A sensação de imponência é frustrante. Ter alguém que você ama nos seus braços num estado totalmente fragilizado, ao qual você vê o sofrimento aparente e não há nada que você possa fazer para ajudar, é uma merda. Uma grande merda.

Assim que vi May aos soluços, abri meus braços para recebê-la, ela não exitou em vir correndo se abrigar no que lhe parecia mais seguro no momento. Eu estava aflita e preocupada, nunca na vida vi May assim. Agora sentada no chão, eu tento acalmá-la enquanto ela está deitada com o rosto sobre minhas pernas e com os braços agarrados na minha cintura.

É terrível ver minha irmã, um ser tão cheio de vida e astúcia, tão vulnerável. Assim que senti que a respiração dela acalmou, tive coragem de abrir a boca.

— May, o que houve? — perguntei enquanto afagava seu cabelo, mas me arrependi, May tentou engolir o choro, no entanto, as lágrimas escaparam.

— E-e-eu, e-eu — ela tentava dizer, mas não conseguia.

— Se acalma — sequei suas lágrimas com minha mão, tentando tomar a dor dela para mim, mesmo sem saber o que a afligia tanto — você está muito nervosa.

— Ames... — ela choramingou e apertou o tecido do meu pijama. Em resposta eu acariciei seu braço, ela precisava de mim, e eu estou ali por ela.

— Vem — disse fazendo sinal de me levantar — vamos para a cama, podemos conversar amanhã de manhã, você não está bem para falar agora — sem protestos, May se levantou e eu a ajudei a se cobrir assim que ela se deitou.

— E-e-eu estou me-me sentindo ba-baixa, su-suja.

Ao ouvi-la, poderia jurar que senti minha alma saindo do meu corpo. Uma angústia sem tamanho cresceu dentro de mim. Eu me perguntei o que aconteceu para ela ficar assim, mas nunca imaginaria algo tão terrível. Não, não podia ser isso, não podia ser o que eu pensava. Com ela não. Por Deus! Com ela não.

— Shiii — soprei suavemente ficando de joelhos à sua frente.

O mais triste, era que eu não conseguia olhar para ela. Eu carinhosamente passava minhas mãos pelo seu rosto, seu cabelo e seu braço a fim de conseguir tranquilizar May o máximo possível, mas não podia encará-la, não podia permitir que ela visse as lágrimas que escorriam pelo meu rosto, pela tamanha dor que eu sentia. Eu tentava me manter firme, por ela, pois ela precisava de apoio mais do que nunca, e ela buscou a mim para isso, mas eu não conseguia ser essa força que ela tanto precisa.

Agradeci imensamente quando os olhos dela pesaram e sua respiração normalizou. May finalmente ressonava em um sono tranquilo, permitindo que eu, desabasse.

Me sentei no chão com ela atrás de mim respirando suavemente. Abracei minhas pernas e chorei, chorei em silêncio pois agora, as palavras dela vagavam na minha mente me perturbando, "me sinto baixa, suja". Eu tentava buscar justificativas para ela estar se sentindo dessa forma, e sentia meu coração se partir em milhões de pedaços pois a conclusão sempre dava na mesma, sempre na mesma merda!

Puxei meus cabelos tentando de alguma forma abafar o grito que eu tanto queria soltar. Só de pensar em May, esse ser de luz, tão maravilhosa, divertida, otimista, astuta, determinada e sem dúvidas tão amada por mim, passando por algo tão terrível... me mata, me mata por dentro.

E acabava comigo ter a certeza que a partir de agora, ela nunca voltará a ser a mesma, ela não voltará a ser a peste que atormenta todos os meus dias.

Já passavam das quatro da madrugada e eu ainda estava ali no chão, mas agora minha cabeça estava dispersa, eu pensei tanto, me martirizei tanto que me sinto avoada. Levantei e me deitei ao lado de May, os cabelos ruivos dela estavam espalhados pelo travesseiro. Olhar para ela me dava vontade de chorar, então mirei o teto, esperando que o sono me tomasse, mas o infeliz não vinha.

