Fomaríamos um Maravilhoso Nós
20 Fora de controle
POV America
— Finalmente a ruiva mais gostosa desse mundão chegou! — De longe se vê que Celeste já está um pouco alterada. O que a denúncia é um copo que cheirava a puro álcool na sua mão.
— Oi amor da minha vida! — Ela não me abraça, me agarra pelo pescoço e começa a nos chacoalhar. Fiquei sem reação quando ela lascou um selinho rápido na minha boca.
Ela já estava fora de si.
— Eu sei que você me ama, não precisa dizer ruiva… toma! — Celeste me alcança o copo em sua mão com tanta brutalidade que derramou metade no chão — Beba tudinho.
— Calma Cel… acabei de chegar — digo dando risada.
Nem reparei direito na festa e ela quer me embebedar.
— Ninguém mandou chegar tarde, eee ooo idiota do Maxon, Carter e Aspen? Eu vou comer o cu daqueles deles quando chegarem, vocês não sabem o que é compromisso caramba!
— Calma amiga… — Marlee aparece toda graciosa e linda — Carter me avisou que eles estão a caminho. Merii… — ela vem me abraçar, ao menos Marlee está sóbria.
— Lee! Já ia perguntar de você. — Dou um gole na bebida que Celeste me deu e cuspi tudo fora. — Que merda Celeste! Isso é vodka pura.
— É para ficar louca mais rápido minha linda. — Franzi o cenho. Celeste é doida mas não é assim.
Acho que algo aconteceu. Olhei para Marlee, e ela disse apenas movendo os lábios: depois te explico.
— Vem! Vamos pegar algo decente para beber, e a senhorita Celeste… — Marlee puxa ela pelas costas — vamos tomar uma água porque está muito cedo para uma overdose.
POV Maxon
— Vamos Carter! — Grito para ele de dentro do carro quando o vejo andando mexendo no celular.
— Calma aí cara!
— Porra Carter! Eu to com pressa! — Aspen coloca metade do corpo para fora do carro intimando nosso amigo.
— Seus filhos da puta, falei que já vou! — Assim que ele guarda o celular no bolso, corre até nós e entra no banco de trás — eu estava avisando a Lee que já estamos indo.
— Não podia avisar dentro do carro quando de fato estamos indo? — Pergunta Aspen virado para trás o analisando.
— Não teria como mandar um áudio com os dois começando a gemer como putas no fundo. — Eu e Aspen caímos no riso. Com certeza nós faríamos isso.
— Acelera aí Maxon, eu to sóbrio a tempo demais já. — Diz Aspen esfregando as mãos.
Parece que alguém vai ter que ser carregado hoje.
Quando virei na rua da casa da Celeste, me assustei com a quantidade de carros. Parece que ela convidou o colégio inteiro. Percebo que a America já deve ter chegado, pois o carro dela está estacionado no canto da rua. Deixo atrás dela e caminhamos até a festa.
— Meu Deus isso já está um caos… — digo quando chegamos no jardim da frente.
— Bota caos nisso! — Carter olhava para todos os lados rindo — Olha lá! É o Zac.
Zac faz parte do nosso time, na maior parte do tempo ele está chapado mas ele manda bem, além de ser um cara legal. Ele está sentado na grama, parecia estar enrolando um baseado.
— Fala aí Zac! Só de boa? — Nos aproximamos dele e Aspen o cumprimenta primeiro.
— Princesa é você? — Zac se levanta rapidamente e segura o rosto de Aspen entre as mãos.
— Ih! Sai fora cara! — Aspen o empurra e dá um salto para trás. Eu e Carter rachamos de rir.
— Oh princesinha, não gostou do seu príncipe? — Carter passa seu indicador com delicadeza no queixo dele.
— Vou te mostrar a princesinha… — ele aperta seu pau e depois passa a mão na cara de Carter.
— Porra Aspen! — Carter exclama rindo — E se a Marlee sentir cheiro de pica na minha cara?
— Nós explicamos pra ela Tigrão. — Aspen dá um tapinha nas costas dele.
— Vamos parar de viadagem vocês dois… — Tento conter as risadas, mas é quase impossível com eles.
— É isso aí, pose de tigrões! Temos garotas para conquistar hoje! — Aspen se anima praticamente sozinho. Carter está quase oficializando o namoro com Marlee, e eu estou com a America na cabeça.
Assim que entramos, procuro por ela. Não iria me aproximar, afinal, ela me quer longe.
Tenho que admitir que esse pedido da America vem martelando minha cabeça. Nem o tapa na cara doeu tanto quanto ver que ela não me quer, que me prefere distante. Diante de toda essa situação, sinto que a perdi, e a perdi por um motivo idiota, por uma intriga, uma farsa, uma encenação. E o pior, ela acredita nisso. De novo, ela vem com a mesma merda. Não confia em mim, prefere criar suposições e cair em armações. E isso me deixa puto pra caralho.
Sigo a procurando mas não encontro. Caminhamos com dificuldade entre as pessoas que dançavam sem preocupação, buscando o bar que sabíamos que tinha em um canto da casa da Celeste. Lá tem os melhores whiskys, licores e vodkas. Nos sentamos nas banquetas depois de nos servirmos.
— Puta. Merda… — Carter segura meu ombro com força — cara… que que é isso!? — Ele fala com dificuldade e luxúria. Eu e Aspen o encaramos confusos, do que ele estava falando?
Percebo que Carter e Aspen estavam quase babando com o olhar fixado em algo mais a frente. Quando me viro para ver o que deixava meus amigos de boca aberta, eu é quem quase babo. Celeste, America e Marlee dançavam juntas uma atrás da outra respectivamente rebolando. Engulo em seco.
Puta que pariu, ela está muito gostosa.
