POV Maxon

A porta do elevador se fecha e eu não tenho mais visão daquele lindo rosto. Ando em direção ao meu apartamento sorrindo igual a um bobo apaixonado suspirando sem acreditar no que tinha acontecido e no que estava acontecendo.

Eu, Maxon, estou completamente apaixonado pela America Singer.

Fecho a porta atrás de mim me encostando nela, dou uma volta com o olhar pelo apartamento lembrando de tudo que fizemos ontem. Fecho meus olhos e sigo sem acreditar. Eu encontrei a garota perfeita e ela me encontrou.

Já trouxe várias meninas para cá, já transei com várias por todos os cantos desse lugar, mas nada nunca foi como é com ela. Pela primeira vez existe uma troca de sentimentos, America desperta algo maior em mim, ela me faz feliz, ela me faz esquecer toda a merda que me rodeia. Não acho certo, mas sem querer, ela se tornou meu porto seguro.

Não me demoro muito a ir tomar um banho e me arrumar para o colégio. Vai ser mais um dia normal tirando pelo teste de quem será a nova capitã. Estou torcendo muito por America, mas sou realista, acho Kriss boa como líder, ela chama muito a atenção enquanto dança, tanto que foi por isso que me aproximei dela. O que não entendo é porque isso virou algo tão pessoal entre elas. Não se trata mais de quem vai liderar e coordenar um grupo de meninas que tem o objetivo de animar os jogadores. Esse deixou de ser o objetivo principal faz tempo.

Meu pai tem me deixado em paz ultimamente, o que é uma grande surpresa. Mamãe falou que ele tem viajado bastante e parado pouco em casa. Até pensei em passar um tempo com ela e Brice, mas temo encontrá-lo. Quero evitar mais desgostos para minha mãe, sei que ela não está bem de saúde, Diana a empregada que vem duas vezes na semana limpar o apartamento me põe a par dos acontecimentos.

Sei que ela tem se cuidado, mas seu emocional tem estado debilitado com todas as brigas, discussões e a indiferença de meu pai. O que eu mais quero é levar ela e Brice para o mais longe que puder dele. Que ele viva a amargura e a ambição sozinho. Vamos ver quanto tempo ele dura sem o apoio que ele não dá valor.

O som de uma notificação me tira dos meus pensamentos e por um instante penso que pode ser minha ruiva maravilhosa, mas não, é Carter me pedindo carona. Mando a ele um beleza e vejo que já está na hora de sair.

— Eae cara! — Carter entra no carro me cumprimentando todo animado.

— Eae Carter! — começo a dirigir — Que empolgação é essa?

— Maxon, meu tigrão! — dou risada quando ele me chama assim, tigre é nosso mascote do time. — Eu tive a melhor noite da minha vida. — Ele enlaça os dedos na sua nuca e se encosta no banco respirando fundo.

— Posso dizer que também tive a melhor noite da minha vida ontem. — Ele me encara todo cheio de si.

— Hmmm! Pegou a ruiva, não é!? — Ele dá tapas no meu ombro, começo a rir — aaa… garanhão, me conta como foi.

— Primeiro, faz o favor de se dirigir com respeito a ela — ele se afasta surpreso com o que eu disse — ela não é qualquer uma. E segundo… foi muito foda, não transamos, mas o que rolou foi bom pra caralho.

Confio em Carter, ele é um irmão para mim. Por isso não me incomodo em falar das garotas com quem já fiquei, mas seria mais contido em relação a America. Ela é especial, o que temos é especial, não vou ficar expondo isso para ninguém.

— A ruiva domou mesmo o meu tigrão… não acredito — ele começa a rir

— Domou é uma palavra muito forte, não acha? — Na verdade estaria mentindo se dissesse que não estou na mão dela. — Agora me fala, o que fez ontem para estar assim, tão feliz?

— Cara eu transei — ele aperta meu ombro com força — mas não foi com qualquer pessoa… — ele olha para frente com cara de bobo. Claramente ele estava apaixonado, e estava com as lembranças vagando na sua mente. — Foi com a garota mais linda, gentil, carinhosa, inteligente, gostosa e tudo mais de bom que existe neste mundo. A loira mais maravilhosa.

— Ual… é uma garota e tanto em! — Sigo prestando atenção no caminho — Quem é a sortuda que domou o meu tigrão? — Ele podia dizer que eu fui domado pela ruiva, mas ele estava na mesma situação.

