desesperados. Mas Maxon estava se fazendo de surdo.
— Eu só não arrebento você porque a lei não permite sua…
— Aaaah… mas isso não é problema… — Celeste pareceu surgir do além — eu mesma faço isso!
E não esperou mais nada, foi direto para cima de Kriss que sentava na terceira mesa, na segunda fileira mais para o lado da porta. Ela agarrou os cabelos dela e começou a bater a cabeça de Kriss na mesa. Era o laboratório, então sentávamos em duplas. Bariel que estava com Kriss saiu correndo do lado com medo de enfrentar a fúria de Celeste. Os frascos de vidros usados para fazer experimentos estavam estilhaçados no chão. Kriss gritava mais que uma corneta.
— Não mexe com a minha amiga, sua piranha desgraçada! — Celeste lhe dá um tapa na cara.
Aspen me solta e vai correndo segurar ela já que Marlee estava apenas de braços cruzados incentivando nossa amiga. Nisso, Maxon vem substituí-lo.
— Quer ir embora? — Me pergunta com carinho e eu nego.
Não iria fugir, eu fiz merda, e vou arcar com as consequências. Claro que não precisaria estar passando por isso se a mal amada da Kriss não tivesse aprontado essa, e se eu tivesse me lembrado do meu fiasco na festa assim que acordei. Teria fingido uma dor de barriga para não vir hoje. Mas discuti com a May e minha cabeça estava pensando nas lembranças do jantar, me fazendo esquecer por completo que hoje eu provavelmente seria o assunto, no entanto, já que estou aqui. Bora enfrentar.
— Celeste! — Aspen exclama. — Já deu!
— ME LARGA ASPEN! — Ela se debate enquanto ele a puxa pela cintura. — Essa vagabunda tem que apanhar mais por se meter com o Maxon e com a Meri.
— Celeste chega! — Digo em voz alta pela primeira vez chamando atenção de todos.
— Acho bom o bico de vocês todos ficarem calados, ou eu acabo com um por um nesta sala. — Não sabia desse lado protetor dela. — Principalmente você Kriss.
Celeste ameaça, Kriss tinha seu nariz sangrando e um galo enorme aparecia na sua testa. Talvez Celeste tenha pegado um pouco pesado, a morena com certeza descontou um ódio acumulado de séculos. Kriss se levantou, pegou seu material e saiu correndo da sala. Para onde foi? Não sei e nem me importa.
Comecei a ir até minha mesa, mas sempre tem os engraçadinhos sem medo do perigo, não deu para identificar quem foi que gritou um “gostosa” no fundo da sala. Maxon faltou soltar fumaças pelas ventas. Procurou o ser impertinente com olhos emitindo tanta raiva, que nem percebeu que praticamente esmagava meu ombro que estava sob a proteção de seu braço.
— Se alguém se interessa — começo a falar, cansada de ficar escondida — estou dando autógrafos.
Os meninos fazem o maior barulho comemorando. Ri sem sentir tanta graça. Eu poderia encarar tudo de três formas: chorar e lamentar pela humilhação; ficar puta e moer no cacete quem fez isso, mas minha amiga já me vingou bem demais; ou tirar sarro e levar na esportiva. Que foi o que escolhi fazer. Pelo menos deu para descontrair, mesmo que o constrangimento ainda esteja presente..
— Quem quiser, vai ter que ter uma breve conversinha comigo antes. — Maxon diz todo enciumado. Seu olhar ameaçador deixou claro que a conversinha é uma surra e nada de autógrafo.
A aula de biologia passou que passou voando. Talvez pela ansiedade que ainda toma conta do meu corpo. O professor não se incomodou muito com os frascos quebrados, perguntou o que aconteceu e ninguém ousou dizer a verdade. As aulas seguintes até o intervalo foram mais chatas, a adrenalina do ocorrido já tinha acabado e até havíamos esquecido o que aconteceu, assim que o foi anunciada a semana de provas.
No intervalo compramos apenas um salgadinhos de pacote e fomos para uma área de sofás e puffs longe dos falatórios no refeitório. Maxon se jogou em um dos sofás e eu me deitei no meio das pernas dele. Marlee sentou no colo de Carter em uma poltrona e Celeste deitou ao lado do Aspen em um puff de frente para nós.
— Dá para acreditar que nós, do nada, formamos um trio de casal? — comentou Marlee, cheia de entusiasmo.
— Aff! Lá vem você Marlee com seus comentários aleatórios… — Celeste acaba com o entusiasmo dela.
— Isso não é um comentário aleatório — a loira se defende.