Respiro fundo tentando conter a excitação que a imagem dela me causa. A saia curta, seu decote mostrando boa parte dos seus seios avantajados, suas costas nuas e a transparência da renda. Ela está muito sexy. Seus olhos e seu sorriso de lado emitem muita sensualidade. Só de pensar que ela já esteve nos meus braços, que eu já pude desfrutar daquele corpo incrível que ela tem, apenas me fazem desejá-la mais e mais.
— Tenho que admitir… — diz Carter comendo Marlee com os olhos — é muito bom estar apaixonado, mas também, é uma merda… — ele queimou sua garganta bebendo um gole do seu whisky — agora eu fico o tempo todo preocupado de algum imbecil ir para cima dela.
Ele tinha razão. Era só olhar ao redor, não tinha um garoto que não as olhasse com malícia, e isso me deixa nervoso. Carter tem a vantagem de estar efetivamente com a Marlee, então ele pode marcar seu território. Já eu? Tenho que me contentar em cuidar dela de longe, apenas a observar e massacrar mentalmente qualquer um que se aproxime. O que não vai demorar a acontecer. A beleza dela chama muita atenção.
Me pego a admirando que nem idiota, mas não tem como evitar, ela está linda. Daria qualquer coisa para estar ao seu lado, provando daquela boca doce e viciante. Contornar com minhas mãos suas curvas acentuadas. É tão fácil imaginar nós dois se acabando em uma cama até o dia amanhecer.
— Eu vou cuidar do que é meu. — Carter vai ao encontro de Marlee apressadamente.
Olho para os lados e estou sozinho. Aspen já foi achar o dele. E eu? É até cômico.
O maior pegador do colégio, sozinho no balcão de um bar, lamentando por não conseguir ficar com uma garota. Viro meu primeiro copo num só gole. O whisky desce queimando.
POV Autora
Bebidas e drogas rolavam soltas pela festa. America segue dançando apenas com Celeste, sendo muito bem observada por Maxon, que se mantém firme no seu quarto copo de whisky. Marlee está próxima de suas amigas dançando com Carter. Sua mente confusa está se perguntando o que os dois eram. Apenas amigos não seriam. Mas também não eram namorados. No entanto, ela sabia que esse não era o momento para fazer tais questionamentos, principalmente quando a língua dele estava explorando cada canto da sua boca.
Aspen com certeza é o que está com a mente mais conturbada entre todos ali. Ele se interessava pela America, mas sabia que não podia se aproximar depois dela ter revelado que havia algo entre ela e seu melhor amigo, especialmente quando viu o desejo e a paixão estampados na cara de Maxon pela ruiva. Ele não entendia porque seu amigo não tinha lhe contado sobre seu interesse por ela, mas também não se importou. Ele respeita seu amigo e a escolha de America.
Mas não seria apenas por respeito aos sentimentos do amigo que Aspen decidiu não manter suas investidas na ruiva. Uma certa morena formosa e temperamental invade seus pensamentos constantemente. O porque ele não diz isso a ela? Nem ele sabe dizer. Prefere se esquivar dos seus sentimentos ficando com outras.
Dizer que tem uma pessoa sóbria no meio daquele montante de pessoas é exagero. A maioria já estava alucinada, algumas desmaiadas, outras animadas. Em qualquer canto se via casais se pegando indecentemente, andar pelos corredores dos quartos, era o mesmo que andar por um corredor de motel. Apenas se ouvia gemidos de pessoas transando sem culpa nenhuma.
America e Celeste divertiam-se como nunca, dançavam sem preocupação. Os garotos babavam nas meninas, mas nenhum ousava se aproximar assim que encaravam Maxon, que apenas arqueava as sobrancelhas deixando claro que teriam problemas com ele se chegassem a respirar perto da garota que ele gosta. Mas mal sabe ele que Nicholas havia chegado, e buscava apenas por uma dentre todas as meninas ali.
POV America
Incrível o que umas gotas de álcool é capaz de nos fazer sentir. Não lembro quando foi a última vez que me diverti tanto.
Celeste obrigou a mim e Marlee a virar cinco shots de tequila. Não sou forte para bebida, então isso já bastou para me deixar leve e animada, sem me preocupar com absolutamente nada. Não estou caindo de bêbada, estou consciente dos meus atos. Ainda.
— Oi America… — uma voz rouca sussura no meu ouvido e mãos firmes agarraram minha cintura por trás.
— Você realmente gosta de chegar de surpresa, não é? — Me viro para Nicholas. Uau! Ele está um gato.
O olho de cima a baixo analisando a bela imagem na minha frente. Ele está inteiro de preto. Sua camiseta apertada deixa seus músculos aparentes, sua pele branca se contrasta com o tom do tecido. E seu perfume amadeirado me inebria. Claro que ele também me mediu com o olhar, deixando claro que me deseja.
— Acho que preciso ir ao banheiro. — Tinha esquecido que minhas amigas estavam ali. — Vem comigo, Lee! — Celeste arranca Marlee que estava grudada nos lábios de Carter.
— Eii! — ele exclama aborrecido.
— Eu já te devolvo ela! — Celeste grita e Marlee manda um beijo no ar para seu amado. As duas saem cambaleando à procura de um banheiro.
Era impossível não rir da frustração de Carter. Tiro sarro da cara dele e ele me manda pro inferno.
— Respondendo sua pergunta — Nicholas volta a chamar minha atenção — eu gosto de te surpreender, você fica linda.
— Pois saiba que eu não gosto quando fazem isso comigo. — Sorrio para ele saber que é brincadeira. Pouso minhas mãos em seus braços, apesar de ser atraente, não quero tanta proximidade.
— Vou fingir que acredito. — Eu sei o que aquele olhar malicioso dele me pede. Principalmente quando me puxa para mais perto colando nossos corpos. Nos movimentamos vagarosamente no ritmo acelerado da música.
