Geralmente, nossos inimigos são pessoas, pessoas que nos fazem mal ou que nos desejam o mal. Nesse momento, o meu maior inimigo, é o despertador. Seu toque infernal está me obrigando a sair de um lugar que decididamente, não quero.

Eu já o odeio em dias normais, mas agora, eu o odeio infinitas vezes mais, pois estou sobre os braços fortes do meu namorado, que me entrelaçam, me mantém protegida do frio da manhã, me mantém acolhida em um ninho de paz e tranquilidade.

Eu, definitivamente… não quero sair daqui.

— Esse barulho está me irritando — a voz sonolenta de Maxon me faz esquecer o som infernal.

— A mim também — respondi me aninhando mais em seu peito.

— Então porque não desliga?

— Não quero sair daqui — passei minhas pernas por cima das dele e agarrei sua cintura com meus braços.

Absolutamente nada me tira dali.

Diante da minha determinação, Maxon riu gostosamente e se remexeu na cama virando seu corpo para alcançar meu celular que não só tocava, mas vibrava também. Por eu estar grudada nele, a consequência foi ser esmagada por aquele corpo incrível, enquanto ele se esticava para alcançar o maldito toque, mas o importante, era que eu estava ali, firme e forte grudada nele.

— Você está me esmagando — minha voz saiu toda desengonçada.

— Não alcanço o celular — se esticou um pouco mais, agora eu estava quase ficando sem ar — porque deixar tão longe? — resmungou.

— Desliguem essa merda! — o grito de May saiu abafado assim como os murros que ela dava na parede do seu quarto que era vizinho do meu.

— Pronto! — se esticando até o último e eu quase desmaiando, Maxon enfim desliga o despertador. Ele se ajeita na cama permitindo que eu volte a respirar normalmente. — Bom dia… meu amor.

— Bom dia… — respondi feliz da vida, me encolhendo junto dele novamente — eei!

Protestei, pois sem mais nem menos, Maxon me tira do conforto do seu peito ficando sobre mim. Iria reclamar se não fosse pelo beijo maravilhoso que ele está me dando, beijo que substitui a altura o paraíso que estava antes. É impossível descrever a sensação maravilhosa que é sentir sua língua explorando a minha boca. O peso do seu corpo sobre meu é tão sufocante quanto de quando ele estava tentando desligar o despertador, porém, o sufoco de agora, é excitante, mexe comigo, mexe de um jeito inexplicável.

— Se você continuar com isso, vamos nos atrasar — mesmo querendo mandar tudo pro inferno para aproveitar o carinho dos seus lábios na minha pele, e sua mão boba que apertava meu seio, eu precisava ter pelo menos um pingo de noção e consciência.

— Não me peça para parar amor, pois isso seria como uma tortura pra mim — ele quer me enlouquecer com essa voz rouca e com esse passeio perigoso com os dedos por dentro da minha camisa.

— E você acha que não é para mim? — com uma agilidade que não combina nem um pouco com a preguiça de acabar de acordar, dou um giro ficando sobre seu colo, uma perna de cada lado — acha que eu não sofro? — era para eu estar dando uma lição, mas o momento se tornou perfeito para seduzi-lo — acha que é fácil recusar todo esse carinho? — Maxon gemeu quando com a mão dentro da sua cueca, comecei a massagear seu amiguinho mega desperto.

— Porra, assim você não me ajuda — reclamou ou agradeceu? Não soube identificar.

O pingo de noção e consciência que eu disse precisar ter, eu realmente só preciso, porque existir, ele não existe. Apressei meus movimentos fazendo Maxon levar as mãos ao rosto, como se precisasse acordar para ter certeza que não estava sonhando. É imensamente satisfatório saber que sou responsável por fazê-lo perder a cabeça e sentir o que está sentindo agora.

— Não acha que está muito vestida? — sorri maliciosa com sua pergunta que me pareceu séria.

Acelerei mais, sem ligar para a dor que comecei a sentir no braço pelo tempo que já estava ali. Maxon pareceu se sentir irritado pela minha falta de resposta, tanto que agarrou meu short e o rasgou na metade.

— Não acredito que fez isso!

— Se você não tira, eu rasgo, simples… — sorriu convencido.