— Agora eu entendi o que você sentiu quando falei que você foi domado… — Carter reflete — Maxon… nós estamos fodidos cara! — Ele põe as mãos na cabeça, achei engraçado a reação dele — estamos dominados por garotas, era para ser o contrário! Que merda elas fizeram com a gente?

— Cara, eu não sei — dou risada — conta logo, quem te deixou assim?

— Foi a Marler cara… — tiro os olhos da estrada para encará-lo por um instante — eu sei, eu sei… nos encontramos para conversar, nos resolvemos e então rolou, e foi bom demais, ela é incrível, maravilhosa. Eu amo ela.

— Caramba em! — Eu estou muito feliz pelo meu amigo, pois sei exatamente o que ele está sentindo, e fico mais feliz ainda por ver que eles se acertaram — finalmente vocês dois se desenrolaram em.

— Sim… mas antes levei uma boa surra. Culpa da Beatriz.

— Mas que merda… ela ainda dá em cima de você? — imagens dela se insinuando para o Carter todas as vezes que nos encontrávamos em algum lugar passa pela minha cabeça. Ela não tinha limites. — E como Marlee soube dela?

— Foi assim que brigamos, estávamos no evento do meu pai. Ela me puxou para um canto e me beijou bem na hora que a Marlee apareceu…

— Está explicado as discussões. — Viro para entrar nos portões do colégio — Mas que bom que deu tudo certo, estou feliz pra caramba por vocês.

— Valeu Maxon… mas me fala mais sobre você e a America… não é todo dia que vemos Maxon Schreave apaixonado — acho uma vaga para estacionar pensando no que dizer.

— Ainda não é nada certo — soltamos nossos cintos — mas quero ir fundo nessa. — Saímos do carro. — Eu gosto dela, gosto de verdade. — revelo a Carter enquanto estamos a caminho da entrada — Agora mesmo estou desesperado para encontrá-la, abraça-la, beija-la… ela domina meus pensamentos — dou enfase na palavra sorrindo para Carter, meio que se encaixou bem essa definição. — Ela é perfeita e nos damos tão bem, nunca rolou com nenhuma o que rola com ela.

— Nem mesmo com a Daphne? — Engulo em seco, qual a necessidade de lembrar dela?

— Pra que falar dela Carter? — digo já perdendo o ânimo dessa manhã. — Mas te respondendo… não chegou nem perto do que sinto pela America.

— Foi mal… — ele passa o braço pelo meu ombro — não sei porque lembrei dela, mas cara, eu to muito feliz por vocês também. — Damos um abraço de irmãos antes de entrarmos.

— Sabe? — Falamos ao mesmo tempo.

— Pode falar primeiro. — digo e voltamos a caminhar rumo a nossa sala.

— Não, fala você — ele estava meio nervoso assim como eu.

— Pode falar — estou tentando adiar o máximo que posso, estou preocupado com o que ele pode achar.

Nos olhamos entediados, ninguém queria falar primeiro. Alguém ia ter que tomar coragem.

— Estou pensando em pedir ela em namoro. — Falamos os dois juntos, imediatamente suspirando aliviados.

— As vezes acho que nascemos conectados… — diz Carter franzindo o cenho e fazendo bico. Dou risada.

— Não duvido… — não é a primeira vez que temos as mesmas ideias — achei que você me acharia um idiota por ir tão rápido.

— Eu pensei o mesmo — rimos — quando pensa em pedir?

— Ainda não sei — e realmente não sabia, nem quando, nem onde, nem como — acho que vou esperar mais um pouco.

— Eu não to querendo esperar muito não, quero ficar com ela logo. — Nunca vi Carter assim por ninguém.

— Então boa sorte… pode contar comigo para o que precisar. — Dou umas batidinhas no seu ombro e ele na minha mão.

— Valeu cara, você também.

O sinal toca e entramos na sala. Meus olhos imediatamente buscam por ela, mas ela ainda não estava lá, nem mesmo Marlee e Celeste. Elas só podiam estar juntas, mas vai saber onde. Eu estava ansioso para vê-la entrar por aquela porta, mas o tempo estava passando e nada. Quando decido mandar uma mensagem para ela, recebo uma de Kriss.

