Fomaríamos um Maravilhoso Nós

9 Voltando no tempo - Parte I


Notas iniciais
Bora entender um pouco mais o passando desses dois... Boa Leitura!

Estava um frio de matar, nem um agasalho projetado pela Nasa me protegeria desse frio. Estamos no Canadá aproveitando nossas últimas semanas de férias. Questionei meu pai pela sua escolha. Quem escolhe um lugar com frio cortante para passar as férias? Eu adoraria estar em uma praia torrando abaixo de um glorioso sol. Mas, esse era o sonho dele, então nós como família, estamos aproveitando da melhor maneira com meu pai, que está radiante e hipnotizado com as belas paisagens da cidade onde estamos.

Estamos hospedados em uma pousada onde os quartos são chalés, e tenho que admitir, eles são extremamente aconchegantes e confortáveis, ficam localizados no alto de um monte, então a vista que temos é extraordinária. A noite tudo fica incrivelmente mais lindo. Nesse momento, May e eu estamos nos preparando para esquiar. Não estou muito animada para tal atividade, por mim passaria o dia inteiro em uma hidromassagem petiscando, mas May não está colaborando com meu roteiro de viagem.

— Anda logo Ames! — chama ela com a voz abafada atrás da porta — Para que demorar tanto para pôr uma roupa?

Acontece que não é só uma roupa, é a roupa! Eu não estou disposta a passar frio, odeio essa sensação apesar de gostar do inverno. Então estou caprichando nas camadas de tecido para me manter bem aquecida, e o toque final é uma jaqueta térmica rosa fluorescente, que eu achei magnífica no manequim e ficou ainda mais linda em mim, e um gorro de lã de carneiro onde deixei meu cabelo escondido nele.

— Pronto! — Digo saindo do quarto. May me olha dos pés à cabeça.

— O que é isso? Que roupa é essa? — pergunta ela — Você acha que é sinalizador de avião ou o que?

— Ah cala a boca. Ela é linda — digo olhando para meu casaco e passando as mãos nele — você está com inveja.

— America, irmã querida — diz ela séria tocando meus dois ombros — estamos indo esquiar e não jogar boliche. Não entendo porque você se fantasiou de bola. — Menininha filha da mãe. Ao ver minha cara, May caiu na gargalhada.

— Ha, Ha, Ha, muito engraçado — finjo sentir graça do comentário dela — quando você estiver batendo os dentes de frio lá fora, eu, vou rir da sua cara. — Ela revira os olhos.

— Você não vai conseguir esquiar direito com essas peças tão grossas. Vai ter pouco movimento — a ignorei simplesmente caminhando até a porta — e frio eu nem vou sentir quando a adrenalina subir no meu sangue.

— Vamos logo! — A chamo abrindo a porta e logo uma rajada de vento gelado entra nos fazendo estremecer.

Estou com inveja dos meus pais, eles estão em uma sessão de spa relaxante, Gerad está sei lá onde com o grupo de recreação do hotel. E nesse momento eu e minha irmã estamos afundando nossos pés na neve densa a cada passo que damos, e experimentando a brisa arrepiante da cordilheira a caminho do teleférico que nos levará até nosso destino.

Tenho certeza que colocaram esse teleférico onde está de forma estratégica, para aproveitar a belíssima paisagem. Até esqueci do frio ao admirar os grandes vales e cordilheiras, realmente é tudo muito bonito. Sinto nosso teleférico chacoalhar e me dou conta que chegamos no alto. Um funcionário muito simpático nos ajudou a descer e nos guiou para uma cabana cheia de equipamentos de esquiagem. May saltitava ao meu lado de empolgação. Também estava animada, porém apreensiva, era meio alto e eu nunca esquiei antes.

O cara que nos atendeu disse que teríamos algumas aulas e também iríamos para um lugar seguro para turistas inexperientes. Digamos que fiquei mais tranquila. Fomos equipadas e seguimos para um lado mais afastado, porém cheio de pessoas, algumas aprendendo, outras parecendo profissionais, pais tirando fotos de seus filhos. É, parecia seguro. Após algum tempo ouvindo e treinando movimentos e manobras fomos “esquiar”.

— Você está parecendo um pinguim cor de rosa andando Ames. — Diz May rindo como sempre da minha cara.

— Eu não sei de onde você puxou seu senso de humor.

— Não preciso puxar nada de ninguém para ser incrível, eu sou única. — Diz ela totalmente convencida.

— A sua humildade me comove — digo colocando a mão no peito fingindo estar emocionada. Ela revira os olhos.

— Eu duvido você descer por aqui sem se espatifar no chão — ela me desafia. E eu não nego um desafio.

