Fomaríamos um Maravilhoso Nós
28 Estamos namorando
Sabe aquela sensação de acordar se sentindo renovada? Até mesmo uma nova pessoa?
É assim que me sinto.
O sorriso não se desfaz da minha boca, causando uma terrível dor na mandíbula. Mas eu não o culpo. Simplesmente… não tem outra forma de eu estar nesse momento depois da noite de ontem. Uma noite mágica, apaixonante, alucinante!
Respiro fundo me encarando no espelho. Adorando essa nova America mais sorridente, mais mulher, mais confiante… mais amada.
Respiro mais uma vez dando uma última olhada no espelho. Conferindo se o cabelo fica alinhado independente do lado que eu jogo ele, se o rímel não borrou minha pálpebra, se meus lábios estão hidratados, se a roupa não está amassada. Confiro tudo me sentindo meio boba porque no final das contas, não quero estar perfeita para agradar a mim, mas sim para agradar o Maxon.
Quero estar linda para ele, ser linda para ele. Porque do nada, meu mundo pareceu virar ele.
— Ah Maxon, o que você fez comigo? — me auto pergunto. Pois quem diria. Eu! Estar tão caidinha assim por um garoto. — Não é qualquer garoto America! — verdade, não é qualquer garoto — é o amor da minha vida! — eu só posso estar louca falando com minha imagem no espelho.
— Você endoidou de vez — a voz do anjo banido que eu tanto amo surge no meu quarto — os neurônios da mamãe são dominantes no seu corpo, só pode.
— Fique chamando a mamãe de louca para você ver ela te escutar, não terei nem tempo de lhe dizer adeus — hoje May pode até tentar, mas nada é capaz de me tirar do sério.
— Finalmente lhe encontrei de bom humor — diz ela, mas num instante, May pareceu notar algo, arregalou os olhos e sorriu maliciosamente para mim.
— Ah não! Nem vem! — Tento escapar do impossível. Mas ela continua com o sorriso perverso.
— Só existe UM motivo para esse bom humor todo — a salafrária começa a rir, seu olhar insinuando o inegável.
— Dormir bem… — respondo rápido — dormir bem faz as pessoas ficarem de bom humor… — seco minha mão na roupa.
Caralho America! Sua irmã mais nova te deixa nervosa.
May olha para o seu relógio de pulso e começa a contar mentamente, batendo o indicador no queixo com uma expressão confusa, como se algo não fizesse sentido.
— Pelos meus cálculos, desde que você chegou… — lá vem — você teve apenas um pouco mais de cinco horas de sono, e estudos indicam que para o corpo se recuperar, precisa de pelo menos oito horas — ela me encara como se tivesse feito a descoberta do século — então… a não ser que haja um estímulo maior… — ela sorri satisfeita na sua pausa dramática — a senhorita deveria estar com um péssimo humor… como explica isso?
— Eu não tenho que explicar nada — como fugir dessa? — aliás… não sou especialista em sono, de repente cinco horas são suficientes para mim.
— Nem você acredita nisso — não mesmo — vai irmã… me contaaaa!
Reviro os olhos dando risada. Porque tentar negar algo para ela? Justo ela que descobre até a cor da minha calcinha.
— Está me devendo pela ajuda que te dei com a mamãe, coisa que eu nem devia ter feito por me obrigar a te ajudar a limpar a casa… mas pelo gato do Maxon, vale a pena até carpir mato.
— Verdade… — suspiro — se não fosse por você, eu não teria a noite mais maravilhosa da minha vida — rodopio no quarto como uma princesa encantada — obrigada May.
— Não quero agradecimentos, quero fatos, detalhes, descrições, relatos…
Ela estava me entediando com tantos verbos. Sem mais aguentar a ansiedade dela e a minha, estendo a mão com minha linda aliança, May trava para um segundo depois. Surtar.
— Aaaaah… NÃO ACREDITOO! — vem saltitando na minha direção pegando minha mão vislumbrando o anel com olhos de águia — Ele te pediu em namoro? — pergunta sem acreditar o que já estava claro.
— Pediiiu! — foi tanta alegria, que May e eu agarramos nossas mãos e começamos a girar pelo quarto, gritando como gazelas perdidas.
— O que está acontecendo aqui? — paramos com os rodopios com a chegada da mamãe.