Mensagem on

Kriss: Max, preciso muito falar com você, agora.

Olho ao redor e vejo que Kriss não está na sala.

Maxon: Estou na aula, não posso agora.

E a verdade é que nem quero.

Kriss: Por favor, é importante! Prometo que vai ser rápido.

Maxon: O que você quer?

Kriss: Maxon, é sério! Preciso falar com você agora. É algo que envolve nós dois. Por favor, só vai levar alguns minutos.

Maxon: Porque tem que ser agora?

Kriss: Caramba Maxon! Vem logo para o armário do zelador, acho que da última vez a camisinha rasgou.

Arregalo meus olhos diante daquela mensagem e sinto minha pele ficar gelada.

Maxon: Estou indo.

Mensagem off

— Não pode ser. Não pode ser. — Repito para mim mesmo enquanto corro para encontrar Kriss e esclarecer essa história.

Ao chegar no armário do Benjamin, entro e Kriss já estava lá sentada na mesa me esperando. Ela parecia muito tranquila diante das circunstâncias.

— Acha mesmo que pode estar grávida? — A última palavra me causa arrepios de pavor.

— Claro que não. — A confusão se faz na minha cabeça.

— Como assim claro que não? — a olho incrédulo, ela sorria se divertindo — está brincando comigo Kriss?

— A Max… — ela desce da mesa e se aproxima com um olhar extremamente sedutor — sabe como é… eu estava com saudades — Kriss chega perto falando de mansinho, passa seu dedo desde a ponta da minha orelha descendo até meu peito, aquilo me arrepia — e faz tempo que você não me procura… e hoje acordei particularmente cheia de tesão — ela pega minha mão e coloca por baixo da sua saia, ela estava sem calcinha e bem molhada. Engulo em seco, ela sabe seduzir muito bem um homem. — E você estava relutante em vir aqui, então contei uma mentirinha para agilizar as coisas.

Sua última frase me fez acordar e me odiar por estar pensando mais com a cabeça de baixo do que com a de cima. Tirei logo minha mão da intimidade dela. Isso tem que acabar.

— Kriss para com isso — digo firme enquanto ela começa a beijar meu pescoço e a levantar minha camisa. Ela não parou. Mas a atitude dela não me causa nada além de repulsa. — Já chega Kriss! — a empurro.

— Mas o que é isso Maxon? — ela me olha indignada — Qual o seu problema?

— Kriss isso que rola entre nós acabou! — ela arregala os olhos.

— Como assim acabou? — Ela parecia realmente não acreditar nas minhas palavras.

— Qual a dificuldade de entender?

— Está me dispensando? Achou alguma vagabunda para você comer melhor do que eu?

— Você sempre soube que não era a única, assim como eu nunca fui o único que você sai por transando. Não venha se fazer de ofendida. — Eu não estava sendo muito cavalheiro, mas foda-se.

— Achei que soubesse que eu sentia algo por você. — Até via um pingo de sinceridade no olhar dela.

— Kriss eu nunca te dei esperança de algo maior, achei que tinha ficado claro. — Era só o que me faltava ela sentir algo por mim.

— Mas eu tinha esperança… Maxon, eu amo você. — Fico sem reação. — Eu sei que você sente algo por mim também.

— Kriss não viaja, desculpe falar isso, mas não sinto nada por você — os olhos dela marejaram — me desculpe mesmo, mas não posso corresponder, é bom deixarmos isso claro e acabar com isso logo.

— É por causa dela? — Franzo o cenho sem entender o que ela quer dizer — Você gosta da America, não é? — Abaixo a cabeça, não tenho o porquê responder isso para ela. Ela solta uma risada sarcástica — Eu sabia. Vi como você olhou para ela quando ela chegou, e o quanto você fica perto dela, fazendo carinho nela durante a aula. — Eu só a encarava sem dizer uma palavra, não conseguia falar nada — O que ela tem que eu não tenho? Em?

Kriss pega o celular e digita alguma coisa, o guarda no bolso e então me encara. Não quero envolver America nesse assunto, a verdade é que não é justo o que faço com Kriss de qualquer forma. Transar com ela só para aliviar a raiva, não é certo. Principalmente agora que ela revelou que sente algo por mim.