A verdade é que eu estava me sentindo culpada. Não sei porque diabos eu penso no Maxon quando qualquer um se aproxima. Dispensei dois garotos porque não eram ele. E isso não faz sentido porque hoje mais cedo pedi para Maxon se afastar, só que eu nunca o quis tão perto. Eu sei que estou sendo ridícula e hipócrita, mas meus sentimentos estão confusos, as conversas e conselhos que recebi me deixaram confusa.
Viro meu rosto para não continuar encarando Nicholas. Seu olhar sobre mim é intenso, ele quer me beijar, eu sei. Mas algo dentro de mim me impede, sinto como se estivesse traindo Maxon. Só que isso é uma besteira, visto que ele me traiu nem duas horas depois que ficou comigo.
Tento deixar meus pensamentos de lado para aproveitar o momento. Era até difícil se movimentar com o pouco espaço que Nicholas fazia questão de deixar entre nós. Para me distrair dessa tensão que do nada surgiu, começo a observar a festa. Se via de tudo, pessoas dançando, se pegando, conversando, bebendo, comendo.
Mas então, um loiro cativante, sentado na banqueta do mini bar, prende totalmente minha atenção. É ele.
Meus batimentos aceleram, desde que Marlee avisou que os meninos haviam chegado, eu não parei de procurar por Maxon. Não notei o quanto estava ansiosa para vê-lo. Me sinto uma grande idiota por isso, eu saboto a mim mesma. Ao passo que o quero longe, fico toda boba por saber que ele está ali, perto.
Mas minha animação durou muito pouco assim que percebi que o lindo sorriso no rosto dele, era destinado a uma loira tingida que eu não fazia ideia de quem era. Meu sangue ferveu. Cerro os olhos para observar melhor. É a sem noção que torceu por ele hoje durante o teste.
O ódio circula pelas minhas veias ao ver a intimidade que ela acha que tem acariciando o braço dele. Mas perco as estribeiras de vez quando ela se aproxima e sussurra algo no seu ouvido, o fazendo rir de cabeça baixa envergonhado. Não quero nem imaginar o que a sem vergonha disse para deixá-lo assim.
— O que tanto olha? — A voz de Nicholas me chamando pareceu um balde de água fria me acordando.
— Na-nada! — Digo nervosa dando lances com meu olhar na direção de Maxon.
— Você está bem distraída. — Respiro fundo quando ele termina de falar, e cheira meu cabelo entre meu pescoço me fazendo arrepiar.
— É impressão sua… — tendo esconder a raiva que estou sentindo nesse momento.
Mas então, sem mais nem menos, no curto instante que olho na direção dele novamente, vejo a vaca o beijando. E esse foi o fim da minha paciência.
Maxon seu cachorro!
— Você está bem mesmo? — Nicholas me trás a realidade novamente, nisso vejo uma oportunidade — Porque pare…
Sem pensar mais, o beijo. O beijo com intensidade agarrando seu pescoço quase o sufocando. Não era um beijo de desejo, e sim de vingança. Nicholas corresponde no ato. Pede passagem com sua língua e eu cedo. Ele parece depender de mim para se sustentar, pois me agarra com tanta gana que me falta ar.
Nicholas me puxa para mais perto ao descer suas mãos para o meu quadril. Seu beijo é gostoso, e por isso permanecemos ali por um tempo. Mas não é o que eu queria. Logo uma frustração bate e eu interrompo. Ele me olha com o cenho franzido, sem entender muito bem.
— Preciso de uma bebida. — Digo a primeira coisa que me vem à mente para fugir do constrangimento que estou sentindo.
Enquanto eu o beijava, desejava por Maxon. Seria possível? Ele estava se engraçando com outra e eu o desejava.
America você é uma troxa!
— Eu vou buscar… — e Nicholas sai em direção a cozinha me deixando sozinha.
Não por muito tempo…
POV Maxon
Decido que esse é meu último copo, estou começando a ficar zonzo e a última coisa que quero é perder o controle. Vários sairiam com a cara moída de socos. Não seria muito interessante.
Essa é a festa mais desconfortável que eu já estive. Até mais que os jantares com meu pai. Definitivamente não consigo parar de encarar a America e sentir ciúmes. Garotos chegavam nela oferecendo bebida e minha preocupação ia lá em cima, mas ela foi sensata em sempre recusar.
Já pensei em ir embora, mas quem disse que consigo? Eu tenho consciência que não tenho direito nenhum sobre ela, mas é mais forte que eu a necessidade de estar ali pra ela, para cuidar dela. Então aqui estou, desde o momento que cheguei sentado só de olho, desejando estar perto.
Achei que esse seria meu último copo, mas tinha apenas um resto de bebida na garrafa e não vejo porque não acabar com ela. Quando termino de me servir, sinto alguém cutucando meu ombro. Seria um sonho se fosse ela.
— Oi… tudo bem? — Uma garota loira que nunca vi na vida me cumprimenta.
A decepção deve estar clara no meu rosto. Por um instante eu realmente sonhei que seria minha ruiva. Mas só sonhei mesmo.
— Oi, estou bem — dou um sorriso fraco fingindo estar feliz em cumprimentá-la.
— Um gato como você sozinho? Algo não está certo. — Sem nem mesmo perguntar, ela se senta na banqueta ao lado. Ótimo, agora vou ter que aguentá-la. — Meu nome é Stella, o seu é Maxon, certo? — Assinto — Te vi jogar hoje.
— Aquilo não foi bem um jogo… — digo meio sem graça.
— De qualquer forma, eu torci por você — ela passa sua mão pelo meu braço. Ok, ela é das abusadas.
— Fico agradecido. — Tento me esquivar educadamente do seu toque.
No jogo, a única coisa que fiz foi ficar na espreita e analisar a jogada dos meninos que faziam o teste. Definitivamente não tinha o porque torcer por mim. Mas eu não seria mal educado e dizer isso a ela.