— Existem formas mais civilizadas de tirar minha roupa — acusei.

— Que não combinam nem um pouco comigo — sorriu mordendo o canto da boca. Ele consegue ficar ainda mais atraente pela manhã.

Diabos! Como resistir?

Sem demoras, Maxon me puxou pela nuca em um beijo ardente. Parei de dar atenção ao seu amiguinho, pois precisei do apoio de minhas mãos no colchão. Estamos os dois perdidos na deliciosa sensação, até que Maxon, me surpreendendo mais uma vez, rasgou minha calcinha. Ia protestar se ele não fosse tão rápido em se colocar dentro de mim. Acabei gemendo pela surpresa, mais alto do que deveria, tanto que Maxon tapou minha boca com a mão. Espero que ninguém tenha escutado.

Me movimentei em cima dele, Maxon, e sua necessidade de tomar o controle, apertou minha cintura me guiando na velocidade que ele desejava e que eu almejava. Estava ótimo, mas me lembrei que ele não vestiu o preservativo, e por mais que transar sem aquela coisa seja mil vezes melhor, era necessário.

Eu ia parar, digamos que faltavam milésimos para que saísse do seu colo e buscasse por uma camisinha, mas, eu estava adorando o prazer e principalmente, ouvir as arfadas descompassadas de Maxon, é alucinante o que esse cara me causa. No entanto, me condenei por esperar esses milésimos, pois se não tivesse esperado, daria tempo de sair de cima dele, e não teríamos corrido o risco de sermos surpreendidos, assim que a porta se escancarou.

— Ames! O Max ainda está aqui!? — Gerad entra no quarto todo eufórico.

Meu reflexo foi me deitar ao lado de Maxon, e o reflexo dele, foi me puxar para deitar ao seu lado, mas o impulso de ambos foi tanto, que rolamos direto para o chão.

— Ops, vocês estavam brincando, desculpe — falou meu irmão inocente, alheio ao que acabou de presenciar.

Maxon estava atônito estirado no chão. Eu sentia minha pele ruborizando pelo constrangimento. Claro que agradecendo aos céus por ter sido meu irmão a qualquer outra pessoa a entrar no quarto e nos flagrar.

— Gerad, o que você quer? — levantei de fininho ficando sentada, tirando o cabelo desgrenhado da cara.

— Queria saber se o Max ainda estava aqui para mostrar o que aprendi, e May disse que eu podia entrar, que era a hora perfeita para perguntar.

— É mentira! — escutei do outro lado da parede a praguinha ruiva gritar, se nota sem dificuldade que ela escondia a risada.

— Merda! May…! Tinha que ser… — condenei minha irmã, claro que ela armou tudo.

— O Max dormiu no chão? — Gerad que estava do outro lado da cama se esticou para ver Maxon que até agora não se pronunciou. E eu entendo o porquê. Diferente de mim, ele estava totalmente pelado.

— Err… Gerad, depois você fala com o Max, ele dormiu mesmo no chão, acredita? — minha voz saiu fina, mas com esperança dele acreditar e sair logo dali.

— Quero ver — subiu na cama e engatinhou até nós.

— NÃO! — gritei e Maxon rolou para debaixo da cama.

— Ué! Cadê ele? — perguntou confuso, fiquei de joelhos, puxando minha camisa o máximo que dava para ele não reparar que eu estava sem roupa nas partes de baixo.

— Nossa! O Max deve ser mágico, estava aqui agorinha — dei de ombros.

Por favor Gerad, vai embora!

— Gerad! — não, não, não, não! Minha mãe não! — Você tem que se arrumar para a escola, onde você está?

Dona Magda estava à procura do meu irmão. E para minha infelicidade e desespero, o encontrou no meu quarto.

— Ah! Você está aí… — entrou no quarto. A única coisa que passou pela minha cabeça é: fodeu, fodeu e fodeu.

Eu estava pateticamente ridícula tentando esconder minha nudez com uma blusinha curta, contando ao meu irmãozinho que meu namorado é um mágico, mas na realidade, ele só está pelado debaixo da minha cama, devendo estar tão desesperado quanto eu com a presença da sogra.