Apertei as mãos de May nervosa. Nossa mãe não sabe que fui ver o Maxon ontem a noite. Se eu contar que estou namorando agora, ela vai ligar os pontos e vai saber o que ela fará. Minha irmã compreendeu na hora a situação, afinal, ela é esperta.
— Estamos comemorando mãe… — não sei se é uma boa ideia deixar que May invente a desculpa.
— Posso saber o que? — mamãe ainda está chateada comigo, portanto, seu tom de voz não é muito confortável.
— A Ames finalmente decidiu me dar a bolsa linda dela da Louis Vuitton — espera! O que!? Olhei para ela indignada. May retribuiu a encarada toda cheia de si. Li a chantagem nítida no seu olhar. — Não é Ames? — dou um sorriso terminantemente forçado.
— Claro — não soei nada convincente, e sim decepcionada. Eu amo aquela bolsa, era edição limitada. Sabia que era uma péssima ideia May inventar a mentira.
— Desçam logo para o café — Dona Magda ordena.
— Sim mãe… — assim que mamãe saiu das nossas vistas eu agarrei o braço de May. — Você ficou maluca!? Não vou te dar minha bolsa.
— Será mesmo? — se faz de esperta.
— Não acredito que está me chantageando May! Pensei que estava comigo nessa — ela me ajudou com o Maxon e agora tenta tirar vantagem?
— Eu estou brincando sua boba — ela me empurra de leve — só queria ver a sua cara… e por pouco você mesma se condena para a mamãe por não saber disfarçar.
— Espertinha — apertei sua bochecha a deixando vermelha.
— Ai! Não faz isso! — May passa a mão no vermelhidão.
— Vamos descer logo antes que nossa mãe volte — dou a última olhada no espelho e pego minha bolsa.
—Não, espera — ela segurou meu braço — você não me contou a melhor parte!
— Que melhor parte?
— Não se faça de desentendida. Anda! Me conta… como foi a furunfada?
Ter uma irmã tão indiscreta assim é uma benção? Ou um castigo? Se eu for para o céu, sei que foi por aguentar as atrocidades de May.
Para o café decidi retirar a aliança, apenas para tomar o cuidado de ninguém descobrir antes da hora. Não vou enrolar tanto para dizer aos meus pais. Vou contar hoje no jantar.
— Qual a razão desse sorriso lindo, querida? — papai se referia a mim, mas foi só quando o olhei, que percebi que ele já sabia o motivo. Seu riso dizia tudo. — Domingo quero ele aqui para o almoço. — Sussurrou o mais baixo possível para que minha mãe, que estava preparando torradas junto com Betina, não ouvisse.
Dei um sorriso meigo para o meu pai apertando as costas da sua mão sobre a mesa. Depois olhei para a May, tinha certeza que foi ela quem contou a ele, no entanto, ela parecia dispersa do assunto. Então minha conclusão não podia ser outra. Papai é tão observador e me conhece tão bem, que com as mais singelas mudanças em mim, é capaz de descobrir tudo.
— Ele virá — garanti sem nem mesmo saber o que Maxon vai pensar disso.
[...]
Os bafafás sobre mim depois da exposição que a Kriss fez das minhas fotos, ainda rolam soltos. Descobri que até no mural do colégio ela expôs algumas que o senhor Benjamin fez o favor de remover, e por sorte, não denunciar a direção.
Digo por sorte, porque não seria nenhum pouquinho interessante correr o risco da diretora descobrir. Seria bom para a Kriss se ferrar, mas vai que resolvem chamar nossos pais. Se dona Magda descobre que a filha dela está sendo taxada de vadia, e que há “provas” disso. A frase de efeito para o que ela fará comigo é:
“Era uma vez America Singer”.
Em outras palavras, ela me mata, me esquarteja, me mutila, me enforca… enfim… ela acaba com a minha raça.
— Aquela sonsa que pedimos para enviar o design dos novos uniformes das líderes mandou só ontem! — Diz Celeste revoltada.
— Calma amiga, nós decidimos o uniforme na sexta, não tinha como ela mandar antes.
— É por isso que todos te fazem de trouxa Marlee — ela levanta as sobrancelhas desacreditada pelo insulto de Celeste — você é muito mole. Tem que ter sangue azedo nessas horas amiga.
— Eu posso até ser mole, mas você é cabeça dura — Marlee rebate com confiança — não pensa antes de fazer as coisas e depois se arrepende.
— É por isso que você nunca faz nada, você pensa demais — eu até imagino a discussão que se formará entre as duas.