— Fiquei muito feliz quando você sorriu e piscou para mim. — Ela fala mordendo seu lábio inferior e me lançando um olhar sexy.
Eu franzi o cenho, do que ela está falando? Não pisquei e não lembro de ter sorrido para ninguém, além do treinador que fez uma brincadeira comigo. Será que ela achou que foi para ela? Se sim, Stella é muito sem noção.
— Sabe… — tento recuar ao ver que ela se aproxima vagarosamente, ela acaricia novamente meu braço e vai até meu ouvido — aquilo me deixou muito excitada. — Sussurra.
Fiquei sem palavras, constrangido pela sua ousadia. Tentei conter o riso abaixando a cabeça, pois não queria ser rude, não quero demonstrar o quanto a estou achando ridícula. Em outro momento da minha vida, eu já estaria comendo ela, sem dúvidas. Mas com certeza eu não sou o mesmo de antes, estar apaixonado muda muito as coisas. O melhor a se fazer é dispensá-la logo. Hoje, ela não teria chances comigo nem do outro lado do mundo.
Quando a insinuação dela já estava ficando insustentável e eu sem paciência. Stella acabou sendo mais rápida. Me agarrou e me beijou. Fiquei paralisado por alguns segundos, sem corresponder. Quando ela percebeu, soltou-me, decepcionada.
— Acho melhor você procurar o que quer em outro lugar. Comigo não vai conseguir nada. — Não me sinto culpado em falar isso na lata. A garota apenas bufa nervosa e me dá as costas. Suspiro de alívio.
— Ela não era tão ruim assim. — Carter se encosta no balcão ficando ao meu lado.
— Não, não era… mas não serve. Cadê a Marlee? — Bebo meu whisky.
— Celeste a puxou para o banheiro. Porque elas sempre tem que ir com alguém? Não sabem mijar sozinhas? — Ele estava aborrecido, tenho certeza que Carter estava pensando em se trancar com Marlee em um quarto, agora está puto com Celeste por atrapalhar seus planos.
— Elas são um enigma. — Levanto meu copo brindando ao mistério que são as mulheres. Carter me acompanha. — Mas fica tranquilo tigrão, logo você caça sua presa. — Rimos.
Reparo que Carter para de sorrir repentinamente, e passa a olhar com insistência a uma direção, estava surpreso.
— O que foi cara? — Me movimento na banqueta para tentar ver entre as pessoas que estão na minha frente o que deixou ele nesse estado.
— Acho melhor você não olhar agora. — Ele apoia sua mão no meu ombro suavemente. Sua voz era séria, e isso me preocupou.
Obviamente, não dei ouvidos. Mas agora, daria graças em obedecer seu pedido, uma vez que a cena na minha frente, fez meus olhos se encherem de lágrimas.
America estava se beijando com Nicholas.
Não sabia o que fazer. Fiquei em choque. Aquela era a última coisa que eu esperava para esta noite, na verdade, para a minha vida. Observei sentindo meu coração doer e meu chão se perder. Suspirei desacreditado.
— Maxon… — Carter me chama — você está bem?
Não respondi, não sabia responder, estava demasiado abalado. Como ela pode fazer isso comigo? Como!? Eu sei que ela está brava, mas achei que poderíamos nos resolver, que em algum momento voltaríamos a conversar e esclarecer todos os maus entendidos.
Bufo indignado. É claro que ela não pensa o mesmo.
A raiva passa a me consumir, ainda mais quando o filho da puta desce sua mão para a bunda dela. Inevitavelmente meu sangue ferve. Ele não presta e a America não sabe disso. O mais certo no momento seria deixa-la se foder e seguir com a minha vida, mas quem disse que consigo!
Sem perceber a força que usava, meu copo se estilhaçou em mil pedaços assim que o depositei na bancada.
— Ei cara… — Carter põe sua mão nas minhas costas — se acalma.
— Me acalmar!? Me acalmar Carter!! Porra! — Sinto meus músculos se enrijecerem de ódio — Ela está beijando ele! Que merda!
— Maxon se controla! Você não é assim… e ela tem o direito de beijar quem ela quiser. — O olho incrédulo, eu sei que ele quer ajudar, mas com certeza essa não era a melhor forma.
— Me solta Carter! — Ele me segura assim que me levanto disposto a quebrar a cara daquele desgraçado.
— Pela última vez se controla caralho! Vai fazer o que!? Ir lá dar uma surra nele? Pra que? O que vai adiantar? Raciocina Maxon! — Ele tinha razão. Não valeria de nada. Serviria apenas descontar tudo que estou sentindo. Mas não apagaria a dor de vê-la com ele.
Ao olhar receoso na direção deles novamente, America estava sozinha encarando seus pés, parecia confusa. Não perderia essa oportunidade. Nem que ela me mandasse pro inferno, eu falaria com ela e tiraria satisfações. Não vou conseguir conviver com essa raiva me corroendo. Se for necessário, nós armamos um escândalo nessa festa.
— Onde vai? — Carter pergunta aflito.
— Falar com ela… — ele me segura — e não se meta! — Me solto bruscamente dele e vou em direção da ruiva.
O que iria dizer? Não sabia. Só precisava falar com ela, perguntar o porquê. O que resolveria? Talvez nada. Mas eu tenho essa necessidade.
Meus pés caminhavam firme e lentamente, minha mente focada no objetivo, o mais certo era uma briga, uma discussão nada saudável. Mas que se dane. Esse era o desfecho mais provável. Mas ao encará-la a uma certa distância, meus olhos se encontram com os dela. E me culpo por deixar toda a raiva dentro de mim se tornar um desejo enorme de tê-la nos meus braços. De beijá-la e mandar tudo e todos se foder.
