Estou com as mãos apoiadas na beirada da pia encarando meu reflexo. Eu estou pálida, minha expressão é de quem acaba de ver um fantasma. É isso que pensariam caso me vissem. Mas, mal saberiam o que se passa em minha cabeça. Sigo em choque pelo reencontro com Maxon, porem pasma por vê-lo em tanta intimidade com outra garota. Eu sei que o que tivemos foi algo rápido, e não faz sentido sentir raiva dele, pois não somos nada, nem nos conhecemos direito, só ficamos algumas vezes. Ele simplesmente está seguindo a vida dele assim como eu devo seguir a minha. Mas por que fiquei tão chateada?

— Mas que merda em America — digo para mim mesma.

Mentalmente concluo que não há porque ficar tão chateada assim, nós dois não sabíamos que nos encontraríamos novamente, até mesmo eu quase fiquei com um garoto depois dele. Até acabo de flertar com o Aspen. Não seria justo ficar puta com ele só porque ficou com outra garota. Mas não posso mentir, não gostei nem um pouco disso. Quer saber, não gostei nada. Eu deixei de ficar com garotos por causa dele, e ele sem mais nem menos se pega com outra sem escrúpulo nenhum no corredor cheio de pessoas olhando. Mas não é justo essa raiva. Aaah eu não sei o que pensar!

Nesse momento escuto o sinal tocar. Droga! Vou chegar atrasada na sala no meu primeiro dia de aula, não sei nem onde fica a bendita sala e muito menos qual é a minha primeira matéria do dia. Parabéns America, ótima aluna você. Pego a folha com os horários e vejo que a primeira matéria do dia é biologia. Olho no espelho e me recomponho, digamos que o pequeno momento de raiva que passei ajudou com a palidez que estava meu rosto. Saio do banheiro e os corredores estavam vazios. E agora onde fica essa sala!?

Por uma grande sorte do destino, encontro o mesmo senhorzinho que me ajudou mais cedo, e com muita vontade ele me leva ao local da minha aula. Nesse meio tempo de caminhada descobri que o nome dele é Benjamin, e que trabalha a muitos anos no colégio como zelador. Rapidamente chegamos à porta do laboratório onde todos já estavam, inclusive o professor. Agradeço ao senhor Benjamin e dou umas batidinhas trêmulas na porta e abro a mesma. Eu estava nervosa.

— Com licença — disse com a voz fraca entrando na sala — Bom dia, sou aluna nova. — Todos já estavam olhando para mim, ajeitei a postura.

— Seja bem vinda senhorita é… — um professor muito bonito e simpático me recepciona, já pude notar que ele joga para o outro lado.

— Singer. America Singer. — Respondo com firmeza.

— Senhorita Singer, escolha um lugar para se sentar — diz o professor e nesse momento engulo em seco, mas nem chego a procurar pela sala direito, Marlee se pronuncia mais animada do que nunca.

— AQUI!! — Me chama ela toda animada dando acenos. Não tem como não sorrir do jeito dela.

Imediatamente vou em direção a carteira dela onde faríamos uma dupla. Estava prestes a sentar ao seu lado, mas, em uma carteira atrás, porém, na fileira do lado, estava ele. Maxon. Meu coração acelerou. Dessa vez ele me notou, e me fitava com aqueles olhos castanhos lindos, que pareciam expressar milhares de sentimentos, sem falar no seu sorriso, que me fez ver a surpresa e alegria que ele sentia ao me reencontrar. De repente, me vi feliz, estava tão radiante quanto ele, o sorriso simplesmente escapou. Eu me sentia megamente contente de vê-lo e perceber que ele sentia o mesmo que eu.

Mas pela minha visão periférica, noto uma garota morena me encarando com um olhar matador. Reconheço-a imediatamente, é a mesma que ele se pegou no corredor. A raiva veio instantaneamente, me ajudando a interromper aquela troca de olhares tão significativa. Percebi que todos nos observavam, mas decidi ignorar, que vão todos a merda.

— Oiii! — diz Marlee baixinho como um sussurro.

— Oii — respondo ela da mesma forma, me sentindo muito contente por revê-la e por ela ter cumprido a promessa de guardar um lugar para mim.

— Agora… se me permite perguntar — diz ela ainda sussurrando e se aproximando para ouvir bem minha resposta. — O que foi essa troca de olhares em?

— Ann… eeé — eu não sabia o que responder, fiquei nervosa. Não sabia se queria contar do meu caso com Maxon para Marlee assim tão rápido. Nem a conheço direito.