— O que está fazendo aí no chão America? — perguntou na porta. Pelo ângulo, ela não conseguia ver minha situação, e espero que ela se mantenha lá — onde está o Maxon?

— Err… — Deus me ajuda a sair dessa.

— Ames estava brincando de cavalinho com o Max, até que eles caíram no chão e o Max sumiu mamãe.

GEERAAD!!! Gritei internamente.

Surto, surto interno. Bochechas queimando, mega coradas. Olhos esbugalhados, já ardendo pela falta de piscar. Esse era o meu estado, pois, minha mãe sabia o que era brincar de cavalinho, sabia que Maxon estava escondido debaixo da cama, visto que, seu olhar intercalava de mim para o local onde ele estava. Se eu pudesse, me enterrava, e me enterrava nos confins da terra.

— Err… — minha mãe estava mais vermelha que seu cabelo, claramente constrangida — Gerad, vamos, vai se atrasar — senti o esforço que ela precisou usar para falar.

— Mas mamãe, o Max…

— Depois você fala com ele — interrompeu, desejando tanto quanto eu que eles saíssem dali o mais rápido possível — America…

Assenti a despedida dela, entendendo que desejava falar comigo mais tarde. Assim que Gerad, passou pela porta, ela foi fechada. O ar que eu segurava, saiu num sopro de alívio. Meus músculos tensos relaxaram. Estava tão absorta me recuperando desse infeliz momento, que só me lembrei que Maxon estava escondido, quando ele começou a rolar saindo do seu esconderijo.

Ele logo se sentou no chão e pegou um travesseiro para ocultar partes que precisavam ser ocultadas. Eu continuei de joelhos, laceando minha blusinha do Pooh. Não falamos nada por alguns minutos. Ainda precisamos digerir o susto.

— Essa foi a experiência mais traumática da minha vida — Maxon, enfim, cortou o silêncio — nunca pensei em ser flagrado por uma criança.

— Veja o lado bom, ele é uma criança — dei de ombros, tranquila por esse detalhe.

— Mas sua mãe não — meu pequeno sorriso se fechou — acho que ela conhece o verdadeiro significado de brincar de “cavalinho” — fez aspas no ar.

Maxon estava visivelmente preocupado, esfregando a cara e alisando o cabelo. Sentindo muito, pois não era o momento, comecei a rir, no final das contas, a situação é engraçada.

— Não acredito que está rindo — ele aliviou sua expressão sorrindo também.

— Acho que essa é nossa melhor escolha no momento. Aconteceu… fomos surpreendidos… descobri que a modalidade de sexo que estávamos praticando se chama “cavalinho” — a risada saiu expontânea — minha mãe sabe que não sou mais virgem… — meu sorriso diminuiu, esse detalhe é estranho — bom… acho que não adianta lamentar.

— Eu só quero saber com que cara vou olhar para ela. Sua mãe me via como um príncipe, e agora? Deve estar pensando que sou um libertino — segurei o riso.

— Anda, vamos parar de nos preocupar e encarar a situação — me levantei — não acho que mamãe está pensando mal, ela sabia que isso iria acontecer.

— Mas não no primeiro dia de visita a sua casa.

— Segundo… — o corrigi indo até minha penteadeira.

— Se você ficar desfilando com essa bunda pelo quarto, não respondo por mim, vamos correr o risco de ser flagrados outra vez — olhei por cima do ombro e vi Maxon me encarando com um sorriso cafajeste.

— E se eu dissesse que não me importo? — provoquei.

— Ah é!? — sorriu arqueando as sobrancelhas — então o que acha de terminarmos o que começamos? — se levantou, me dando a bela visão do seu corpo escultural.

— Acho que não — me olhou surpreso, e ficou mais surpreso ainda quando tirei minha camisa, agora ficando totalmente nua, assim como ele.

— Você me deixa louco — seu olhar malicioso pesou sobre mim. Mas por mais que eu dissesse que não me importava de alguém aparecer, era mentira, me importava, e muito.

— Preciso de um banho — disse me arrependendo de provocá-lo.

— Ah, eu também preciso de um banho — começou a se aproximar, mas antes que me alcançasse, corri e me tranquei no banheiro. — America!