O ápice foi notar em seu olhar, que ela pensava o mesmo. Meu coração bate forte e uma esperança renasce.
Mas antes,ela me pagaria.
POV America
O objetivo da noite era apenas se divertir e esquecer o Maxon, pelo menos por essa noite. Só que isso parece uma missão impossível. Nem bebendo, nem beijando outro ele sai da minha cabeça. E a bebida ao invez de ajudar, só está atrapalhando, pois uma vontade imensa de ir até ele, descabelar a vagabunda que o beijou e pular em seus braços estão cada vez maiores.
Nicholas foi buscar bebidas, e me deixou com meus pensamentos absurdos. Me condeno por estar desejando tanto ele.
America ele te traiu sua idiota. Para de pensar nele!
Tudo seria muito, mas muito mais fácil se aquele loiro gostoso não estivesse caminhando na minha direção. Antes fosse apenas isso. O desgraçado parece fazer questão de caminhar até mim de uma forma extremamente sexy e excitante. E a droga da música “Dancin” começou a tocar, combinando perfeitamente com sua caminhada triunfal.
Minha Nossa Senhora do Juízo me ampare. O que é esse cara!?
Maxon estava vestindo uma calça preta e tênis combinando, complementados por uma camisa polo cinza clara de um tecido semelhante ao linho. A camisa destacava seus braços fortes e seu peitoral imponente, revelando sua musculatura de forma provocante. Seu cabelo, perfeitamente bagunçado, o deixa imensamente charmoso. Oh céus, me ajuda. Ele se aproxima lentamente, no ritmo da música, com uma postura que me deixa sem fôlego.
O que eu faço? Fujo? Fico ali? Atendo ao meu desejo? Lhe dou outro tapa por ser tão gostoso? Por me deixar cheia de tesão? Socorro!
Minha respiração fica descompassada. Decido por fim, não me intimidar. Começo a me movimentar lentamente me entregando ao ritmo da música, apenas aguardando a chegada daquela tentação. Faço questão de parecer tão sexy quanto ele.
Não demorou muito mais para sentir Maxon próximo. Tão próximo que sinto nossos corpos trocarem descargas elétricas. Suspiro pela satisfação de tê-lo tão perto, de sentir seu forte perfume masculino me entorpecendo. Perco definitivamente todos os meus sentidos quando ele se aproxima do meu ouvido.
— Você está extremamente linda e sexy essa noite. — Sua voz rouca faz minhas pernas amolecerem.
Não consigo responder, não tenho voz nem atitude nesse momento. Só começo a dançar e Maxon se movimenta no meu ritmo. Sem me tocar com suas mãos. Sinto somente nossos corpos roçarem um no outro e a respiração quente dele no meu rosto. Clamo para que ele não esteja ouvindo as batidas descontroladas do meu coração.
Maxon sabia exatamente a hora certa para me deixar louca. A música entra no seu refrão e ele desliza a ponta do seu nariz pela minha bochecha até o pé da minha orelha, eu devo estar ridícula me tremendo toda com a audácia dele. Sem querer acabo soltando um gemido quando ele deposita um beijo úmido no meu pescoço.
Sei que ele sorriu, mesmo estando com a cabeça enterrada no meu ombro, eu sei que ele se sentiu satisfeito. E nesse momento, eu passo a entender o seu jogo. Ele quer que ceda, que o agarre primeiro, implore por ele. Mas não darei esse gostinho, se tem alguém que irá perder o controle aqui, será ele.
Me viro de costas assim que a música volta a ficar acelerada. Dançamos acompanhando o ritmo ainda mais colados. Maxon estava com seu rosto afundado no meu cabelo sentindo o cheiro. Eu sinto borboletas no estômago cada vez que ele chega mais perto. A música volta a ficar lenta e me arrepio ao sentir a mão dele arrastar meu cabelo deixando a pele do meu ombro e pescoço expostas. Me derreto e deito a cabeça no seu peito assim que ele beija cada extensão da minha pele, dando mais espaço para ele me deleitar com esse prazer.
— Maxon… — involuntariamente gemo seu nome no meio da dança. O que eu estava fazendo? Já tinha perdido quase todo o controle.
— Só precisa pedir, linda… — fico sem fôlego com sua voz sedutora no meu ouvido, esqueço como se respira e a cada suspiro sinto um enorme frio na barriga. Ele está me deixando louca.
Maxon prossegue com seus beijos na minha pele quente, sinto meu último pingo de consciência quase indo embora. Estava prestes a pedir que os braços dele me entrelaçassem e que suas mãos me apertassem. Está muito gostoso, no entanto, recobro minha sanidade, desperto dessa perdição e decido não deixar barato. Eu não seria a única aqui que ficaria sem ar.
Rebolo no seu membro já desperto. Ele não contava com isso, pois parou com sua sessão de beijos e o senti engolir em seco. Meus lábios se curvam em um sorriso satisfatório. Me viro ficando de frente para ele novamente, deixando nossos rostos muito próximos um do outro. Nossos lábios entreabertos se encostavam conforme dançavamos. Só que nenhum cedia ao beijo. Isso se tornou uma competição de quem se perde primeiro. E independente da minha vontade, esse alguém não seria eu.
Nossa troca de olhares é intensa, expressam luxúria, desejo, tesão. Ambos intercalamos nossas fitadas entre nossos olhos e nossos lábios. Estamos os dois perdidos nessa paixão, esperando ansiosamente que alguém ceda. Mas a música finaliza, e considero que nosso curto momento de sedução também deve acabar. No entanto, para dar a provocada final, encaro sua boca deliciosa, me aproximo e mordo seu lábio inferior. Largo e saio quase correndo de perto dele.
O medo de Maxon me seguir me tomou. Olhei para trás e não o via. Fui para a cozinha.
Eu preciso beber.