— Muito bem turma! — exclama o professor num tom um tanto desnecessário, mas fico muito agradecida, consegui me esquivar da pergunta da Marlee. — Hoje daremos sequência ao conteúdo da aula passada. Senhorita Singer — ele se dirige a mim — preciso falar com a senhorita no final da aula, certo? — Apenas assinto e ele segue com o conteúdo da matéria, muito interessante por sinal.

Queria poder dizer prestei total atenção, mas seria mentira. Todo tempo Maxon invadia meus pensamentos, e muito mais agora que ele está tão, tão, perto. Tentava dar discretas espiadas nele, mas sempre que ia tentar eu desistia, porque eu sabia que não seriam nada discretas, Maxon estava mais para trás, e ninguém olha sem querer para trás. Em uma dessas tentativas, notei Aspen me encarando por trás de uma morena lindíssima que estava em dupla com ele. A morena estava impassível, parecia muito concentrada na aula com seu semblante sério, se mexia todo tempo, fazendo Aspen ir para lá e para cá para conseguir me olhar. Dei um tchauzinho para ele que retribuiu com um sorriso lindo. Escutei alguém tossir de uma forma nada discreta mais atrás.

No fim da aula fiquei no aguardo do chamado do professor para conversar como ele queria.

— America, vou estar no refeitório, me encontre lá depois da conversa, Ok? — Diz Marlee se levantando.

— Tudo bem… te vejo lá daqui a pouco — ela dá uma piscadela e sai tentando dar o braço a morena que estava do meu lado, falhando na missão, pois a mesma se recusa.

Dessa vez, olho com coragem para trás, queria vê-lo, mas ele não estava mais lá. Nem o vi sair. Deve estar com a amiguinha. Minha própria mente está me perturbando, que merda.

— Senhorita America — me chama o professor sentado à mesa segurando uns papeis, me aproximo. — Aqui está a lista de exercícios que passei na aula passada, por sorte tenho mais algumas cópias aqui — disse me entregando, é sério que ele me fez esperar aqui só para entregar umas folhinhas? Não podia ter feito isso antes? — É importantíssimo que me entregue elas finalizadas daqui duas semanas, vai contar como avaliação.

— Ok professor. É só isso? — pergunto tentando evitar a indignação.

— Sim é só isso, senhorita Singer.

Saio da sala com a esperança de meus pés me guiarem sozinhos até o refeitório, não sei onde fica, e o senhor Benjamin não está por aqui para me socorrer. Começo a andar, mas não dou nem cinco passou e alguém agarra meu braço e começa a me puxar.

— Que isso! — Exclamo assustada — Maxon? — era ele — Maxon onde está me levando?

Ele abre uma porta e entramos em um cômodo pequeno cheio de utensílios de limpeza, ele tranca em seguida. Então sem anunciar, ou me dar tempo de pensar, ele me agarra e me beija. Minha primeira reação foi o susto, mas logo me dei conta da situação maravilhosa que me encontrava, correspondi ao beijo dele com a mesma intensidade. Nossa! Agora eu percebo que a saudade que eu pensava ter dele é muito maior do que dizia sentir. Nos agarramos naquele cômodo minúsculo com tanta urgência que nem o fim do mundo seria capaz de nos fazer parar. Nossos lábios e nossas línguas se movem em sincronia com um perfeito encaixe, seu sabor é maravilhoso assim como seu cheiro é inebriante. Suas mãos passeiam tão firmemente pelo meu corpo que chega a doer, mas é uma dor prazerosa, tão gostosa que eu desejava sempre mais. Os segundos se seguem com nós dois compartilhando beijos de saudade e finalizando a pegação com beijos calmos repletos de carinho.

— Eu senti tanto a sua falta — diz Maxon pela primeira vez, com sua voz rouca me causando arrepios e colando nossas testas.

— Eu também senti — respondo tirando essas palavras do fundo do meu coração.

Ele me beija novamente, mas dessa vez com mais calma, um beijo doce e lindo, acompanhado de sorrisos bobos que não foram possíveis ser contidos. Estávamos mergulhados um no outro, até que alguém tenta abrir a porta interrompendo nosso momento.

— Quem está aí? — Exclama uma voz abafada pela porta e conhecida por mim — Abra a porta — ordena. Nesse momento me toquei que se tratava do senhor Benjamin.

— E agora? O que faremos? — Pergunto nervosa para Maxon.

— Calma, eu vou dar um jeito. — Diz ele tranquilo até demais.

— Eu não vou pedir novamente! — Diz Benjamin ficando irritado.

— Ben, você não pode voltar um pouco mais tarde? — Pede Maxon com tranquilidade.

— O que? Maxon? — questiona o senhor Benjamin — É você que está aí? Ah Maxon, é sério que você está com mais uma garota no meu armário? — o olho furiosa.