— Essa descidinha aqui? — Pergunto em um falso tom de coragem. Não era uma descidinha, era mais íngreme do que as outras que estávamos, mas alguém tinha que abaixar a bola da May. — Te vejo lá embaixo. — Disse com confiança mas sem confiança nenhuma. May cruza os braços e arqueia as sobrancelhas.

Dou o impulso que preciso e começo a descer, a cada segundo com mais velocidade. Estava sentindo a adrenalina e estava gostando. Já estava sorrindo orgulhosa de mim, estava conseguindo e tudo estava sob controle, até que vejo alguém em minha frente, e eu definitivamente não sei virar aquela coisa, e me amaldiçoei, pois May tinha razão, aquela roupa limitava meus movimentos.

— CUIDADO! SAI DA FRENTE! — Gritei, mas já era tarde demais. Freei o máximo que pude mas dei com tudo em outra pessoa a derrubando, não bastando isso, saímos rolando por alguns metros.

Assim que paramos de rolar pela neve gelada eu estava em cima dele. Ao levantar meu rosto, as pontas de nossos narizes gelados e dormentes pelo frio se tocam e nossos olhos se encontraram. E instantaneamente eu congelei, não pelo frio, mas por sentir algo profundo enquanto mirava aquele belo par de olhos castanhos tão intensos. Ficamos os dois em transe por alguns segundos até que ouço alguém passar rapidamente atrás de nós, parecia estar gargalhando. Acordo do transe me dando conta do quanto estou sendo ridícula ficando em cima dele.

— Minha nossa! Me desculpa — digo saindo de cima — você está bem? — O seguro pelo braço fazendo esforço nenhum para ajudá-lo a se levantar.

— Um pouco tonto na verdade — diz sorrindo. Caralho! Que sorriso, puta que pariu! — Mas a culpa foi minha também — diz ele ajeitando o gorro na cabeça — não é muito inteligente ficar parado no meio da pista. — Nós dois damos risada. Além de ser um gato, ele ainda é educado e bem humorado. Socorro.

— É, realmente não é. — Seguimos rindo e eu passei a notar o quanto aquele garoto tinha um rosto lindo, o resto do corpo não era possível analisar por conta das roupas. Notei que ele também me observava.

— Gostei da jaqueta — diz ele apontando para mim — a cor dela é bem chamativa, mas não tanto quanto a cor dos seus lindos olhos.

Corei… ele estava me cantando?

— Sem querer ofender, mas, essa foi uma das piores cantadas que já ouvi — digo rindo dele e ele me acompanha.

— Foi a primeira coisa que pensei — aquele sorriso estava me fazendo perder o juízo. Mas seu semblante muda de divertido para preocupado e eu o olho estranha. — você está sangrando — Ele se aproxima passando a mão na minha testa. Estremeço com seu toque — está tudo bem? está doendo?

— Não, na verdade não estou sentindo nada — toco minha testa e vejo o sangue em meus dedos.

— Vem — diz ele me puxando pela mão — tem kit de primeiros socorros na cabana. E temos duas opções — ele me olha — ou vamos andando o que vai demorar um pouco, ou, tem a opção mais rápida que é descermos rolando pois não confio em você esquiando. — Foi impossível não rir.

— Não estou com pressa — digo insinuando que prefiro a primeira opção.

— Eu também não! — Aaa garoto lindo para de sorrir assim!! — A propósito, eu me chamo Maxon.

— Muito prazer Maxon, eu me chamo America.

— America? — pergunta sem acreditar, eu apenas assinto — Podia jurar que era África — faz piada e mais uma vez, rimos.

— Você é daqui? — Pergunto.

— Não sou de Illéa — o olho surpresa. — O que foi?

— Eu também sou de Illéa. — Maxon alarga seus lábios em um sorriso sem tamanho.

— É sério ? — pergunta sem acreditar. E eu apenas afirmo balançando a cabeça. — Que coincidência, não?

— Pois é… está hospedado na pousada? — Não seria incrível se ele respondesse sim?

— Sim — ele responde e eu surto internamente, vou poder vê-lo mais vezes — e você?

— Também estou. — Nesse momento nos olhamos e senti um leve arrepio. Sei que ele também sentiu algo.

— Sendo assim… — paramos de andar e ele pega minhas duas mãos, ambos estávamos de luvas grossas — você aceitaria jantar comigo esta noite?

Como é? Ele estava me convidando para um encontro? Me olhava esperançoso.

— Seria uma honra… — Ele estava mais radiante do que nunca. Claro que eu não deixaria uma noite com esse gato passar.