Eu e as meninas estamos na área verde do colégio, sentadas em uma das mesas tomando um pouco do sol da manhã. É tão revigorante.
— Vocês são sempre assim? — Me intrometi fazendo elas pararem de falar e me encararem — digo… vocês estão sempre discutindo, como pode isso?
— Como ousa questionar nossa demonstração de amor e amizade America Singer? — sabe quando você se arrepende mas não tem volta?
— É Singer? Como ousa questionar nossa troca de afeto? — Da Celeste eu até esperava uma recriminação, mas da Marlee?
Elas me encaravam como se tivesse ferido a alma delas. Comecei a me sentir culpada, minha face serena e sorridente começou a se martirizar. Não pensei que isso afetaria minhas amigas. Foi só uma pergunta boba…
— Meninas, me desculpem, não sabia que isso era algo sensível… — eu, com medo de perder a amizade, comecei a pedir perdão, mas as duas largam a cara séria e começam a rir. — Vocês estão brincando com a minha cara, não é? — Elas se contraem no banco. — Ha, ha, ha… muito engraçado.
— Você tinha que ver sua cara, Meri — Diz Marlee controlando o riso.
— Ah não! — qualquer sinal de divertimento sumiu da face de Celeste.
— O que foi? — Marlee e eu perguntamos juntas.
— Outra… outra sonsa vindo perguntar o que já estamos cansadas de responder — olho discretamente para onde Celeste observava e bufei.
É a sexta garota essa manhã que vem perguntar sobre os ensaios, sendo que já deixamos informado no grupo das líderes tudo. Qual o problema delas?
— Oii meninas!
— Oi — eu juro que nós tentamos responder com ânimo, mas isso já encheu.
— Queria perguntar quando começamos os ensaios — Olivia percebendo nossa falta de interesse, pergunta com cautela.
Na verdade, acho que ela tomou cuidado porque Celeste, encarava a menina com os olhos da morte. Agora entendo porque ela se recusou a ser a capitã, essas meninas estariam mortas com ela na liderança.
— Vocês não leem suas mensagens não!? Parecem um bando de… — tapei a boca de Celeste antes que ela dissesse qualquer insulto para fazer Olívia nos odiar.
— Olívia, a princípio, iniciamos na quinta e sexta. Tenho que falar com o Maxon para sabermos quais são os campeonatos que teremos esse ano, para começarmos a pensar nas coreografias, ok?
— Certo, obrigada, America — ela fez questão de demonstrar que está agradecendo apenas a mim. A morena ao meu lado parecia querer cuspir fogo.
— Garota mal educada! — reclama.
— É que você é um exemplo de requinte e educação — Marlee ri e Celeste me mostra a língua. Essas duas são malucas, mas como dizem: as melhores pessoas são assim.
Continuamos a conversar por ali mesmo, nós chegamos bem cedo então tinha um bom tempo até o início da aula. Mas eu já estava ficando impaciente. Eu queria logo que Maxon chegasse, mas ele nunca chega adiantado. Estou ansiosa para vê-lo e para contarmos juntos a novidade aos nossos amigos. Principalmente porque a cada minuto que passa, é um minuto a mais que Marlee e Celeste vão me atormentar por ter demorado tanto a dizer a elas que estamos namorando.
Carter e Aspen não demoraram muito tempo depois a se juntar a nós. Eu estava até me sentindo mal em ver os casais à minha frente trocando carícias. Carrego nesse momento o típico status de: segurando vela.
Não podia ser mais constrangedor. Só que é até engraçado ver como minhas amigas mudam suas personalidades quando os namorados estão perto. Marlee, que geralmente é “mole” como disse Celeste, vira a autoridade no relacionamento. Carter parece um cachorrinho bobo com ela. Agora, a Celeste… essa sim muda radicalmente. Minha amiga de tigresa raivosa, vira um gatinho sem garra, mas interrompa o momento dela para ver o que acontece…
— Vocês poderiam respeitar a pobre amiga de vocês — não me aguentei e acabei pedindo piedade.
— Foi mal Meri… — Aspen que segura Celeste no colo com seus braços fortes, me ouviu.
— O Max me avisou que já chega — primeira notícia que tenho dele no dia graças a Carter, porque a mim, Maxon não teve a decência nem de responder minha mensagem. — Parece que ele esqueceu algo no apartamento, ele já deve estar vindo.