Em compensação, a sensação de culpa se instalava. Dizia mentalmente a mim mesma, que devia ter a aconselhado melhor. May sempre foi muito aberta comigo, sempre me perguntava tudo. Não que eu não a respondesse, mas podia ter ajudado mais. Eu confiava tanto nela que deixei de me preocupar com os outros, e agora isso aconteceu.

— Me perdoa May... — sussurrei baixinho, não queria que ela me ouvisse, mas precisava fazer esse pedido.

Não sei ao certo o que houve, não sei se ela foi forçada, ou se ela se arrependeu. E se ela se arrependeu, não sei se foi antes, ou depois, mas, o que sei, é que apenas um nome está fixado na minha cabeça, e está fixado com uma adaga banhada no veneno: Henrique.

Esse merda vai pagar, e vai pagar muito, mas muito caro por ter feito isso com minha irmã. E foi com essa ameaça e um juramento a mim mesma de que eu vou fazer esse filho da puta se arrepender de ter nascido, é que eu finalmente consegui dormir.

[...]

Eu tinha certeza de ter fechado a cortina ontem, mas provavelmente me enganei, pois uma luz queimava meus olhos mesmo com as pálpebras fechadas. "Ames", eu ouvi do além, "Ames", ouvi outra vez. Apertei os meus olhos pois aquela luz estava forte demais.

— Ames!

Sentei num salto, não era uma voz do além, era May me acordando com a lanterna do celular mirada na minha cara.

— May — chamei sonolenta, logo lembrei da razão dela estar dormindo junto comigo — que horas são?

Eu sei que essa não devia ser minha primeira pergunta, mas minha cabeça estava pesada, meus olhos ardiam, definitivamente eu não tinha dormido bem, e olhando para o relógio, eu definitivamente não tinha dormido nada.

— São seis, desculpe te acordar tão cedo — não tinha problema, meu despertador vai tocar daqui meia hora mesmo.

— Não tem problema — lhe dei um sorriso amistoso.

Ambas estávamos sentadas na minha cama, uma de frente para a outra. May estava bem mais tranquila, tanto que até sorriu em resposta para mim. No entanto, ela queria conversar, me acordou mais cedo, talvez por ela não ter conseguido dormir, mas também para termos mais tempo para isso, só que, parece que nenhuma de nós duas tem coragem de introduzir o assunto. O clima estava meio tenso e angustiante.

— Como você está? — perguntei, temendo que isso despertasse o desespero dela de ontem.

— Estou melhor — sorriu acanhada. Ela torcia os dedos, tentando tomar coragem.

— Quer conversar? — eu fazia perguntas curtas com a voz serena, ela deve estar sensível ainda.

E confirmo isso quando ela chacoalhou a cabeça afirmando, me olhando com os olhos cheios de lágrimas. Não consegui evitar. Meus olhos marejaram também. Mas respirei, era ela quem tinha que desabafar e não eu.

— Vamos lá... me conta o que aconteceu — pedi.

— Estou me sentindo horrível Ames — May desviou o olhar para os seus dedos que ela apertava as pontas nervosa.

— Eu sei minha linda — segurei sua mão, pronta para dar todo apoio que ela precisava. — Não precisa me dizer se não quiser, vamos só pensar como lidar...

— Não, eu preciso desabafar — ela soltou o ar e pesadas lágrimas.

— Tudo bem, pode desabafar, e saiba que eu estou aqui — firmei meu aperto em sua mão — estou do seu lado para o que der e vier, nada mais importa além de você, ok? — ela deu um sorriso fraco e então respirou fundo, se preparando.

— É que ele era tão lindo... — eu sorria, pois queria que ela visse em mim apoio, mas com o início do seu relato, meu sorriso de apoio virou um sorriso confuso.

— Co-como assim? — sorriso de apoio America, não de confusão. Disse mentalmente para mim mesma.

