Folie à Deux

6 Capítulo 6


Notas iniciais
Olá, amores! Como prometido, voltei rapidinho com o novo capítulo. Espero que gostem. Boa leitura!

Depois do fim de semana na casa do tio com Abigail, Will se arrependeu por não ter começado a fazer os trabalhos antes. Porque ele ainda teria que estudar para as provas, que começariam em uma semana. Ele descansou um pouco, mas passou o resto do dia estudando, e acabou ficando sem tempo de ir atrás de Hannibal como tinha prometido.

Mas para a sua surpresa, Lecter já estava preparando aparecer no dormitório do amigo. Uns vinte minutos depois que Brian saiu, dizendo que ia a uma lanchonete ali perto com o Jimmy, Hannibal bateu a sua porta.

— Espero que não esteja atrapalhando. – ele disse com um sorrisinho, olhando para dentro do dormitório de Will.

Will balançou a cabeça. – Nem um pouco. Entre.

— Fã de esportes? – ele perguntou, apontando para os pôsteres de inúmeros jogadores e times de basquete na parede do quarto.

— Não, são do meu colega de quarto. – ele olhou em volta, se arrependendo por não ter uma mini geladeira em algum canto. – Não tenho nada para te oferecer.

— Não se preocupe com isso, Will. Você já está me oferecendo a sua companhia. – disse Hannibal, e depois apontou para a cama que ele assumiu ser a de Will. – Posso me sentar?

— Fique à vontade. – o outro respondeu, sentando-se ao seu lado.

— Como foi a viajem?

— Ótima. – disse Will. – Eu ensinei a Abigail a pescar. Estou pensando em lhe dar um kit de pesca em alguma data, talvez no natal. Ela é boa.

— Acredito que sim.

— E você tinha razão. Eu me sinto mais responsável e conectado com ela agora.

— Vocês compartilharam um tempo junto, e somando com o fato de você ter adotado ela como sua irmã mais nova, faz com que esse vínculo cresça mais rápido.

Will respirou fundo. – Não consigo decidir se é uma coisa boa ou ruim.

— Cada ligação que criamos, com qualquer pessoa, vem com um risco emocional.

— Então é uma coisa ruim?

— Eu expressei a minha opinião de que você está indo rápido demais. – disse Hannibal. – Mas eu posso ver que você já se importa profundamente com ela. Não acho que você ainda esteja em tempo de recuar.

— O vínculo já foi criado. – ele se levanta, passando a mão no rosto, e vai até a janela, encarando o nada por um longo momento.

Hannibal levanta e fica atrás de Will, a poucos centímetros de realmente encostar-se ao outro. Mas Will só percebe a sua presença ao ter uma sensação estranha, sentindo a respiração de Hannibal próxima de sua nuca.

— Você acabou de me cheirar?

— Difícil de evitar. – disse Hannibal. – Eu realmente devo lhe apresentar uma colônia pós-barba melhor. Isso cheira a algo como se estivesse um barco no frasco.

— Eu continuo ganhando no natal.

Ele anda um pouco para longe. Hannibal olha em sua direção. – Will... – ele o encara por alguns segundos, antes de continuar. – Abigail não é um erro. Você passou tempo demais construindo muros, mas só porque alguém foi inteligente o suficiente para escalá-los, não quer dizer que a pessoa não mereça a sua compaixão.

Will franze a testa. – Você parece dizer por experiência própria.

— Sim. – ele sorri de lado. – No meu caso, a pessoa é você.

O outro retribui o sorriso. – Também senti falta das nossas conversas.

...

Depois de Hannibal sair, Will se lembrou de quando seu tio Bob lhe perguntou sobre Alana. Ele não tinha falado mais do que duas vezes com a garota, após mudar de faculdade. Sentia saudades. Ela era uma boa amiga. A única que tinha na sua vida antiga.

Surpreendentemente, parecia estar com mais facilidade de fazer amigos. Ele se dava bem com Brian e Jimmy, criou uma ligação com Abigail e uma ainda mais forte com Hannibal. Será que ele estava finalmente se encaixando, ou todos só continuavam a conversar com ele, porque ainda não perceberam o quão louco ele é?

— Chamada Realizada -

— Will Graham! Estou chocada que você ainda lembra que eu existo.