— Kriss… não é sobre isso — ela não parecia mais prestar atenção em mim — não acho certo que continuemos como estamos. Só quero que entenda. — Ouço duas batidas na porta, em seguida alguém correr.

— Vamos ver se ela vai entender. — A olho com cara de quem não entendeu o que ela quis dizer.

Tudo aconteceu muito rápido. Em segundos, Kriss tira sua camisa ficando apenas de sutiã, ia questioná-la, mas ela se joga para cima de mim, um de seus braços agarrando meu pescoço e a outra mão agarrando meu membro, ao mesmo passo que ela cola nossas bocas, arregalo os olhos, assustado e surpreso com a sua atitude . Num ato instintivo pego em sua cintura para afastá-la mas a porta se abre. Ela se separa e o desespero cai sobre mim.

A última pessoa que deveria aparecer ali, surgiu. America.

Celeste e Marlee estavam atrás dela. Pude sentir as facadas do olhar de Celeste e a decepção de Marlee. Mas a única que me preocupava era ela, que me olhava espantada, sem piscar, sem falar nada. Eu senti a dor que começou a transparecer em seu rosto, lágrimas brotaram em seus olhos e eu me senti o maior filho da puta do universo. Mas meu mundo desabou quando ela finalmente se pronunciou.

— Você é inacreditável. — Meu coração parou e ela saiu correndo. O desespero me faz querer ir atrás dela, chamá-la e explicar toda aquela situação.

— America! — Ia correr, eu ia atrás dela, mas Celeste me barrou. Vi Marlee começar a segui-la.

— Escuta aqui seu filho da puta… Deixa ela! — Se Celeste pudesse me esfolar vivo só com o olhar assim ela faria.

— Mas Cel, eu tenho que expli…

— Você não tem que explicar que é um merda, já provou isso e todas entendemos. — E ela sai correndo a procura da America.

Eu fico paralisado. Como isso foi acontecer? Como eu permiti isso? Estava tudo mais que perfeito. Que merda! Maxon seu burro.

Mas eu não era o único culpado, se é que sou culpado. A pessoa que orquestrou todo esse teatro está atrás de mim, me viro para olhá-la e a filha da puta tinha um sorriso vitorioso estampado na cara.

— Está feliz é? — Pergunto com desdém.

— Satisfeita é a palavra. — Ela dá um sorrisinho de lado.

— Você é desprezível. — Fiz questão que meu ódio transparecesse nas palavras.

— Não fique assim Max… — ela se aproxima — tem muitas por ai querendo ficar com você.

Não respondo, apenas vou para longe dela, não me permito pensar que só quero esgana-la com minhas próprias mãos. Mas a ética masculina não permite.

Foco em encontrar quem eu preciso, mas não faço ideia de onde America está, vou para o estacionamento e noto que o carro dela ainda está lá. Volto correndo para a sala, mas vejo pelo vidro da porta que também não está. Começo a ficar nervoso, cada tempo que passa são mais ideias equivocadas passando pela cabeça dela. Ela vai acreditar em mim? Acabamos de recuperar nossa confiança. A cara dela era de decepção e de desacreditada. E se ela não acreditar?

Decido ficar esperando na porta da sala, ela vai aparecer em algum momento. E eu vou ficar aqui até esse momento chegar. O sinal toca e nada dela. Ocorre a troca de professores mas por sorte nenhum me questiona ou me obriga a entrar. Já estava impaciente, não tenho costume de roer as unhas mas qualquer método de calmaria eu testava nesse momento.

Minutos depois, eu já não tinha mais dedos, me tremia inquieto encostado na parede até que a vejo, minha reação não foi outra a não ser ir ao encontro dela rapidamente. Temendo o que viria a partir dali. Assim que me aproximo percebo que usei muito mal esse tempo de espera, não pensei o que iria falar, nem como iria me explicar.

Nem percebi que precisei correr para me aproximar dela, só notei quando estava ofegante e minhas súplicas começaram a sair com dificuldade.

— America, por favor… — respiro fundo — você tem que me deixar explicar… aquilo… aquilo… — merda! Como explicar da forma mais fácil a merda que aconteceu. Mas America se adiantou me cortando.