— Eu cheguei na casa do Henri ontem, e fui recebida pelo irmão dele, pois o Henri ainda não tinha chegado — ela ainda brincava com a ponta dos dedos — e Ames — ela me encarou determinada — ele era lindo, muito lindo.

— Quem? O irmão? — perguntei, minha cabeça estava tentando assimilar.

— Sim! E ele era tão educado, disse que eu era linda e eu não resisti!

Eu não sorria mais, nem para dar apoio nem para demonstrar confusão. Só fechei a cara, pois eu já tinha entendido, ela nem precisava terminar.

A salafrária, traiu o namorado com o irmão dele.

— May, eu não acredito — enterrei meu rosto entre as mãos. — E depois? O Henri descobriu?

— Ele chegou na hora que eu estava seminua com o irmão dele na sala — meu queixo caiu.

May ao menos tinha a decência de chorar. Pobre Henri, a algumas horas atrás eu estava fazendo juras de morte para ele, sendo que o coitado é o único prejudicado. Não vou nem lembrar das horas que eu passei amargurada, achando que ela tinha sido violentada, que alguém a tinha feito sofrer, quando na verdade é o contrário. May tinha feito outro inocente perder o gosto pela vida.

— Ames, doeu tanto ouvir ele dizer que sou uma traidora, que ele nunca me perdoaria — ela chorava — só depois caiu a ficha do que eu fiz, na hora que beijei o irmão dele, eu nem pensei em nada. Agora, eu me sinto um lixo de pessoa, sou um ser desprezível. Ele não merecia isso, não merecia mesmo. E eu gosto tanto dele.

Eu não sabia o que dizer. Por um lado eu fiquei muito feliz por ter entendido errado e minha irmã ter sido poupada de um enorme trauma na vida dela. Mas por outro, May foi inconsequente, eu conhecia esse seu lado, claro, mas nunca imaginei que ela não era capaz de conter os seus pensamentos intrusivos até nessas horas.

— E agora? — olhou para mim com a cara vermelha — o que eu faço Ames? Não quero perder o Henri, eu amo ele. O que eu fiz foi uma enorme besteira que não era para ter acontecido!

— May, que merda em, você deu muita mancada — a censurei.

— Eu sei, eu sei! — ela limpou a cara — sou uma péssima pessoa e não consigo nem me encarar no espelho, mas eu juro que estou arrependida. E não consigo dizer isso ao Henri porque ele não me atende, saiu de casa furioso e me bloqueou em todos os cantos dessa porcaria de internet.

— May dá um tempo para ele — ela tirou a mão do rosto e me encarou incrédula — ele precisa pensar, absorver tudo, imagina como é chegar em casa todo animado pelo encontro com a pessoa mais especial na vida dele, e a encontra nos braços de quem ele menos esperava. Ele não quer ver você, e ele tem o direito de ganhar esse tempo, mesmo que você não queira.

— Achei que estivesse do meu lado — ela acusou — está jogando na minha cara e me pedindo para desistir dele — franzi as sobrancelhas.

— Claro que não — me defendi — você entendeu errado. Não estou dizendo para você desistir dele, só dá um tempo para ele respirar. Acha que ele vai te ouvir e aceitar suas desculpas agora? — May abaixou a cabeça. — Não, ele não vai. Vai chegar a hora certa e vocês vão conversar.

— E se ele não me perdoar? E se ele me odiar para sempre? Como vou viver sem ele? Eu não sou capaz disso!

— Ei, calma — mesmo querendo dar uma boa surra nela, pois afinal, o que ela fez foi muita mancada, eu disse que ela podia confiar em mim, e que eu a apoiaria. — Se você o ama tanto, seja sincera e não desista dele. Prove esse amor e prove que se arrependeu — May suspirou e tentou relaxar, com seu gesto, entendi que essa conversa se deu por encerrada.

— Obrigada — ela sorriu fraco.