Continuamos descendo enquanto decidíamos o horário e local. Maxon disse que queria me levar para um restaurante incrível que ele conhecia não muito longe. Já comecei a ficar ansiosa com nosso encontro, pensando na roupa, maquiagem e como arrancar um beijo dele até o final da noite.

Estávamos chegando na cabana, tudo estava lindo e perfeito, mas aí escuto um berro junto de uma risada esganiçada de um ser que conheço bem. May.

— Aaaaah — grita ela enquanto ri — vo-você só não se espatifou como conseguiu levar alguém junto aaaaah — a matraca grita e gargalha mais ainda como se aquilo fosse a coisa mais divertida do mundo. Eu estava vermelha, não sei se era de vergonha ou de raiva. — Como recompensa, quero seu casaco. Estou morrendo de frio.

Eu queria enterrá-la naquela neve, olhei para Maxon e ele parecia se divertir com o jeito de May, que ainda não tinha reparado que ele estava ali, o que não demorou muito. Ela parou de rir e o encarou dos pés à cabeça.

— Ames, quem é esse gato? — Pergunta ela descaradamente. Ela só tem 14 anos!

— May! — A repreendo e Maxon passa a rir.

— Eu me chamo Maxon, muito prazer May. — Ele pega a mão dela e deposita um beijo por cima da luva. De que mundo ele veio!? May pareceu chocada, nunca recebera um comprimento tão fofo como esse.

— O prazer é todo meu Maxon. — Diz ela sem graça. — Ames o que houve com sua cabeça? — Pergunta ela após notar o sangue que já estava seco na minha testa.

— Devo ter batido em alguma coisa quando caí. Não deve ser nada demais.

— Pois vamos ver isso agora — Maxon pega minha mão e me leva à cabana.

Lá dentro tinha uma lareira que deixava o ambiente bem quente. Mas devo admitir que o que me esquentou mesmo foi ver Maxon tirando algumas peças de roupa. Pai amado o que que era aquilo! Ele ficou apenas com um suéter preto e pude notar o quanto ele é forte e atlético. Seus ombros são largos, seus braços são fortes, até percebi seus músculos que ficavam em evidência no tecido grosso do suéter. Pagaria o que fosse para vê-lo sem camisa. Mas, eu me derreti mesmo quando ele tirou seu gorro de lã dando as caras para um lindo cabelo loiro. Tenho certeza que molhei a calcinha quando ele começou a passar a mão tentando ajeitar seus fios bagunçados.

Ele é uma perdição, um pedaço de mal caminho, penso comigo mesma enquanto mordo o lábio inferior inconscientemente, ao mesmo tempo que admiro aquela beldade. Alguem passa a minha frente cortando minha encarada em Maxon. Quando olho para o lado, vejo May com a mesma expressão que a minha. Dou um empurrão nela com o quadril.

— Ele me chamou para um encontro — May me olha com a boca aberta.

— Você tá brincando!? — Apenas balanço a cabeça com um sorriso malicioso — Ames, agarra esse gato! Por favor, agarre esse gato! — Diz ela sussurrando ao mesmo tempo cerrando os dentes. Maxon se vira para nós.

— Vocês não estão com calor? — ooh se estamos, só que o fogo que nos aquece é você. Para America!

— Na verdade, sim! — Digo e começo a tirar minha jaqueta depositando no cabide, assim como os outros dois casacos que usava por baixo. Tiro meu gorro e ajeito meu cabelo o deixando solto e caído pelos meus ombros, quando me viro para Maxon, ele tinha um perfeito O formado nos lábios. Ele estava impressionado?

— Caramba… não sabia que era ruiva. — Diz ele com um olhar de admiração.

— Isso é um problema? — Admito que fiquei com medo dele não gostar de ruivas.

— Muito pelo contrário, eu só fiquei surpreso — disse ele realmente com ar de surpresa. E… se aproximando? Deus me ajuda! Ele chega muito perto e passa a mão pelo meu cabelo, colocando uma mecha atrás da minha orelha. Eu já tinha esquecido como se respira direito. — E agora vejo que você é muito mais linda do que imaginava.

Eu ia beijá-lo, ia agarrá-lo como May me implorou, e sei que ele também ia fazer o mesmo, pois nossos olhares suplicavam por esse beijo, mas fomos interrompidos por uma mulher que trazia um kit médico nas mãos. Ela veio ver minha ferida, que como já imagina, não foi nada grave. Não precisou nem de curativo. Após isso, decidimos voltar, Maxon nos acompanhou e descobrimos que seu chalé é quase vizinho do nosso. Ele dissera que passará mais tarde para me buscar. E eu já estava contando os segundos.