POV Celeste
Chego do colégio super animada para ver os preparativos da festa. Contratei uma organizadora para cuidar de tudo. Por mais que eu adore festas, tenho preguiça de organizar, já que existem pessoas que trabalham apenas com isso, porque vou me incomodar?
— Oi menina!
— Naná! Oii! — Abraço minha antiga babá. — Está conferindo tudo para mim, não é?
— Está tudo em ordem menina Celeste.
— Ótimo! Vou subir para o meu quarto. — Sigo para o elevador.
— Espere! — olho para Sebastiana aguardando o motivo da intromissão — sua mãe te espera no escritório. — Arregalo os olhos e abro um sorriso.
— Mamãe está aqui? — Pergunto sem acreditar.
— Está sim menina, vá falar com ela.
E assim eu faço correndo, faz um mês que não a vejo, estou morrendo de saudades.
— MÃE! — Exclamo assim que a vejo sentada em sua mesa tomando um chá.
— MINHA VIDA! — Mamãe se levanta vindo depressa me abraçar. — Que saudades meu docinho. Como você está?
— Estou bem mãe, e você? — Minha vista está embaçada. A emoção de finalmente minha mãe estar em casa outra vez me deixa imensamente feliz.
— Estou bem meu amor — ela sorri calorosamente — vejo que vai dar uma festa! — diz animada.
— Siim! Vamos comemorar uma grande vitória.
— Fico feliz! Não vou atrapalhar vocês, só não usem drogas, o resto está liberado. — Ela me solta e vai se sentar na poltrona. Fico aflita.
— Como assim?
— Ah minha linda, você sabe muito bem do que estou falando… podem beber, transar, destruir a casa…
— Não, não… — a interrompi — isso eu entendi. Me refiro a você não atrapalhar. — Engulo em seco. — Você não vai ficar?
— Ah não meu amor, estou indo daqui a pouco — sinto minha pele gelar.
— Indo? Indo pra onde? Acabou de chegar. — Me desespero. Quase nunca nos vemos e agora chega para já partir?
— Estou indo para o Japão me divorciar do seu pai. — O QUE!? — Tive que vir pessoalmente buscar uns documentos, pois minha assistente sofreu um acidente, acredita?
— Se divorciar, como assim se divorciar? — não podia acreditar. — Quando vocês resolveram isso!? Pretendiam me contar!? — Me exaltei. Mal ficava com a minha família e agora ela se separaria de vez.
— Abaixa o tom Celeste. Isso não é problema seu. — Como ela pode dizer isso?
— Não é problema meu? Eu só sou a FILHA de vocês caso não se lembrem. Portanto é problema meu sim! — Estou devastada, digo para mim mesma que sim, meus pais se importam comigo, mas será mesmo?
— Já chega! — Ela perde a paciência — quem decide isso sou eu e seu pai. Você não conhece nossas vidas para querer se intrometer. Passa a maior parte do seu tempo gastando dinheiro e levando meninos pra cama — cada palavra dela é um tapa na minha cara.
— Como a senhora ousa me acusar dessa forma sendo que vocês ESTÃO SEMPRE LONGE, SEMPRE NA PUTA QUE PARIU! — A dor e a raiva me consome. — Nunca estão comigo. Me largam aqui como um cachorro sem dono e nem sequer ligam para saber como estou! — começo a soluçar e desejar que o mundo inteiro se exploda.
— Filha, eu amo você… você sabe. Mas não vou ficar aqui discutindo tolices com você. Tenho um voo para pegar daqui uma hora. — Como ela é cínica, essa vaca só pode ter sangue de barata.
— Claro! — esbravejo — Me ama tanto que tudo que me envolve é uma tolice para você. — Vou em direção a porta — Faça uma boa viagem senhora Newsome.
— Filha… — estende os braços amigavelmente, esperando que eu vá até ela perdoá-la.
Mas isso é pura manipulação. Minha mãe é ótima com esse joguinho. Faz isso com meu pai e todos que vivem ao redor dela. Todavia, eu não caio nessa. Mamãe se esquece que sou sua principal aprendiz.
Saio e bato com força a porta atrás de mim deixando as lágrimas pesadas rolarem pelo meu rosto. Naná me olha com pena, mas isso eu não permito.
Ninguém sente pena de Celeste Newsome.
[...]
— O que você tem ai Zac?
A festa já estava rolando. As pessoas começaram a chegar e quando vi, minha rua já estava cheia de carros. Zac é o menino mais chapado do colégio e o que esconde nos bolsos os melhores entorpecentes.
Minha mãe se foi sem nem se despedir. Ela não quer que eu use drogas? Pois bem… é exatamente isso que vou fazer. Por sorte ela descobre e se sente culpada quando eu estiver sofrendo uma overdose.
— Gata, eu tenho um pouco de tudo. — Ele diz abrindo a jaqueta com bolsos cheios na parte interna. — Coca, Lsd, Maconha…
— Quero algo de efeito rápido e que me deixe feliz. — Ele já estava drogado e listando toda a merda que ele tinha naqueles bolsos.
— Ecstasy vai te deixar bem alegrinha. — Ele pega um frasquinho minúsculo com um líquido transparente.
— Me dê essa merda! — Arranco o frasco da mão dele e vou logo para o primeiro banheiro que eu encontro.
Encaro aquele frasquinho. Parecia tão inofensivo.
— Cel! — Alguém me chama — Sei que está aí! Abre a porta! — É a Marlee. Merda!
— Eeé… já vai! — Grito desesperada pensando em onde poderia esconder o frasco.
Estava enfiando no meu decote quando a porta se escancara e me assusta.
— Celeste Newsome nunca diria “eeé já vai” para uma amiga. — Ela franze o cenho ao me ver paralisada em uma posição ridícula segurando o frasco com uma mão e puxando meu decote com a outra. — Que porra é essa Celeste!? — Solto o frasco dentro do meu sutiã.