— Você tem que cuidar mais com o que faz e pensa. Não imagina o susto que me deu ontem — disse lhe dando um abraço, me senti leve por nada pior ter acontecido.

— Desculpa, é que eu fiquei muito desesperada — beijei sua testa.

— Tive esperança que teria mais alguns minutinhos para dormir — comentei enquanto alcançava o despertador que berrava na mesa de cabeceira.

— Você devia tirar o dia de folga, está horrível, está parecendo uma múmia de dois mil anos — ela estava de volta, minha peste... voltou.

[...]

— Deus do céu, o que aconteceu com você?

— Bom dia pra você também Celeste — digo sarcástica, sentado ao lado de Marlee na mesa do jardim do colégio.

— Amiga, você está péssima — Marlee fala como se eu não soubesse.

Hoje eu não fiz questão alguma de me arrumar, estou morta, dormi menos de duas horas e nem uma dose de adrenalina direto na veia me acorda para a vida.

— O que aconteceu? O Maxon não te deixou dormir, foi? — lancei um sorriso falso a Celeste.

— Antes fosse isso... vocês nem imaginam o que eu passei essa madrugada — disse me recostando na cadeira e tombando todo meu corpo para trás. Eu estou muito cansada.

— O que aconteceu? — Marlee perguntou.

— Acreditam que...

— Aí...! Singer! — desanimei mais ainda quando virei para ver quem me chamava.

— Grrrr! — puxei a raiz do meu cabelo — o que essa garota quer agora? — resmunguei.

— Vaza Kriss — Celeste espantou — aqui ninguém quer sentir o cheiro do seu perfume barato.

— Não é com você que quero falar — Kriss não estava com a cara das melhores, geralmente ela sempre se dirige a nós com ar debochado, mas agora ela estava séria.

— O que você quer, em? Diz logo e some — cansada como estou, a última coisa que preciso é separar uma briga. Tive emoções demais para uma pessoa só, e ainda é o segundo dia da semana.

— Porque colocou aquela sonsa asiática no grupo?

— Do que você está falando? — meu raciocínio estava lento demais.

— Elise! — gritou apoiando as duas mãos na mesa com força — porque colocou essa garota no grupo das líderes?

Então ela refrescou minha memória, os meninos tinham me avisado dessa enorme desgraça, mas com tudo que aconteceu, eu me esqueci, e não gostei nem um pouco de lembrar.

— Eu não coloquei ela, tá legal? — disse sem paciência. — Ela fez a merda de um escândalo e a coordenação meteu ela no grupo, acredite, não gostei disso tanto quanto você — sorri falsamente.

— Vai permitir isso? — Kriss perguntou incrédula.

— O que espera que eu faça? Foi o desejo de alguém acima de mim — justifiquei — faça o favor, e infernize a vida dela assim como você inferniza a minha, com sorte, ela some das nossas vidas.

— Vai a merda — ela esbravejou dando as costas.

— Garota estúpida — murmurei irritada.

— Fala aí meninas! — Aspen puxou uma cadeira ao lado de Celeste.

— Passa pra lá ruiva!

— Ai Carter! Que merda! — reclamei quando ele puxou minha cadeira comigo em cima bruscamente para o lado, colocando outra no lugar onde eu estava, ele queria ficar ao lado de Marlee.

— Oi amor — a voz dele é como um entorpecente.

— Oi — cumprimentei e sorri feliz pelo selinho que Maxon deixou nos meus lábios.

— Que bicho te mordeu hoje Meri? — perguntou Aspen roubando uma uva do pote que Marlee acaba de tirar da bolsa.

— Sim Aspen, pode pegar — ela soou irônica e ele sorriu como bobo pra ela.

— É America, até parece que passou a noite toda trepando — hoje eu não estou para as brincadeirinhas de Carter.

— Obrigada Marlee — agradeci minha amiga por bater em seu namorado por mim.

— Aconteceu alguma coisa? — Maxon passou seu braço pelo meu ombro e perguntou baixinho. Mas não era apenas ele interessado, todos na mesa estavam em silêncio querendo saber o que houve comigo.