— Pensei melhor meu amor, vamos deixar para outra hora — Maxon deu um leve soco na porta. Ele estava louco se achou que continuaríamos.

Assim que tomei meu banho, Maxon foi para o dele, não sem antes me provocar tentando tirar a toalha envolta do meu corpo, ele estava impossível hoje.

Coloquei um vestido mais fresco por conta do calor, acinturado e solto na saia que ia até um pouco acima do joelho. Estava terminando uma maquiagem leve quando Maxon apareceu apenas com a toalha amarrada na cintura. Eu quase pirei, era muita gostosura e emoções para uma simples manhã de segunda-feira.

— Porque não está vestido? Temos que descer logo para o café — de onde eu tirei forças para não pular em cima dele, eu não faço a menor ideia. Esse cara é um monumento.

— Temos um problema — sorriu de lado.

A razão era a roupa dele estar encharcada por conta da piscina ontem. A única solução que encontrei foi pegar roupas do meu pai, tentei encontrar alguma peça de Kota, mas não tinha nada. Maxon ficou muito engraçado com aquelas roupas que ficaram enormes nele, já que papai é mais saliente. Ele praticamente sumiu, seus músculos sumiram, parecia um garoto magricelo. Tive que parar de tirar sarro da cara dele, pois o mesmo estava começando a ficar bravo.

Era hora de descer para o café, se tivermos sorte, o clima ruim será apenas entre minha mãe, o que só vai acontecer, se ela ficou com o bico fechado e não disse para o meu pai o que presenciou. Quando chegamos, mamãe e papai estavam falando com Betina na cozinha e meus irmãos estavam na mesa.

— Bom dia pessoal! — Só fingi que nada aconteceu.

— Bom dia — Maxon cumprimentou meio tímido.

— Bom dia Max! — Gerad levantou num pulo para abraçá-lo.

— Fala aí meu campeão!

— Ei! E eu? — senti uma pontadinha de ciúmes quando Gerad me ignorou.

— Oi Ames — disse, sem dar muita atenção sentando ao lado do meu namorado.

— Então tá — é America. Perdeu seu irmão.

Era ótimo ver a mesa posta como um café colonial, repleta dos mais variados salgados e doces. Meus olhos brilharam ao enxergar a gloriosa torta de morango. Betina caprichou como nunca. Estava lambendo os beiços enquanto sentava decidindo o que comeria primeiro, mas então… ali… na minha frente… estava ela… a salafrária.

— Bom dia, cara irmã e caro cunhado — a infeliz tinha um sorriso carregado de segundas intenções.

— Bom dia May — eu e Maxon respondemos juntos.

— Dormiram bem? — era uma pergunta normal a se fazer a um convidado hospedado na sua casa, mas não é normal que a pergunta venha dissipando deboche — o banheiro estava do agrado?

Desgraçada.

Maxon trancou a mandíbula, atordoado com a pergunta descabida dela, recordando assim como eu, o que fizemos no banheiro ontem a noite. Eu ruborizei, devia ter imaginado que ela faria questão de comentar algo para nos constranger apenas por diversão.

— Estava tudo ótimo, não existe o que reclamar — falei rápido lançando um olhar que implorava por piedade.

— Eu queria poder dizer o mesmo — ela fazia sua ceninha adoçando o café. — Vocês são agitados em, tremeu até as paredes do meu quarto.

Maxon engasgou. Tossia como um condenado ficando roxo. Agora, só ele sabe se foi pela falta de ar ou pela vergonha. Meu sangue ferveu, May nunca foi tão inconveniente como agora.

— Maxon, querido, você está bem? — mamãe se aproximou preocupada com o estado dele.

— Está tudo bem senhora Singer — tossiu mais uma vez.

— Beba uma água — ela sugeriu e assim Maxon fez se recompondo.

— Obrigado, já passou — agradeceu a atenção de mamãe meio receoso pelo que houve mais cedo no meu quarto.

— Mãe, agora eu posso falar com o Max? — perguntou Gerad ansioso.

Mamãe o repreendeu com o olhar, acho que não era para sabermos que ela o proibiu de falar com Maxon até que recebesse permissão para isso. Mas ele estava ansioso demais, já bem cedo queria falar com seu novo melhor amigo.