— Ele podia ao menos me avisar — desabafei, deixando meio óbvio minha decepção.
— Temos que marcar alguma coisa para fazermos! — Marlee fala antes que um chato silêncio se formasse.
— Finalmente você disse algo sensato… — Marlee deu um leve chute em Celeste enquanto todos riamos.
Conversa vai, conversa vem… vejo Marlee arregalar os olhos, ao passo que Celeste fez o mesmo. Elas esboçaram uma cara de surpresa enquanto eu não entendia nada, os meninos sorriam de lado como quem já esperava. Curiosa para ver o que tanto chamava a atenção, não só apenas deles, mas de todos que estavam por ali, olhei para trás, não sem antes ouvir a Marlee repetir a mesma frase várias vezes como um disco arranhado.
— Ai meu Deus! Ai meu Deus! Ai meu DEUS!
Me virei… e me derreti…
Meu loiro dos sonhos, entrava no jardim carregando o lindo buquê que ele havia me dado ontem, e que eu, no calor do momento, esqueci antes de ir embora. Na luz do dia aquelas rosas são ainda mais lindas, no entanto, quem as carrega não se compara. Ele é tão charmoso, tão atraente, tão lindo. Aquele buquê parecia um acessório realçando toda sua beleza exterior e principalmente, a interior.
— Oi meu amor — faltava espaço no meu rosto para o tamanho do sorriso que abri quando ele chegou ao meu lado e me cumprimentou.
— Bom dia minha vida — me levanto em um passo para abraçá-lo.
Devo ter ficado vermelha com os aplausos e as comemorações vindo de todo o jardim. As pessoas estavam como doidas cochichando a novidade.
— Você esqueceu ontem — Maxon me entrega o buquê que eu pego sem pensar duas vezes.
— Obrigada meu lindo — agradeço depois de sentir o aroma delicioso das flores.
Rapidinho inclino meu rosto esperando nada mais nada menos, que o beijo dele. Claro que ele estava tão ansioso quanto eu por esse momento. Borboletas pareciam se debater no meu estômago, enquanto entrelaçamos nossas línguas em um beijo calmo e extremamente delicioso.
Nossos amigos, que posso chamar de: estraga prazeres… pigarreiam juntos nos fazendo cair na real.
— Agora eu quero explicações… como assim você esqueceu as flores ontem!? — Celeste exige assim que Maxon senta atrás de mim e me abraça.
— É! O que não nos contou ainda America? — Não sabia que Marlee podia soar tão intimidadora.
— Eu falo ou você fala? — E Maxon começa com suas tentativas de me pirar sussurrando no meu ouvido.
— Juntos — digo tentando olhá-lo. Ele assente e juntos contamos a novidade.
— Estamos namorando!
— Aaaaaaah! — Não esperava menos escândalo vindo das nossas amigas assim que mostrei o anel de compromisso.
— Caramba! Parabéns aos dois, de verdade — não sei porque, mas foi tão importante ver o Aspen feliz por nós dois.
Abrindo bem o jogo... eu tive uma quedinha pelo Aspen, afinal de contas, quem não teria?
Ele é lindo, atencioso, divertido… é impossível não se apaixonar por ele. Se o Maxon não aparecesse, se eu não fosse amiga da Celeste. Sei que rolaria algo entre nós dois, até porque, sei que Aspen tinha também esse interesse em mim. Ele deixou isso claro no meu primeiro dia de aula quando roubei a vaga dele no estacionamento, e todas as vezes que ele quebrou um galho.
Mas agora tudo se ajeitou. Ele está feliz com a Celeste e pelo relacionamento meu com seu melhor amigo.
— Falta só você se mexer Aspen… — Carter joga a ideia no ar, deixando ele completamente sem jeito e sem reação.
— Eu não preciso dessas baboseiras — Celeste pode mentir para ela mesma, mas não para mim e para Marlee, sabemos que ela sonha com o dia que Aspen pede algo mais sério entre eles — não é um anel no meu dedo que prova alguma coisa, sem falar que estamos nos conhecendo ainda, né amor?
Aspen concorda e é salvo de argumentar qualquer coisa pois o sinal toca para irmos para a aula. A contragosto levantamos e fomos caminhando até a sala. Eu chamava atenção de todos com aquele monte de rosas nos braços, pensava em ir guardar no carro até que Celeste, não sei se por obra divina ou vinda dos quintos dos infernos, nos faz recordar, o que definitivamente não deveríamos ter esquecido.