— May, passei a noite em claro por causa dela.

— Hm! — Marlee se afobou e abanava a mão na minha direção freneticamente, ansiosa para falar mas tinha que engolir sua uva — e então? — ela perguntou tomando fôlego — ela procedeu com aquilo ou não?

Contei aos meus amigos o meu ocorrido da madrugada. Mas me limitei a dizer que apenas vi May chorando, eles não precisavam saber o absurdo que pensei ter acontecido. No entanto a verdadeira razão, eu contei, no caso, a traição dela. Maxon ficou perplexo, não acreditava que May era capaz. Aspen e Carter como não conheciam bem minha irmã não tiveram muita reação. Celeste riu, mas não aprovou a atitude de May por milagre. Marlee ficou abismada assim como Maxon.

Também não deixaram de perguntar se estava tudo bem com ela. Fui sincera em dizer que May estava péssima. Mas nós que a conhecemos, sabemos que ela vai superar e resolver isso tudo.

As aulas foram uma tortura para mim, eu cochilei nas três primeiras antes do intervalo, e cochilei apoiada no ombro de Maxon. Eram aulas com lugares individuais, mas fizemos questão de juntar nossas mesas e dispostos a ir para a direção caso um professor reclamasse. Então claro, eu estava no céu passando pelas aulas chatas abraçada a ele recebendo seus carinhos.

— Vem — ele me chamou na saída para o intervalo.

— Aonde vamos? — Mesmo sem saber, me deixei ser guiada por ele.

— Não consigo ficar tranquilo vendo você tão cansada assim, vamos descansar ao invés de ir para a aula — eu ri da determinação dele.

— Eu adorei a ideia, mas onde você pretende nos levar?

— Eu tenho um carro espaçoso, é lá onde vamos dormir — ele me lançou uma piscadela.

— Dormir é? — perguntei sorrindo maliciosa. Maxon me encarou surpreso e deu risada.

— Bom, essa era a ideia principal, mas podemos fazer mais se quiser.

A pouco tempo eu pensei comigo mesma, que nem uma dose de adrenalina na veia era capaz de me acordar para a vida hoje, mas depois de receber seu sorrisinho sedutor, eu nunca estive tão desperta como agora.

Maxon nos levou para o seu carro, entramos nos assentos de trás e ele mal trancou as portas nós já estávamos no maior agarramento se livrando das nossas peças de roupas. Não tínhamos tanto espaço, então toda hora estávamos nos batendo, isso nos arrancava muitos risos. Escutamos o sinal tocar, dando início a penúltima aula do dia, mas antes disso, Maxon já estava por cima de mim nos unindo. Em minutos estávamos suspirando, gemendo, suando, clamando um pelo outro e se perdendo no delírio do momento, apenas aproveitando todo o prazer que nos proporcionamos, às vezes de uma forma meiga, mas na maioria com brutalidade.

Do jeitinho que nós amamos, chegamos ao nosso máximo, desfalecemos um no outro. Agora, nesse momento, estou deitada sobre ele, brincando com meu dedo em seu peito nu, e ele nas minhas costas nuas. A camiseta dele cobria minha bunda. Por mais que os vidros fossem escuros, e nos dessem a privacidade que precisamos, Maxon se sentiu mais seguro cobrindo o que dava de mim.

— Agora com sono meu amor? — ele perguntou fazendo leves carinhos nas minhas costas com a ponta dos dedos, isso fazia minha pele eriçar.

— Uhum — grunhi manhosa, me arrepiando com seus dedos que escorregavam por toda a extensão das minhas costas.

Essa transa maravilhosa foi o que bastou para esgotar toda a energia que me restava, então me ajeitei melhor sobre ele, mas antes de descansar meu rosto no seu peito, olhei em seus olhos e lhe dei um beijo casto, repleto de amor e gratidão.