— Desculpe, de verdade. Eu estive ocupado com a faculdade, tentando ser sociável, participar.

— Está seguindo meus conselhos. Mas tá funcionando?

— Estou indo melhor do que eu esperava.

— Fico feliz por você.

— Como vão as coisas por aí?

— Seu pai me visitou duas vezes na última semana, acho que ele gosta mais de mim do que de você.

— Claro que ele gosta.

— Para de rir, Will. Estou falando sério... E bom, eu conheci alguém.

— Mais um aluno novo?

— Aluna nova. Margot.

— Hm.

— Ela é linda e muito legal. Você iria amá-la. Talvez eu a leve comigo, quando eu for te visitar na próxima semana.

— Você vai vir na próxima semana?

— Você não vem aqui, acho que é a minha única opção. Além disso, estou ansiosa para conhecer os seus novos amigos... Ah, eu salvei uma cadelinha ontem, o nome dela é Susan, minha nova bebê.

— Pegando um dos meus maus hábitos?

— Um dos seus bons hábitos.

— Sinto falta de casa, ás vezes. Dos meus cachorros.

— Sinto falta de você, Will.

— Bem, nos veremos em uma semana.

— Sim... Opa, eu acho que a Margot chegou. Vamos ver um filme aqui em casa.

— Se a sua mãe deixou, então é algo sério.

— Espero que sim. Tchau, Will. Cuide-se.

— Você também, Alana. Você também.

— Chamada Encerrada –

...

No dia seguinte, no caminho para a sala de aula, Will estranhou que estava um tumulto no pátio. Um grupo de estudantes olhava algo, assustados e horrorizados. Uma garota soltou um grito e saiu correndo, quase o derrubando no caminho.

Ele se aproximou. Tinha que ter acontecido algo muito sério para todos estarem assim. Will passou pelas pessoas, pedindo licença, abrindo caminho entre a multidão, e quando chegou ao centro do pátio, soube por que todos estavam olhando.

Uma garota tinha sido assassinada, assim como as outras vítimas do assassino dos anjos que estavam investigando. Ele correu até ela, não podendo conter o desespero, porque não era qualquer garota. Era Abigail.

— Por favor, se afastem. – disse o inspetor, empurrando Will.

— Ela é minha amiga. Ela é minha amiga. – ele repetia, tremendo e querendo socorrer a garota, salvá-la mais uma vez, mesmo sabendo que dessa vez não podia.

— Will, Will... – Hannibal – que estava no meio da multidão – o segurou pelo braço, enquanto as lágrimas começavam a escorrer pelo rosto de Graham. – Por favor, venha comigo.

Hannibal o levou para longe, ignorando os olhares o perseguindo enquanto ele andava com Will para dentro do campus. Colocou o amigo sentado em sua cama e foi buscar um copo de água. Ele não chorava mais, só encarava o chão, paralisado.

— Beba. – ele entregou a água a Will, que bebeu um gole e devolveu a Hannibal rapidamente. – Eu sinto muito. – ele disse, colocando o copo em cima da cabeceira.

Will não respondeu.

— Eu ficarei aqui até que você esteja pronto para falar. – disse Hannibal. – Você não precisa falar até que esteja pronto, mas não irei a lugar algum até que você fale.

— Eu não sei o que falar. – ele disse, cobrindo o rosto com as mãos. – Eu só quero ir para o meu dormitório e ficar sozinho um pouco.

— Você pode chorar na minha frente, Will. Não tem vergonha nenhuma nisso.

Ele tentou sorrir. Hannibal colocou a mão no ombro do amigo. Graham começou a chorar em silêncio, e a tremer sem nem mesmo perceber o que estava fazendo. Hannibal gentilmente o puxou para um abraço confortante, ao qual Will retribuiu imediatamente, murmurando um “Obrigado”.

— Eu estou aqui por você, Will. Sempre estarei.

Notas finais
Não atirem pedras em mim! Eu poderia dizer que já vi a Abigail morrer tantas vezes, que acabei me acostumando e não consigo me imaginar escrevendo um final feliz pra ela (mesmo adorando ler essas versões). Mas a verdade é que a morte dela é um ponto importante para o desenvolvimento do Will. Eu adoraria saber o que vocês estão achando, amo ler os comentários! Beijos