— Grr… só de pensar em apresentar aquele maldito trabalho de química com a Bariel me enjoa — eu parei de ouvir assim que “trabalho de química” foi citado.
Maxon e eu nos entreolhamos, desespero era o que cada um estampava na cara.
— Puta que pariu! — Ele levou as mãos à cabeça.
— Maxon, esquecemos dessa merda! — Exclamei roendo as unhas.
Sou péssima em química, daqui duas semanas temos prova, a qual tenho certeza absoluta que vou mal. Esse trabalho era minha salvação para passar direto nessa droga de matéria.
— É sério que vocês esqueceram? Estavam fazendo o que, que esqueceram!? — A resposta para a pergunta de Marlee até veio à minha mente: estávamos brigando e se pegando. Mas só a ignoramos.
— É só na terceira aula, podemos inventar algo agora — Maxon no desespero tenta achar uma alternativa para o nosso problema.
— Mas vai ter revisão para a prova hoje — me desespero mais ainda, preciso dessa revisão porque sou péssima em matemática também.
— America pelo menos é revisão, daqui duas horas temos uma apresentação de fato, podemos estudar depois, vamos! — Ele só pegou minha mão e me guiou para sei lá onde.
O lado bom é que até tínhamos produzido bastante coisa no dia que fui em seu apartamento, finalizamos a parte teórica, só o que precisamos é montar a apresentação e o relatório do experimento que tínhamos que ter testado antes. Então só por isso não estou tranquila. Como vamos relatar o que não vimos?
— Cara se não tiver os produtos para a mistura aqui no colégio, acho que o certo é irmos embora e subornar um atestado médico — Maxon segue dando soluções para os possíveis problemas. O que eu agradeço imensamente, pois não consigo pensar nem qual é o meu nome nesse momento. — Você cria a apresentação enquanto eu assisto um vídeo e monto o relatório a partir dele, mas antes vamos ver se tem o que precisamos para o experimento.
O mais difícil foi convencer o senhor Benjamin a liberar o laboratório e o que precisávamos para a mistura, por sorte, encontramos todas as substâncias necessárias no estoque. Agora estamos ambos concentrados nos laptops, Maxon assistindo um experimento que faz o líquido emitir luz. Na minha cabeça isso só pode ser coisa do capeta. Desde quando líquido emite luz?
Eu estou montando o slide, não me orgulho disso, mas, estou enchendo de textos para lermos e explicarmos o que é essa macumba. Talvez percamos nota pela apresentação, mas ler é nossa única salvação. Estava mais calma, até que o sinal tocou, isso me apavora pois agora, temos só mais uma hora para finalizar tudo.
— Não acredito que você está mais preocupada em que posição vai deixar a figura do que com o conteúdo que precisamos que tenha aí. — Maxon me julga ao me ver rotacionar a imagem de um frasco de experimento para deixar a apresentação mais… bonita.
— Cuida da sua parte que eu cuido da minha — ele riu gostosamente comigo o acompanhando.
— A minha parte eu já terminei — ele fecha sua tela e vem até mim, me abraçando por trás, olhando o que eu fazia apoiado com o queixo no meu ombro.
— E-eu terminaria isso aqui muito mais rápido se você parasse com i-isso — minha voz sai trêmula, assim como meu corpo nesse momento em reação aos beijos que Maxon deixa pela minha pele.
— É que você é irresistível — com sua mão ele arrasta meu cabelo, me arrepiei ao sentir o ar gelado em meu pescoço. E Deus! Desmoronei quando ele começou a beijar desde o seu início até o pé da minha orelha.
— Ma-maxon, por favor… — minhas súplicas são vagas, óbvio que eu não quero que ele pare, e Maxon sabe disso, mas preciso terminar essa porcaria de trabalho primeiro.
— Eu senti tanto a sua falta depois que foi embora — mordi meu lábio enquanto deitava minha cabeça no seu peito, me deliciando com sua voz rouca no meu ouvido. Eu já estava entregue. — E estou com tanta saudade agora — Maxon se aproveita que a cadeira gira no próprio eixo e me vira para ficar de frente com ele.
Nossa respiração entrelaçada, lábios roçando um no outro e troca intensa de desejo emitia nossos olhos. Um gemido baixo se fez presente assim que Maxon puxou minhas pernas com força colando nossas áreas sensíveis. Começo a ofegar. Isso é loucura. Mas uma loucura muito, muito tentadora.