Poderíamos ir dormir em um lugar mais confortável para os dois, se os portões do colégio fossem liberados a qualquer momento. Mas como ele só irá abrir quando o último sinal tocar, eu e Maxon vamos ficar aqui, agarradinhos, colados um no outro no banco traseiro do seu carro até que não haja nada melhor que possamos fazer.

[...]

A semana passou voando, quando vi já era sexta e já tínhamos passado por diversas provas essa semana. May ficou todas as noites comigo, inclusive ontem que Maxon dormiu lá em casa. Ela está péssima por ainda não ter conseguido nenhum avanço com o Henrique, o garoto está a ignorando em todos os sentidos. A energia dela não é mais a mesma, e desde então, nossos pais tem reparado, mesmo que ela dê tudo de si para disfarçar. Eu tento ajudar como posso, mas isso é algo que não depende de mim, e sim, deles.

— Estou cansada dessa nossa vida pacata — reclamou Celeste vestindo seu top — quero nossa vida de antes. Festa, bebedeira, loucuras, diversão. Não fazemos isso a um bom tempo.

— Agora somos compromissadas, querida, faz parte do pacote — Marlee justificou vestindo a saia.

— Concordo com a Celeste — disse amarrando o cadarço — não sei como era a vida de vocês antes, mas estamos muito parados, sinto falta de sair para me divertir.

— É isso aí Singer! — Celeste deu um tapa em minhas costas.

— Ai! — reclamei da dor.

— Desculpe, me empolguei — Celeste falou aplicando gloss na boca.

— Podemos fazer algo amanhã, o que acham? — Marlee perguntou terminando de amarrar seu cabelo.

— Perfeito — sorri para ela — alguma sugestão do que faremos?

— Eu já sei o que faremos — Celeste disse convicta — vamos a la praia amores — ela tinha cara de quem iria aprontar.

E eu e Marlee, apenas a acompanhamos.

— Eu estou pronta, e vocês? — comentou Marlee saltando na nossa frente.

— Sai da frente do espelho — a morena a empurrou.

— Sua grossa! — Marlee exclamou irritada.

Estamos no vestiário do colégio, nos arrumando para o ensaio das líderes de torcida, nada empolgadas. Ontem Elise fez questão de encher a merda do saco de todas. Quase saímos no tapa pois ela queria dar uma de capitã, não permiti que ela ficasse se impondo como queria, o que resultou em um péssimo ensaio e não acho que hoje seja diferente.

Fui na frente até o campo, para ver se estava tudo em ordem para quando as meninas chegarem, de longe já avistei os garotos aquecendo para o treino, mas não vi Maxon entre eles. Assim que passei pela porta de vidro que dava acesso a área externa, percebi que não foi uma boa ideia escolher ensaiar aqui fora, o calor estava de matar, mas como o campeonato será aqui, é bom irmos nos acostumando com o ambiente.

— Eu já disse que você fica extremamente gostosa nesse uniforme? — Primeiro veio o susto por alguém me agarrar por trás, mas depois o arrepio pelo sussurro de Maxon no meu ouvido e sua mordida na minha orelha.

— Você e esse seu costume de agarrar por trás, já imaginou o problema se abraçar outra por engano?

— Eu conheço muito bem a ruiva que tenho, impossível confundi-la com outra — safado apertou minha bunda.

— Não devia estar coordenando seu time capitão? — agarrei seu pescoço e subi nas pontas dos pés dele para que ele me carregasse.

— Era o que eu estava indo fazer agora capitã — o sol estava no seu ponto mais alto no momento, devido a isso o calor já era imenso, e com meu namorado apertando minha cintura me olhando com malícia estava ficando insuportável — vão ensaiar aqui hoje?

— Vamos — respondi na maior inocência.

— Hmm... então vou ter que me concentrar para não ficar de pau duro vendo você dançar.

— Por Deus! Maxon! — enterrei meu rosto na curva do seu pescoço envergonha.