E assim ele fez até a hora de irmos para o colégio, não parava de dizer que foi dormir tarde e acordou cedo para treinar o que Maxon havia lhe ensinado. Apesar do meu irmão parecer me esquecer, eu fiquei feliz por eles estarem se dando tão bem.

A conversa dos dois acabou com qualquer clima ruim que poderia se formar. Mamãe agiu normalmente, mimando Maxon o máximo que podia. Papai perguntou de sua família e seus planos para o futuro. Me surpreendi quando ele disse que pretendia seguir com os negócios do pai. Jurava que ele tentaria algo diferente, para manter distancia e quebrar qualquer relação que ambos pudessem vir a ter, alem dos laços de família, ja que seu pai, é um idiota com “i” maiúsculo.

— Achei que iríamos para o seu apartamento — questionei assim que Maxon pegou uma rua diferente.

— Estou sem roupas lá, vamos passar na minha casa rapidinho, aproveito e te apresento formalmente a minha mãe.

— O que!? — esbravejei.

— Como assim “o que”? — Questionou — achei que gostaria de ser apresentada como minha namorada a minha família também.

— Claro que sim — disse perdida. — Mas assim? — Apontei para mim mesma — assim do nada, sem aviso, sem ter feito a unha, sem ter vestido algo decente? Eu nem pensei o que quero do meu futuro caso ela pergunte, mal sei dobrar minhas roupas… Tá rindo do que? — perguntei incrédula quando ele me interrompeu com seu riso.

— De você — continuou com as baixas gargalhadas. Bufei — não precisa ficar nervosa amor, você está linda, não — se corrigiu — está maravilhosa — meu sorriso escapou — minha mãe vai te adorar, tenho certeza.

— E seu pai? — era quem eu mais temia.

— Se tivermos sorte, não encontraremos ele lá — me lançou um sorriso reconfortante, que não me confortou. Se a sorte é seu pai não estar lá, significa que ele não deve ir muito com minha cara.

A primeira vez que passei pelos enormes portões da casa da família de Maxon, foi durante à noite, esse detalhe escondeu boa parte da beleza da casa, aliás, da mansão. É gigante, a minha casa é minúscula comparada àquele monumento. Ela é a pura representação de poder e imponência. E olha que você percebe isso só por fora, pois por dentro, se vê que os Schreave, devem ter uma fortuna infinita para manter toda aquela estrutura. A sensação de estar lá dentro, é de estar em um verdadeiro palácio.

— Filho! Que surpresa! — A Sra. Schreave apareceu assim que passamos pela porta.

— Mãe, bom dia — ele cumprimentou.

— Vejo que trouxe visita — ela se dirigiu a mim com carinho.

— Mãe, acho que se lembra da America — Maxon, como um cavalheiro, passou seu braço pelas minhas costas me apresentando.

— Como esquecer uma jovem tão linda e encantadora — sorri com os elogios — como vai querida?

— Obrigada Sra. Schreave, vou muito bem — dizer que estou tranquila é uma enorme mentira.

As pontas dos meus dedos estão vermelhas pelo sangue que está ali estancado de tanto que às aperto, principalmente na presença da minha adorável sogra.

Ela realmente parece ser uma pessoa maravilhosa, mas é intimidadora. Ela tem uma beleza imensurável. O cabelo moreno, tem fios grisalhos, mas isso só lhe atribui mais charme. Sua pele é clara e seu corpo é magro, mas nota-se que é saudável. Sua postura é a pura representação da elegância e classe, e por isso, digo que ela é intimidadora. Você não sabe como se comportar diante de um ser tão angelical como ela.

— Vamos parar com essas formalidades querida, pode me chamar de Amberly — sorri encantada — venham, vamos tomar um café.

— Na verdade, só vim trocar de roupa — nesse momento, Amberly o mediu com o olhar, julgando o filho pela vestimenta. Maxon riu — e claro — ele passou seu braço pelo meu ombro nos deixando mais próximos — aproveitei para apresentar America oficialmente como minha namorada.