— Adoro o fato de você estar de saia, facilita tanto as coisas — me tremia enquanto ele citava as palavras com sua boca quase colada na minha. Mas tudo desandou dentro de mim quando a mão dele começou a percorrer minha perna, entrando por de baixo da saia e arrastando pro lado minha calcinha. Uma necessidade enorme de gritar socorro pelo tesão que isso causou foi enorme — tão preparada para mim já amor? — diz ao tocar minha intimidade extremamente molhada. — Em? — O filho da mãe gosta de provocar.
— O que esperava depois de me seduzir dessa forma? — sorriu satisfeito.
Acabando com a tortura, começamos a nos beijar. Eu aproveitava ao máximo o momento. Soltei um puta gemido abafado pelo beijo quando Maxon, de surpresa, enfiou dois dedos na minha estrada. Com movimentos de vai e vem eu nem me concentrava mais em beijá-lo, apenas revirava os olhos e me controlava para não gritar com a potência que ele colocou nas mãos. Mas, infelizmente ou felizmente, pontadas de medo me atingiram.
Tenho que terminar o trabalho improvisado em pouco tempo, alguém pode entrar a qualquer hora, pode haver câmeras na sala. Meu Deus!
— Maxon! As câmeras, para com isso — o afasto — se formos pegos estamos fritos — ele bufa irritado.
— Você tem razão, desculpe, não sei o que deu em mim… — o abençoado pelos deuses passa as mãos de uma forma extremamente atraente no cabelo, se concentrando em apagar o fogo dentro dele, mas atrapalhando totalmente em apagar o meu.
— Porque você tem que ser assim? — Maxon me encara confuso.
— Assim como? — Desço da cadeira e vou até ele, tento me contentar em acariciar apenas com o indicador seu imponente peitoral.
— Assim… lindo, atraente, charmoso, gostoso… — ambos sorrimos.
— Eu é quem devia perguntar isso a você — ele me abraça e dá um cheiro gostoso no meu pescoço fazendo-me sentir cócegas, não seguro as gargalhadas. — Anda… você precisa terminar isso aí.
— Está certo… — juntei todas as forças que me restavam para encontrar meu autocontrole que se perdeu por aí.
Claro que a capacidade de concentração se perdeu junto. Fico me remexendo na cadeira tentando apagar esse fogo que Maxon acendeu. Essa experiência de começar e não terminar é extremamente frustrante e estressante, principalmente quando você ainda tem que fazer uma tarefa chata, para uma matéria insuportável.
Maxon saiu para imprimir nossa pesquisa e relatório, o que me ajudou muito a ter foco no que precisava. Terminei em poucos minutos. Ficou uma apresentação legal, agora o que resta é o experimento que teremos que fazer, tendo a turma toda de plateia, funcione.
O sinal tocou, disparando meus batimentos cardíacos. Em minha mente eu me perguntava se a professora seria estúpida o suficiente para não perceber que o nosso trabalho foi algo totalmente improvisado. O povo começou a chegar no laboratório onde eu e Maxon ficamos a maior parte do tempo, e para ajudar, é o único lugar que ele não está agora que precisa.
— Eae? Conseguiram fazer alguma coisa? — Marlee que sentou com Carter na mesa à frente pergunta.
— Sim, mas o Maxon foi imprimir a parte escrita e desapareceu — minha voz pode até estar firme, mas é porque a ansiedade ainda está crescendo.
Nesse momento alguém abre a porta com certa brutalidade. Era o Aspen e Celeste. Os dois entram exasperados na sala aos risinhos, mas não eram risinhos de algo engraçado, e sim, de quem aprontou algo indecente em algum canto do colégio.
Esses dois não tem jeito.
— Onde está o Max Meri? — pergunta Aspen ao sentar em dupla com Celeste à minha direita.
— Ia perguntar se não o viu por aí. Ele foi imprimir nosso trabalho e não voltou ainda.
— Nós estávamos na sala de impressão, não vimos ele lá — Aspen responde, mas por um segundo, eu me perguntei se eles realmente foram lá para usar a verdadeira função daquela sala.
— Bom dia Alunos! — professora Suzana, o diabo em pessoa finge estar feliz em nos cumprimentar.
E cadê o Maxon!?
— Como já devem estar cientes, hoje temos apresentações — fiquei ciente a duas horas atrás professora, será que conta?