— É sério — disse ele me segurando para não cair enquanto dava pequenos passos a caminho do campo — da última vez eu tive uma batalha contra mim mesmo vendo você ensinar as meninas.

— Pare com isso! — lhe dei um tapa no peito e ambos rimos nos encarando.

— Eu te amo — ele confessou o que já estava visível a milhões e milhões de quilômetros de distância.

— Eu também te amo.

Claro que dessa demonstração, resultaria um beijo, um beijo doce e molhado. Era até divertido, pois eu continuava sobre seus pés e Maxon caminhava lentamente, tentando não tropeçar no caminho com sua língua invadindo minha boca sedentamente.

— Bora Maxon! — nos separamos com o chamado de Aspen. Todos os meninos no campo deram um tchauzinho para nós, alertando que estávamos sendo muito bem observados por eles.

— Tô indo! — meu loiro gritou em resposta — tenho que ir amor — me beijou — você está linda, tchau.

— Tchau — sorri enquanto o via correr de encontro com os garotos do time, o mais lindo entre todos, sem dúvidas.

As garotas não demoraram a chegar, todas sendo muito bem recepcionadas por assobios. Marlee caminhava encolhida em Celeste por Carter ficar gritando gostosa pra ela, se não fosse a teoria que os opostos se atraem, eu não entenderia como esses dois ainda estão juntos.

Claro que a frente das garotas, quem caminhava como se estivesse em uma passarela era Elise. Por pouco eu não vomito quando ela passa por mim me olhando dos pés a cabeça, como se eu fosse pouca coisa para estar na presença dessa vagabunda. Eu peço apenas paciência para lidar com esse capeta em formato de gente.

Durante nosso aquecimento, não deixei de notar as olhadas de Maxon na minha direção. O filho da mãe sorria e piscava para mim sempre que percebia que eu estava o olhando também. Era até difícil me concentrar, visto que ele fica muito gato com todo aquele traje de jogador. Já aquecidas, eu queria muito dar início a ideia que estava tendo para o campeonato se não fosse a mosca morta começar a reclamar.

— Fala sério! — a vaca exclamou — bambolês? Isso é coisa de criança.

— Nosso país já foi vencedor olímpico na ginástica artística com uso de bambolês, fofa. Faz parte da apresentação, então sim... nós vamos usar — calei a boca daquela escrota, que a qualquer sugestão que eu dava, ela fazia pouco caso e tomava como péssima ideia.

— Acho que deveríamos usar fitas — Elise tentou se colocar acima de mim, outra vez.

— Nós já vamos usar fitas sua tapada, não entendeu ainda? — Nunca pensei em ser grata a Kriss.

— Veja como fala comigo — Elise ameaçou.

— Ou o que? — Kriss empeitou.

—Estou gostando de ver — Celeste mordeu a unha do seu polegar sorrindo animada com a discórdia na nossa frente.

Seria ótimo ver Elise apanhar, mesmo que para isso tenha que torcer pela Kriss, mas como capitã, não posso permitir essas coisas.

— Já chega as duas — me coloquei entre elas — vamos fazer as duas modalidades e acabou. Se coloquem em posição e ensaiem a coreografia coringa enquanto vou conferir a parte de cada uma.

Sai de perto delas bufando, nunca foi tão estressante esse cargo. Agora conferindo o forte de cada integrante do grupo e designando suas funções na dança deixanto tudo anotado, ouço uma voz nada estranha me cumprimentar, como sempre, de surpresa.

— Oi America.

— Nicholas! — exclamei — oi — cumprimentei não querendo muito cumprimentar.

Desde a festa que rolou na casa da Celeste, a qual ele e o Maxon saíram na porrada, Nicholas não havia colocado os pés no colégio ainda, e agora, entendo o porquê. Seu rosto tinha alguns hematomas amarelos, mostrando que acabara de se recuperar. Maxon deve ter acertado nele em cheio pelo tempo que levou para começar a normalizar.

— Você está linda — eu não queria falar com ele, já tive problemas com Maxon por isso e de verdade não quero de novo.