— Nada. — Digo rápido e perplexa.
— Nada é o caralho! Deixa eu ver essa porcaria. — Marlee estende a mão.
— Não é nada Lee, é só… um… negócio pra ressaca — Celeste você já mentiu melhor sua imbecil — nem esquenta. — Eu seria uma idiota em pensar que Marlee acreditaria nisso.
— Você acha que eu sou idiota? Me dê logo essa merda Celeste! Tá pensando o que!?
— Não se mete Marlee, você não sabe de nada.
— Eu falei para me dar AGORA!
— NÃO!
Marlee pula para cima de mim e enfia sua mão dentro do meu sutiã. Seguro sua mão tentando impedi-la. Marlee era insistente e eu também. Nós duas estávamos agarradas se batendo nas paredes do lavabo, derrubando as decorações. Eu tentando proteger e Marlee arrancar. Para o meu desgosto ela consegue e se afasta. Ambas ofegantes pela pequena luta.
Marlee abre o frasco e despeja o líquido na pia.
— Não! — Me jogo para cima tirando o frasco já vazio das mãos dela.
— Não? — Marlee me pergunta indignada — que merda é essa Celeste!? O que significa isso? Você ia se drogar? Meu Deus! Amiga o que deu em você!?
A encaro não conseguindo conter as lágrimas. Marlee vem e me abraça com a maior força que ela consegue.
— Me-meus pais Lee! — Soluço e encharco seu ombro — Eles me abandonaram de vez.
— Amiga, não diz isso — Ela afaga o meu cabelo — seus pais não te abandonaram, eles só trabalham bastante.
— Eles vão se divorciar e nunca mais vão voltar. — Estou chorando igual uma criança, mas foda-se. Marlee é a única que posso confiar mesmo.
— Eu sinto muito Cel — Marlee me aperta mais — sei que parece o fim do mundo agora, mas você é forte e vai passar por isso. Seus pais ainda te amam, mesmo que de formas diferentes. E lembre-se — ela faz com que nos encaremos — eu sempre estarei aqui com você, além dos nossos amigos, então, não importa o que aconteça. Você nunca estará sozinha. — Mais lágrimas — Você não precisa dessas merdas entendeu? — Aponta para a pia onde a droga foi escorrida. Balanço a cabeça confirmando.
— Obrigada Lee. Eu amo você.
— Eu também amo você. — Nossa energia transmite tanta sinceridade. — Bora retocar nossas maquiagens borradas e curtir a festa.
— Bora!
Foi muito bom essa conversa com Marlee, me fez relaxar e me conscientizar que não devo destruir minha vida por causa dos meus pais. E daí se eles não me amam e não estão comigo. Eu tenho amigos incríveis. Mas nem isso vai me impedir de encher a cara, ninguém se diverte sóbrio. Pelo menos o álcool é legalizado nessa merda de mundo.
[...]
Depois que a Meri chegou, Marlee me obrigou a beber quinhentos litros de água. Ainda me sinto tonta, leve e feliz. Então o álcool segue fazendo efeito. Estamos dançando e curtindo a música. Nós três juntas somos incríveis e as mais gostosas dessa festa sem dúvida.
Não sei quanto tempo ficamos lá até que Nicholas apareceu querendo pegar a America, só rezei para o Maxon não ver. Isso significava que estava de vela, pois Marlee estava engolindo o Carter. Logo uma enorme vontade de ir ao banheiro surgiu. Puxei Marlee sem me importar em atrapalhar a agarração.
— Eii! — Escuto Carter protestar.
— Eu já te devolvo ela! — Grito rindo da cara de bunda dele. — Marlee, sua boca parece um baiacu.
— E a sua salsicha vermelha. — Começamos a rir e ir aos tropeços pro andar de cima a procura de um banheiro, visto que os do andar de baixo estão ocupados.
Estamos muito bêbadas.
— Ai Cel… — Marlee se agacha — Minha sandália está comendo meu pé, me espera vou tirar.
— Eu tô muito apertada Marlee, não vou te esperar. — Digo meio irritada e a deixo para trás.
Depois de muita insistência, acho um banheiro destrancado, mas fico em choque assim que abro a porta. Aspen estava sem camisa, se pegando com uma garota pelada. Eles se assustam e me olham. Eu estava boquiaberta. O que eu menos esperava para completar meu dia era ver isso.
Eu devia encarar esse momento como algo ruim, afinal, o garoto que eu gosto… não me dá bola e está quase comendo outra na minha própria casa. Talvez seja pela bebida. Não. Com certeza é pela bebida. Nunca em sã consciência eu ficaria excitada vendo essa cena. Claro que é mais por ver meu gato moreno de olhos verdes semi nu no meu banheiro, do que ver a despeitada encostada na pia.
Então, apenas decido tirar proveito da situação.
— O que você acha de cuidar de nós duas Aspen? — Me encosto no batente da porta com os braços cruzados aguardando sua resposta.
— Acho uma ótima ideia! — Aspen responde abrindo um sorriso malicioso.
Sem pensar duas vezes, entro, fecho a porta atrás de mim e a tranco. Logo tiro minha camisa ficando de sutiã. Aspen morde seu lábio inferior e eu vou pra cima dele. Um tesão sem tamanho percorre meu corpo. Como sonhei em beijar essa boca.
Logo Aspen desce seus lábios pelo meu pescoço queimando a minha pele, toco o volume na sua calça e ele solta um leve gemido, ao passo que abre e remove meu sutiã. Sua mão e sua boca vão direto para os meus peitos. Até tinha esquecido a garota que estava no banheiro com a gente.
Aspen notando que ela estava sobrando pegou eu e a garota pela nuca e nos debruçou sobre a bancada. Nós duas nos entreolhamos e sem esperar, já estávamos aos beijos. Sinto Aspen levantar minha saia e arrancar minha calcinha.