A mão de Maxon apoiada no meu ombro, me acariciou com certa ansiedade. Senti algumas lágrimas se acumularem nos cantos dos meus olhos ao encarar Amberly. Ela tinha um sorriso muito, muito alegre no rosto e a vista totalmente embaçada por lágrimas que acusavam cair. Ela estava feliz, feliz pelo filho e por mim.

— Que surpresa maravilhosa — ela bateu palmas junto com pulinhos de alegria. Maxon e eu rimos da empolgação dela — America, querida, já lhe considero uma filha, saiba disso!

Suspirei aliviada quando Amberly se aproximou e me abraçou. Um abraço muito caloroso e materno. Qualquer insegurança que eu trouxe junto comigo para essa curta visita, eu expulsei, pois percebi, que Amberly tem a capacidade de transmitir boas energias e acolhimento.

— Amor, vou deixar você com minha mãe e já volto — Maxon se despediu e subiu correndo as escadas.

— Como está sua mãe, America? — Amberly tocou minhas costas me guiando para o sofá mais próximo.

— Ela está ótima, principalmente agora com Maxon entrando na família — fiquei encantada com seu sorriso elegante, sorriso que com certeza, jamais saberei imitar.

— Sua família é encantadora.

— Na verdade, são um bando de loucos, mas são ótimos — me xinguei internamente, eu estava falando com uma dama igual uma barraqueira. Mas Amberly parecia se divertir.

— Espero que Maxon se comporte bem com você, caso contrário, por favor me diga, terei uma longa conversa com ele — ela piscou para mim. Suspirei encantada.

Ual! Quando eu crescer… quero ser como ela.

— Seu filho é maravilhoso, tenho certeza que não será necessário.

— Mas meu alerta não fica apenas para dedurar o Maxon. Sempre que precisar, pode contar comigo para absolutamente tudo, minha querida — quando ela tocou minha mão, pude sentir o quanto suas palavras são verdadeiras.

— Obrigada Amberly — agradeci, a tocando também. Espero que ela tenha sentido o quanto levei em conta suas palavras.

— Temos que marcar um almoço com toda a família para comemorarmos o namoro de vocês — sugeriu animada.

— Concordo! Será ótimo ter todos juntos.

— Sim, eu adoro quando a casa fica cheia.

Enquanto Maxon não vinha, conversei muito com sua mãe. Amberly é encantadora, uma mulher incrível. Mas havia algo, que após um tempo ganhando intimidade, seus olhos não puderam mais esconder: tristeza.

Ela falava dos filhos com o maior orgulho que uma mãe poderia sentir. Eles são os bens mais preciosos dela, são a vida dela, seus lábios curvados num autêntico sorriso delataram essa verdade, mas seus olhos… seus olhos eram tristes, algo a deixava assim. Não quis perguntar, é muito pessoal e estamos falando de coisas boas, porém, me senti tocada, por saber que algo a aflige.

— Meri, vamos? — a razão da minha falta de ar aparece incrivelmente lindo na entrada da sala me chamando.

— Vamos — Amberly levantou junto.

— Comentei com a America para marcarmos um almoço para comemorarmos o namoro de vocês — disse animada.

— Claro mãe, qualquer dia desses marcamos — Maxon deixou um abraço nela — e Brice?

— Na escola querido, venha para o jantar se puder — notei os olhos pedintes de Amberly, tão esperançosos.

— Eu aviso — Maxon sorriu sem graça. Aquilo já foi como um aviso, de que provavelmente ele não vai aparecer.

Nos despedimos dela e caminhamos até seu carro parado no final da escadaria. Com um último aceno, Maxon arrancou e seguimos para o colégio.

— Sua mãe é maravilhosa, adorei conhecer ela melhor — disse segurando sua mão assim que descemos do carro.

— Sim, minha mãe é muito especial, eu disse que ela ia amar você — passou seu braço pelo meu ombro depositando um beijo no meu cabelo — todos amam você — corei.

— Não seja exagerado — bati fraquinho em seu peito.

— Não é exagero, qualquer um que te conhece, se apaixona — nos encaramos, arrepiei ao sentir ele oprimir meus lábios nos dele — por isso tenho que cuidar muito bem de você, não suportaria te perder para outro.

— Você nunca vai me perder — o abracei pela cintura enquanto caminhávamos. E a insegurança de perdê-lo também, passou pela minha cabeça. Não suportaria, não mesmo.