Ela tagarelou desnecessariamente, explicando a dinâmica das apresentações e bla. bla, bla… eu não estava interessada, e sim preocupada, nós seríamos a terceira dupla e nada do Maxon chegar com os malditos papeis. Mandei inúmeras mensagens e até liguei para ele quando chegou a vez do segundo grupo. Nós seríamos os próximos! Por agora, nem me importo de xingar esse imbecil.
A porta é escancarada e um Maxon ofegante passa por ela, pedindo milhões de desculpas por atrapalhar a apresentação. Nem para ser discreto. Nosso trabalho já não vai ser aquelas coisas, e ainda por cima ele irrita a professora. Estou quase achando que estamos fodidos.
— Onde você estava? — sussurrei com os dentes cerrados assim que ele sentou ao meu lado.
— Tive que ir em uma papelaria — ele saiu do colégio?
— Mas porque? O colégio tem um local próprio para isso! — Tive que repreendê-lo. Eu estou nervosa. — Achei até que tinha me abandonado à própria sorte!
— Shiii! — com um chiado a professora nos obriga a calar a boca.
— E você acha que eu não fui lá? — diz no tom mais baixo possível — mas não sei porque diabos ela estava trancada.
Mas é claro… ri sem sentir graça alguma. Eu sei muito bem porque a sala estava trancada. Olhei de relance para Aspen e Celeste, os pombinhos estavam de risinhos sem culpa nenhuma, mal sabem que quase acabaram com minha chance de não ficar de recuperação em química, só porque não seguram os periquitos.
— America e Maxon — ambos engolimos em seco com o chamado da bruxa.
Organizamos tudo. Com a apresentação sendo projetada começamos a explicar nosso tema: quimioluminescência. Eu me tremia de nervoso, mas acho que consegui transparecer a segurança que precisava.
Era encantador ver Maxon falar como se tivesse domínio do conteúdo, pareceu que ele estudou o tema a fundo pois nem os textinhos que eu deixei para ajudar no slide ele leu. Com certeza isso nos deu credibilidade.
Agora era a hora mais temida por nós dois, ver se a macumba vai funcionar. Apagamos as luzes e fechamos as persianas a fim de deixar a sala escura, assim todos veriam aquela feitiçaria com clareza. Mas resta saber se vai ter o que ver nessa merda.
Com toda a sabedoria adquirida, Maxon começou a mistura explicando tudo de uma forma que fiquei impressionada. E agora era a hora…
E agora era a hora, repito mentalmente com esperança. Agora deveria ser a hora… Pigarrei nervosa.
A bendita luz, não aparecia naquele maldito frasco!
— Eeé… — Maxon coça a nuca e me olha na expectativa de que eu saiba o que fazer, eu apenas lhe mostrei minha faceta de desespero — não entendo porque não está funcionando… — notei nossos amigos segurando as risadas mais ao fundo da sala.
— Parece que errou a mistura senhor Schreave — professora Suzana parecia ter uma pequena dose de compaixão na voz, mas só parecia mesmo.
— Possivelmente — respondeu olhando indignado para macumba que falhou com ele.
Com um gesto a professora pediu que acendessem a luz e abrissem as persianas. A experiência foi um fracasso… nós fracassamos. Nos entreolhamos tristes pela nossa falha, depois de todo o esforço que tivemos nessas duas últimas horas, essa porcaria não acendeu. Se valerá nota… sei lá.
— Bem… Maxon e America, nem sei o que dizer… — começou a professora antes de eu começar a gritar.
— Olha! Olha! Olha! — O redemoinho na água começou a emitir feixes de uma luz azul — aaaah deu certo! — Segurei os braços de Maxon e comecei a pular de alegria, ele sorria satisfeito.
— Senhorita America! Recomponha-se! — ordenou.
— Desculpe! Fiquei emocionada — todos na sala riram.
— É… parece que deu certo, fascinante — queria entender porque ela falava com desdém — até que foi uma apresentação muito interessante, pena quimioluminescência não ser o tema de vocês.
— O que!? — Eu e Maxon exclamamos juntos.
— Esse era o tema de seus colegas Amélia e Maicon, o de vocês era eletrólise — ela diz com a maior calmaria.
Depois dessa derrota, só me sentei na minha mesa junto com meu namorado e lá ficamos olhando para frente, observava nossos colegas gesticular suas falas, mas sem ouvi-las de fato, pois eu só estava concentrada no zero que iria ganhar.