— Claro que é…
E as duas começam a discutir quem diz mais besteiras e coisas sem sentido que a outra. Mas deixo de dar ouvidos a elas para me concentrar no meu momento de paz, deitada no peito do meu porto seguro, sentindo seu cheiro, enquanto ele me faz um cafuné gostoso em minha cabeça. Ia protestar quando ele parou o carinho e se remexeu, pegando algo em seu bolso.
— Você poderia me dar um autógrafo? — Maxon pergunta na maior cara de pau, colocando na minha frente uma foto minha onde estou de costas em pé na bancada, com minha bunda completamente amostra só com fio dental do meu body.
— Maxon! — Dou um tapa no seu peito. — Não acredito que guardou isso. — Ele ri da minha vergonha.
— Desculpe — seu sorriso é como de um garotinho feliz com seu presente de natal — mas eu não resisti, você está extremamente gostosa nessa foto — coro violentamente — vou guardar, aliás, vou emoldurar e colocar na melhor parede da minha sala.
— Ah! Claro! — Esbravejo — Vai deixar lá para todos que forem te visitar apreciar a arte, não é? — Maxon fez um bico e balançou a cabeça em negação.
— Tem razão, essa foi uma péssima ideia. Apenas eu posso apreciar esse monumento — diz enquanto admira a fotografia. — Você tem uma bunda maravilhosa.
— Por Deus! Maxon… — enterro meu rosto em seu peito, mega envergonhada com o atrevimento dele.
— O que foi? — Como se não estivesse claro. — Só disse a verdade.
— Pois então pare de dizer! — O encaro tentando ficar séria. — Não vê que fico com vergonha? — Maxon apenas sorri, se maravilhando com minhas súplicas. — Sem falar que essa foto é uma maldição. Sempre que eu ver ela, vou lembrar da humilhação de mais cedo.
Suspiro chateada. Por mais que eu esteja tentando levar na boa, sempre tem aquele pingo de sensação ruim que incomoda. Fui taxada de vadia. É isso que o colégio todo está pensando de mim no momento.
— O que acha de ir lá em casa hoje? — Maxon diz baixinho no meu ouvido, acariciando com a ponta do nariz o meu cabelo e sarrando seus lábios na minha pele. — Prometo te fazer esquecer toda a merda que rolou.
Estremeci, e me arrepiei quando sua mão desceu acariciando meu braço e pairou com um forte aperto na minha cintura. Isso que ele me causa apenas com palavras e simples gestos é de outro mundo. Olho para ele mordendo o lábio, imaginando o que ele quis dizer e feliz da vida por confirmar meu pensamento ao olhar com atenção para o seu rosto, que exprime pura malícia e desejo.
— Que horas? — Pergunto. Seu sorriso sacana desperta o meu.
— Dezenove está bom? — Confirmo balançando a cabeça e intercalando meu olhar entre os seus olhos e sua boca, aproximando cada vez mais. Sorrimos pela ansiedade de colar nossos lábios, e quando o fazemos de fato, parece que toda a calmaria do mundo nos liberta.
— Deixe-me ver isso! — Celeste interrompe nosso beijo e arranca a foto da mão de Maxon.
Assim que ela olha a imagem com atenção, juro ter ouvido a risada mais genuína da minha vida.
— Aaah! — Ela grita enquanto ri sem conseguir se conter, aliás, ela não faz nem questão disso — se eu não estivesse fazendo coisa melhor — Celeste olha maliciosamente para Aspen — eu juro que me condenaria à morte por ter perdido esse espetáculo — continua com suas risadas contagiantes.
— Você super me apoiaria a acabar de vez com minha reputação, não é? — A acuso de brincadeira.
— Não só apoiaria como estaria lá com você amiga — Celeste é maluca, parceira mas maluca.
— Eu prefiro que você dance e tire a roupa só para mim gata. — Aspen até tenta esconder o ciúme na voz. Cel agarra a bochecha dele com a mão e taca-lhe um beijo. Eu vi ela cochichar um “hoje a noite” para ele. Aspen não disfarçou que adorou a ideia ao morder o lábio inferior.
— Concordo com o Aspen. — Maxon sussurra.
Que coisa que a voz dele me estremece tanto assim!
— Vai sonhando… — mordisco sua orelha.
Hoje consegui passar para buscar meus irmãos na escola deles. Gerad não parava de tagarelar que hoje eles aprenderam sobre o universo.
— Ames você não vai acreditar que o sol é uma estrela! — Ele diz maravilhado com o fato. — E que os buracos negros são estrelas mortas, eu nem sabia que estrelas morriam! — Sua voz se alterou no final da frase.
— Ual! Isso é incrível! — Meu irmão adora ciência. Então a cada novidade que ele descobre vem correndo me contar, e eu tento fingir interesse para agradá-lo.