— Mais uma garota? — Pergunto me afastando dele e cruzando os braços. Maxon engole em seco.

— Eeé… Ben, eu já saio só me dá um minuto — pede Maxon. Eu o fitava balançando a cabeça em negação. Ele me olhava preocupado e dizendo que já me daria uma explicação.

— Que isso não se repita Maxon! Da última vez vocês destruíram meu depósito. — Diz ele saindo. Eu não conseguia acreditar, então quer dizer que esse é o matadouro do Maxon. Fui em direção a maçaneta furiosa, mas Maxon me impediu.

— America me deixe explicar por favor — pede Maxon com olhar de súplica.

— Você não tem que me explicar nada — digo ríspida — agora me deixe passar. Antes que alguém perceba que eu sou só mais uma que você trás para esse armário.

— Você sabe que não é só mais uma. — diz ele.

— Mas é assim que eu estou me sentindo! — Quase grito, e sinto meus olhos quererem marejar. Mas isso não. Não vou chorar por um imbecil cafajeste. — Abre essa porta e me deixe sair antes que eu comece a gritar.

— America por favor, não tire concl…

— ABRE LOGO! — Eu ia chorar, ele não estava entendo isso! E a última coisa que queria é que ele visse essas lágrimas, pois assim ele perceberia o quanto ele é importante para mim.

Maxon abre a porta relutante e eu saio imediatamente esbarrando no senhor Benjamin, escuto Maxon agradecer a ele em tom sarcástico, o que me faz andar mais rápido. Para onde? Não sei. Deveria estar na minha próxima aula. Que já havia começado a dezoito minutos. Mas aquela merda de colégio é gigante e é só meu primeiro dia. Não sei andar por aqui ainda. Encontro Aspen caminhando passando a mão na boca, corro até ele, afinal, somos da mesma turma, ele me ajudaria.

— Aspen! Aspen! — O chamo ofegante. Ele procura quem o chama e se depara comigo o abraçando repentinamente. Nem eu sei porque fiz isso.

— America? — pergunta ele confuso. — O que houve? Você está bem?

— Ah sim! Estou sim — confirmo o soltando já vermelha de vergonha pela minha impulsividade — é que eu estava perdida — não era mentira — e fiquei desesperada sem saber onde ir e quando te vi me empolguei. — Disse sem graça. Ele ri.

— Fico feliz por você ficar empolgada em me ver. — diz com um sorriso malicioso, o olho com uma cara de: não é isso que você está pensando — Brincadeira. Mas vamos. Você deu sorte de me achar, nossa sala não é muito próxima daqui. — Diz ele limpando a boca e começando a caminhar, fiquei curiosa e passei a observar melhor. Ele estava com uma mancha de batom vermelho.

— E onde você estava que ainda não chegou na aula? — Pergunto a ele.

— Ah, por aí — diz ele sem graça, tentando desconversar.

— Sei… — olho para ele desconfiada e tirando sarro de sua cara — e esse batom? Apareceu aí do nada? — ele me olha entregando o jogo.

— Está muito marcado? — Pergunta preocupado — Eu não sei que tipo de batom é esses que vocês usam que grudam na pele e não sai mais, para que isso? — Dou risada.

— Ninguém mandou sair se pegando com meninas de batom por aí — digo dando um leve empurrão nele enquanto caminhávamos a caminho do nosso destino — tem meninas que fazem isso de propósito, pela sua experiência você já devia saber disso.

— Eu não fico desvendando mistérios de porque garotas usam o que usam. Meu tipo de experiência é em outra coisa. — Me olha com aquele sorriso safado de novo. Se eu não estivesse com o Maxon na cabeça, com certeza me derreteria toda por ele.

— Não duvido senhor Leger.

— Droga! Era para você dizer que duvida e então eu te mostraria. — Diz ele falsamente desapontado. Sorrindo divertidamente. Eu solto uma gargalhada.

— Hoje não.

— Hmm… então quer dizer que algum dia sim. — Me olha daquela forma de novo e eu dou um tapa em seu ombro — Aii. Você tem uma mão ou uma raquete? Doeu, sabia.

— Ora senhor Leger, não sabia que era tão sensível… mil perdões — dou uma leve reverência e ele me mostra seu dedo do meio. Gargalhamos juntos.