— Como vocês dois conseguiram ser burros o suficiente para não verem que pegaram o tema de outro… como!?
— Cala a boca Carter, esquece essa merda — pede Maxon cansado da zoação dos amigos.
— É vamos esquecer isso — Marlee tenta mudar o astral da nossa mesa no refeitório — vamos continuar a falar o que faremos esse final de semana.
— Eu e Maxon não poderemos ir com vocês — digo comendo minha batata frita.
— Não? — Maxon questionou confuso.
— Porque não Meri? — perguntou Marlee fazendo bico.
— Nós vamos almoçar na minha casa.
— Vamos? — Maxon questiona novamente, sem entender nada.
— Grande coisa — exclama Celeste — vocês podem almoçar outro dia.
— Realmente não vai dar, ele vai pedir permissão aos meus pais para namorar comigo.
— EU VOU!? — Ele fez a maior cara de espanto que já vi. Impossível não rir.
— Credo America, de que época seus pais são? Ninguém mais faz isso — diz Marlee após beber seu refrigerante.
— Meus pais são da época dos antiquados, não posso fazer nada em relação a isso — dei uns tapinhas reconfortantes no rosto pálido de Maxon.
— Que bucha você arranjou em meu tigrão — Aspen também deu tapinhas em Maxon, mas nas costas.
— Viu só! Quis pegar a ruiva ao invés de mim… agora vai ter que enfrentar o sogrão — Carter quis brincar mas foi estapeado por Marlee — au! Isso doeu amor.
— Se você continuar com surtos gays, teremos uma greve séria Carter! — Ele só engoliu em seco.
— Não será necessário minha fadinha assanhada — Carter usa seu tom mais masculino tirando risada de todos na mesa.
As duas últimas aulas passaram rápido e até esquecemos o problema com a nossa apresentação. Foi divertido observar Maxon preocupado com o almoço que ele ficou sabendo do nada. Ele roeu as unhas e ajeitou o cabelo quinhentas vezes. Fico imaginando tudo que a mente dele devia estar planejando.
— Amor, eu vou mesmo ter que fazer isso? — Maxon me pergunta enquanto caminhamos até o meu carro.
— Desculpa não te falar antes Max — me encostei na porta do carro assim que chegamos — meu pai fez esse pedido hoje de manhã, por impulso falei que você iria. Desculpa. — Encolhi os ombros.
— Não tem problema, eu só fiquei um pouco nervoso, nunca falei com os pais de garota nenhuma antes — Maxon mexe no cabelo novamente, sinal claro que ele está preocupado — será que eles vão gostar de mim?
— Eles já gostam de você seu bobo — dou risada da sua insegurança que nem devia existir.
— E se eles não deixarem eu namorar com você?
— Isso não vai acontecer… — passo meus braços pelo seu pescoço — você é incrível, mas se preferir… posso dizer que você não poderá ir ao almoço.
— Não, não — responde prontamente — se preciso fazer isso para poder ficar com você — ele enlaçou minha cintura nos juntando o máximo que podia — eu farei… e se precisar enfrentar um dragão… eu enfrentarei… — acabo rindo pelo exagero — eu faço qualquer coisa por você… qualquer coisa…
Meu peito inflou de felicidade. Não esperava encontrar um amor tão sincero e devoto como o de Maxon. Ele é um sonho, e o beijo que ele está me dando nesse momento, me transporta para esse mundo surreal. Onde só nós existimos e absolutamente nada mais importa.
[...]
Chegar em casa com um buquê em mãos vai gerar muitas, mas muitas perguntas. Que estou mais do que pronta para responder. Não há mais dúvidas entre mim e o Maxon, não há mais intrigas e nem falta de confiança. Não há mais nada que nos separe.
Ao chegar e passar pela porta, parecia que todos estavam me esperando para receber a novidade. Eu estava radiante, esperando o que tivesse que vir da minha família. Todos estavam almoçando e assim que me viram, cada um esboçou uma reação. May, como eu já esperava, segurava o grito de empolgação que vinha lá do fundo da sua alma ao enxergar o buquê. Papai parecia feliz, Gerad… é o Gerad, nem deu bola. Minha mãe… nem sei como explicar.
— Que flores são essas America? — Dona Magda pergunta com o cenho franzido.
É agora!
— Família, Maxon e eu… estamos namorando.
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