— Incrível? — Ele indaga indignado. — O sol também é uma estrela, já imaginou se ele morre?
— Acho que não vai ser legal né? — May bufa no assento ao lado.
— Nada legal, todos nós vamos morrer. — Ele diz com um tom de suspense. — Menos eu! Eu estou preparando um traje para sobreviver.
Dou risada do meu irmãozinho. E deixo de puxar assunto do seu tema preferido para prestar atenção no trânsito. Já em casa, mamãe se certificou que eu cumpriria com as tarefas dadas para o meu castigo. Essas incluíam, limpar os vidros, que eram muitos e imensos. Se não fosse por Mary e Lucy, teria levado a vida toda. Elas facilitaram o máximo para mim me dando apenas duas janelas pequenas para limpar. Adoro elas.
Tive que lavar as calçadas externas e também o lavabo do andar de baixo. Nunca tinha feito isso. Foi nojento. Mas tudo teria sido muito pior se minha querida irmã May, não tivesse ido me ajudar clandestinamente e por livre e espontânea pressão. A cara dela sempre que fazia um pedido fez todo o sofrimento valer a pena.
Agora estou terminando meu banho. O banho da minha vida, pois hoje vou me encontrar com o Maxon e quero estar perfeita para ele. Na hora de escolher a roupa fico super indecisa e bagunço o closet inteiro. Não sabia o que colocar.
— May me ajuda tanto nessas horas. — Desabafo encarando o monte de roupas sentindo falta dela.
— O que seria de mim sem você em!? — Parece que meu pensamento chama ela por telepatia.
— Como você consegue ser inconveniente e conveniente ao mesmo tempo?
— Eu também amo você… — Diz se sentando na poltrona. — Qual é a boa de hoje?
— Vou sair com o Maxon. — Reviso os olhos diante do seu olhar malicioso.
— Vão aonde? — Travo minha mandíbula imaginando o que ela vai dizer quando eu contar. — Hmm… pela sua carinha de quem não quer responder vão para um lugar indevido.
— Nada disso sua mente poluída — a repreendo. — Vou para o apartamento dele. — É claro que isso não ajudou em nada. May comprimiu os lábios para segurar seus pensamentos obscuros. Ela estava ficando vermelha e me assustando. — Tá, tá. Fala o que quiser.
— Aaaah sua danada, safada, sem vergonha! — Senhor, do que mais ela pode me insultar? — Você está indo dar pra ele!
— NÃO! — Sim, talvez. Não sei.
— Claro que sim! Até depilou as pernas — apontou para elas — e a florzinha? Tá no brinco né? — Isso foi o bastante.
— Ah não May, saia do meu quarto, sério! — Aponto para a porta.
— Calma Ames — ela gargalha — é brincadeira.
— Vai me ajudar ou não?
— Claro! — Ela se levanta e analisa meu guarda roupa — O que pretende? Facilitar ou dificultar a vida dele?
— Como assim?
— Um vestido tomara que caia é fácil dele tirar por todos os lados — Deus! — Uma calça jeans o coitado vai sofrer para passar por essa bunda enorme.
— Posso saber como a senhorita sabe dessas coisas? — Ela vem com um conhecimento novo a cada conversa, temo que esteja sabendo disso tudo pela prática.
— Isso não importa agora — suspeito. — Um conjuntinho de saia e cropped preto com uma jaqueta vão resolver seu problema.
E assim eu fui vestida, e assim chego na recepção do apartamento dele seguindo para o elevador ajeitando meu cabelo solto no espelho. Hora jogando para um lado, hora para o outro, conferindo o hálito e o que mais fosse preciso para estar perfeita.
A porta do elevador se abre e eu saio ansiosa pelo nosso encontro, que finalmente deu certo. Consegui despistar minha mãe por sorte, com a ajuda de May claro, pois se fosse apenas eu pedir, seria o mesmo que implorar por prisão perpétua.
Estranhei não encontrar Maxon me esperando, e estranhei mais ainda quando me aproximei e encontrei sua porta minimamente aberta. Decidi entrar, mesmo sem tocar a campainha. Só não esperava encontrar tudo apagado.
Céus! Será que ele esqueceu do nosso encontro e da porta aberta? Os pensamentos negativos brotam como sementes na minha cabeça.
— Maxon? — Penso comigo mesma que se isso for uma brincadeira eu acabo com ele.
Adentro mais um pouco, e estranho o toque macio que senti no chão, além da falta do barulho que meu tênis emitia quando encosta no assoalho. Olho atentamente e percebo que são: Pétalas. Levanto meu olhar confuso, que logo se iluminam com as chamas das velas acesas mais a frente.
Me perco em um sorriso enorme quando Maxon aparece na minha frente com um enorme buquê.
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