Chegamos rindo e toda a sala parou para nos observar. A professora parecia nos querer esfolar vivos só com o olhar. Disse que da próxima vez não entramos na aula dela nem na companhia de nossos pais. Admito que estremeci de medo pelo tom da voz dela. Olhei adiante e vi Marlee acenar para mim apontando um lugar vago atrás dela no canto da parede do outro lado da sala. Não era o melhor lugar para se sentar visto que Maxon ficaria atrás de mim. Ele intercalava seu olhar sério entre mim e Aspen. O que ele estaria pensando? Não consigo evitar o sorriso por perceber que ele está claramente com ciúmes. Sem mais demoras, vou rapidamente para o assento que Marlee indicava e decidida a prestar atenção o máximo possível.

Falhei miseravelmente. A situação que ocorrera com Maxon mais cedo não me deixa em paz. Não paro de pensar no beijo maravilhoso que ambos nos entregamos, mas me perturba o fato de sentir que ele está apenas brincando comigo. De me sentir apenas uma diversão para ele. Estava disposta a deixar ficar tudo bem entre nós depois do beijo com aquela garota. Mas depois da revelação do senhor Benjamin, tudo não me pareceu apenas sensações e sim a realidade. Eu não passo de mais um rostinho e corpo bonito que Maxon quer ter como troféu para sua estante.

Essa aula pareceu levar uma eternidade para acabar. Professora Marta é um pesadelo, física já é uma matéria insuportável, agora com uma professora rabugenta fica mil vezes pior. Ainda tínhamos mais uma aula antes do intervalo, era matemática, ao menos essa era tolerável e o professor parecia um fanático por números. O que tornou a aula divertida. Algo que não consegui ignorar de forma nenhuma era os dedos de Maxon passeando pelas minhas costas e cintura em alguns períodos da aula. O toque dele parecia liberar descargas elétricas no meu corpo, ele parecia notar meus arrepios, pois, percebia ele rir abafado assim que eu reagia ao seu toque.

Maxon sua tentação!

— Enfim essa aula infernal acabou — exclama Celeste se espreguiçando na cadeira.

— Nem me fale, estava quase dormindo — acrescenta Marlee.

— Vamos logo para o refeitório, estou morrendo de fome! — Diz Carter.

— Vem com a gente America. — Marlee me chama com sua empolgação de sempre. Aceito de bom grado mesmo tendo noção que possivelmente teria que encarar Maxon.

O refeitório era enorme assim como todas as coisas naquela escola, fomos em um dos restaurantes pegamos nossa comida, indo direto para uma mesa que parecia ser destinada sempre a eles.

— Então você veio de Carolina? — Pergunta Carter puxando assunto. Concordo com a cabeça mordendo meu sanduíche.

— Por que veio para cá? — Pergunta Aspen.

— Meu pai decidiu concentrar seus negócios aqui em Angeles.

— Seu pai trabalha com que? — Dessa vez quem pergunta é Marlee.

— Meu pai e minha mãe têm uma empresa no ramo imobiliário, financiam construções de prédios, arranha-céus, essas coisas.

— Por que chegou atrasada no colégio? — Achei estranha essa pergunta de Celeste.

— Estava viajando de férias. — Respondo normalmente.

— Aaa… que legal e para onde você foi? — Pergunta Marlee animada, noto Celeste com um sorriso de satisfação, como se ela quisesse chegar nesse assunto.

— Canadá. — Notei o olhar cúmplice entre Celeste e Carter. Ai que me toquei! Eles são amigos de Maxon. Devem saber de nós dois ou ao menos suspeitam.

— Maxon também estava no Canadá nas férias dele — diz Carter já insinuando alguma coisa.

Olho para Maxon que olha para mim, ambos sem reação, eu o entendi e ele me entendeu. Não queríamos falar que tivemos alguma coisa, os meus motivos eu reconheço, mas os dele…

— Devemos ter ficado em lugares diferentes, eu teria percebido a presença de uma ruiva tão linda. — Ele me olha com seu sorriso cafajeste. Apenas reviro os olhos.

— E eu me lembraria de um loiro sem sal — ele arqueou as sobrancelhas me questionando ainda com o sorriso safado. Ele sabia que eu estava blefando.

— É, parece que vocês nunca se viram mesmo. — Diz Carter com um sorriso vitorioso acompanhado de Celeste. Merda, se eles não sabiam, acabaram de descobrir. Marlee e Aspen boiavam no assunto.

— Bom… — Marlee quebra o silêncio constrangedor — o que acham de fazermos alguma coisa hoje? — Todos concordam menos eu. — Meri? — Meri? Nunca ninguém me chamou assim.

— Ann… foi mal pessoal, hoje não da. Meus pais irão voltar tarde e preciso tomar conta dos meus irmãos.

— Ah, tudo bem então — diz Marlee desapontada — mas na próxima você vai! — Ela praticamente ordena.