— Você também não vai me perder, até quando você me odiar, vou estar lá… te infernizando — demos risada.

— Promete? — Eu precisava de segurança novamente.

— Eu prometo minha linda, vou ser seu, para sempre.

Nos fiz pararmos de andar no meio do pátio, pois precisava beijá-lo, precisava selar essa linda promessa, porque eu anseio por ela mais que tudo, estar para sempre ao lado dele. Sempre.

E assim eu fiz, segurei seu rosto entre minhas mãos e juntei nossas bocas. Maxon agarrou minhas costas, como se precisasse de mim para se sustentar. E eu envolvi meus braços em seu pescoço, o puxando mais para mim, porque é simplesmente isso: quero ele. Preciso dele.

— Vocês estão me deixando com tesão se beijando assim.

— CARTER! — Maxon e eu paramos de nos beijar, a tempo de ver Marlee estapear o namorado.

— Qual é amor? Vai dizer que não ficou com vontade também? — Carter brincou.

— Se você tem vontade de beijar, é só me beijar, não precisa dizer essas coisas — falou ajeitando a camisa dele que ela amarrotou.

— Mas eu me referia a ter vontade de dar uns pega no loirinho — piscou para o Maxon.

Não deu em outra. Marlee deu um tapa na cara de Carter. Odiava quando ele brincava que queria se pegar com o Maxon, mas era só para provocá-la, ele adora vê-la irritada.

— Seu idiota — Marlee bufou.

— Ooh minha fadinha, não fica assim, estava brincando — ele a abraçou por trás — é que eu adoro receber seus tapas, são muito excitantes — Carter deu uma fungada no pescoço dela. Maxon e eu caímos na gargalhada.

— Estúpido, imbecil — Carter recebeu mais tapas… excitantes. Tive que rir.

— Que, que está pegando? — chegou a morena formosa.

— Oi Cel — todos cumprimentamos, menos Marlee.

— Carter e seus surtos gays, outra vez — Marlee respondeu Celeste.

— Eu te avisei amiga, eu te avisei — Celeste jogou na cara.

— Avisou o que? — perguntou Carter indignado.

— Que eu sempre suspeitei que você jogava para os dois lados — a morena acusou, vi Carter se revoltar.

— Marlee pode provar que isso não é verdade — argumentou Carter após ter seu ego masculino ferido — agora mesmo no estacionamento mostrei para ela o que é um homem de verdade, não é amor? — o rosto de Marlee ruborizou-se e ela se encolheu envergonhada.

— Estou começando a suspeitar Carter — disse Marlee assim que se encorajou. Carter fez um biquinho e olhou na direção de Maxon.

— É tigrão… agora ficou feio para o meu lado, vamos ter que acabar com o que temos — fingiu tristeza.

— Não acredito que vai fazer isso comigo — Maxon se fez de ofendido.

— Você também quer levar uns tapas, não é? — Ameacei, era só o que me faltava meu namorado também vir com viadagens.

— Desde que também sejam excitantes eu não me importo — sorriu divertido, ganhando tapas. Nada excitantes.

— Vocês me enjoam, sério — Celeste reclamou.

— Cadê o Aspen para fazer encarnar a Celeste mocoronga? — espero que Carter tenha desviado o olhar da morena, caso contrário, ele é um homem morto.

— Falando no diabo… — disse Marlee olhando adiante com o cenho franzido.

E lá estava o Aspen, mas ele não estava só, posso dizer que ele estava… bem acompanhado.

— Quem é aquela? — pelo tom de voz de Celeste, ouso dizer, que Aspen é quem será o próximo homem morto.

Ele conversava animadamente com uma garota de cabelos negros, linda, com caracteristicas orientais. Deve ter acabado de chegar no colégio, pois nunca a vi aqui antes.

— Elise — era a voz de Maxon atrás de mim, dando nome a desconhecida.

Talvez o próximo homem morto seja o meu namorado, pois não gostei nenhum pouco dele conhecê-la. E odiei a forma como aquela vagabunda caminhava com os peitos balançando na nossa direção.

— Maxon, oi meu lindo.

Vadia do caralho! O beijou na minha frente!