— Foi você me traindo. — Ela ja deu espaço na mente dela para o pior

— Não! Claro que não! — Tento corrigir a ideia dela o mais rápido que consigo, me alterando pelo desespero — O que você viu não é nada do que está pensando. Eu jamais faria isso com você. — Me aproximo dela, quero tocá-la e fazer ela sentir minha sinceridade, mas ela se afasta. Essa reação me doeu mais que um soco na cara. Decido por fim só falar o que aconteceu — Ela me beijou à força.

— A claro! — ela solta uma risada sarcástica — e ela te levou lá a força também? — pensei comigo mesmo que a verdade sobre esse detalhe só pioraria as coisas, decido ignorar.

— America, — tento me aproximar de novo, mas ela se afasta mais ainda, e me parte com seu olhar raivoso. É isso, ela me odeia, não quer ou não consegue acreditar em mim — por favor… — tento pela última vez.

— Chega Maxon! — America esbraveja, a raiva na voz e no seu olhar — Me escuta bem… — ela se aproxima e eu estremeço — Nunca! Nunca mais fale comigo. — Tenho certeza que exprimi todas as facetas do desespero. Não quero fazer isso, não quero. — Vamos meninas — ela se vira para olhar para trás e só agora percebi que Marlee e Celeste estavam ali.

Marlee parecia não querer se envolver na discussão, estava encarando seus pés. Ja Celeste me olhava, e por um momento senti alívio. Ela sabia que eu falava a verdade. Voltei a ver a amiga que sempre contei.

America logo tenta se retirar mas eu a seguro pelo braço. Não quero que ela vá. Ela não pode pensar que fui capaz de traí-la assim na cara dura.

— Não faz isso… — digo no seu ouvido, com esperança dela me dar uma chance de explicar melhor e de me ouvir, mas não, ela se solta bruscamente e vai para a sala.

A tristeza me invade. Sinto que a perdi.

— Começa a falar — Celeste estala os dedos na minha cara chamando minha atenção — o que aquela vagabunda fez?

— Porra Cel… — dou um abraço nela aliviado — obrigado por acreditar em mim. — Marlee me lançou um olhar compreensível.

— Desembucha, ela armou tudo isso, não foi? — Assinto — Aquela vaca de duas tetas. Bem que achei estranho a amiguinha ir nos avisar que a Kriss queria falar com ela.

— Isso aconteceu? — Pergunto incrédulo. Realmente a Kriss planejou tudo?

— Aconteceu, mas não imaginávamos encontrar o que encontramos. — Diz Marlee.

— O que estava fazendo com ela lá? — Celeste me pergunta desconfiada.

— Ela me mandou uma mensagem querendo se encontrar comigo, eu disse que não — as duas escutam atentas — mas aí ela deu a entender que o assunto poderia ser ela estar grávida — Marlee e Celeste ficam boquiabertas — então eu resolvi ir. Depois ela desmentiu, disse que era só um pretexto para eu ir correndo lá. — Pulei a parte da sedução. Se as duas souberem me degolam aqui mesmo. — Então alguém bate na porta, ela tira a roupa e se joga pra cima de mim e quando fui afastá-la vocês chegaram.

— Ela é uma piranha sem vergonha mesmo, e Maxon — Celeste me da um tapa na cabeça — você é muito burro!

— Ta, ta! Vocês acreditam em mim, não é? — elas balançam a cabeça dizendo que sim. Suspiro aliviado. — Mas e a Meri? — pergunto percebendo que ela é a única que importa.

— Nós vamos falar com ela. — Marlee me tranquiliza.

Ao entrarmos na sala, noto que America se esquiva mirando o caderno assim que a olho. Ela trocou seu lugar com Marlee. Tive que a observar de longe. Notei ela enxugando as lágrimas frequentemente, aquilo me deixou péssimo. Me sinto culpado pelo o que aconteceu. Se eu não tivesse ido ver a Kriss, estaria tudo bem.

America não apareceu no intervalo, só a vi entrar na sala com os olhos inchados seguida por Marlee e Celeste quando ele acabou. Carter me perguntou várias vezes o que aconteceu, mas eu estava sem ânimo para contar.

Na última aula, ela e Kriss foram chamadas para se apresentar à professora Gizel. America se levantou confiante. Linda como só ela sabe ser. Kriss tinha um olhar desafiador, que a ruiva recebeu com muita astúcia e determinação. A sala toda sentiu a tensão das duas.

— Boa sorte, minha querida. — Digo para mim mesmo esperando que ela sinta.