— Da próxima eu vou. — Respondo rindo.

Seguimos comendo e falando de nossas famílias, gostos, sonhos e trivialidades. Durante esse tempo as trocas de olhares entre mim e Maxon eram constantes. Eu gosto dele, mais do que eu gostaria na verdade. Mas me doi pensar que o que vivemos foi apenas ilusão minha, que na verdade ele só estava se divertindo com uma garota bonita e provavelmente cheio de segundas intenções. Que aquela troca de olhares quando nos reencontramos e aqueles beijos foram falsos, pelo menos da parte dele, porque eu! Me entreguei de corpo e alma, enquanto esse cachorro só estava interpretando seu papel para conseguir o que quer. Mas ele que vá se satisfazer com a amiguinha vagabunda. O sinal toca e voltamos para a sala. Por sorte, as duas últimas aulas passaram voando. Já estava exausta por tudo que aconteceu.

Estava a caminho do meu carro quando uma voz conhecida me chama.

— O que é Maxon? — Pergunto ríspida.

— Precisamos conversar, não podemos ficar assim.

— Maxon eu não serei um brinquedo seu tá legal? — Ele me olha confuso — Tem muitas garotas doidinhas para ficar com você. — Nesse momento ele me agarra pela cintura me pressionando contra meu carro. Seu corpo tão próximo ao meu me causando arrepios enlouquecedores.

— Mas eu quero você — diz ele com a voz rouca no meu ouvido. Nem sei descrever o que isso me causou. Ele se afasta para me olhar nos olhos. — E que história é essa de você ser meu brinquedo? — Seu comentário me desperta. E eu o afasto.

— Eu entendi qual é a sua. Você é gentil, galanteador, um cavalheiro com a única intenção de levar as garotas para cama — ele arqueia as sobrancelhas. — Eu vi você beijando outra garota hoje cedo — ele engole em seco — aí o zelador nos pega no flagra e não fica nada surpreso por estarmos lá, isso porque você leva todas naquele armário não é? — Ele abaixa a cabeça, não podia negar, pois essa é a verdade. — Eu realmente pensei que você gostasse de mim. Que não era mais um pegando no meu pé por eu ser bonita e rica. Afinal você é tão rico quanto eu. Mas no fim você só queria uma diversão.

— Por Deus América — ele esbraveja, a voz carregada de frustração — como você pode duvidar dos meus sentimentos depois de tudo que passamos ? — A indignação em seus olhos é inegável. — Você não pode ser tão cega assim. Ok, eu beijei a Kriss — então esse é o nome dela — mas foi um erro, um momento de fraqueza. Eu estava estressado, te contei sobre meu pai, você até o conheceu. Briguei com ele hoje cedo e… e… ela estava ali… fácil… — Ele levanta os braços e os deixa cair pesadamente ao lado do corpo, como se as palavras pesassem nele.

Por um momento, sinto um aperto no coração. Pelo pouco que presenciei, o pai de Maxon é realmente desprezível.

— E sobre o que o Ben disse, certo, já fiquei com muitas garotas no armário dele. Mas nenhuma… preste atenção — ele me encara nos olhos, e eu sinto um arrepio — nenhuma jamais me fez sentir o que você me faz sentir a cada vez que me olha, que sorri e que me toca. Nenhuma, América. Você é única.

Sinto meu coração se partir com a intensidade de suas palavras.

— E sinceramente América, — ele continua — eu não vou te perdoar por jogar meus sentimentos no lixo desse jeito. Você foi a primeira garota com quem fui realmente sincero, a primeira que conheceu o meu verdadeiro eu, e você me vê como se eu fosse um animal — ele me dá as costas e saí. O que eu fiz?

— Maxon… — eu o chamo num sussurro audível, ele se vira para mim mas não consigo dizer nada. Me sinto péssima por fazê-lo se sentir dessa forma. Ele balança a cabeça em negação e se vira novamente rumo ao seu carro.

Estou indo buscar meus irmãos na escola deles apenas refletindo sobre tudo. Meu reencontro com Maxon se resume em um misto variado de emoções. Tanto boa quanto ruins vindo de ambas as partes. Começamos o dia com olhares de alegria e paixão, e o finalizamos com olhares de decepção e tristeza. Uma lágrima solitária rola pelo meu rosto. Não queria que as coisas tomassem o rumo que tomou. Meus irmãos já estavam ao meu aguardo, May não disse uma palavra sequer, não sei se ela ainda está chateada pelo episódio na papelaria. Gerad estava uma matraca, mas logo se calou quando ninguém deu atenção aos seus comentários. E nosso dia seguiu-se assim fûnebre. Até a hora de dormir.