— Puta que pariu! — ele exclama gostando do que vê.
Solto um gemido baixo quando sinto ele entrar em mim e solto mais alto quando ele começa a socar com vontade. Essa é a melhor e mais maluca experiência da minha vida. Em segundos eu estava vindo apenas fazer xixi, com tudo girando ao meu redor, e agora eu estou fazendo sexo com três pessoas. Aspen para e escuto a outra garota gemer. Mas ele não me deixou na mão. Seus dedos faziam um ótimo trabalho.
Ele volta a meter em mim, suas mãos agarrando minha cintura com tanta força que não duvido que deixaria marcas. Em um movimento abrupto, Aspen me vira para ele e me coloca em cima do balcão da pia e volta a se pôr em mim. Ambos não éramos capazes de conter os gemidos de prazer. Seus grunhidos no meu ouvido me fazem sorrir e me sentir mega satisfeita.
Não sei porque diabos pensei na garota que está conosco, olho para os lados e não a encontro.
— O-onde está a-a outra? — pergunto entre suspiros.
— Foda-se a outra, quero você!
Meu prazer aumento mil vezes mais ao ouvi-lo dizer essas palavras.
POV Marlee
— Ah Carter! Eu vou… — sem conter meu grito chego ao meu ápice. Carter se movimenta com mais voracidade chegando ao dele também, gemendo alto entre meu pescoço.
— Você é maravilhosa, Lee. — Carter beija atrás da minha orelha me arrepiando.
— Eu amo você. — Acaricio seu rosto com delicadeza.
— Eu também amo você. — Ele me dá um beijo casto nos lábios.
— Agora vamos! Celeste deve estar maluca atrás de mim. — Me levanto da cama.
— Serio? Não podemos ficar aqui mais um tempo?
— Não faz essa carinha amor. — Ele tenta usar suas artimanhas — Ela está em um momento delicado e alcoolizada. Isso me preocupa.
— Tudo bem — Carter se levanta contra sua vontade — Celeste está me devendo suas já. — Dou risada.
— Acho melhor não falarmos pra ela que transamos no seu quarto, ela mata nós dois. — Todos os cômodos da casa estavam trancados. Eu sabia onde Celeste escondia a chave do dela. Portanto era o único disponível.
Ao abrirmos a porta, Carter e eu levamos o maior susto quando Aspen e Celeste entram agarrados se beijando como animais.
— Fechem a porta! — Aspen grita. Carter e eu nos entreolhamos e rimos fechando rapidamente a porta.
— Estou vendo o momento delicado que ela está. — Ele tira sarro. Dou um leve soco no braço dele. — Acho que podemos procurar outro quarto. — Me arrepio quando ele me abraça e beija meu pescoço.
— Pode ser depois que vermos como a Meri está. — O afasto.
— Você se preocupa demais com suas amigas, não?
Apenas dou de ombros. Ambas estão passando por momentos difíceis, Celeste com seus pais, e a America com o Maxon. Me preocupo pois sei que elas se preocupam comigo também.
Ao descermos para onde a festa rolava, vejo um certo alvoroço na cozinha. Caminhamos até lá e quando chegamos. Levo minhas mãos ao rosto não acreditando no que vejo.
— Querem que eu tire!? — America grita em cima da ilha da cozinha. Ameaçando a tirar sua saia.
— Meu Deus! — Carter exclama.
— Eu não acredito que ela está fazendo isso! — Começo a rir do estado da minha amiga. Ela definitivamente está fora de si.
Todos os meninos em volta gritavam “tira” repetidas vezes. Fiquei em choque quando ela realmente tirou ficando apenas com seu body de renda. Corro até ela. Não posso permitir que minha amiga faça isso. Ela vai se amargurar pro resto da vida.
— America!
— Maaarleee! VEM CÁ! — Ela me chama.
— Não amiga, desce daí por favor! — Imploro para ela.
— Naaao… olha só… eles me A-DO-RAM! — Começo a rir descontroladamente. — O que acham de tirar mais um pouco? — America berra dando uma voltinha. Arregalo os olhos ao perceber que o body dela era fio dental.
— Tira! Tira! Tira! — Todos gritavam.
— Minha nossa! — Carter exclamou perplexo atrás de mim — Eu vou chamar o Maxon.
E ele sai correndo no meio de toda aquela gente. Quando me volto para minha amiga, ela estava tentando desabotoar com dificuldade os botões no meio das pernas. Tentando evitar o pior eu subo na ilha e tento a impedir.
É… hoje eu estou mais para salva vidas das minhas amigas do que qualquer outra coisa.
POV Maxon
Estou na biblioteca da casa de Celeste, ficando um pouco longe da baderna, pois preciso pensar, ou melhor, lembrar com calma o incrível momento que tive a pouco com a America. Sorrisos bobos escapam pelos meus lábios.
Me senti no céu a tocando e beijando a pele dela. O mais díficil foi conter minhas mãos, que a qualquer custo queriam redescobrir cada parte do seu corpo. Suas provocações foram muito assertivas. Ela rebolava no meu pau me enlouquecendo. Por pouco não agarro e a levo para qualquer canto para descontar todo o tesão que aquele momento causou.
Mas com uma coisa eu fiquei feliz. Ela ainda sente algo forte por mim e me quer por perto. Me mostrou isso me deixando se aproximar. Não vou desistir tão fácil.
A porta se abre com brutalidade e no susto meu coração bate mais forte. Era Carter.
— Finalmente te achei… — ele diz ofegante.
— O que foi? — Pergunto preocupado.
— A America… — ele diz com dificuldade, fico ansioso, mas um ansioso ruim. — Ela está tirando a roupa na frente de todos em cima da ilha da cozinha.
Arregalo os olhos e nem penso, apenas corro. Ao chegar lá.
— Puta que pariu!
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