— Err, obrigada — tentei sair de perto, mas ele segurou meu braço.

— Podemos conversar? — pediu ainda me segurando.

— Err, Nicholas, outra hora, pode ser? — eu não sei porque senti medo. O que ele queria comigo?

— Não acho que esteja muito ocupada, podemos ir em uma sorveteria — ele se aproximou. Eu olhei para a mão dele que ainda me segurava, pensando em como sair dessa sem fazer um escândalo. — Eu senti saudades nesse tempo que fiquei fora.

— É que... — sorria nervosa, sem saber como afastá-lo — é que...

— Algum problema? — não sabia se Maxon aparecer agora era bom ou ruim, principalmente depois de ver como ele encarava furioso a mão de Nicholas me puxando. — Posso saber o que quer com ela?

— Cai fora Maxon, o assunto é comigo e com a America — Nicholas respondeu de queixo erguido.

— Você não tem nada para falar com a minha namorada — Maxon fez questão de deixar esse detalhe bem claro na pronúncia.

— Sua namorada? — Nicholas franziu a testa. — Está namorando com ele? — Me perguntou indignado.

— Ela está, portanto, a solte antes que eu acabe com você.

— Maxon — o chamei. Não queria que ele brigasse outra vez com Nicholas, mas seu olhar era impassível.

— CELESTE! — Me virei assustada assim que ouvi Marlee gritar.

A cena era prazerosa mas preocupante. A alguns metros de onde eu estava, Celeste e Elise estavam grudadas uma no cabelo da outra, ambas tentando se agredir de qualquer jeito que fosse. O aperto de Nicholas já havia afrouxado enquanto ele e Maxon trocavam olhares mortais, então com isso consegui correr até a minha amiga, tentando apartar aquela briga e principalmente saber o motivo.

— SUA DESGRAÇADA! — me assustei ao ver Celeste chorando e se debatendo contra Marlee que a segurava — NUNCA MAIS ABRA ESSA BOCA PARA FALAR DA MINHA MÃE!

— A verdade doi, não é? — Elise sorria debochada — Pois saiba que sim! Sua mãe é uma vagabunda! Se encontrava com o meu pai e dava pra ele por dinheiro! Ela se prostituía por alguns milhões.

— CALA A BOCA! — Celeste deu um jeito de se soltar e voou pra cima de Elise outra vez.

— Celeste, por favor! — tentei acudir minha amiga, mas ela estapeava Elise com tanta raiva que era impossível chegar perto.

— MAXON! CHEGA! — dessa vez quem gritou foi o Aspen.

Eu tive vontade de desmoronar, Maxon estava por cima de Nicholas o enchendo de socos enquanto Aspen e Carter tentavam puxá-lo. Eu não sabia quem ajudava. Não podia fazer muito por Maxon, mas sabia que a razão da briga era eu. Vi que Marlee e o resto das meninas conseguiram separar Elise e Celeste, então corri para tentar acalmar o Maxon que ainda desferia socos em Nicholas.

— SEU FILHO DA PUTA! — Maxon gritou, sendo contido pelos seus amigos.

— O que é Maxon? Ainda doi falar dela? — Nicholas, mesmo com a cara ensanguentada, sorria satisfeito para Maxon.

— NÃO SE ATREVA A FALAR DELA! — Eu já estava perto o suficiente para ouvir bem, mas não estava entendendo a conversa dos dois.

— Ah Maxon! Qual é... — Nicholas riu sarcasticamente — não me diga que ainda é apaixonado pela Daphne.

Maxon não respondia. Nicholas continuava sorrindo com a boca vermelha pelo sangue e Maxon não reagia.

Seu silêncio, foi como um tapa na minha cara.

////////////////

Olá! Queria saber se tem alguem acompanhando a história aqui pelo Nyah!, caso tenha, deixa um comentário para eu saber se devo continuar postando aqui ou não. Além disso, me digam o que estão achando da história!! Beijos, obrigada!